Poema de um dia

Tipografia experimental foi o nome que Jiyeon Song deu ao seu trabalho, e na verdade podemos vê-lo assim, como uma exploração poética de mensagens escritas que interagem com o ambiente. O sistema concebido por Song é engenhoso. Ao serem atravessados pelos raios de sol, os painéis perfurados projectam pontos luminosos que formam palavras na sombra do chão. A variação da incidência solar consoante a hora do dia e a estação do ano dá origem a combinações poéticas inesperadas e transitórias. A Arte une o Homem e a Natureza.

Se há uma virtude nesta obra é a de nos obrigar a tomar consciência da passagem do tempo. E fá-lo de uma maneira poética. Não é possível olhar para ela como para um quadro num museu, com o catálogo na mão. É necessário perder tempo, esperar. Então poderemos ver as palavras a surgirem, a percorrer o chão, a juntarem-se e a formar frases que logo mudam e adquirem novos sentidos conforme o sol roda.
Escondidos nos furos da madeira, pequenas frases de um poema sijo aguardam que a luz solar as revele. Os sijo são poemas tradicionais coreanos versando a Natureza e a vida humana. O escolhido e traduzido para inglês foi escrito por Kim Ch'on-taek no século XVIII. Fala sobre o carácter finito da vida humana: no solstício do Verão uma frase sobre a vida nova que surge; no do Inverno sobre o tempo que passa.
A lentidão das mensagens oferece-nos um momento de meditação nas nossas vidas agitadas, um momento de meditação sobre os valores da Vida.






Oração ao Tempo - Caetano Veloso (excerto)
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14 comentários
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Tempo...o problema é que nos vemos como imortais. Basta ver o que fazemos com o meio-ambiente.
Bela conexão de poema e música!
Sandra em 28 de abril de 2008 às 14h16
Há dois defeitos maiores no Homem (talvez sejam de fabrico, inatos):
um é julgar-se melhor que os seus semelhantes; outro é julgar que a morte só vem daqui a muito tempo, quando ela pode vir no instante seguinte.
Se todos tivéssemos consciência permanente disto o mundo seria bem melhor...
seven em 28 de abril de 2008 às 20h34
Poder ler este poema é um luxo, assim como o tempo de um dia para o ler, pese embora a beleza e o simbolismo que tem... independentemente disso, há hoje, para muita gente, muitos dias sem poemas...
Tânia em 29 de abril de 2008 às 09h14
Inspirado, Seven.
Pensando em voz alta: sou da seguinte opinião de que só o auto-conhecimento salva. Não é de hoje o confrontamento com estranho (morte) e o desejo de continuar esta jornada para sempre (eu penso sempre nisso, não nego) ... Sem mencionar o 'desconhecido dentro de si mesmo' - quase que um oceano que não pode ser governado. Idéias..
Agora tenho fome.
isabella em 30 de abril de 2008 às 00h51
Não há salvação, Isabella.
seven em 30 de abril de 2008 às 00h54
isabella em 30 de abril de 2008 às 01h22
Pois. O nosso destino é sempre o mesmo, sejamos virtuosos ou canalhas. Não há salvação nem há justiça.
seven em 30 de abril de 2008 às 11h10
Já vi que vamos discordar, portanto pode me chamar de 'believer' e ficamos assim.
isabella em 30 de abril de 2008 às 14h18
Sou muito materialista, ou realista, Isabella. Estas são as conclusões que a vida me forçou a tirar. Não sou um "believer" nem tenho razões para sê-lo mas as experiências de vida são diferentes, não há problema nenhum em discordarmos.
seven em 30 de abril de 2008 às 15h04
Eu entendo, Seven. Sem dúvida que as experiências são diferentes. 'Believer' foi para trazer mais graça à discussão. ;)
De qualquer maneira, os desafios que enfrentei até hoje sempre me fizeram ter fé e acreditar no outro, nas possibilidades que podem nascer de situações difíceis... a vida me ensinou a ser 'resilient' e isto se reflete na minha postura de comprometimento e dedicação com a vida, seus projetos/idéias/sonhos.
isabella em 30 de abril de 2008 às 16h19
Sim, claro, mas não é o meu caso.
Mudando de assunto: temos saudades dos teus textos ;)
seven em 30 de abril de 2008 às 22h58
Isso é bom de ouvir. =)
Sinto-me em débito com o Obvious...
Aguarde um e-mail mais esclarecedor qualquer dia desses. ;)
isabella em 1 de maio de 2008 às 02h33
seven em 2 de maio de 2008 às 00h26
leonardo em 8 de maio de 2008 às 23h57