Fotografias de anjos

Representações da morte infantil no Brasil dos oitocentos
Os estudos das representações sobre a morte e seus entornos, a fatal e coletiva passagem da vida para um desconhecido, nos reúne imemoriais em ritos que denunciam os anseios e as mentalidades de épocas e suas gentes. É certo que os eventos da morte relacionados às crianças costumam despertar uma comoção bem particular e, em finais século XIX, quando no Brasil a fotografia dava os seus primeiros passos, as práticas em redor da morte infantil ganharam novos contornos para seus antigos costumes evidenciando uma surpreendente comunidade imaginária onde o além é o mote primeiro do estar-se vivo.
Ainda que a prática da fotografia fosse uma novidade restrita às famílias mais abastadas e, desse modo, um tanto raras, o historiador Luiz Lima Vailati, em artigo para a revista “Anais do Museu Paulista”, conseguiu reunir uma série de imagens de crianças falecidas, datadas entre 1865 a 1895 (pertencem ao acervo do Museu Paulista da USP). Trata-se de um material um tanto chocante cuja força encerra relevâncias brutais sobre a sociedade Paulista e, até onde pudermos estender, à brasileira daqueles anos de 1800. Temos vislumbres de práticas que, aos nossos olhos viciados, não podem ser menos que absurdas. Mas ao início: por que fotografar crianças mortas?
A superexposição da morte e dos mortos fortalecia-se naquele período a cada velório onde ficavam apinhados as famílias, os vizinhos, os desconhecidos, os curiosos e toda sorte de pessoas - num movimento que, tenho certeza, ainda se pode encontrar no interior dos estados e nos cultos regionais em países de tradição católica. O mostrar, o apresentar o defunto já estava fundado entre as centenas de motivos que podem reunir público ao redor de alguém de quem se pode falar bem, mal ou somente falar, mas, no caso das crianças, o que se percebe é um outro anseio: inocentes, livres da dúvida sobre a descida ao inferno, os pequenos aparecem glorificados, podem portar pedidos, interceder, são assim chamados “anjos”.
Vailati explica que pela organização dos enterros de crianças, estes pareciam ser concebidos para uma assistência, para que pudessem ser vistos por todos. Eram, inclusive, realizados pela manhã, quando os velórios adultos costumavam acontecer pela noite. Existem documentadas procissões, cortejos, visitas dos anjinhos às casas, até mesmo com o uso de andores onde apoiavam os pequenos em suportes de madeira ou cordas; numa expansão que quase me escapa imaginar. É possível que a fotografia tenha sido opção para quando começaram a sair leis que visavam acabar com este costume dos cortejos.


Jerônimo Bessa e Militão Augusto Azevedo, fotografaram, entre seus demais expedientes, os pequenos anjos de São Paulo numa sensível documentação dos corpinhos que, por não se apartarem de suas almas (era a crença), eram ornados como entes divinos. Flores feitas em coroas, um último olhar sereno, hábitos de santos (nas palavras do autor, se a criança se chamasse Francisco, ia com o hábito de São Francisco), cuidados zelosos de pais que desejavam ver seus filhos amparados também no outro mundo onde, na certeza da salvação, pediriam pelos que ficaram. Pediriam graças, perdões e, se fosse possível, outros filhos pro consolo.
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30 comentários
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Por mais que pareça muito bizarro era algo extremamente comum. em alguns lugares na India, ainda de convive por semanas ou meses com o cadaver da pessoa na casa, até que ela possa pagar por um funeral apropriado! Inclusive servindo comida,
Dudu Maroja em 23 de janeiro de 2008

Os rituais da morte são muito diferentes por esse mundo fora, Dudu. No Oriente têm de um modo geral uma atitude de maior aceitação do que nas sociedades ocidentais modernas.
seven em 23 de janeiro de 2008

Bem, no caso citado por Dudu parece que as famílias só mantêm o cadáver em casa por não terem como pagar o funeral. De qualquer forma, tal atitude tb demonstra um modo diferente de encarar a morte, é verdade. Sabemos que os orientais encaram a primeira certeza pós-nascimento com
uma "leveza" que nos pode impressionar.
Gil em 24 de janeiro de 2008

