
Talvez o mundo tenha perdido um bom arquitecto - nunca o saberemos - mas seguramente ganhou um excelente fotógrafo. Licenciado em arquitectura, Gabriele Basilico decidiu não seguir essa profissão, que nunca chegou a exercer, embora o pensamento arquitectural o tenha acompanhado desde então. A fotografia pareceu-lhe um meio mais adequado para exprimir a sua visão geométrica e espacial do mundo, um mundo em que as personagens principais não são pessoas e sim as casas, as cidades e os espaços, invariavelmente desertos.
O mundo retratado nas fotografias de Basilico é despovoado, fantasmagórico e surreal, a lembrar um quadro de Chirico, qualidades que os tons de cinza acentuam (fotografa quase exclusivamente a preto e branco). Neste mundo, em que raramente aparecem seres humanos, são os elementos arquitectónicos que assumem o protagonismo, como se tivessem ganho vida própria e escapado ao comando dos seus criadores. Uma metáfora para o Homem exterminado por um Frankenstein de ferro e betão?
Em todos os trabalhos do fotógrafo - e são imensos, em cidades de todo o mundo - há um pendor notório para retratar a alienação. Ora são zonas urbanas em transformação, ora infraestruturas industriais, ora paisagens desoladas, ora edifícios abandonados, ora ruas e estradas dominantes, ora espaços enormes e inóspitos, ora escombros da guerra, como nas suas impressionantes fotografias de Beirute. Muitos dos cenários fotografados são arquitectura moderna feita de betão e orgulhosas linhas rectas despojadas.
Basilico procura que o que fotografa seja significativo mas não é indiferente à beleza, à poética da arquitectura e aos jogos formais da imagem. Encontramos nas suas composições uma plástica requintada e cuidadosa, feita de jogos geométricos de linhas exactas paralelas e perpendiculares, de simetrias, de perspectivas e obliquidades, de curvas judiciosamente delineadas - arquitecturas da imagem.






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