Graffitis americanos no Iraque

Publicado em outros por seven em 20 fev 2008 12:26 PM | 11 comentários

 EUA Iraque Soldados Americanos Graffiti Guerra

A invasão cultural parece ser a forma mais eficaz de domínio. Assistimos impotentes no dia-a-dia à proliferação das pipocas no cinema, da fastfood, das animações de Walt Disney, etc., símbolos e práticas do american way of life. Porém há factos menos conhecidos. A prolongada permanência de tropas americanas no Iraque está já a produzir um impacto cultural muito forte veiculado pelos hábitos dos soldados que, necessariamente, reproduzem ali os gestos que aprenderam na sua terra. Um deles é a mania de pintar paredes, carros, etc., com tintas em spray: os graffitis.

Na verdade os graffittis, como arte urbana ou como vandalismo puro, são actualmente uma parte importante da cultura norte-americana. Os soldados estacionados no Iraque cultivam-na, pois, escrevendo e desenhando em paredes, rochas, veículos civis e militares, com naturalidade, just like at home. Fazem-no tanto às escondidas como ostensivamente com o beneplácito dos seus superiores. Alguns deles chegam a tirar fotografias para mandar para casa. Há montes delas a circular na net...

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11 comentários

Apesar da atitude terrível americana no Iraque , entendo que tb os soldados americanos estão perdidos e mortos (ainda que vivos).
Ao ler a matéria abaixo vi que uma geração inteira de iraquianos e americanos foi ceifada.
Foi uma guerra de perdedores.
Ninguém ganhou.

http://www.nytimes.com/2008/02/15/us/15vets.html?ex=1361163600&en=3d100a5f62d55c16&ei=5124&partner=permalink&exprod=permalink.

Sandra em 20 de fevereiro de 2008 às 14h21

"There's no such thing as a winable war"...

seven em 20 de fevereiro de 2008 às 15h49

A Sandra tem razão, é uma guerra de perdedores. Mas apesar de meio invesivo, não deixa de seru uma das atitudes mais bonitas que um soldado pode fazer lá, uma forma de dizer : "sou artista, não sou soldado".

Caito em 20 de fevereiro de 2008 às 19h22

Não estou bem de acordo, Caito. Acho que é a faceta de vandalismo dos graffitis que aqui está patente. Muitos destes soldados (ou todos, não sei) são voluntários, não estão ali contrariados, e, sendo assim, pintar as paredes não é propriamente o seu grito de revolta...

seven em 20 de fevereiro de 2008 às 21h52

Também não acho que é um grito de revolta.
Talvez o grito da neurose, do pseudo-poder que se reflete em loucura, em crueldade.
Mas a história não é apenas desse lado. Há que se considerar o ufanismo americano em que esses homens foram criados. Eles de fato se consideram "polícia do mundo". Mas são perdedores.
Essa é a minha opinião.

Sandra em 21 de fevereiro de 2008 às 01h38

É fato que os graffitis são estratégicos, descaracterizando o campo inimigo e causando uma sensação de onipresença das tropas americanas. Tanto que são liberados pelos superiores, como diz o texto. Mais importante, talvez, seria questionar o impacto (MUITO negativo na minha opinião) em uma cultura que, segundo o governo Bush, prima em preservar. Deveria ser avaliado o lado ético deste comportamento, o que duvido que tenha sido feito, e que alguém esteja se importando em fazer, dado o orgulho que os soldados exibem no ato. Não se enganem, estes rapazes estão aí voluntariamente para matar pessoas e brincar de heróis. É o que eles queriam, almejavam e estão tendo.

Carlos E D Souza em 21 de fevereiro de 2008 às 13h02

Subscrevo o que disse, Carlos. E muitos destes "voluntários" são indivíduos com historial de delinquência para quem o graffiti é visto apenas como vandalismo.

seven em 21 de fevereiro de 2008 às 14h14

Acho deplorável a forma como os invasores tratam o país. Algum tempo atrás vi um vídeo em que os soldados tratavam com desprezo e ironia um soldado iraquiano, fazendo-o elogiar em alto e bom tom o "white power", às custas da chacota de todos.

Não compreendo que tipo de "liberdade" é levada até lá. Talvez, no máximo, a liberdade dos invasores, às custas sempre dos invadidos.

Catatau em 23 de fevereiro de 2008 às 22h35

Subscrevo o Carlos, o seven e o Catatau.

Penso que ou os Estados Unidos mudam a sua postura de 'todos poderosos' ou ainda se vão arrepender.
A historia mostra que podemos ter muitas discussões e com muita gente ao mesmo tempo (A discussão no seu sentido apreciativo), mas não podemos ter dois, ou mais, inimigos ao mesmo tempo.
Isto porque quando atacamos um, estamos a ser atacados na costas pelo outro.
E caro amigos, os Estados Unidos estão a arranjar inimigos em todo o lado.

cumprimentos.

slim em 25 de fevereiro de 2008 às 19h49

Como graffiteiro, sei muito bem o q esses soldados quiseram representar com esse ato.Sinto dizer mas todos os senhores estão errado, 1° não estam menospresando os iraquianos, 2° não é tbm um ato de arte, 3° isso não tem nada a ve com a guerra .Mas sim com apenas a vontade de mostrar q mesmo longe eles levam a cultura do graffiti com eles , sei disso pq tbm sou assim , o estilo dessa pintura é conhecida como BOMB, e esse tipo de graffiti não é autorizado.
Desculpe minha linguagem chula.
Mas como grafiteiro não pude deixar de comentar.

Chep em 31 de março de 2008 às 10h48

Obrigado pelo seu comentário que ajuda a esclarecer este tema. O que acontece é que haverá muitas situações diferentes no mesmo saco, e junto aos graffiters mais genuínos haja meros vândalos. No entanto, não vi nas imagens que encontrei nenhuma pintura de grande qualidade...

seven em 31 de março de 2008 às 23h25

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.







 
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