1992, O amor natural: poemas pornográficos de Carlos Drummond de Andrade

Publicado em artes e letras por prill em 16 abr 2008 06:24 PM | 29 comentários

 Carlos Drummond Andrade Poemas Pornografia Poesia Erotismo Literatura

Das infinitas faces que um poeta pode ter, Carlos Drummond de Andrade, de muito bom grado, dispôs-se a mostrar-nos ao menos sete. Sacramentadas. Esses lados, essas faces, não são simples traços de estilo, certamente nem convicções quanto às formas, são algo além disso: o homem Drummond, o corpo além do poeta e, como todos os demais corpos, susceptível às passagens, mudanças e afetos do tempo. Sua passagem nos recoloca, nos re-escreve e, no poeta mineiro, haveria de fazê-lo admitir uma derrota diante de suas consumições eróticas. Nos conflitos entre as dores, a morte e a vida, o sexo aparece como peça atraente, extrapolação da vida em direção ao fim sem que necessite ser, de fato, o fim. É dessa forma que melhor se compreende a conversão do comedido mineiro em militante póstumo da sacanagem.

"O Amor Natural" não nasceu de um desvario momentâneo. O livro de poemas pornográficos, lançado em 1992, choque entre as mocinhas e senhores desavisado, expôs contornos radicais do poeta, mas o assunto já costumava aparecer em um ou outro poema, insinuadamente, fosse no embalo da união amorosa, fosse nos tons de poesia-piada, usuais no Modernismo (Era manhã de Setembro/ e/ ela me beijava o membro). Mas nesse há um desfile pelas páginas, uma galeria recheada de vulvas, línguas, falos, lambidas, pêlos.... O que mais houvesse para haver na cama entre homens e mulheres, está lá. Mas como? Aquele velhinho...?

Mario de Andrade costumava dizer que a culpa era toda da timidez. Faz todo sentido. Mas é igualmente coerente acreditar que as mudanças de comportamento que viu observar - naqueles anos de 1950, os comerciais já expunham muito mais pedaços de pele que na época dos bondes, nos anos 20, quando um tornozelo de fora era o auge do erotismo público - somadas ao avanço da idade, tenham feito nosso poeta alargar as brechas para o erotismo que já cultivava desde sempre. Mas, apesar disso, fato é que Drummond preferiu-se, num pedido compreendido e atendido, morto à época da publicação do livro. Morto quando admitisse que a pornografia venceu. Melhor assim que deixar-se entrever à frente de todos seus acessos delirantes por contornos passantes em bondes, camas ou moitas, de coxas, pernas e peitos femininos, sempre femininos. Sobre dores do ser, sobre a política e sobre as palavras, estaria a glória de um convulsivo orgasmo.

É assim que no livro, escrito em meado dos anos setenta, Drummond rende-se a produção de poemas que vão do erótico ao pornográfico, passando pelo completo despudor; versos milvalentes onde ato sexual não eleva nem rebaixa, mas sim, aceita exultante a condição simples, o exposto cru, bastante cru, de ser humano. Animal sem meias palavras: ato, suor, lugar, sémen, gemido, mamilos, modo. Uma pequena amostra dessas poéticas paixões carnais estão aqui nesta pequena seleção de cinco poemas de puro gozo retirados d´O Amor Natural.


Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.


A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.


A castidade com que abria as coxas

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.


Mimosa boca errante

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.


Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.

Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.

Prill AvatarPriscilla Santos é adoradora de cervejas e colabora com o obvious. Mais informações e textos da sua autoria na página de autor. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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29 comentários

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Prill, sempre no céu !

Ele sempre se fez demais. Coisas de Minas! :)
Com ele aprendi a intransitividade do verbo AMAR!

O meu poema predileto :

Amor - pois que é palavra essencial

Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Sandra em 16 de abril de 2008 às 19h25

ô Sandra... esse é o de mais pura elevação. estou faz uns 15 dias envolvida nuns pensamentos nisso que vão sem parar. até transbordei lá no limo: "porque, se não no corpo, pra onde? (o amor aparece no corpo como os ratos dum navio afundando) à bom-bordo"

"Amor - pois que é palavra essencial" também é dos meus favoritos, pra mim é como uma ponte entre a carne do "Amor natural" e os afetos que permeiam toda sua obra.

obrigada por comentar, querida. e sabias que sou metade mineira? pois... metade de mim é Leopoldina. um beijo.

prill em 17 de abril de 2008 às 05h31

Carlos Drummond de Andrade é grande!!!

http://pequenos--apontamentos.blogspot.com

PR em 17 de abril de 2008 às 11h31

Prill do limoeiro-mais-que-doce,

E eu sou metade carioca :)
Afinal, aí que fui gerada ao som do samba, bossa-nova e chorinho.
To bem né? :P

beijokas

Sandra em 17 de abril de 2008 às 14h55

legal o texto sobre Drummond. Como posso ter um email da Obvious?
beijos

tuti maioli neto em 18 de abril de 2008 às 10h22

Ola

Gostei do seu Site

e gostaria de fazer uma parceria atraves da troca de links com os meus
passe me seu msn para conversar-mos melhor

o meu é

llukasllira@hotmail.com

Grato.

