os hangares dos dirigíveis

Publicado em arquitectura por seven em 11 jan 2008 12:23 PM | 36 comentários

 Balao Dirigivel Zeppelin Aeronautica Construcao Arquitectura Arquitetura Hangar

Seria impossível hoje em dia concretizar um projecto como o do Conde Ferdinand von Zeppelin. Argumentar-se-ia que era utópico e arriscado e que existem formas mais seguras de pôr em prática o velho sonho humano de voar. Não obstante, fruto das circunstâncias, os dirigíveis existiram e evoluiram até limites impensáveis, chegando mesmo a tornar-se um meio de transporte intercontinental muito comum. Proporcionavam aos seus passageiros viagens deslumbrantes mas eram perigosos, dispendiosos e sobretudo gigantescos. Para a construção e manutenção destas máquinas voadoras eram necessários enormes hangares.

 Balao Dirigivel Zeppelin Aeronautica Construcao Arquitectura Arquitetura Hangar
Hangar de Moffett, Inglaterra

Estas mega-estruturas eram também fundamentais para alojar os dirigíveis entre as suas viagens. Com efeito, a grande sensibilidade ao vento dos enormes balões obrigava a que ficassem guardados num espaço fechado e coberto. A "arrumação" dentro dos hangares era um processo complicado e melindroso, à semelhança de toda a tecnologia envolvida nestes engenhos voadores. Começava-se por ancorar o nariz do balão a um cabo preso a uma grua e, a seguir, fazia-se a mesma operação na cauda. As gruas deslizavam então para dentro do hangar ao longo de duas linhas de carris, arrastando consigo o dirigível.

Muitos destes edifícios situavam-se na Alemanha, onde surgiu e se expandiu o engenho de von Zeppelin desde o final do século XIX até à Segunda Guerra Mundial. As viagens em dirigível tornaram-se comuns, atingindo o seu apogeu entre as duas guerras. Na Alemanha colossais estruturas foram erigidas em Berlim, Dresden, Frankfurt ou Düsseldorf; na restante Europa também se construiam hangares, sobretudo em França e em Inglaterra.

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Hangar de Dusseldorf, Alemanha (destruído)

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Hangares de Cardington, Inglaterra

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Hangar de Montebourg-Ecausseville, França

Durante o segundo conflito mundial os bombardeamentos encarregaram-se de destruir uma grande parte destes edifícios, até porque eram considerados alvos militares. Na Alemanha as bombas dos aliados arrasaram completamente todas as construções. Os colossais hangares foram reduzidos a escombros.

Os poucos sobreviventes desta época encontram-se nos Estados Unidos. São também os maiores, bem à maneira americana. Na década de 30', com as viagens intercontinentais já vulgarizadas, os EUA possuiam uma infraestrutura bem montada, constituída por várias bases aéreas destinadas a apoiar os voos de dirigíveis. Algumas foram destruídas ou desactivadas; outras subsistem e pertencem hoje ao exército que mantêm os antigos hangares ainda em funcionamento, fazendo as actuais construções parecer casas de bonecas ao seu lado.

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 Balao Dirigivel Zeppelin Aeronautica Construcao Arquitectura Arquitetura Hangar
Hangar de Tustin, EUA

Um dos maiores hangares dessa época, Lakehurst, em New Jersey, está ainda activo. Tornou-se famoso pelas piores razões. Era aí que costumava ficar alojado o gigantesco Hindenburg. No dia 6 de Maio de 1937 o zeppelin alemão ao aproximar-se da base para aterrar explodiu e consumiu-se num mar de chamas em apenas 34 segundos... Era o fim dos dirigíveis. Ficaram os hangares.

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36 comentários

Sou simplesmente fascinada por essas máquinas malucas e maravilhosas. Aliás, sou fã incondicional do "The History Channel" que sempre exibe em sua programação estas megas-construções.
A História nos mostra tantos inventos maravilhosos: o avião, o submarino, os balões, etc.
Tempos românticos e de grandes conquistas e explorações. Amei as fotos!
Abraços!

