Barcelona: para acabar de vez com o turismo

Publicado em outros por tajana em 15 mai 2008 | 50 comentários

 Barcelona Catalunha Espanha Turismo Viagens

O turismo, como o fazemos desde há décadas, é um sintoma de decadência civilizacional. Entro com vocabulário pseudo-académico, para fingir que são ideias bem pensadas. Não são. São, acima de tudo, embirrações - mas tenho provas. Tenho esperança de que neste momento alguém, algures, esteja a desenvolver uma brilhante teoria sobre este fenómeno que corresponda ao que eu penso, já que eu não sei fazer essas coisas.

Para que é que fazemos turismo? Refiro-me a deixar a nossa cidade ou, sobretudo, o nosso país para irmos visitar outras cidades ou regiões. Quase toda a gente dirá que é para conhecer outros lugares (as famosas "outras culturas"). Haverá uns quantos que vão procurar as ondas, as miúdas, as roupas de marca, os bares, os coffeshops, os quadros do seu pintor de eleição.

O primeiro paradoxo é este: na verdade, quase ninguém faz turismo para conhecer um outro sítio. Fazemos turismo para reconhecermos os lugares. Porque são poucos os lugares do mundo dos quais não nos chega hoje informação antes de lá irmos - textos, imagens, relatos nas notícias, comentários de amigos, música que descarregamos da net. E portanto, quando hoje vamos a algum lugar, vamos para encontrar aquilo que de alguma forma já vimos ou ouvimos. Vamos a Barcelona para ver a Sagrada Família dos postais, ver ao vivo uns quadros de Picasso ou de Miró cuja reprodução temos na sala, para nos emborracharmos nuns bares de que os nossos amigos nos falaram, para termos a nossa fotografia com o mesmo homem-estátua que é fotografado com toda a gente; para, no pior dos casos, comprarmos uma t-shirt do
Hard Rock Café e irmos ao Starbucks.

Viajar, ou fazer turismo, tornou-se assim uma forma de coesão (fazer o que os outros fazem), e também de afirmação e de conquista. Para que tiramos uma fotografia ao pé do gato de Botero, na rambla do Raval? (Este é um mau exemplo; curiosamente, não costumo ver pessoas a tirar esta fotografia) Imagino que para criar o nosso mapa de conquistas territoriais, num tempo em que já não há espaço físico nem mental para conquistar. Ter estado num sítio é o máximo a que podemos aspirar, e a fotografia a sua prova oficial (já que aqueles padrões antigos em pedra saem caros). Convém que na fotografia tenhamos um grande sorriso ou uma pose de alegria, com o corpo meio desequilibrado e a boca muito aberta (o grito do conquistador!). É que não basta termos estado num sítio - divertimo-nos nesse sítio, e divertir-se é hoje em dia uma das experiências emocionais mais profundas do viajante.

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Tomemos o parque Güell, em Barcelona. Quem vai lá para apreciar a fantasia decorativa de Gaudi no grande terraço e na escadaria, e a galeria de colunas, vê-se rodeado de uma enchente de turistas e quase não vê nada. Só na minha segunda visita encontrei o famoso lagarto - rodeado de turistas a tirar fotografias. Da primeira vez, a multidão era tanta que passei por ele e não o vi. Aquele episódio do filme "A Residência Espanhola" em que o protagonista encontra a sua amada no parque Güell é totalmente irrealista, porque eles estão os dois sozinhos. Não há turistas.

O autêntico, o original, a Barcelona profunda (ou Lisboa, ou Roma, ou...), é agora um tópico turístico como outro qualquer. Como em tudo o mais desta vida, bastou que as agências e demais empresas se apercebessem de que esse era um mercado com potencial para que fosse transformado num produto, e alegremente consumido como tal. O mesmo se pode dizer da ida aos museus, que faz parte do circuito expectável do bom turista - esse que, na sua cidade, não vai nunca aos museus. E cidades como Barcelona moldam-se rápida e oportunamente - reconvertem-se, como sói dizer-se - à imagem desse modelo vendável: de cidade de festa, de cultura, de edifícios emblemáticos de arquitectos famosos, de sol, de vida nocturna.

