Os reflectores acústicos de Denge

Publicado em arquitectura por seven em 4 jan 2008 | 5 comentários

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Na região de Denge, no condado de Kent, em Inglaterra, a paisagem litoral é povoada por estranhas construções em betão armado de aspecto simultaneamente decadente e futurista. A explicação é simples. O local albergou no início do século passado uma base da RAF onde foram feitas as primeiras experiências de detecção aérea e as estranhas construções eram, afinal, colossais reflectores acústicos, hoje abandonados.

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Tudo começou cerca de 1915 quando a Royal Air Force decidiu criar um sistema de defesa que detectasse a aproximação aérea ao território inglês. Para isso, projectou uma imensa rede de postos de escuta colocados ao longo da linha litoral fronteira ao Canal da Mancha que teriam como missão "ouvir" possíveis ruídos provenientes de motores de aviões. Cada posto foi concebido como uma megaestrutura de betão armado composto por dois reflectores de forma parabólica virados para o mar que direccionariam o som para microfones situados no ponto focal, no fundo o mesmo princípio das actuais antenas parabólicas.

O sistema é impressionante e revela uma grande capacidade visionária, sobretudo se tivermos em conta que a aeronáutica, a acústica e até o próprio betão armado eram, nesta época, tecnologias emergentes. E não se julgue que não era eficaz - porque era.

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Ao longo de uma década vários destes postos foram sendo edificados ao longo da costa inglesa até que em 1930 o sistema foi melhorado. Um novo tipo de reflector surgiu então, maior, mais abrangente e mais preciso: uma parede hemisférica de 60 metros de comprimento por 10 metros de altura. As capacidades de detecção desta nova infraestrutura eram espantosas. Um indivíduo situado no ponto focal era capaz de ouvir o som de um motor de avião a 10 Km e, com o auxílio de microfones e amplificação, o alcance subia para mais de 32 Km!

O plano original previa a construção de reflectores deste tipo de 40 em 40 Km ao longo da linha costeira, intercalados por reflectores parabólicos mais pequenos. Porém, em meados dos anos 30', a invenção do radar e a velocidade dos aviões tornou o sistema rapidamente obsoleto. Os militares abandonaram então a ideia mas deixaram intactos os postos já construídos até à data. O complexo de Denge é um dos mais bem conservados na actualidade e inclui três reflectores, dois parabólicos, com um raio de 6 metros e 9 metros cada um, e a colossal muralha de 60 metros.

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5 comentários

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É espantoso o que se desenvolve em termos tecnológicos para o esforço de guerra. Não há obstáculos ou problemas que o engenho e empenho humano não consigam ultrapassar. Veja-se o Projecto Manhattan, que em cinco anos conseguiu o inimaginável no desenvolvimento atómico, ou mesmo Bletchley Park, responsável pela quebra de complexas cifras, contribuindo definitivamente para a vitória aliada.

bjr em 4 de janeiro de 2008

Dizem que o sonho comanda a vida mas parece que, afinal, quem está aos comandos é o dinheiro e interesses inconfessáveis. A mim espantou-me especialmente a antecipação. Fosse num quadro de guerra ou não quem levou o projecto avante percebeu que o avião era o futuro...

seven em 4 de janeiro de 2008

Nussa... Verda, agora com um pouco de humor negro*, jurava que de primeira vista era a base secreta dos Power Rangers, KKKKKKK...


Abraço/

Leno em 17 de maio de 2008

Eheheh... isto tem um aspecto realmente estranho. Se não soubesse diria que tinha sido construído por extraterrestres.. :D

Author Profile Page seven em 17 de maio de 2008

Quando eu li dengue eu achei que era o mosquito ... dhsudhusdhushdu... mas a tecnologia levando em conta a data 1915 é muito desenvolvida... quando o assunto é guerra o governo não pensa duas vezes antes de investir em algo que vai ao encontro do seus interesses.

mateus em 1 de julho de 2009

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