a criadora do monopólio - visões de uma mulher

Publicado em outros por patricia em 9 mar 2008 06:24 PM | 8 comentários

 Monopolio Jogo Diversao Tabuleiro Tradicional Lazer Jogos

Elizabeth J. Magie, uma Quaker a viver na Virgínia, criou, no final do século XIX, o jogo "The Landlord's Game", um percursor do Monopólio. Para a autora este jogo era uma fórmula simples que servia para ensinar a complexidade do monopólio da terra e da propriedade. Seguidora do economista Henry George que argumentava, em meados do século XIX, que a distribuição da riqueza por via da compra e aluguer de terras privilegiava uns em detrimento de outros, Elizabeth J. Magie, construiu uma simulação do problema abstracto de Henry George para desta forma explicar o impacto do imposto único sobre as terras.

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Em Janeiro de 1904 a autora registou a patente do "The Landlord's Game". Embora o seu jogo apresente algumas semelhanças conceptuais com o Monopólio existem algumas diferenças: o nome, os desenhos e as cores são bastante distinto(a)s. O jogo de Elizabeth J. Magie é pintado com blocos de arrendamento que têm nomes como “o lugar da pobreza” (aluguer de $50), “rua fácil” (aluguer de $100) e “estado do lorde de sangue azul” (não passar sob risco de prisão). Neste jogo as propriedades são para aluguer e não para aquisição e nele existem bancos, uma casa para os pobres e outras utilidades técnicas como os caminhos-de-ferro e as prisões.

Em termos conceptuais o jogo é muito semelhante, na sua estrutura, ao conhecido Monopólio creditado a Charles Darrow. Para Elizabeth J. Magie, o “objectivo deste jogo não era apenas divertir os jogadores mas também tinha como intenção ilustrar como, segundo o tradicional esquema de aquisição territorial, o senhor “rico” estava em vantagem sobre o senhor “pobre” e, neste contexto, a aplicação de um imposto único ia desencorajar a especulação” (Wolfe, 1976).

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Já as regras do Monopólio apresentam uma ideia bem diferente: “a finalidade deste jogo é comprar, alugar ou vender de forma a obter um lucro que permite ao jogador construir um monopólio extenso” (Wolfe, 1976). Palavras para quê? Com algumas afinações à estrutura inicial de Elizabeth J. Magie, Charles Darrow, distorceu a máxima da distribuição de riqueza para a transformar num jogo capitalista onde o lucro sem olhar a meios é a finalidade. É caso para nos questionarmos sobre a forma distinta com que os homens e as mulheres olham o mundo.

Neste momento decorre on-line uma votação para a inclusão de algumas cidades no tabuleiro de Monopólio. Passem por lá e votem por Lisboa, aqui!

Patrícia Gouveia Patrícia Gouveia é uma personagem do jogo Mouseland. Dedica-se a viajar no ciberespaço e em realidades alternativas reais que misturem realidade e ficção numa constante exploração e experimentação lúdica. Conheça mais desta autora na página de autor. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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8 comentários

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Pergunto-me se passou pela cabeça de Elizabeth Magie que o jogo dela (ou o Monopólio) viesse a ter como grandes interesses roubar o banco, ou conseguir roubar propriedades e dinheiro às pessoas que levam o jogo a sério. Tirar casas e hotéis à socapa e escondê-los debaixo da almofada do sofá também não é mau.
Agora a sério: essa senhora não foi presa como simpatizante dos comunistas?

tajana em 9 de março de 2008 às 22h51

Ela era arquitecta também?

Author Profile Page seven em 9 de março de 2008 às 22h58

Discordo do que diz sobre isso demonstrar a diferença na visão de um homem para uma mulher. Acredito que somente demonstra a diferença de pensamentos entre um nobre e um plebeu, ou ainda, de uma pensadora para um simples capitalista.

Carlos Júnior em 10 de março de 2008 às 12h44


Pelo que li, acho que a ideia genial do jogo foi de Elisabeth Magie, e Charles Darrow o adaptou aos tempos modernos, ou seja um jogo capitalista onde vale tudo não se olhando a meios. Joguei muito este jogo que nos mostrava já uma certa habilidade dos intervenientes.
Já não tenho pachorra, a realidade tornou-se mais forte. Margarida

Margarida Pinheiro em 10 de março de 2008 às 15h12

Tejana: Penso que não se trata de uma comunista mas de alguém que queria explicar aos seus alunos o que se passava na realidade usando como metáfora um jogo.

Seven: Sim, em certo sentido uma arquitecta, uma engenheira do tempo perdido.

Carlos: A ideia da distinção entre um nobre e um plebeu é interessante.

Margarida: A realidade não só é mais forte como mais complexa.

xxx patrícia/mouse

mouse em 10 de março de 2008 às 22h05

A Tajana é uma brincalhona... Nesse sentido somos todos arquitectos, teoria que, de resto, não é original.

Author Profile Page seven em 10 de março de 2008 às 22h09

quais são as regras para fazer o jogo do monopólio?

eu em 23 de outubro de 2008 às 10h46

Eu perdi o papel que tem as regras do jogo do monopoly(em portugues) e se alguem as tiver, pedia que me mandasse uma copia.por favor

madalena em 12 de abril de 2009 às 20h52

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