Voltemos ao turista, agora à sua presença física. Mal o sol desponta: os calções, as sandálias ou ténis, a mochila. Já não digo a máquina fotográfica, porque hoje em dia algumas escondem-se no bolso. Há qualquer coisa neste conjunto, como na subtileza das feições de cada rosto individual, que distingue o turista de outras pessoas com a mesma indumentária que sejam nativas da cidade (se é que estas ainda existem). Não sei se tem a ver com o nível de relaxamento dos músculos faciais. Já nem falo dos turistas em grupo, que geralmente assumem, explicitamente, a postura do conquistador embriagado, ou de alguém que acabou de chegar a uma grande festa e desata a pular e não consegue controlar a altura da voz. Todos nós, turistas, temos esta marca. Há formas de disfarçá-la, no entanto: levar um saco de plástico com compras de supermercado é uma delas. Torna-nos quase invisíveis e dignifica-nos (embora o artifício seja patético). Isso e não tirar fotografias com o lagarto ou com o homem-estátua ou em frente à Sagrada Família.

Nos primeiros dias que cá passei ouvi uma das conversas mais extraordinárias da minha vida, e era de um português. Dizia ele a uns amigos, no Metro: "Claro, o pessoal da terrinha, o que é que se pode esperar? Nunca saíram de lá, não viram nada... nunca podem deixar de ser broncos." (pausa para reflexão) "Pá, eu vim aqui, já vi a Sagrada Família... 'tá bem que não saí do autocarro, mas pronto, uma pessoa imagina como é por dentro, com aqueles retratos e aqueles vidros às cores...".

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Nem todos somos esta caricatura, felizmente. Mas os turistas (e há-os) que compram um sombrero mexicano nas ramblas também encaixam nesta categoria; tal como os que saem de chinelos e camisola de alças num dia de chuva porque, se estão em Espanha, há sol e sangria. Já são muitos.

Não é só a questão dos souvenirs mais ou menos kitsch. Há dias li na revista Time Out um comentário de alguém que dizia que não percebia porque é que as autoridades políticas de Barcelona proibiam que houvesse lojinhas de souvenirs no Passeig de Grácia - a avenida das lojas chiques e das grandes cadeias multinacionais. O argumento era de que esse tipo de comércio descaracterizava a cidade, mas, dizia o autor, em que medida é que uma avenida que tem exactamente as mesmas lojas que Paris ou Londres ou Nova Iorque - Vuitton, Hermés, Ermenegildo Zegna, Benetton, Bulgari, e por aí fora - é uma avenida característica da cidade? O mesmo, claro, vale para o Hard Rock Café, para o Starbucks, para os índios que tocam êxitos da Céline Dion na flauta de pã e, na verdade, para inúmeras coisas. A fotografia que tiramos no Starbucks de Barcelona é diferente da de Londres em quê? A t-shirt do Hard Rock Café, igual às que temos de Lisboa, Londres, Madrid, prova o quê?

É triste. Tenho alguma vergonha de fazer também parte disto, mas ainda não percebi como é que se sai deste quadro e se consegue continuar a viajar. Para já, para já, tenho cada vez menos vontade de viajar nas cidades ocidentais. O problema é que começa a haver muitos turistas como eu.

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50 comentários

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Não discordo totalmente de você. Mas antes de isso (sua avaliação do turismo) tornar-se um demérito, acho que é um ponto positivo. É um grande contato com nossos "ancestrais profundos". Aquele velho neandertal que vive em nossas profundezas genéticas e que levava sua vidinha nômade.

Por isso que quando perguntados, 9 entre 10 seres humanos dirão que adoram viajar.

Arthurius Maximus em 15 de maio de 2008

A Tajana adora ser do contra e ver o "outro lado" das coisas. O seu ponto de vista é, por isso, um pouco radical mas é um facto que o turismo (ou certo tipo, suponho que aquele a que ela se refere) acaba por ser uma forma de poluição. A mim repugna-me a visão da Mona Lisa constantemente rodeada de basbaques ou o Pártenon calcorreado por milhares sandálias a cheirar a chulé... Enfim, as obras de arte e os monumentos têm direito ao silêncio mas as pessoas também têm direito a vê-las...

