A vida portuguesa

Publicado em tecnologia por ruicosta em 11 abr 2008 | 16 comentários

 Cultura Portugal Vida Portuguesa Design Comércio Origens Passado História

Fica, antes de qualquer outra coisa, um pedido de desculpa aos inúmeros leitores brasileiros que por aqui passam pelo tema, talvez demasiado português, que me levou a escrever este post. Apesar da distância que alguns dos detalhes apresentam relativamente à cultura brasileira, é acima de tudo na união de dois mundos e de dois tempos que assentam as minhas razões para a publicação desta entrada.

No endereço www.umacasaportuguesa.com está - de uma forma graficamente exemplar - uma viagem no tempo e na memória, simultaneamente colectiva e íntima. Está não um regresso ao passado mas um regresso às origens. Às origens do design comercial em Portugal, às origens das peculiaridades do consumo, às origens de produtos que por uma ou outra razão souberam resistir à mais dura das provas, o tempo.

O site tem objectivos comerciais, bem sei, mas não deixa de ser um esforço digno de aplauso (de pé) e uma ideia que para lá de brilhante se mostra cada vez mais, necessária. O projecto é da autoria de Catarina Portas, cujo curriculum comporta a mais importante das habilitações para este tipo de aventura: a paixão pela identidade portuguesa. A marca, UMA CASA PORTUGUESA, data já de 2004 e esta A VIDA PORTUGUESA teve o seu nascimento a Maio de 2007, há quase um ano.

O site em si obedece a um critério tão simples quanto o de deixar falar o que se oferece. A beleza dos produtos expostos dificilmente seria ultrapassada pelas mais recentes e inovadoras campanhas publicitárias. O Flash serve apenas o propósito básico de tornar a apresentação mais fluída, as cores fortes são dadas pelos produtos e o ambiente nostálgico pelo branco queimado do "papel" que serve de interface. Das magníficas caixas do Azeite Triunfo às latas de limpa-metais Coração, da Pasta (ex-medicinal) Couto aos internacionalmente famosos Ach. Brito, é possível (re)encontrar uma enorme quantidade de produtos que fizeram (e ainda fazem) parte do quotidiano dos portugueses.

O site apresenta ainda secções - como a loja online - que se encontram em desenvolvimento. O blog não parece querer arrancar mas, ainda assim, o mais importante do conteúdo, i.e. os produtos, estão disponíveis para consulta e recordação.

Aqui, está A Vida Portuguesa.

Rui Costa Editor do 2.0 Webmania, encontrei nos blogues uma paixão que apesar de recente é intensa. Mais informação acerca de mim pode ser encontrada em tudo o que escrevo. Conheça mais deste autor na página de perfil.
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16 comentários

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A ideia, embora boa, peca pela falta de originalidade, e mais parece um daqueles projectos peregrinos que anda a reboque das cunhas - espero que este blog não seja outra mula entre tantas.
Primeiro porque a dita loja está a vender o que nunca deixou de ser vendido por outras lojas; só que como é mais "in", o "out" das carteiras dos tansos é maior.
Eu compro a pasta medicinal Couto há anos de nos "chineses". O Ach Brito encontrou a sobrevivência e a prosperidade num mercado alternativo de luxo. A "lojinha" da menina Portas apenas aproveitou a boleia do trabalho alheio.
Já agora, se tiverem nostalgia de alguns produtos de outrora, tipo Farinha 33, chocolate Tody, etc., podem falar comigo. Eu também vendo, só que não me chamo "Portas".

Paulo Ferreira em 12 de abril de 2008

Os Portas têm o negócio no sangue ;)

Author Profile Page seven em 12 de abril de 2008

O Paulo tem loja online? Podia deixar aí o URL p.f.?
É que eu também compro Couto e Ach. Brito mas normalmente tenho que ir ali debaixo dos Arcos (Aveiro) para a comprar sem sequer ser nos "chineses". Daí ter escrito o post e ter sido colocado em "Tecnologia".

Quanto ao facto ser a Portas a fazê-lo, a mim, pessoalmente, nem me aquece nem arrefece até porque acho que não foi ela a responsável pelo site.

Bom...fico a aguardar o endereço do tal site, é que o Tody não tenho visto por lado nenhum e é daqueles sabores que ficam para sempre, sejam vendidos por Paulo (Ferreira), Portas ou por qualquer outra pessoa.

Abraço.

Rui em 12 de abril de 2008

Claro que isto é baralhar e dar de novo, mas se não fosse de algum nome conhecido não embirrávamos tanto, não é verdade? E a Catarina Portas não é nenhum dos irmãos (para começar, é mais gira).

O que é facto é que se quiséssemos ter alguns destes produtos disponíveis tinhamos de andar a correr, já nem digo a cidade, mas o país. Isto são coisas que não cabem na lógica do tipo de consumo que as vidas da maioria de nós tem tido nos últimos 20 ou 30 anos - cabem, agora, porque entrámos na onda de revival. Mas não achamos mal quando são os DVD de desenhos animados do Conan, ou da Abelha Maia... Hoje em dia não fazemos mais que baralhar e dar de novo, e isto é mais um desses produtos. Com a vantagem de ter coisas bonitas.