Nascemos para morrer e esquecemo-nos disso.
seven em 24 de janeiro de 2008

Não conhecia isto. Lembro-me de ver em casa de um amigo alemão, há anos, uma foto antiga de uma família inteira e um morto num caixão - levantado, de forma a que o corpo estivesse quase na vertical. Mas era um adulto. Na altura pensei que o funeral devia ser considerado como mais um momento para juntar a família, como os casamentos e baptizados, que também têm direito a fotografias de grupo em pose.
tajana em 24 de janeiro de 2008

Pessoalmente incomoda-me a visão das pessoas depois de mortas. Considero os corpos em câmara ardente, com os rostos pálidos e macilentos, uma humilhação para os defuntos, que nem na morte têm o direito de se esconder pudicamente, frágeis e indefesos. Ao contrário do que dizia Andy Warhol, não se fica bem na morte.
seven em 24 de janeiro de 2008

Mas parece que se morreres com monóxido de carbono ficas com um lindo sorriso do tipo pós-plástica.
Bom, eu ainda só vi uma pessoa morta. Mas lembro-me de ter ido ao funeral do bebé de um amigo, que morreu no parto, e, obviamente, não quis ver a criança (é uma zona que tem a tradição de abrir o caixão uma última vez antes de o baixar para a cova, para as pessoas poderem ver e etc..). E uma tia-avó minha veio ter comigo e dizer que eu devia ir ver, argumentando que "É tão bonito, tão perfeitinho...". Brrr.
tajana em 24 de janeiro de 2008

Espero morrer de morte rápida e violenta, que é para não ficar com cara de parvo. Era só o que faltava...
seven em 25 de janeiro de 2008

amigos, estou impressionada pelo texto ter gerado debates e impressões. fiquei com medo que todos achassem mórbido demais (até desrespeitoso) e me dessem uma pedrada na rua.
o assunto é riquíssimo, riquíssimo. gostaria de deixar pra vocês a fonte, o artigo de Luis Lima Vailati que está disponibilizado na rede. http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/273/27314203.pdf
gostaria participar também do debate, mas ando complicada com mais uns 20 artigos parecidos com esse. até :)
prill em 26 de janeiro de 2008

Welcome back, Pri ;)
seven em 26 de janeiro de 2008

Olha, agora que falas em pedrada... hmmm...
tajana em 26 de janeiro de 2008

Vais ser tu a atirar a primeira pedra?
seven em 26 de janeiro de 2008

Pois, se estão todos aí com vergonha...
tajana em 26 de janeiro de 2008

Força! ;)
seven em 26 de janeiro de 2008

Não!! Com força não!!!
(quando eu me referia a 20 artigos iguais a esse, não significavam artigos para o Obvious, mas artigos acadêmicos tratando das manifestações e representações da morte no mundo luso-brasileiro seculo 19). ufa! explicado. além de pedradas, fiquei com medo duma internação como psicótica.
prill em 28 de janeiro de 2008

Sim, sim. E já faltou mais...
seven em 28 de janeiro de 2008

Olá
Tornei-me admirador e divulgador deste blog, até em meu orkut, desde o primeiro e acidental encontro e agora, com estas fotos de "anjos", vocês se suplantaram !!!! Não conhecia este hábito, ou mesmo os cortejos citados... Fantástico !!!! Nada de morbidez, apenas tentando entender as razões humanas destes atos. Até por não ser um ritual tradicional de despedida, como um velório, ou missas. Parece ir além... Por serem "anjos" ?!?! Vou tentar encontrar entre os mais velhos alguém que saiba me dizer algo a respeito, o sentimento de uma época...
Bem.... Obvious merece ser estudado em teses. Todos os dias tenho a alegria de ser provocado e sempre aguardo ansiosamente pelo mais novo newsletter.
Obrigado e um grande abraço.
Eduardo
Eduardo Peter Zimmermann em 31 de janeiro de 2008

Muito obrigado, Eduardo. Abraço
seven em 31 de janeiro de 2008

também agradeço, eduardo. a tua idéia de perguntar pros mais antigos é boa, cara. presumo aqui que os costumes permaneceram pelo litoral até a primeira década de 1900, devem ter resquícios na memória de alguém, principalmente no interior do país.
quando levantar algo, não deixe de vir aqui partilhar com a gente, certo?
beijos
prill em 1 de fevereiro de 2008

ola companheiros!
Foi de muita ajuda pra mim encontrar esse conteudo aqui. Sou estudante da Universidade Federal de Sao Carlos, do curso de Imagem e Som, e pretendo fazer um trabalho final para a disciplina de Teorias do Audiovisual a respeito desse costume interiorano de fotografar os mortos no velorio ( e aqui, particularmente as criancas)
abraco a todos!
jose ruiz em 12 de maio de 2008