Author Profile Page seven em 15 de maio de 2008

Geralmente posts com mt texto aborrecem-me, mas este de alguma forma capturou a minha atenção.

Concordo de alguma forma com o que foi dito aqui, sem dúvida.Eu próprio já visitei Barcelona MAS também já fui um mero habitante, e sinceramente conhecer o país foi mais recompensador que o reconhecer o país.

Penso que no fundo, viajar por turismo seja muitas vezes um escape, dar asas aquilo que o portugues chama de "mudar de ares"!

Já agora fica aqui um repardo: muitas vezes aquilo que se vê em fotografias ou filmes não reproduz a grandiosidade e o ambiente que se vive em certos monumentos ,zonas ou festas locais.

Continuação de bons artigos

Ricardo em 15 de maio de 2008

E será cada vez mais assim. Habitantes de certas cidades desprezam completamente os turistas. - Fucking tourists, dizem.

Low costs com Lisboa - Barcelona por 39 euros (ou coisa parecida). Ver anúncios nesta própria página.

Acho bem e gosto muito. Fazemos mais turismo.

O Gonçalo Cadilhe, feliz (presumo) viajante profissional distingue entre viajante e turista. Compro a definição e comprem vocês os livros se a quiserem saber.

É aborrecido chegar a um ponto de interesse de uma cidade, seja um monumento , museu, ou algo parecido e ver a bela da fila de turistas. Os outros que chegarem depois pensarão o mesmo. Claro que é aborrecido. Mas estão lá para serem vistos e visitados.
É bom que vejam museus fora da terrinha. Mesmo que não conheçam os da própria terrinha. Que vejam alguma coisa.

As fotografias com os monumentos por cenário: Disse alguém, não me lembro quem, que conforme foi envelhecendo passou a gostar de ser ver nas poucas fotografias que tinha com monumentos ou paisagens nas costas(porque também sempre evitou que lhas tirassem). Terá dito algo parecido como que eram uma prova viva e não apenas uma recordação. E que sabia bem passados tantos anos ver-se nessas fotos. Acredito nele. Sou daqueles que acho que os mais velhos têm uma certa sabedoria.

Muitos portugueses conhecem melhor Cancun, a Republica Dominicana, e o Nordeste Brasileiro, ou outro destino de catálogo de 800 € uma semana, que Évora, o Gerês ou o Douro. Não os crítico. Vão onde lhes apetece ir. Que gozem.


Mesmo com o turismo de massas, mesmo com essa forma de poluição, é muito bom "fazer turismo". Melhor ainda é viajar.

Mas, e por enquanto, também dispenso a foto com o homem estátua. Mas que agora me apetecia uma foto nas pirâmides do Egipto,(pedia o favor a um turista japonês) ou numa esplanada no Cairo... lá isso apetecia-me.

Entendo-te. Mas embirraste :)

Tomas P em 15 de maio de 2008

Não sei se percebi o seu post, mas acha que ter acesso a imagens e textos (seja na net, em livros ou em filmes) acerca de um local é a mesma coisa que estar lá in-loco, tornando desnecessária a viagem?
Sim eu continuo a achar que há diferenças em estar em Picadilly Circus (Londres) e estar em Saint-Michel (Paris). Há uma serie de detalhes, cheiros, linguas, sons, entre outras coisas, que eu não posso apreciar no youtube ou em qualquer livro. Para não falar de lojas em segunda mão, exposições, bares e concertos que encontramos ocasionalmente.
Negligenciar a experiência ao vivo parece-me assim um erro.

Dir-me-á que as pessoas não querem verdadeiramente conhecer o local, mas como podem verdadeiramente saber a motivação do turista e acima de tudo qual a sua legitimidade ao criticá-lo, uma vez que não incomoda ninguém (e até ajuda a economia do país anfitrião) ?
Pois, possivelmente talvez incomode, o turista é feio de se ver na rua, pindérico e não é culto como nós.

Por último, não acha a sua generalização um bocadinho abusiva? será que os turistas são todos, mas todos, como o sr. que refere no seu exemplo?