Kriz em 11 de janeiro de 2008 às 14h49

Que bonitos. Parecem casulos.

tajana em 11 de janeiro de 2008 às 15h12

Eu nunca tinha parado para pensar onde esses dirigíveis ficavam abrigados! As fotos estão fantásticas!
Abraço!

Laura em 11 de janeiro de 2008 às 16h35

Post muito interessante, com o assunto que para mim era bastante desconhecido.

Hugo em 11 de janeiro de 2008 às 19h39

Interessante artigo, muito bem montado. Acredito que o artigo anexo sobre dirigíveis no Brasil complemente a informação:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hangar_do_Zeppelin


Grato,

Nephita em 11 de janeiro de 2008 às 22h15

Led Zeppelin!!
Led Zeppelin!!

jvb em 11 de janeiro de 2008 às 22h53

Sim, Nephita, eu conheço o hangar do Zeppelin no Rio. É um edifício espantoso...

seven em 11 de janeiro de 2008 às 23h34

Led Zeppelin é outra música, jvb ;)

seven em 11 de janeiro de 2008 às 23h36

Wow, que foto(s)!

isabella em 12 de janeiro de 2008 às 00h11

Sempre achei os zeppelins das criações mais delirantes do homem. São pura e simplesmente fascinantes e irreais. São máquinas insanas saídas de um livro de Jules Verne em direcção a qualquer mundo perdido. Custa-me a acreditar que alguma vez existiram.

seven em 12 de janeiro de 2008 às 00h42

Arriscaria uma viagem intercontinental num titã voador, sem dúvida. E então eu, que ando sempre no ar!... É fascinante, efectivamente, a máquina e toda a rede de infraestruturas que exige. Como sinto pena do futuro que lhes está reservado!...
CJGil, Junho de 1936.

Ah, Ah!... Led Zeppelin é, de facto, outra música! " ... uma escada para o zeppelin ".

CJGil em 12 de janeiro de 2008 às 05h16

Desde que não fosse cheio com hidrogénio :(

seven em 12 de janeiro de 2008 às 10h15

irreais mesmo..e tanta infraestrotura, para levar umas poucas pessoas (considerando o tamanho da cabine branca, que presumo ser onde levavam os passageiros)

jvb em 12 de janeiro de 2008 às 11h38

Os Alemães e as suas manias de grandeza! Até faziam propaganda da sua superioridade com estes preservativos (camisinhas) enormes...!
Extravagâncias!....

(Como seriam os slogans pintados hoje em dia: “Durex XXXXXXXXXL”? “Control 500 m”?)

Mateus em 12 de janeiro de 2008 às 12h31

os antigos gigantes dos ares...

andre em 12 de janeiro de 2008 às 13h05

Ahahahaha... Mateus, achei hilária a comparação dos dirigíveis com uma camisinha. Camisinha voadoras!
E também dei uma passadinha para sugerir um texto sobre as "pin-ups" das décadas de 40 e 50. Adoraria uma matéria sobre elas. Em especial da Bettie Page.
Beijos!

Kriz em 12 de janeiro de 2008 às 13h42

Realmente um bocado mania das grandezas. O Hindenburg, que foi um dos maiores, transportava no máximo 72 passageiros dentro da barqueta, embora a lotação média por viagem rondasse a trintena de pessoas. No mínimo ridículo...

seven em 12 de janeiro de 2008 às 14h54

Merece uma visita detalhada o museu da vila onde nasceu o sr Zeppelin em Friedrichshafen que fica a meio caminho entre Bregenz, cidade austríaca com concertos no lago, e Konstanz. Nao deixar de visitar Meesburg, Lindau e ilha Mainau,tudo à volta do lago Konstanz, o mesmo é dizer Bodensee. Amostra:www.carnetdevol.org/.../zeppelin/museum.html

RC em 12 de janeiro de 2008 às 19h55

Obrigado pela dica, RC ;)

seven em 12 de janeiro de 2008 às 22h14

"São máquinas insanas saídas de um livro de Jules Verne em direcção a qualquer mundo perdido"
Nem mais!
A dica do RC não é nada má. Não fazia ideia da existência de tal museu.