Mas sim, eles têm preços estupidamente altos. Curiosamente, reparei que depois de ter surgido esta Casa Portuguesa reapareceram os chocolates Regina nos supermercados, aqueles pequenos aos altos e baixos. Não sei se foi coincidência, mas era uma coisa praticamente impossível de encontrar. E agora até têm novos sabores.

tajana em 12 de abril de 2008

E qualquer dia estás a viver rodeada de objectos do passado, uma vez que é mais fácil "baralhar e dar de novo", como dizes, do que criar de raiz. Comodismo e mercantilismo.

Author Profile Page seven em 12 de abril de 2008

Não estou a defender o baralhar e dar de novo contra o criar de novo. Estou a dizer que isso hoje em dia é o que mais há, a inúmeros níveis (música, então, nem se fala), e mais ainda tratando-se, como se trata, de um projecto comercial, que se alimenta do nosso saudosismo e revivalismo, e até de um certo kitsch. Acho que tem o seu lugar. Se houvesse apenas isto no mundo, então era mau, sim. E não me incomoda que seja da fábrica Portas :)

tajana em 12 de abril de 2008

Caro Rui, estava a brincar quando disse que vendia produtos semelhantes. O artigo/post é bom. O problema é meu, exaltei-me porque já não tenho paciência para os "socialites" que tentam engrupir-nos com preços da quinta avenida, mas com ideias de quinta categoria. Eu não vendo estes produtos, mas posso dar dicas sobre sobre determinados pontos de venda.
À minha porta, em Almada, tenho uma mercearia que vende Farinha 33; o chocolate Tody compro num parque de campismo em Vila Nova de Milfontes, no Alentejo; os "chineses" vendem a pasta medicinal Couto, assim como o restaurador Olex e o depilador Taki; é uma questão de bater o terreno para (re)descobrir este produtos e conseguir preços mais em conta... quando é possível, lá está, porque os sabonetes Ach. Brito, por exemplo, têm sempre um preço upa-upa puxadote.

Paulo Ferreira em 12 de abril de 2008

Paulo, sabia que os sabonetes Ach. Brito (Ach. de Achiles) são vendidos como artigo de luxo em Nova Iorque? Foi um americano que os descobriu (médico, salvo erro) e viu que aquilo tinha lugar no mercado upa-upa americano. Foi um sucesso e a salvação da fábrica portuense.

seven em 12 de abril de 2008

Paulo, por acaso não conhece nenhum sítio que tenha detergente Juá, daquele que trazia dentro das embalagens umas réguas com circulos dentados com os quais se podia desenhar uma espécie de flores, ou aros de círculos? Está a ver do que se trata? Também se vende, a preços de 5ª Avenida, na Imaginarium.

tajana em 12 de abril de 2008

Tajana, infelizmente não conheço nenhum sítio que venda tal produto, mas vou ficar atento... ao detergente e às réguas.
Com efeito, o Imaginarium vende um punhado de brinquedos de antigamente a preços esticados.

Paulo Ferreira em 14 de abril de 2008

Eu sou um dos leitores brasileiros que não se importa com o fato do tema ser demasiado português, dado que a qualidade deste post, assim como do blog em geral, ser ótima ;-)

Leonardo Kenji em 14 de abril de 2008

Conhecer a cultura portuguesa ajuda a entender parte da nossa por aqui no Brasil. Gostei muito. Obrigado.

Eduardo Lemon em 16 de abril de 2008

Quero deixar o meu comentário sobre a vida em Portugal que nada tem a ver com o que se discute aqui mas, não sei onde me manifestar:
Eu cresci num país de gente civilizado e vim para este terceiro mundo; uma pequena aldeia no centro de Portugal, na zona em que nasci.
As pessoas, por aqui, são como as ovelhas: curiosos descarados e primitivos que páram para olhar descaradamente cada vez que alguem passa na rua ou então escondem-se atrás de portas ou curtinas a espreitar.
São também como as galinhas: Uns invejosos que estão sempre a brigar com os vizinhos por causa de serventias e propriedades. E quando há alguem de novo numa vizinhança é apontado e descriminado.
Outro aspecto são as calúnias: Quando algo parece a alguem, imediatamente passam a afirmar baseado na suposição com um grande exagero.
Nesta zona existem algumas dancetarias que eu comecei a frequentar há algum tempo com o intuito exclusivo de me divertir. Pouco tempo depois comecei a aperceber-me de que 99% dos homens vão lá para procurar "engate" e muitas mulheres tambem. Muitos dançam de forma escandalosa com qualquer pessoa. Automáticamente, nas cabeças destas ovelhas/galinhas, TODAS as mulheres que vão às dancetarias são "engatatonas"; nem perguntam, apenas afirmam

Marilulu em 23 de maio de 2008

A este respeito vejam esta mostra de old portuguese products:
http://www.flickr.com/photos/portuguesevintage/

MArti em 23 de maio de 2008

como e facil...

cinthia em 9 de junho de 2009

Eu estou fazendo 1 trabalho e acho q já encontrei a resposta.

Fulana em 23 de junho de 2009

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