Escultura e matemática

Arte e Ciência são conceitos antagónicos apenas na aparência. Na verdade encontramos qualidades estéticas ímpares em muitas formas de cariz objectivo, rigoroso, geométrico e matemático. A americana Bathsheba Grossman escolheu o bronze para materializar complexas figuras geométricas tridimensionais. Poderia ser uma aula de matemática.
Mais do que o o produto final é interessante o modo como trabalha. Geralmente baseia as suas esculturas num padrão geométrico que se repete e se entrança em zonas circulares. A figura encontrada obedece invariavelmente a regras de simetria rotacional, o que quer dizer que o objecto tridimensional vai repetindo a sua forma à medida que vai rodando ao longo de um eixo de simetria. As variações possíveis são imensas, para não dizer infinitas.
Em padrões muito elaborados esta característica pode verificar-se em mais do que um eixo de rotação. Quanto mais condições de simetria tiver o objecto mais elegante e depurada é a sua forma, aproximando-se da de sólidos geométricos elementares como o cubo, o tetraedro, o octaedro, o dodecaedro ou o icosaedro. Às vezes as regras são muito simples como, por exemplo, três rotações de 180 graus em cada um dos três eixos coordenados perpendiculares.

No meio disto tudo o mais difícil é visualizar mentalmente o objecto e, sobretudo, encontrar um sistema de representação que permita criar um modelo para servir de molde. Os sistemas de moldagem tradicionais não se adequam pura e simplesmente. Assim, o processo de criação começa com a selecção da matriz modular da escultura. Em alguns casos pode ser feito um modelo rudimentar com plasticina, papel ou palitos. Posteriormente esse esquema básico é desenvolvido no computador com o auxílio de um programa de CAD. É uma operação morosa.
A fase seguinte é a passagem do modelo virtual para o objecto físico. Recorre-se a um processo denominado Impressão 3D (3D printing) que pode ser feito de várias maneiras. A mais comum é a construção do modelo por camadas ou fatias, literalmente, num bloco de cera. A partir daqui entramos já nas técnicas convencionais de moldagem e fundição pelo método conhecido como "cera perdida". A peça fica terminada com a oxidação e polimento das superfícies.




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14 comentários
Fantástico... mas estou mais espantado da Dina ainda não ter dito nada... logo ela que é perita em zonas circulares :)
bjr em 2 de janeiro de 2008 às 15h10
Cá para mim ainda está mas é com a cabeça a andar à roda... ;)
seven em 2 de janeiro de 2008 às 15h14
Dizem que ela só se vai abaixo depois da 14a garrafa...
bjr em 2 de janeiro de 2008 às 15h16
Não vai à 13ª porque é supersticiosa...
seven em 2 de janeiro de 2008 às 15h20
Sandra Leite em 2 de janeiro de 2008 às 17h17
Supersticiosa, poderosa... Ai, quando ela recuperar da ressaca estamos feitos ao bife...
seven em 2 de janeiro de 2008 às 17h20
Verdadeira artista, familiarizada -impossível duvidar- com ciências matemáticas. A obra é bela e poderosa!
Já agora, tenho para mim, não há ciência sem arte e o inerente e imprescindível talento (que pode existir apenas em 1%, como sabemos, desde que o tormento seja de 90%). O inverso tb é verdade, só que aqui, a meu ver, esta já pode ser aplicada de modo não consciente (usa-se em arte -não raro- um determinado processo que outra coisa não é senão ciência, só que tal não assume esse estatuto na tolinha do artista; na ciência, a arte é conscientemente posta ao seu serviço em toda a metodologia aplicada para...). O talento, esse é tb condição sem a qual não!
CJGil em 3 de janeiro de 2008 às 03h49
Bjr, já me apelidaram de muita coisa, mas "pêra pequenita" foste o primeiro :S
Sim sr!, então vocês aproveitam a minha ausência para me fazer a folha...que falta de chá!
A vossa sorte é ter acordado há 20 minutos. Tenho apenas 300000000000000000000000 de neurónios a funcionar e, portanto, não estou no meu melhor, senão estavam fritos.
Quanto ao artigo, volto à carga mais tarde. A primeira frase do dito até me está a causar urticária às meninges, apre!
Dina em 3 de janeiro de 2008 às 12h27
Gostei muito.
Obrigado Seven por partilhares estas maravilhas com a comunidade.
Bom Ano para toda a equipe fantástica OBVIOUS
João Manuel em 3 de janeiro de 2008 às 12h35
É um prazer ter-te de volta, Dina. E, aparentemente, sóbria...
seven em 3 de janeiro de 2008 às 14h31
Gil, discordo ligeiramente. O processo artístico é menos premeditado e mais intuitivo do que o método científico, mais controlado. Mas concordo que em ambos é preciso talento.
Há também os casos que fogem à regra, como o de Einstein, que concebeu a sua Teoria da Relatividade de um modo... ortodoxo.
seven em 3 de janeiro de 2008 às 14h42
Miguel em 3 de janeiro de 2008 às 20h39
... e continuamos a todo o momento, aqui no obvious, à espera que a D. Dina volte à carga... Fiquem atentos ;)
seven em 3 de janeiro de 2008 às 20h50
Ainda a propósito de escultura:
ESCULPIR – O QUE SE ADULA; O QUE SE DESPREZA
O que fica do acto é importante, por vezes genial, mas… e o que se retirou? Então o que se expediu não terá a mesma importância ou, no mínimo, um valor não despiciendo?
Existiria (é a minha opinião, é lícito existirem outras) nobreza também no acto de guardar, em recipiente próprio (um para cada secção da Obra), o exacto material retirado à pedra. Pois, se não tivesse saído naquelas precisas quantidades, as secções não seriam as mesmas; a Obra seria outra.
…
- Espera lá, espera lá!
- Quem és tu, e espero lá, onde?
- Quem eu sou, não vem agora ao caso; quanto ao espera lá, é espera lá aí.
- Porquê?
- Então, isso das estátuas… e se for, por exemplo, uma estátua da senhora ministra da Educação ou do senhor ministro da Saúde?... Também se guardam os restos em recipientezinhos?
- O meu caro amigo acha que os indivíduos que evoca, e cujos nomes me recuso a pronunciar, são dignos do escopro do escultor?
…
CJGil em 12 de janeiro de 2008 às 22h42
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