Bluegift em 12 de janeiro de 2008 às 22h29

Vi a matéria e li os comentários. Achei estranho a ausência do único hangar de Zeppelins ainda existente no mundo. Dimensões: 270 m de comprimento,56 m de altura e 54 m de largura. Localiza-se no bairro de Santa Cruz, na Cidade do Rio de Janeiro.Sua construção foi iniciada em 1934 e terminada em 1936 e hoje integra a BASC - Base Aérea de Santa Cruz e o patrimônio do Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro ou Ecomuseu Comunitário de santa Cruz ( www.quarteirao.com.br )
Patrimônio tombado em 1998 pelo IPHAN, foi inaugurado pelo Presidente da República da época Getúlio Vargas.Muitas informações e fotografias podem ser encontradas no NOPH - Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica, em Santa Cruz ( Centro Cultural de Santa Cruz Dr. Antônio Nicolau Jorge - rua das Palmeiras Imperiais, s/n )

Walter Vieira Priosti em 26 de janeiro de 2008 às 19h40

Vi a matéria e li os comentários. Achei estranho a ausência do único hangar de Zeppelins ainda existente no mundo. Dimensões: 270 m de comprimento,56 m de altura e 54 m de largura. Localiza-se no bairro de Santa Cruz, na Cidade do Rio de Janeiro.Sua construção foi iniciada em 1934 e terminada em 1936 e hoje integra a BASC - Base Aérea de Santa Cruz e o patrimônio do Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro ou Ecomuseu Comunitário de santa Cruz ( www.quarteirao.com.br )
Patrimônio tombado em 1998 pelo IPHAN, foi inaugurado pelo Presidente da República da época Getúlio Vargas.Muitas informações e fotografias podem ser encontradas no NOPH - Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica, em Santa Cruz ( Centro Cultural de Santa Cruz Dr. Antônio Nicolau Jorge - rua das Palmeiras Imperiais, s/n )

Walter Vieira Priosti em 26 de janeiro de 2008 às 19h40

Na verdade, Walter, o hangar do Rio de Janeiro não é o único hangar de zeppelins existente no mundo, como afirma. Todos esses que são apresentados ainda estão de pé - Lakehurst, Tustin, Montebourg-Ecausseville, Cardington, etc., e as fotos são recentes. Só os da Alemanha, como o de Dusseldorf, desapareceram por força dos bombardeamentos, como é dito no texto.
Agradecemos o seu comentário e as suas informações. Volte sempre

seven em 27 de janeiro de 2008 às 14h37

Vou concordar com o Walter quanto a ausência do hangar da Base Aérea de Santa Cruz (RJ), onde servi por oito anos. Pelo que sei,
aind funcionam as portas(norte e sul),os elevadores e outros equi-
pamentos originais. O reservatório de gás do dirigível está em seu
lugar inicial, próximo ao prédio do comando. A estação de trem, que
levava os passageiros do então aeroporto ao centro do Rio, hoje a -
briga o comando do 4º/7ºGAV. Tenho um enorme carinho pela BASC.
Creio que além de Santa Cruz,temos apenas um hangar na Inglaterra
que foi utilizado pelo Zeppelin. Confere? Um abraço!

José Adalberto Vargas em 28 de abril de 2008 às 00h26

Muito interesante..!=/

AeB em 29 de abril de 2008 às 20h39


Muitos Parabéns pelo conteúdo do Blog e pelas belas imagens acompanhadas por um texto interessante...

Nuno em 30 de abril de 2008 às 18h16

Muito obrigado, Nuno. Leitores como você merecem ;)
Abraço e volte sempre

seven em 30 de abril de 2008 às 23h00

SOU FACINADO POR AVIÕES E MÁQUINAS VOADORAS DESDE PEQUENO. ACHEI MUITO INTERESSANTE SABER MAIS SOBRE OS ZEPPELINS. PARABÉNS!!!!