Olá, é um dos blogs mais interessantes que vi nos últimos tempos, fotos lindas e materias muito interessantes, especialmente por ficarem de fora o preconceito contra qualquer informação...Um abraço.
Celia Moreno em 6 de outubro de 2008

Na minha terra, no interior de Minas, creio que ainda existe este costume. Lembro-me de uma foto de uma mãe que matou os 7 filhos e se matou com veneno. Todos estão em uma cama, com os olhos semi-abertos mirando o vazio. Mas o menor, de poucos meses, parecia dormir serenamente. Eu chorava muito, sofria, mas tinnha a certeza de que ele não sofrera. Isso me consolava: como ele poderia sofrer, se estava tão bonito? De fato, para mim, ele era um anjo!!
Izabel em 23 de outubro de 2008

sim, sem duvidas crianças com nemos de oito anos sao anjos,pois nao podem responder pelos seus atos.particulamente não gosto ver elas sem vida, porque gosto de ver elas bem agitada.
angel em 30 de outubro de 2008

Uma tia da minha mãe costumava ir a enterros e tirar fotos ¬¬ aff
Isa em 10 de janeiro de 2009

Isa, os funerais no ocidente são um pouco tabu... vejo muito poucas coisas sobre o tema...
bjr em 11 de janeiro de 2009

Entrei ontem pela primeira vez no blog e realmente é mto bom,estou olhando as postagens mais antigas e nem dá para escolher uma preferida,ótimas fotos e textos...
A primeira vista é mto estranho esta prática de fotografar estas crianças,mas serve de recordação para a familia,para imaginar como seria a vida se não tivesse ocorrido a morte ou uma forma diferenciada de despedida...
Emmanuelle Maia em 11 de janeiro de 2009

Emanuelle, bem vinda ao blog e obrigado eplas palavras gentis.
bjr em 12 de janeiro de 2009

