“Água” - um filme sobre crianças viúvas na Índia de Ghandi

Publicado em cinema por patricia em 11 mar 2008 06:27 PM | 8 comentários

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Vi recentemente em DVD um filme impressionante que fala sobre uma viúva de 8 anos que nunca conheceu o marido e que é encarcerada numa casa de acolhimento estritamente aberta para receber viúvas. Segundo a tradição indiana estas mulheres devem ficar isoladas da sociedade até ao final das suas vidas e não podem voltar a casar. Isto mesmo que tenham oito anos e continuem virgens. O filme chama-se “Água” (“Water”) e foi realizado por Deepa Mehta em 2005. Uma história impressionante sobre a triste sina das viúvas na Índia do século passado, quando as ideias de Ghandi começam a mudar o rumo da tradição. Uma história sobre a criança Chuyia e a sua amiga Kalyani que se prostitui para financiar o “lar” de viúvas e que ousa perturbar as regras apaixonando-se por um homem com estudos universitários que está disposto a desafiar a tradição. Estas mulheres além de remetidas ao esquecimento não têm dinheiro para comer e vivem da caridade alheia. As mais novas usam a prostituição para pagar as despesas das mais idosas num jogo social que todos conhecem mas querem ignorar.

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Desconhecia este problema e o filme questiona duramente a religião que impõe às mulheres este estado de degradação. O filme fala-nos emotivamente sobre os direitos da mulher na sociedade indiana que ainda hoje parece bastante influenciada pelo casamento tradicional onde os noivos são escolhidos pelos familiares. No livro China e Índia, as duas grandes potências emergentes de Frederico Rampini o autor refere-se ao sistemas de castas da Índia contemporânea realçando o estranho impulso que leva, ainda hoje, jovens com educação, ao nível do doutoramento a maioria das vezes feito nos Estados Unidos da América, a aceitarem casar com mulheres e homens escolhida(o)s pelos seus pais. A tradição impõe regras desumanas e só uma vontade de liberdade, que desafia o estado das coisas, pode quebrar este impulso de preservar hábitos conservadores e incompreensíveis ao olhar ocidental.

Como o filme tão bem coloca a questão, podemos controlar os velhos, esquecê-los e remetê-los a situações horrendas, mas as crianças, essas, mesmo na Índia, abrem sempre as asas e tentam voar. Nem que seja por um simples doce que faz feliz uma velha na hora da morte. O destino de Chuyia pode ser diferente daquele que as outras miúdas, antes dela, tiveram e é isso que dá significado à morte das anteriores companheiras de infortúnio. Viúvas que depois de perderem o marido perdem a vida e cujo único destino é passar o tempo. A não perder.

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Patrícia Gouveia Patrícia Gouveia é uma personagem do jogo Mouseland. Dedica-se a viajar no ciberespaço e em realidades alternativas reais que misturem realidade e ficção numa constante exploração e experimentação lúdica. Conheça mais desta autora na página de perfil.
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8 comentários

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http://br.youtube.com/watch?v=IzNlX5rCRhU

jcc_mlp LPAmerican.com em 11 de março de 2008 às 20h01

No ano passado conheci uma jovem indiana que estava sem visitar a família na Índia há uns bons anos. Enquanto eu devorava uma pizza-pão e ela uma salada, me contou sobre o regime de castas e o destino que os seus pais haviam traçado para ela.
Fiquei com muita vontade de assistir ao filme. Boa indicação!

isabella em 12 de março de 2008 às 01h03

Esta é uma questão delicadíssima, socio-antropologicamente falando. Foi numa dessas que o S. Rushdie ganhou uma fatwa: sobre a esposa do Profeta, de oito anos de idade. Discretamente peço que essas maldades sejam resolvidas e passo.

tina oiticica em 12 de março de 2008 às 05h59

Hmmmm...
Convém não confundir o tema do filme e a situação da menina no filme com a questão focada por Rampini (citação particularmente desajustada e autor, se me permite, particularmente primário). Casamentos arranjados por pais e famílias não são um exclusivo da cultura hindu mas continuam a ser frequentes em todas as culturas e em todos os níveis sociais...
Se o ponto de partida de Water - que não é um casamento infantil mas uma situação praticamente oposta mas não menos chocante aos nossos olhos ocidentais (a viuvez "definitiva" de uma criança) - remete para uma prática que aparece como particularmente bárbara, devemos sobretudo louvar a forma como a realizadora acaba por se centrar na hipocrisia das relações sociais que se establecem entre as pensionárias e os seus "clientes", "padrinhos" inspirados por prazeres físicos (o pai) ou morais (o filho)...
A esse nível, a relação social não é muito diferente da que se establece entre o patriarca capitalista de There Will Be Fire de P.T. Anderson e a sua protegida (e acessoriamente noiva do seu filho), num contexto radicalmente diferente.

Cumprimentos,

rafgouv em 13 de março de 2008 às 08h55

Oi, tudo bem? Estou procurando MODELO FEMININO ou STRIPPER FEMININO acima de 18 anos para formar dupla pop/country.

E para os Blogs e Sites estou fazendo uma grande PROMOÇÃO:

QUEM INDICA.... É AMIGA

Você coloca no site ou blog a procura pela minha parceira com o texto que está no link abaixo, faz uma chamada na primeira pagina, peça que a menina que me procurar avisar que viu no seu site ou blog e seu eu fizer a dupla com ela colocarei um agradecimento especial ao seu blog no encarte do cd, dou 20 cds autografados e se houver a possibilidade trago você para o lançamento.

É imprescindível incluir uma foto minha no post, sem a qual fica fora da promoção e já autorizo o uso de minha imagem para o referido post, faço isso pra ninguém dizer que é o Marcio McCoy sem ser.

Clique no link abaixo
http://www.vitoriaregia.com.br/imgs/fotos/indica.txt

Marcio McCoy em 14 de março de 2008 às 02h01

Já vi o filme e adorei, acho que todas as pessoas o deveriam ver porque se calhar iriam ver a situação em que vivem as mulheres e principalmente as viuvas.Já imaginou com 8 anos ficar viuva e depois ficar privada de tudo?pense bem neste assunto por favor.

sara em 18 de junho de 2008 às 14h59

Olá Sara,

Pois é um filme muito bonito e que deveria ser visto por todos para tentar evitar que algo de tão injusto tenha lugar no mundo em que vivemos. Parece que apesar de todos os esforços para o evitar ainda há pessoas naquelas situações. xxx mouse

mouse em 18 de junho de 2008 às 17h49

é verdade mouse...tantas mulheres a sofrerem constantemente sem poderem faxer nada. É bastante complicado mas infelizmente é a realidade no mundo em que vivemos.Mas também temos que ver que nao é só na india que a violaçao dos direitos das mulheres,em todo o lugar a violência contra a mulher seja fisica ou psicologica.Ja são tantos casos de vioência doméstica em Portugal que ja não existem instituições para combater os casos.

sara em 19 de junho de 2008 às 23h14

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