capas de livros: instrumentos publicitários?

Normalmente quando vamos a uma livraria temos dois propósitos: ou procuramos algo muito em concreto - um autor ou um tema específico, ou então procuramos matar o tempo percorrendo as estantes de livros um pouco ao acaso, tentando perceber o que há de novo ou o que é recomendado pela casa como leitura. Em ambos os casos já não terá sido a primeira vez que a nossa atenção é captada por uma capa. Ainda sem saber o autor ou o género do livro, aquela imagem obriga-nos a aproximar da obra, pegar-lhe e quem sabe percorrê-la com um olhar mais demorado....
Afinal o que é a capa do livro? Um vil instrumento de publicidade? Desempenha um papel premeditado, em consonância com o autor? Pretende ser uma primeira imagem que serve como faísca introdutória para toda uma história? Julgamos um livro pela sua capa e o primeiro impacto que nos deixa?
Outrora, há muitos e muitos anos, quando li J. R. R. Tolkien pela primeira vez, lembro-me da importância de uma imagem. Era o que a minha imaginação tomava por base para todo o resto e via-me com frequência a olhar para a capa e atribuir-lhe significados e contextos em função do desenrolar da história. Para mim, não era um instrumento publicitário, mas sim algo que pertencia à obra. Actualmente, com a tentativa da massificação da venda de livros, creio que tudo se alterou um pouco, assistindo a remodelações de antigas capas por outras "mais modernas" que vão de encontro aos hábitos de consumo da actual geração.
Henry Sene Yee é um designer de capas de livros. Contratado por autores e editoras, dá um pouco da sua criatividade e cunho pessoal a obras que ainda não possuem um rosto para o público, quer tenha ele como objectivo a venda ou a introdução à própria história. O seu trabalho, que aqui deixo alguns exemplos, pode ser encontrado na totalidade no seu blog pessoal.










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18 comentários
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As capas com mulheres nuas fazem vender bem. Curiosamente, umas cenas de sexo pelo meio das páginas dos romances fazem o mesmo efeito mesmo que não contribuam nada para o desenrolar da acção. Cada vez se vêem (e se lêem) mais livros destes. É literatura, dizem.
seven em 14 de janeiro de 2008

A capa de um livro, assim como todas as gravuras internas,podem ser um excelente recurso que o leitor compreenda totalmente um livro.Entretanto, para isso, os recursos visuais tem que ser bem utilizados(o que nem sempre acontece.Acho absurdo quando, em alguns livros mais antigos, as novas edições recebem capas e/ou gravuras diferentes da original.Isso pode modificar ou empobrecer a percepeção do leitor.
V.gama em 14 de janeiro de 2008

E se os livros não tivessem capa, Vanessa? Seria interessante. Aposto que nos íamos guiar pelos títulos...
seven em 15 de janeiro de 2008

Podem ser instrumentos publicitários, com certeza muitas capas o são.
Mas, gostaria de fazer aqui uma breve reflexão: Qual é a principal função da capa de um Livro? Protegê-lo, é claro! Ou não?...
A capa do Alcorão, da Bíblia e de muitos livros "sagrados" podem ser classificadas como instrumentos publicitários? A Bíblia venderia melhor com uma gravura de > na capa? Talvez! Porque não?!
O que pretendo dizer é que um LIVRO tem, hoje em dia, uma multiplicidade de funções que a palavra se torna demasiado vaga, geral. Há livros escolares, técnicos, históricos, religiosos, ..., e Romances (Novelas)! Creio que é a estes últimos que a capa serve melhor como instrumento publicitário. Sem dúvida!
Mateus em 15 de janeiro de 2008

Interessante tema!... A capa de um livro é, não tenhamos dúvidas, um instrumento publicitário (uma das razões que levam editores a "protegerem" edições novas de livros "velhos" com capas diferentes das originais, mais de acordo com o "gosto" do momento). Mas a capa é tb - ou pelo menos deveria ser - algo, como aqui é defendido, inerente à obra em causa. Uma sinopse gráfica da vida que protege.
CJGil em 15 de janeiro de 2008

Gostei do artigo, Bjr. Minha professora de japonês encapava todos os seus livros com um papel cor creme comum, sem fita adesiva nem nada, para proteger. Interessante...
Admiro o trabalho gráfico/artístico de duas editoras no Brasil: a Companhia das Letras e a Cosac & Naify. Agora lembrei-me da Nova Fronteira que publica os livros do G. Rosa. O trabalho de capa é belíssimo e em total harmonia com a obra e a literatura do autor. Apesar da nossa sociedade dinheirista eu confesso que tenho me surpreendido com o trabalho de editoras brasileiras e americanas. Minha filha tem uns livros cujas capas só acrescentam - verdadeiras obras de arte para crianças. Seja lá de quem for o mérito, se dos publicitários ou ilustradores, ou ainda os dois, tiro o chapéu. =P
isabella em 15 de janeiro de 2008

É isso mesmo, Mateus, as capas servem essencialmente para proteger o livro, embora haja algumas capas ditas "moles" que pouco mais espessas são do que uma folha... Mas não serve a roupa também para proteger o nosso corpo e não é ela objecto de desenho, estilo e moda?
Acho a ideia de uma Eva na capa da Bíblia genial! :D
seven em 15 de janeiro de 2008