SILVIO AGUINALDO em 2 de maio de 2008 às 01h35

Até recentemente podia-se ver nos fundos da UFRJ, na Ilha do Fundão,o hangar dos dirigíveis que passavam pelo Rio de Janeiro.
Hoje, existe no local um quartel do Exército, e o hangar que podia ser visto desde a Estrada do Galeão, está encoberto por eucaliptos.
Alguém sabe dizer qual a utilidade dele hoje?
Joel

joel em 2 de maio de 2008 às 19h18

estudei baloes e nao gostei é muito chato heheheheheheh
e os baloes é muito bundãoo e eu não gosto
Mais é bem interessante pra quem curti esse assuntO
beijos até

leticia em 6 de maio de 2008 às 20h04

Esqueceram de mostrar o último hangar no Brasil. O do Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro.

Eduardo em 14 de maio de 2008 às 02h12

Estou me preparando para excursionar à Alemanha e ter o emoção de rever e, quem sabe, voar no Zeppelin New Tecnology, o NT sobrevoando Friedrichshaen. Era uma aeonave fantástica que atravessou o Atlântico 146 vezes. Numa delas conduziu meu pai Severiano Lins, primeiro comandante da aviação comercial brasileira, que estagiou voando na Lufthansa/Condor completando sua experiência como o primeiro comandante da aviação comercial a pilotar aeronaves comerciais na Europa. No dia 8 de maio de 1937 ele sobrevoou no Zep as paisagens maravilhosas do término da viagem entre a França e a Alemanha. Para minha mãe recordou a fantástica façanha: "No dia 8, entramos a voar sobre o território europeu, na França. É uma vista tão bela que chega parecer irreal. Imagine um tapete onde o verde tomasse mil e uma tonalidades, pintando castelos, bosques, aldéias, tudo isso e muito mais, onde o Zep projetava a sua sobra gigantesca avançando para o infinito. Mal tomamos contato com o solo, depois de uma semana no ar, tivemos a triste notícia: incendiou-se em New York o Hindenburg. Ficamos constaernados!".
Publiquei recentemente um livro POR CÉUS NUNCA D'ANTES NAVEGADOS relatando a indiscritível façanha dos pioneiros do ar que abriram as rotas aéreas do progresso. Fico encantado com a competente reportagem sobre os Monarcas dos Ares. Estou a disposição para continuar a explorar esse tema extraordinário do homem a procura do seu destino.Lembro ainda que estamos envolvidos, o Grupo de Zeppelin, em resgatar outra relíquia da aviação: A Torre do Jiquiá, no Recife. A única existente no mundo. Por favor vejam o meu folotog: www.fotolog.com/fclins e enviei comentários. Fernando Chaves Lins

Fernando Chaves Lins em 16 de maio de 2008 às 21h21

parece uma camisinha gigante....

só q por se gordinha...parece q ja ta no pênis.....,

huahsuahsuashuashuahushauhsuahsuahsuah

muito da hora cara.......

kkkkkkkkk!!!!1

Bjinhos.....
♥i love you camisinha♥

cristina em 19 de maio de 2008 às 19h01

pode não acreditar mas fui fazer um trabalho em uma industria em sorocaba e qual foi minha surpresa que a fabrica z.f. na verdade
é a zeppelin faibraic onde se faz caixa de cambio e de mudanças
e la tem um busto do conde zeppelin e fotos de dirigiveis eu fiquei
maravilhado , foi muinto legal muinta gente nem imagina que essa
industria é de erdeiros direto do conde , um abraço a todos .

luizcarloscavalheri em 14 de junho de 2008 às 01h54

Felicito pela excelente matéria sobre os dirigíveis e agradeço a veiculação do nosso comentário feito sobre os Monarcas dos Ares. Quaisquer dúvidas acessem os nossos sites de aviação: www.aviaçao.br.info www.fotolog.com/fclins http://fernandes-aerobrasil.blogspot.com/ www.pabloaerobrasil.net/

Fernando Chaves Lins em 14 de junho de 2008 às 14h27

estes grandes pénis aéreos não sobreviveram porque lhe faltavam os testículos..são o explo de mais uma virilidade Humana falhada....

silbva em 16 de junho de 2008 às 16h33

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