Lucas - Click Midia

lucas em 18 de abril de 2008 às 15h00

muito obrigada, tuti!

bem... essa é uma boa pergunta. como faz? também também sempre quis ter um. o Seven certamente te pode responder.
um abraço

prill em 18 de abril de 2008 às 15h54

É só ir à coluna da direita e clicar em "conheça mais do obvious".
Gratos

Author Profile Page seven em 18 de abril de 2008 às 23h23

Génio da literatura

BSH em 19 de abril de 2008 às 08h51

Gratas as palavras do poeta Drummond,envocando desejos e indicios de vários homens e várias mulheres na procura, ou vivência, da sua sexualidade!

Cristina silva em 22 de abril de 2008 às 17h14

eu adorei esses poemas; e minhas colegas tambem !

kimberly em 20 de junho de 2008 às 13h32

Numa palavra; Drumont, especial ...

Franzé em 21 de junho de 2008 às 05h44

eu adoro ele e seus poemas são todos lindos!!!

bruna cordeiro alves em 10 de julho de 2008 às 20h38

...que homem foi esse?!...que sabedoria!
Vai ser poeta infinito!!!!!!!!!!!

DEHY em 13 de outubro de 2008 às 17h38

esse cara e nota dez indo e voutando

fernando em 27 de novembro de 2008 às 12h31

nossa toudos os poemas lindos
o cara e nota 1.000

francielle em 23 de dezembro de 2008 às 22h36

Nao gosto muito......... mas ate curto

Sérgio em 10 de fevereiro de 2009 às 18h48

Acabei de ler, indicada por um ..... sábio , sensivel e misterioso poeta. Muita sensilbilidade para mostrar o que s revela em todos nós na intimidade. Grande , e sempre Drumond

Sandra em 22 de fevereiro de 2009 às 02h17

Não posso me conformar que a descrição que foi dada à esse trabalho de Drummond: 'poemas pornográficos'

Drummond deixou seus poemas eróticos no 'O Amor Natural', não insultemos o poeta!!!

Georgia em 27 de fevereiro de 2009 às 00h53

Georgia, pornografia, pornógrafo, pornô... são ofensa?

Author Profile Page prill em 27 de fevereiro de 2009 às 02h30

Não, não é ofensa. Eu não tenho absolutamente nada contra a pornografia,
mas o trabalho do Drummond no 'O amor natural' não se trata disso, se tratam de poemas eróticos.

Veja o que descreve o dicionário:

Pornografia:
1. Tratado a cerca da prostituição
2. Figura(s), filme(s), espetáculo(s), obra literária ou de arte, etc. relativos a ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo...

Erótico:
1. Relativo ao amor
2. Inspirado pelo amor, que tem o caráter de lirismo amoroso
3. Inspirado ou provocado pelo erotismo
4. Sensual, lascivo

Erotismo:
1. Paixão amorosa
2. Amor lúbrico, lubricidade


Conclusão, não penso que Drummond descreve nada sobre prostituição em seu livro, o que ele deixa claro é sua inspiração pelo amor, o erotismo.

Eu vivo na Holanda, um país onde as pessoas já não conseguem mais discernir o pornô do erotismo, uma pena.
E isso é justamente o lado forte do brasileiro, toda a sensualidade e erotismo ainda florescem no dia a dia.

Para mim a pornografia não deixa muito espaço para a imaginação, é o que é: tem a haver com prostituição (bendita sejam as putas)
e é capaz de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo. Enquanto o erotismo não tem nada a haver com a prostituição; é inspirado pelo amor, é sensual, lascivo. Assim como os poemas de Drummond.

Author Profile Page amor natural em 28 de fevereiro de 2009 às 11h29

Não, não é ofensa. Eu não tenho absolutamente nada contra a pornografia,
mas o trabalho do Drummond no 'O amor natural' não se trata disso, se tratam de poemas eróticos.

Veja o que descreve o dicionário:

Pornografia:
1. Tratado a cerca da prostituição
2. Figura(s), filme(s), espetáculo(s), obra literária ou de arte, etc. relativos a ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo...

Erótico:
1. Relativo ao amor
2. Inspirado pelo amor, que tem o caráter de lirismo amoroso
3. Inspirado ou provocado pelo erotismo
4. Sensual, lascivo

Erotismo:
1. Paixão amorosa
2. Amor lúbrico, lubricidade


Conclusão, não penso que Drummond descreve nada sobre prostituição em seu livro, o que ele deixa claro é sua inspiração pelo amor, o erotismo.


Para mim a pornografia não deixa muito espaço para a imaginação, é o que é: tem a haver com prostituição (bendita sejam as putas)
e é capaz de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo.
Enquanto o erotismo não tem nada a haver com a prostituição; é inspirado pelo amor, é sensual, lascivo. Assim como os poemas de Drummond.