Martins dos Santos em 15 de maio de 2008

Eu nunca sou do contra :)
Bom, isto é uma questão de escala. Se forem 10, tudo bem. Quando são 1000, tudo mal.
Nas igrejas, por exemplo, arrepia-me a barulheira - e nem sou religiosa. Lembro-me de haver guias com altifalantes na catedral de Colónia, e de eu não conseguir ver os mosaicos do chão com tanta gente a passar. Esvazia os sítios de todo o sentido, fica tudo reduzido à mesma escala de objecto de consumo, como qualquer outra coisa.
Mas pronto, eu tenho a mania.

tajana em 16 de maio de 2008

Sugiro que procure viajar na baixa estação, porque conhecer lugares é sempre muito bom. Mas que eles fazem um ruge-ruge desgraçado, ah! isso fazem!!!!!!

Jacqueline em 16 de maio de 2008

Acho que levaríamos mais a sério o post se a página onde está inserido não estivesse repleta de anúncios a convidar-nos à actividade que condena: ok, o turismo é uma desgraça, mas clique aqui e tem um vôo super-barato para sevilha ou... barcelona!

Ovídio em 16 de maio de 2008

Talvez a nossa origem venha dos canídeos e não dos macacos como o tal do Darwin andou para aí a tentar-nos impingir.

Qual o cão que quando lhe abrem a porta da saída, não procura, na sua primeira acção, marcar o seu terreno, assinalar o seu território para mostrar que já ali esteve, não deixando dúvidas aos outros vindouros cães. E qual a melhor maneira de o fazer? Uma, muitas das vezes minúscula, duma mijinha.

Tivessem eles maneira de poderem usar duas das suas quatro patas, sem cair, e nesse acto tremerem a polaroid, e é mais que certo, que tal como nós, marcariam o terreno com uma bela de uma foto

Papo-seco em 16 de maio de 2008

Tive sorte, creio. Visitamos Barza logo depois do Natal. Vimos as ruas cheias à noite, gente comendo tapas, o maior lufa-lufa noturno que já vi.
Tiramoc fotos no parque, com e sem lagartos. Curtimos a arte de ladrilhos do Gaudi plenamente. E, por fim, visitamos a praia de Sitges, bem abaixo do nivel de Barcelona.
Discutimos ontem a relação entre obra de arte a olho nu e a mesma em fotos ou filmes. Esta relação é a mesma de uma visita esplendorosa e a de vistas espetaculares em filmes. A visita pode decepcionar; é a verdade na retina, contudo. A escolha é do turista, ou não?

tina oiticica harris em 16 de maio de 2008

Ovidio,
tudo, menos ser levada a sério! E pense nisto como uma performance, nesse caso, e não uma simples página...

tajana em 16 de maio de 2008

Olá, Martins dos Santos,
não acho que é a mesma coisa ver reproduções das coisas e os originais. Nem foi isso que escrevi. Quis dizer apenas que a maior parte do turismo (e também não generalizei para todos os turistas) vem procurar os originais de coisas que já viu antes - não vem para descobrir coisas. Daí as conversas de colegas de trabalho "Também estiveste na torre da catedral?", etc..

tajana em 16 de maio de 2008

Arthurus,
nesse caso, podemos dizer que o turista é a versão pós-industrial do cigano :)

tahana em 16 de maio de 2008

Olá de novo, M. dos Santoss, colocou-me mais duas questões, desculpe mas passaram-me na primeira resposta.
"uma vez que não incomoda ninguém (e até ajuda a economia do país anfitrião)"
Incomodam, sim, se forem, como são em Barcelona, milhares. Há ruas em que mal se consegue andar, há bichas insuportáveis para os museus, há bêbados nas ruas à noite a gritar e a vomitar nos bancos de jardim. Por exemplo. São pequenas coisas.
Ajudam a economia, sim - no sentido em que trazem dinheiro. E junto com isso trazem uma especulação imobiliária brutal e fazem subir o custo de vida das populações locais, que é cada vez mais uma queixa das pessoas que vivem aqui.
Note que estou a dizer isto para sítios, como Barcelona, que assumiram a sua vocação de destino de turismo massificado. Cidades que, como alguém dizia no outro dia num documentário, se fazem cada vez mais para visitar, e não para viver.

tajana em 16 de maio de 2008

Tomás, essa distinção entre fazer turismo e viajar é um clássico, e dos bons. A minha questão é se o mundo hoje não é cada vez menos viajável - não só por causa dos turistas, mas por aquilo que o mundo, em si, é.

