Da universalidade dos ecrãs

Publicado em tv por lsoares em 17 jan 2008 12:27 PM | 9 comentários

 Televisao Tv Ecran Sociedade Tecnologia Entretenimento

Um dos temas que mais tenho abordado neste blog, à laia de pirata de sabre nos dentes, é o da chamada Web 2.0 e das suas consequências e efeitos secundários. Visto que o microblogging e o microfilme foram já temas que passaram por aqui, achei que era boa altura para se falar da “microcelebridade”. Mas antes de tocar nesse tema num outro post, vou aproveitar para lhe fazer uma introdução.

Quando a televisão começou aos poucos a entrar pelas nossas salas, em versão de móvel radiofónico modificado, a sua natureza era ainda clara e solidamente da natureza da Sociedade do Espectáculo, isto é, o acesso ao lado de lá do ecrã estava reservado à sorte de uns poucos, à aura do famoso, que tanto podia terminar num casamento de sonho com um príncipe como num acidente de automóvel a grande velocidade. A televisão era só mais uma forma de entretenimento. Ao entrar-nos pela casa, contudo (coisa apenas reservada à aristocracia e afins até então), este novo aparelho começou aos poucos a mudar a própria natureza do entretenimento.

Foi contudo preciso esperar até ao final do século XX para a banalização da tecnologia electrónica começar a revolucionar a caixa que mudou o mundo. Até então, se excluirmos a introdução da cor e a melhoria da fidelidade de som e imagem, pouco tinha mudado na tecnologia televisiva. O último quarto do século XX banalizou a câmara de vídeo, as consolas de jogos, o computador pessoal, os gravadores e leitores de vídeo domésticos. Todos estes aparelhos se ligam de uma forma ou outra à televisão e proporcionaram, como contexto, duas mudanças fundamentais: passou a haver cada vez mais televisões dentro de casa; “aparecer” no televisor começou a tornar-se uma coisa mais “fácil”.

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É neste movimento que a televisão abandona o seu estatuto de lareira electrónica familiar e se multiplica e banaliza pela casa, num sem fim de ecrãs. Mais que isso, este processo de banalização é rapidamente incorporado pela indústria sob a forma do omnipresente “reality show”, hoje levado ao seu expoente máximo, dando a todos e a cada um a oportunidade de passar de zero a estrela por via da humilhação ou superação pública. É claro que há aqui uns saltos de lógica, mas a verdade é que a “celebridade” começou a deixar de ser do domínio dos semi-deuses inatingíveis para o domínio dos eleitos. Democratizou-se.

E assim se preparava o passo seguinte, a revolução digital. Se a mudança de século tinha banalizado o televisor, o início deste banalizou a nossa “interacção com ecrãs” e a Web 2.0 deu-nos definitivamente as ferramentas para nos passarmos para o lado de lá do ecrã e iniciarmos uma nova era na história da celebridade no ecrã, a era da “microcelebridade”.

Mas mais sobre isso num próximo post...

Lsoares AvatarLuis Soares é escritor e colabora com o obvious. Mais informações e textos deste autor no seu blog pessoal: blog.luis.soares
 
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9 comentários

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E há uma questão interessante que não é abordada explicitamente no texto: onde é realidade e onde é ficção? A televisão baralha os limites das duas.

seven em 17 de janeiro de 2008 às 15h44

Eu tenho 35 anos e lembro-me
Mas as emissões só começavam ás 18 hora
Na RTP

troca letra em 17 de janeiro de 2008 às 17h40

Depende das épocas, Troca Letra. Creio que depois disso passaram a abrir às 15h00. Também me lembro das emissões acabarem às 23h00, para poupar energia, diziam...

seven em 17 de janeiro de 2008 às 19h22

Complicando, e intelectualizando sem entrar em detalhes tecnicos... Um assunto que nao tem do que filosofar, ou vc FAZ TV ou vc ASSISTE, nao tem que criar signos e filosofias em cima, ou vc eh o LEIGO tecnico q nao entende bulhufas de engenharia de TV nem de como se faz um show de TV, ou vc eh o que domina as massas. Nao tem outro lugar pra ficar... O resto da discussao eh perda de tempo e intelectualismo barato. Quem escreve esse tipo de texto geralmente nao tem nenhum conhecimento tecnico de nenhum tipo e enche a propria mente de baboseiras, como essas que nao dizem nada no final das contas. Provavelmente cheio de mestrados e doutourados, mas nunca abriu um programa de edicao na vida nem faz a menor ideia de como iluminar uma cena ou de como se roda um filme ou um comercial... Sem comentarios...

Joaquim NELSON em 17 de janeiro de 2008 às 23h25

Tem razão, Nelson. Vamos passar a ter mais cuidado e a seleccionar melhor o que as pessoas escrevem aqui, a começar pela forma como escrevem.

seven em 18 de janeiro de 2008 às 00h16

Ou talvez seja um profissional da área que já fez um pouco de tudo... Joaquim, isso é uma visão estreita da televisão. Televisão sempre foi tanta coisa... e hoje é mais que nunca. Os milhares que entram em castings para programas e acabam por aparecer nem que seja por segundos... estão a fazer televisão? E os que fazem canais que só aparecem na Net mas usam todos os meios de que fala. Estão a fazer televisão? E um webisódio rodado para passar na Net entre os episódios que passam no televisor, é televisão? E um canal que só passa informação sobre o tempo em texto e gráficos, é televisão? E um directo 24 horas de uma webcam, é televisão? E o Chris Crocker, a LonelyGirl15, a KateModern, o T2para3... são televisão? E o Joost e o You Tube e o Hulu? São televisão? E um jornalista que apresenta noticiário mas dá a sua visão do mundo é num blog. Onde está a televisão? Ajude-me por favor...

Luis Soares em 18 de janeiro de 2008 às 00h56

Ó senhor Joaquim!... Bem, fico-me por aqui. As únicas câmaras de que já estive perto são as municipais...
Fiquem bem, aprendamos todos informalmente e em diversão; não nos zanguemos!

CJGil em 18 de janeiro de 2008 às 03h42

Troca letra /Seven:
Tem ambos razão, mas em alturas diferentes. Existiram de facto alturas em que cá abria às 15 horas e alturas em que abria as 18 horas. E fechou durante 1976 creio, às 23 e depois à meia noite e era mesmo para poupar energia - dados os gastos que, naquela época, durante um certo período de tempo foram "difíceis de pagar".
Quando surgiu o 2º canal, creio que foi nessa altura, que o primeiro canal começou a abrir às 15 horas e pouco depois às 12 e depois às 8 horas, enquanto que o segundo canal, passou a abrir às 18 horas.

Com todos esses "problemas" nessa altura fazia-se televisão. Actualmente faz-se outra coisa qualquer que, de televisão, tem pouco...

dissidentex em 18 de janeiro de 2008 às 11h49

Sim é isso, Dissidentex, a minha memória já não estava viva.
Também é verdade que o conceito de televisão evoluiu muito, o que por si não é negativo; o que é negativo é a exploração acéfala que se faz desta tv 2.0

seven em 18 de janeiro de 2008 às 23h07

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