Graffitis americanos no Iraque

A invasão cultural parece ser a forma mais eficaz de domínio. Assistimos impotentes no dia-a-dia à proliferação das pipocas no cinema, da fastfood, das animações de Walt Disney, etc., símbolos e práticas do american way of life. Porém há factos menos conhecidos. A prolongada permanência de tropas americanas no Iraque está já a produzir um impacto cultural muito forte veiculado pelos hábitos dos soldados que, necessariamente, reproduzem ali os gestos que aprenderam na sua terra. Um deles é a mania de pintar paredes, carros, etc., com tintas em spray: os graffitis.
Na verdade os graffittis, como arte urbana ou como vandalismo puro, são actualmente uma parte importante da cultura norte-americana. Os soldados estacionados no Iraque cultivam-na, pois, escrevendo e desenhando em paredes, rochas, veículos civis e militares, com naturalidade, just like at home. Fazem-no tanto às escondidas como ostensivamente com o beneplácito dos seus superiores. Alguns deles chegam a tirar fotografias para mandar para casa. Há montes delas a circular na net...






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11 comentários
Sandra em 20 de fevereiro de 2008 às 14h21
"There's no such thing as a winable war"...
seven em 20 de fevereiro de 2008 às 15h49
A Sandra tem razão, é uma guerra de perdedores. Mas apesar de meio invesivo, não deixa de seru uma das atitudes mais bonitas que um soldado pode fazer lá, uma forma de dizer : "sou artista, não sou soldado".
Caito em 20 de fevereiro de 2008 às 19h22
Não estou bem de acordo, Caito. Acho que é a faceta de vandalismo dos graffitis que aqui está patente. Muitos destes soldados (ou todos, não sei) são voluntários, não estão ali contrariados, e, sendo assim, pintar as paredes não é propriamente o seu grito de revolta...
seven em 20 de fevereiro de 2008 às 21h52
Também não acho que é um grito de revolta.
Talvez o grito da neurose, do pseudo-poder que se reflete em loucura, em crueldade.
Mas a história não é apenas desse lado. Há que se considerar o ufanismo americano em que esses homens foram criados. Eles de fato se consideram "polícia do mundo". Mas são perdedores.
Essa é a minha opinião.
Sandra em 21 de fevereiro de 2008 às 01h38
É fato que os graffitis são estratégicos, descaracterizando o campo inimigo e causando uma sensação de onipresença das tropas americanas. Tanto que são liberados pelos superiores, como diz o texto. Mais importante, talvez, seria questionar o impacto (MUITO negativo na minha opinião) em uma cultura que, segundo o governo Bush, prima em preservar. Deveria ser avaliado o lado ético deste comportamento, o que duvido que tenha sido feito, e que alguém esteja se importando em fazer, dado o orgulho que os soldados exibem no ato. Não se enganem, estes rapazes estão aí voluntariamente para matar pessoas e brincar de heróis. É o que eles queriam, almejavam e estão tendo.
Carlos E D Souza em 21 de fevereiro de 2008 às 13h02
Subscrevo o que disse, Carlos. E muitos destes "voluntários" são indivíduos com historial de delinquência para quem o graffiti é visto apenas como vandalismo.
seven em 21 de fevereiro de 2008 às 14h14
Acho deplorável a forma como os invasores tratam o país. Algum tempo atrás vi um vídeo em que os soldados tratavam com desprezo e ironia um soldado iraquiano, fazendo-o elogiar em alto e bom tom o "white power", às custas da chacota de todos.
Não compreendo que tipo de "liberdade" é levada até lá. Talvez, no máximo, a liberdade dos invasores, às custas sempre dos invadidos.
Catatau em 23 de fevereiro de 2008 às 22h35
Subscrevo o Carlos, o seven e o Catatau.
Penso que ou os Estados Unidos mudam a sua postura de 'todos poderosos' ou ainda se vão arrepender.
A historia mostra que podemos ter muitas discussões e com muita gente ao mesmo tempo (A discussão no seu sentido apreciativo), mas não podemos ter dois, ou mais, inimigos ao mesmo tempo.
Isto porque quando atacamos um, estamos a ser atacados na costas pelo outro.
E caro amigos, os Estados Unidos estão a arranjar inimigos em todo o lado.
cumprimentos.
slim em 25 de fevereiro de 2008 às 19h49
Como graffiteiro, sei muito bem o q esses soldados quiseram representar com esse ato.Sinto dizer mas todos os senhores estão errado, 1° não estam menospresando os iraquianos, 2° não é tbm um ato de arte, 3° isso não tem nada a ve com a guerra .Mas sim com apenas a vontade de mostrar q mesmo longe eles levam a cultura do graffiti com eles , sei disso pq tbm sou assim , o estilo dessa pintura é conhecida como BOMB, e esse tipo de graffiti não é autorizado.
Desculpe minha linguagem chula.
Mas como grafiteiro não pude deixar de comentar.
Chep em 31 de março de 2008 às 10h48
Obrigado pelo seu comentário que ajuda a esclarecer este tema. O que acontece é que haverá muitas situações diferentes no mesmo saco, e junto aos graffiters mais genuínos haja meros vândalos. No entanto, não vi nas imagens que encontrei nenhuma pintura de grande qualidade...
seven em 31 de março de 2008 às 23h25
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