Daqui a algum tempo talvez as únicas viagens a sério sejam as espaciais, ou as que se fazem quando se tenta saltar o muro do vizinho (os crédito desta não são meus; mas não me lembro onde li isto, numa notícia a propósito do Fritzl - que hoje em dia o único desafio real era conseguir entrar em casa do vizinho, e não ir à Tailândia ou a Vanadu). Não ponho, pois, as culpas todas nos turistas, mas sinto sempre que há alguma coisa de errado quando toda a gente faz a mesma coisa. É como aquele postal dos Demotivators: "Se deres liberdade às pessoas para fazerem o que querem, acabam todos a fazer o mesmo".

Sou daquelas pessoas que não acham que mais vale ler um mau livro do que não ler nada. E isso vale para a minha ideia de fazer viagens/turismo. Não é ler ou viajar, em si, que te traz o que quer que seja. E quem sou eu para definir o que é bom ou mau? Ninguém. Mas felizmente não me obrigam a fazer eco do que os outros acham :)

Há tempos li uma série de textos de viagens de escritores, pelos próprios escritores. Havia uma grande variedade de abordagens, mas gostei bastante do relato de um polaco (não sei o nome, mas guardei essa revista) que dizia que a viagem que fazia, repetidamente, era pegar no carro e seguir para sul, até não sei onde, passando a fronteira, e sempre ao longo do mesmo paralelo. Passando por sítios sem pontos de interesse especial, enquanto turista, mas, dizia ele: "Para onde hei-de eu ir? Para Paris, onde todos já foram ou querem ir um dia?"

tajana em 16 de maio de 2008

Pois é....
Vejo que a cutucada foi certeira, muitos se manifestando e de forma inteligente.
Infelizmente, por falta de tempo e até mesmo de recursos, não viajo ao exterior - coisa que fiz, bem pouco, num passado longínquo - mas turista é uma praga !!!
Bem... Claro que há mais de um tipo de turista, não podemos generalizar a praga.
Caso eu viajasse me veria como um "passeador", procuraria fazer algo que um nativo fizesse - principalmente observar e comprar em supermercados, uma ótima forma de conhecer um povo -, fotografaria sim o Coliseu - Roma para mim é um hobby, em livros e, agora, internet - eu na frente, do lado, de cima e cada pedra do edifício, depois apenas sentaria em um canto a pensar no que aquilo tudo representa. Somos parte do Coliseu, afinal até o nosso Direito é Romano.
Não penso ser a forma mais inteligente de turismo, apenas como eu faria.
Se aproveitaria para ver muitas coisas rapidamente, outra terras ? Não !
Uma semana em um lugar. É assim que penso, para um mínimo de aproveitamento da viagem, do investimento pessoal, praticamente íntimo.
Este é meu turismo, observar e pensar, mesmo dançando, me divertindo, numa danceteria, mas agora cidadão do mundo.
Deculpem a verborragia.
Abraços
Eduardo

Eduardo em 16 de maio de 2008

Tajana, quando visitei a Sagrada Família com os meus companheiros de viagem não deu para explorar o interior, embora todos eles se tenham feito fotografar em frente à fachada velha, ou com ar divertido ou em pose culta. Não o fiz, por vergonha, e disseram-me que tinha a mania. Tive de voltar sozinha na tarde seguinte para ver como queria mas não apareço em nenhum dos trezentos slides que tirei, portanto, não tenho provas. Olha que isso do nosso retrato em frente aos sítios como prova, bem estudado, dá um belo portfolio hehehe

Uma vez uma amiga de um amigo meu disse, num jantar, que ia para Roma na semana seguinte; eu ia para Compostela daí a dias e comentei. Ah!, erro meu. Então eu ousava comparar Compostela a Roma? Tss tss. Já não era a mesma coisa porque era demasiado perto e eu não ia de avião. Portanto: cidades com história e arquitectura portentosa, sim, mas só começas a ganhar pontos quando o acesso começa a ser mais complicado :D:D:D Se não vais de avião ou não fazes uma viagem de carro com direito ao risco de adormecer ao volante não, não conta – temos pena. É isto que faz ir ao Louvre mas nunca ter ido ao MNAA, ir ao museu da cidade em Estocolmo porque aparece no guia, mas nem saber onde fica o de Lisboa, gostar da cidade típica em Praga e dizer do centro alfacinha “Eu até ia, mas como não tenho onde estacionar…”.