Adoro capas de livros. E servindo elas como propaganda ou não, merecem serem belos. Como gosto muito de aquarela, fico hipnotizada com uma capa com este tipo de gravura. "Livros sempre despertam paixões".Seja qualquer que seja o assunto sobre eles...
Anna em 15 de janeiro de 2008

A capa do livro atrai imenso, mas só o compro depois de ler algumas passagens ou uma critica que me agrade. No entanto, nada como ter uma bela capa a acompanhar um livro que gostamos. Com as pessoas passa-se o mesmo, não?! ;)
Voltando aos livros, pego no exemplo do Harry Potter. Comecei a ler a série por mero acidente e apaixonei-me imediatamente. A partir daí, do primeiro livro, comecei a comprar apenas as versões inglesas que têm capas lindíssimas. As portuguesas, espanholas, italianas e francesas (as únicas línguas que domino) são autênticos repelentes!
A propósito de capas atraentes, haverá maior deleite que se "passear" por uma boa livraria inglesa? Difícil...
Bluegift em 15 de janeiro de 2008

Mulheres nuas? Seca do caraças... Só se for para homens e afins...
Bluegift em 15 de janeiro de 2008

As capas dos livros são, só por si, uma arte autónoma, Blue. Sim, mulheres nuas. A Bíblia teria então duas edições, a masculina, com a Eva em pose afectada, e a feminina, com o Adão a fazer músculo. Far-se-ia desconto para casais.
seven em 15 de janeiro de 2008

LOL! Boa ideia! ;)
Bluegift em 16 de janeiro de 2008

Sim, capas são mesmo muito legais e úteis em vários aspectos, sem dúvida. Também evoluem, como muitos objetos. Mas lendo esse post me lembrei de quando comecei a ler livros; criança ainda, adorava os que tinham alguma ilustração (interna ou externa) que me guiavam melhor, como sinal de trânsito, por todo o enredo; e seria a âncora visual que me levaria inclusive, no futuro, a me lembrar do que foi lido com apenas um olhar na estante (a mente se incumbindo de animar a ilustração em suas peripécias).
Acho que adultos - apesar do seu senso estético mais apurado e exigente - prescindem de ilustrações; o texto torna-se o mais importante; ele, per si (se for bom, claro), faz todo o trabalho de construção imagética.
Capas de livros e homens evoluem, afinal... ; )
Mod em 19 de março de 2008

Tal e qual as iluminuras medievais...
seven em 19 de março de 2008

Sim, são elementos publicitários. Basta saber usar. Pois assim como um filme muitos escolhem pela capa. Ela tem várias funções até mesmo a mais antiga das publicações. A bíblia passou a diferenciar não só a capa quanto a linguagem, para atrair novos públicos ou os que não reparavam. Hoje temos bíblias para crianças com temas infantis, biblia para mulher, para finanças, para adolescentes.. etc... cada capa buscando atrair o público alvo, sendo com imagens, com cores e formatos. São poucas as publicações que fazem uma capa APENAS para proteger o conteudo.
junior em 9 de setembro de 2008

Há tempos as editoras cairam na real: nada de capas mixurucas feitas para mostrar arte plática de beltrano, filho de político ciclano, ou aquelas colagens 'kistch' da new wave 80. Assim como os posteres de filmes, capas de DVDs, a cada dia que passa, as editoras refinal o design do livro. Dentro, e principalmente fora. Fonte, diagramação, inovação: a exemplo de 'Desvarios no Brooklyn' de Paul Auster (Cia das Letras, BR) e 'O Livro Amarelo do Terminal' de Vanessa Bárbara (Cosac & Naify, BR) são primorosos. Agora, quando se trata de mediucridade, confiram a capa de 'Porno' de Irvine Welsh (Rocco, BR), dá nos cornos!!!!
Fernando Miranda em 30 de outubro de 2008

Embalagens fazem parte da nossa vida. Seja em relação aos objetos - os supermercados são prova viva e diária deste conceito - ou a seres humanos, dentre os quais o gênero feminino é especialista no assunto, embora tal especialidade o leve, às vezes, ao ridículo. Em relação aos objetos, o poder da embalagem encontra na indústria de perfumaria seu expoente máximo, no qual o custo da embalagem supera com folga o do produto.
Por que seria diferente com os livros? Se o leitor não procura algo concreto (como o autor deste artigo se refere a quem sabe o que deseja), certamente será levado pela capa a examinar um determinado livro; daí para a frente outros fatores contribuirão com a decisão de compra, mas sem o atrativo da capa talvez o exemplar sequer fosse manuseado.
Reinaldo em 7 de dezembro de 2008

EU SO UM JOVE MUITO FEICHADO ESPERO QUE A MINHA PARTICIPAÇÃO NÃO SEJA TAO AGRADAVEL ASSIM COMO VOCES ESPERAM. ISTO PORQUE NAO ESTOU DENTRO DO ASSUNTO DA VOSSA PESQUISA OK MAIS UMA COISA VOZ DIGO GOSTO DE PARTILHAR EM TUDO SE VOCES QUIZER ME AJUDAR AI VAI O MEU CORREIO ELETRONICO UM ABRAÇO DO VOSSO AMIGO ENESQUESIVEL DEMOMENTO
AUGUSTO GUILHERME MANUEL em 28 de junho de 2009