Jeremy Meyer - esculturas com máquinas de escrever

A Arte Moderna e, sobretudo, a Contemporânea é pródiga em exemplos de reciclagem, ou melhor, de reutilização e recriação - ou toda a Arte não fosse uma constante recriação... - ensinando-nos que é o contexto e o significado que conferem o atributo artístico aos objectos e não o seu material ou a qualidade técnica. Será que isto faz de todos nós artistas? É pouco provável, mas o que é certo é que as fronteiras estão cada vez mais esbatidas e que a Arte saiu definitivamente dos museus e se democratizou. Sinal dos tempos.

Talvez experimentemos alguma resistência ao considerar Jeremy Meyer um artista. É discutível. É um facto que se trata de alguém sem formação académica nesta área, um autodidacta, portanto. Não é o que importa nem foi isso que o impediu de se aventurar neste mundo. Começou por experimentar outras disciplinas artísticas, desde o design ao desenho hiper-realista, passando pela moldagem e fundição de peças escultóricas. Finalmente, parece ter-se fixado nas máquinas de escrever...
Não sabemos exactamente o que o move, se um impulso espiritual, se a mera curiosidade, mas a verdade é que o seu método tem uma componente que se pode considerar genuinamente artística, ainda que naif. É o próprio autor que descreve o seu processo de trabalho. Começa por desmontar um conjunto de máquinas, cerca de 20, geralmente, e fazer um rol mental de todos os componentes sem possuir nenhuma ideia prévia quando ao resultado que pretende; este vai surgindo, sugerido pelas formas das várias peças soltas.
Seguidamente vai juntando as peças sem, todavia, utilizar nenhum outro sistema de fixação que não o parafuso; nem colagens, nem soldaduras. A obra vai tomando forma pouco a pouco, seguindo a inconstância da ideia. A construção pode ser demorada: nas esculturas maiores pode gastar mais de 1000 horas. À medida que vão crescendo as figuras vão-nos olhando e questionando, como se o mundo das máquinas (de escrever) quisesse ganhar vida.


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13 comentários
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Essa máquina de escrever se parece com as do filme "Naked Lunch", mas as de lá são mais grotescas.
Bruno em 7 de janeiro de 2008

De facto, uma expressão artística muito própria, mas por ser tão única tem o seu interesse.
Há alguma genialidade ali pelo meio...
Hugo em 7 de janeiro de 2008

E também lembra um pouco o "Eduardo mãos de tesoura".
seven em 7 de janeiro de 2008

Nossa!
Muito bem feitas hem!
Os Detalhe das expressões...
Rodrigo em 7 de janeiro de 2008

Daqui a uns anos estarão a fazer isso mas com computadores :)
seven em 7 de janeiro de 2008

Obrigado por postar a minha arte, Seven. Num futuro próximo, muitas coisas serão feitas com materiais reciclados. Se nanotecnologia torna-se realidade, as matérias-primas serão discriminadas e reconstruída em um nível molecular. Isto é, se tornando uma grande parte do nosso pensamento sobre a fabricação, design e economia. O trabalho que fazemos é um resultado desse tipo de pensamento. Espero que o meu tradutor funcionou bem.
Feliz Ano Novo.
Jeremy Mayer
Jeremy Mayer em 7 de janeiro de 2008

Sinal de que há vida... para lá da morte! Pelo menos com as máquinas do
Meyer assim é: viveram nos dedos de quem com elas deu vida a textos, vivem agora, digamos que noutra dimensão... Pronto, noutra vida!
Ganda Meyer!!!
CJGil em 8 de janeiro de 2008

Este processo morte/recriação é um dos motores da produção artística.
seven em 8 de janeiro de 2008

É um dos... Concordo!
CJGil em 8 de janeiro de 2008

Muito bom, gostei muito do trabalho dele.
Deixo aqui uma frase... uma reflexão sobre arte:
"Uma obra de arte deve levar um homem a reagir, sentir sua força, começar a criar também, mesmo que só na imaginação. Ele tem de ser agarrado pelo pescoço e sacudido; é preciso torná-lo consciente do mundo em que vive, e, para isso, primeiro ele precisa ser arrancado deste mundo."
Pablo Picasso
Um abraço
_Maga em 13 de janeiro de 2008

Excelente, Maga ;)
seven em 13 de janeiro de 2008

Muito original... gostaria de saber a possibilidade de usar imagem em livro didático de arte. Autorização e envio em alta resolução.
Rodrigo em 5 de outubro de 2008

...Há uma alusão fantástica entre seres e funções..
Particularmente gosto de como as peças dialogam entre si, parecem ter consciência de nossa observação e sua ultilidade...
grandioso!
joy salú em 27 de outubro de 2008