Gostei muito da questão sobre como reconhecer os turistas e acho que tens razão: é o sistema muscular relaxado. QUE INVEJA. Como eu adoro sentir-me assim. Bem, também se podem reconhecer se usarem meias horríveis com sandálias em combinações possidoníssimas. Eu própria já o fiz e sem vergonha porque quando se está longe de casa e se tem frio nos pés, há que procurar as soluções possíveis para nos esquecermos deles (dos pés) e continuarmos a curtir as férias... embora o meu género seja mais morrer de frio a aparecer em público com, por exemplo, meias com corações e piadas pirosonas compradas no Martim Moniz.

O meu grande stress é viajar pouco. É mesmo a coisa que mais me incomoda e, logicamente, em viagem é que eu me sinto mesmo bem, a cumprir-me, a fazer aquilo para que nasci :D A minha mola de viajar, toda instinto, é que como nasci no mundo tenho de conhecê-lo o mais possível, assim como quem tem uma herança mas só recebe em contacto directo com as coisas.

E gosto à brava de tudo. As cidades ocidentais encantam-me em pleno Inverno, mas nem penso nisso se estiver no descampado certo. Eu só não curto as limitações de me movimentar no mundo. E admito uma diferença de intensidade: quando tiro férias para curtir Lisboa, sinto liberdade; a descobrir, em contacto pela primeira vez com qualquer lugar, sinto-me nas nuvens, sou absolutamente apaixonada pela sensação das coisas novas e nunca vistas em frente aos olhos e a sensação do ar de um sítio novo em volta do corpo.

sao em 16 de maio de 2008

Hmm...vamos ver...turismo vs viajem.
Viajamos geralmente com um propósito, motivados por expectativas ou por necessidades. Ainda que no momento da partida se alegue a ausência de um motivo ou de expectativas concretas, é inerente à viagem, a procura de outro lugar geográfico. Este aspecto, eu acho fascinante ( apesar de ter um sorriso estúpido na cara pelas viagens que fiz, vou controlar o meu impulso e passar à fase seguinte)
O Turismo é a indústria que trata da viagem como um bem económico. A viagem torna-se então num produto vendável, com preço sujeito à dinâmica da oferta/procura e embalado em “pacotes”.
Não acho que o turismo anule por si só, o valor humano e o gosto que uma viagem pode ter. O importante é sabermos abrir o “pacote” e sair do rebanho.
Quanto à Mona Lisa, sugiro: conversar com qualquer funcionário/a do museu ( que provavelmente será português/a ) até que o grupo de turistas siga em frente e ficar a conhecer o ponto de vista de quem vive isso todos os dias ;)
Mariline

Mariline em 16 de maio de 2008

Seven e o turismo do chulé :D:D:D É isso que me faz gostar muito muito das cidades ocidentais em pleno Inverno. Quanto mais frio, melhor. Por um lado, não há cheiros desagradáveis :D Os que por azar existirem, ficam retidos no recato da camisola interior e da peúga, que o Inverno não é estação de confianças excessivas.
Confesso que naquela aventura com o quadro do Vermeer fiquei toda amofinada porque a malta só reparava no quadro da gaja com o brinco de pérola, que está em frente na outra parede e que é uma obra-vedeta, especialmente depois do filme… pfffff (é lindo, sim, mas não tem puto de força para rivalizar com o outro).

sao em 16 de maio de 2008

oh minha querida tajana, como pode você conseguir escrever o que escreveu, e, ainda por cima, ousar sequer ter essa opinião?

não defendo claro que se deva ver por ver, ver porque tem de se ver, ou que chega passar de autocarro, como essa palhaço desse turista português. eu já só o aplaudo por não ser daqueles palhaços que mal entram de férias e têm uns trocos se metem num avião directo para um país tropical e nem sequer saem do resort para não perder um segundo de bronzeado!

sou nova, muito nova, mas tenho a sorte de já ter viajado muito, e de ter como aspiração passar a minha vida a fazê-lo. não cidades, mas sim!, outras culturas, que dentro da europa a variedade não é assim tanta.

