Delírios de fusões Brasil e Cuba: Marina de La Riva

Publicado em musica por prill em 14 abr 2008 | 6 comentários

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De pai cubano e mãe brasileira, Marina tem seduzido o Brasil com seu projeto musical que busca unir Rio de Janeiro y La Havana como pontos de um imaginário criativo das lembranças. Assim, extrai músicas onde as colagens e fusões transcendem a aparência do posto junto; reinventa antigas canções da ilha, do morro e do sertão dando a cada uma delas nuanças novas, bastante originais. Através de Marina, o centro inventivo, emergem seus ousados instrumentistas - de ambos os países - que não se furtam em explorar novas fontes de som numa espécie de busca épica pelas notícias e sentimentos de uma Revolução perdurada sobre estranhos concretos, anos que Marina de La Riva não viu, mas se lembra. Aliás, não é raro vê-la elevando a sua arte a alguma instância mística, se não, metafísica; se não; pura subjeção-intuitiva: colocava a voz e ficava ouvindo para ver se as músicas também me escolhiam, diz ela contado sobre a escolha do repertório.

Nem mesmo as presenças elegantes de Davi Moraes e Chico Buarque lhe tiram a concentração devota. A cantora costumeiramente apressa-se em dizer que, antes e depois do deslumbramento, está a música, a arte e o projeto tão bem sucedido que, a partir do disco independente, irá desdobrar-se em documentário e gravação de concerto(s). Tudo fruto de mais de três anos de trabalho e viagens "ponte-aérea" Brasil e República de Cuba: caminho, para ela, essencial.

Segundo Marina, a possibilidade de criar esses novos contornos baseados em matrizes musicais tão diferentes é possível por conta da sua infância, quando não percebia diferenças entre as músicas dos dois países: Para mim era tudo a mesma coisa, a música da minha casa. Trio Matamoros e João Gilberto era mesma coisa. Talvez seja realmente por isso que os hibridismos soam tão naturais; entre os batuques africanos e uma profusão de ruídos vindos sabe-se lá de onde, a tração dos instrumentos de metal rumbeiros penetra por todos os poros brasílicos e põe o "Marina de La Riva", seu primeiro disco, entre os mais envolventes do ano.

Para uma amostra, aí em baixo podemos ir de Tin tin deo/Xote das Meninas, colagem. A primeira canção é de 1940 composta pelos cubanos Gil Fuller e Chano Pozo (que trouxeram muitos ritmos latinos para o jazz) e, a segunda, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, gravada em 1953. É a primeira faixa do álbum e um excitante resumo do que vem a seguir.


Marina de La Riva - Tin tin deo/Xote das Meninas (excerto)

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6 comentários

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Prill do Céu,

Estamos altamente conectadas.
Marina é uma grata surpresa na MPB. Adoro, adoro, adoro. Essa semana, creio eu, ela estará em SPe se eu retornar a tempo juro que vou.
Não sei como ela fica concentrada com o Chico...ai que inveja, Prill

Sandra em 14 de abril de 2008

HAHAHAHAHAHHAHHA

Sandra, também fiquei pasma de ver que, nas entrevistas, ela fala do dueto com o Chico recheada de um profissionalismo, de um amor dogmático à música... que me fez colocá-la numa categoria de pessoas que me fazem sentir vergonha. eu não teria a menor postura, a menor...

ótima a conexão, querida! se você for no show, quem vai sentir inveja serei eu. um beijo grande e obrigada por comentar (!)

prill em 15 de abril de 2008

Também conheço! A moça tem futuro!!

PR em 15 de abril de 2008

PR, e não é verdade?
considero a Marina a mais criativa dessa leva de moças da mpb, se não for, certamente é a que mais me toca, a que mais toco.
obrigada pelo comentário e volte sempre!

prill em 16 de abril de 2008

Me encanta Marina. Soy un enamorado de Brasil y esta garota me parece impresionante sobre todo como persona. Que mal lo tiene que pasar siendo tan guapa. Aquí en España se dice que la suerte de la fea la tonta la desea. Y canta fenomenal. Espero conseguir pronto un CD de ella aunque me gustaría conocerla en persona (sonho meu).

Jose Luis em 18 de abril de 2008

cadê sua mãe? estudei com ela na PUC , e quero parabeniza-la pela filha talentosa que tem.

lucia leuenroth em 2 de maio de 2008

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