A Comunicação Alma a Alma.
.........................
Fora previsto no passado que quando o homem alcança-se
certo tipo de desenvolvimento, um tipo de expressão
onde
o sentido de determinada coisa seria passado de Alma
a Alma.
Recentemente com os avanços nos campos espirituais,
observamos
que com o fenômeno da magnetização mútua, estamos alcançando
determinado patamar.
Este patamar é a base do desenvolvimento desta comunicação.
A comunicação de Alma a Alma, permite comunicar não
só
símbolos mentais e palavras, mas também sentimentos
e
emoções diretamente.
Isto aumentar o nível de comunicação e exclaresce determinados
pontos que no passado eram impossíveis de se comentar.
A comunicação é feita por magnetização remota, ou seja
a intenção e o pensamento alinhados permitem enviar
uma
determinada emoção, sentimento, pensamento e mesmo realidade
à outros seres.
Isto significa que prazer, dor, e uma gama imensa de
sentimentos e emoções, antes isoladas agora podem ser
compartilhadas.
O desenvolvimento para que isto ocorra parece algo meio
"incrível" no entanto são pequenos passos e não grandes
passos.
Isto não é a tecnologia que é desenvolvida pela mente
e sim formas de expressão que são desenvolvidas pelo
próprio espírito.
Lembremos que a magnetização neste ponto não é regida
diretamente pela vontade... isto será alcançado pelo
tempo.
Onde se fará valer aquelas palavras... feliz o homem
que controla a si próprio.
Porque será controlando a si mesmo que será possível
esta comunicação.
A consciência e o espírito unidos permitirão o desenvolvimento
harmonioso de tal comunicação.
Se a mente for colocada para desenvolver isto... como
tecnologia... problemas sérios são enfrentados. A consciência
ao contrário da mente não é polar. A mente pode chegar
a ser pluripolar.
A mente tenderá a usar isto como ferramenta da forma
que melhor entender dentro da polaridade.
A consciência pode transformar polos ao ponto de extinguí-los.
Pois quando vemos duas coisas extremas fazendo parte
da mesma coisa, escapamos do domínio da polaridade.
Isto só a consciência.
A mente usa conceitos, a consciência rege inclusive
a
vontade que os aplica.
----
Como procede.
A chave da comunicação Alma a Alma é a magnetização
remota.
Como?
Pois bem... você já devem ter visto cura a distância,
seja pela linha Prânica, seja pelo Reiki.
Então.
Se vocês observarem a magnetização é feita independente
da distância.
E proporcional a qualidade e intensidade do sinal.
Quanto mais puro, mais precisa a mensagem que o sinal
carrega.
Quanto mais intenso, maior a quantidade de receptores
envolvidos.
--
O perigo da escravização pelo magnetismo.
Eles são muitos, falam com vontade, dirigem massas,
tem
muito poder "humano".
Eu mesmo fiquei tentado a entrar para um destes grupos.
Usam de tudo desde a mente com ajuda da palavra até
sentimentos
e atos forjados.
Erguem massas, fazem de sua vontade sua espada e de
sua
ignorância seu escudo.
Dizem para todos ter bom coração. Mas só interessa à
eles oque à eles diz respeito.
Agem como ladrões e assassinos.
Nunca ninguém teve coragem de expor... quem tentou não
viveu para contar a história.
Nem diretamente pode ser colocado pois são bestas.
Bestas monumentais. Que não tem consciência no entando
suas palavras fazem sentido perfeito. No mundo do homem,
criado pelo homem. Onde a visão não alcança o todo e
os sentidos são entorpecidos pela materialidade.
Estes seres não são consciêntes de seu estado e muitos
não só não querem ficar como também fazem todo o possível
para que outros fiquem no mesmo estado, de forma a fazerem
inconscientemente uma pirâmide.
Eles sabem o sentido mas não deixam vir a consciência.
Acham que estão levando vantagem mas estão prendendo
a si próprios e ao seu próximo.
Isto está gerando uma enorme separação.
Há pessoas que ficam aderidas como com um adesivo à
isto.
Há outras que nem se nota conexão... apenas estão alí.
O nível de consciência demonstra o estado de magnetização
e de escravização do ser.
Quanto mais elevado mais sutil tem de ser a magnetização
para surtir efeito.
A consciência permite inclusive reverte-la.
Digamos que o ser que toma contato e é escravizado hoje
sofre os efeitos e amanhã ele tenderá a aplicar oque
conheceu da forma que lhe convier.
Não importa o sentido que deem em suas palavras e sim
como estão sendo aplicadas.
No entanto não podemos confundir isto de forma leviana.
Há núcleos espirituais de todos os tipos e estes seres
estão presentes em toda parte.
Cuidado.
As entidades religiosas (Igrejas,Centros Espíritas,
Guildas,
etc...) foram feitas para o desenvolvimento espiritual,
o que não impede que sejam utilizadas para fins pessoais
(nenhuma repito nenhuma se salva disto).
Consciência.
Acima de tudo.
Buscais dentro de ti, as respostas e Vigiai a si mesmo
e ao que está fora.
Quando estas plantas daninhas forem arrancadas virão
não só as folhas e os caules, mas também as raízes.
Busquem dentro de vocês.
--
Regras simples.
Observação, Compreensão e Perdão.
Observe a realidade, isto vai lhe trazer conhecimento
para evitar os problemas e soluciona-los.
Compreensão, busque compreender oque parece estranho
ou reverso, há significado em cada ato, mesmo nos mais
estranhos.
Quem comete erros automaticamente já paga por eles.
Perdão. Feliz o homem que pode perdoar de coração limpo,
pois este segue seu caminho sem nada temer ou prender,
seguindo reto seu caminho.
Posted by: ricardo antonio filgueiras | 28/12/2004 at 13:22
ricardo antonio filgueiras em 11 de maio de 2009

Achei o artigo muito interessante, apesar de também detestar ver cadáveres, mas a morte faz parte da vida, não é????!!!
Parabéns pelo blog...Os artigos são de bom gosto e criativos....Ótimos!!!!
Abraço!
ana em 20 de junho de 2009

Lembro-me do filme, Os Outros, com Nicole Kidman; onde há uma parte em que se mostra um álbum só com fotos de crianças mortas, bem vestidas... algumas até sentadas, mas todas mortas.
Pelo jeito, o costume era bem comum. Tudo porém é uma questão de hábito, de tradição, muito ligado a uma questão religiosa; elas tendem a desaparecer com o tempo, e não raro, causam estranhesa nas gerações futuras.
Um exemplo, menos "mórbido", era o costume, nem tão antigo assim, de se fazer velório na casa do próprio falecido, onde o caixão e os entes queridos seguiam depois, em cortejo para o cemitério.
Leandro Felipe em 29 de julho de 2009