Author Profile Page amor natural em 28 de fevereiro de 2009 às 11h39

Bato palmas ao amor natural... Drummond!!!
Erotico, pura maravilha!, seus poemas não tem pornografia nunca, não combinava com ele; e sim com pornograficos que leem!!!!

dehy coutinho em 28 de fevereiro de 2009 às 12h53

Obrigada Dehy,
talvez seja por isso que Drummond somente deixou esse livro para ser publicado depois de sua morte!

E agora já podemos cantar os poemas eróticos de Drummond:
http://www.myspace.com/amornaturalboca

Author Profile Page amor natural em 2 de março de 2009 às 13h05

Georgia, Dehy e quem mais interessar,
diz o Priberam:

PORNOGRAFIA
s. f.,
representação (por escritos, desenhos, pinturas, filmes ou fotografias) de cenas ou objectos obscenos destinados a serem apresentados a um público;
colecção de pinturas ou gravuras obscenas;
carácter obsceno de uma publicação;
devassidão.

Eu poderia ficar com o dicionário, que já justificava o argumento que deu título pro artigo, mas a língua é viva e os conceitos de EROTISMO e PORNOGRAFIA tem sido extremamente debatidos. Aqui no Obvious já refletimos sobre o assunto diversas vezes e essas discussões me abriram um mundo. Há fronteiras entre as duas coisas? Se há, quais seriam.

Pornografia seria o estímulo sexual puro visando resultado imediato, geralmente tendo o retorno financeiro como principal objetivo. Não precisa se vincular a nenhum nível de estética, nenhum lance artístico ou lírico. Pau dentro, simples assim.

Mas não há nada que impeça a pornografia de ser artistica se assim o quiser que a produz, nada a impede de não ter o lucro financeiro como principal motivador, como nada impede que o lucro e a estética caminhem juntos. Exemplos há aos montes: revista Playboy, as fotografia de Martin Kovalic, o filme 9 Canções... o Amor Natural.

Toda pornografia é feia e execrável? Mas se é justamente isso que Drummond defende no amor natural; amar apenas com o corpo, com o sexo, na sacanagem, na gargalhada, na safadeza, no baixo calão...

Que mecanismos hipócritas tornam a obcenidade e o sexo explícito feios? Tudo deve ser o amorzinho em baixo do lençolzinho?

Esse não é o amor natural. O amor natural é da animalia, é da irrazão, do corpo não-civilizado, nada de gentilezas, convulsivo, cheio de delícias.

O Amor Natural não é erótico, não está ligado ao eros nem ao romantismo do seculo XIX (mais ou menos o mesmo das novelas), amor casto, amor monogâmico. Enfim, seu eros é o gozo, não o ser que o produz. Pau dentro.

Isso é pornográfico, e isso é belo.


Obrigada pelos comentários e reflexões. Georgia, o endereço do MySpace é seu? vou dar uma olhada. Abraços.


prill em 2 de março de 2009 às 18h50

OK, gostei do texto e da liçao, e acho que com Drummond tudo é possivel e impossível...
Eu faria amor natural, pornografico e erótico com ele...!!!rs

dehy coutinho em 3 de março de 2009 às 12h52

então Prill, me parece que você é quem tem uma idéia errada do erotismo. Erotismo não tem nada a haver com 'amorzinho embaixo do lençol', mas... com o tempo tudo se aprende ;-)


Author Profile Page amor natural em 3 de março de 2009 às 15h58

Ok, ok...


erotismo


s. m.,
amor sensual, lúbrico;
amor físico, prazer e desejo sexual distintos da procriação;
exaltação de tudo o que é referente ao desejo sexual;
paixão amorosa.
(fonte: Priberam)


Palavra que deriva do grego, Eros. Eros é o deus do amor, assim, convencionou-se que erótico iria remeter a qualquer manifestação sensual de contexto passional (ou que pelo menos tenha um contexto, exemplo: o encanador entra na casa e agarra mulher não vale, como você sabe).

O lance é que, com o passar dos anos, do Romantismo pra cá, o termo expandiu para designar não só o sexo amoroso, ou o sexo dissociado da procriação - pero contextualizado - para ser etiqueta também para as manifestações artísticas que celebrassem o sexo (a arte seria o eros da coisa).

Nada contra o amorzinho embaixo do lençol, ele é válido, é erótico, tem sua safadeza, mas não é pornográfico. Nelson Rodrigues também não é pornográfico. O Amor Natural é pornográfico.

O livro do Drummond é a subversão dos conceitos usados até então, aliás, até hoje, porque aborda a pornografia, o ato sexual descontextualizado como arte. Vanguarda à torto.

Esse é o meu ponto.
Nada contra um nem outro, não há hierarquia. Acho que as duas modalidades podem e devem ser apreciadas em suas riquezas.

Author Profile Page prill em 3 de março de 2009 às 16h13

adorro esses tipos de poesia dar muito
prazer...
xáuu..(l)

Rômulo em 16 de abril de 2009 às 17h59

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