é claro que já conhecia a torre eiffel, os postais, da televisão, de onde quer que seja. quando tinha 10 anos e fui a paris, olhei-a como se nunca a tivesse visto, porque, definitivamente, não é a mesma coisa. só nos apercebemos da sua imensidão quando cá estamos em baixo, a olhar para cima, e a pensar como é que o homem a concretizou nas condições que o fez. é magnífica, e, no entanto, toda a gente a conhece. ridiculo é não ir porque já toda a gente viu.

o contrário acontece com, por exemplo, a famos estátua da liberdade - a maior desilusão da minha vida. sabe-se lá pq acalentava a ideia de que era gigante, e quando lá passei ao lado de barco, tive que por o zoom da maquina no maximo para conseguir perceber se era msm ela, que fotografia nem lhe concedi a honra.

prefiro criticar as pessoas que, pela primeira vez numa cidade, preferem o mcdonalds a uma comezaina típica.

se em barcelona não se pode andar de calçoes e chinelos para nao sermos esses turistas que tanto critica, qual é o traje que aconselha? e, já agora, se for num país nortenho, como a nortuega ou a finlândia, como é que os turistas se vestem, para os evitar, é claro?

o seu artigo não é muito feliz. deixe as pessoas viajarem e VEREM, que faz bem a tudo!

aproveite a boleia e vá tb, já que a barcelona já foi duas vezes!

PIPA em 16 de maio de 2008

Acho interessante e importante demonstrar o peso da propaganda ou do "peer pressure" que faz as pessoas irem/fazerem as mesmas coisas que seus pares fazem ou as revistas ou os "representates da opinião pública" dizem que deve ser feito. Mas esse turismo de pacote, por peso, "15 países em 10 dias" existe há muito tempo é foi criado e é mantido por aqueles com pouca imaginação no que pode ser encontrado ao viajar por lugares aparentemente conhecidos, seja por televisão, internet ou fotos de outros viajantes. Eu sou uma turista que vai para "conhecer" os lugares que visita, que gosta de andar nas ruas, nos transportes públicos e ser confundida com uma moradora local (o que já me ocorreu diversas vezes). Acho que este tipo de turismo é para as pessoas com menos pressa e mais interessadas em saborear em vez de engolir os momentos.
Mas devo confessor que o seu texto me atingiu de forma errada pois o li como uma declaração contra todos os turistas - mesmo que não tenha sido esta sua intenção. Sou-me muito como um libélulo contra estrangeiros, contra multidões enchendo calçadas e ocupando o espaço local. Seria menos... belicoso se oferecesse idéias de como mudar a visão de turistas ou desse idéias de como aproveitar viagens a lugares comuns ou a lugares inusitados.

claudia em 16 de maio de 2008

Discordo do turista incidental a que o autor se promove. O Turismo advem de sensações, uma única - reconhecer lugares, que também é parte de um todo, não representa o turismo. De uma ida a New York lembro-me do vendo agradável, mais frio que o da minha terra mas agradável e, aí sim, reconheço-o em outros lugares como o vento de N.York, uma sensação. Em Polcenigo, provincia de Pordenone, Itália experimentei sensações diferentes num boteco ao lado do Castelo Zaia. O Proprio Castelo de castelo quase nada tinha a não ser que Napoleão II ali passou uma noite, grande coisa dirás mas a sensação era da agua gelada e pura do riacho escuro ao lado do boteco, do velhinho de nariz vermelho que deturpava um spritz(nome alemão em plena Pordenono para um drink composto de agua com gaz, vinho branco seco e gotas de vermute) colocando grappa no lugar do vinho. Sensações gastronômicas como comer um ramon em Madrid saboreando um gostoso Jerez no lusco fusco da tarde... Ver o amanhecer no dedo de Deus , na Serra dos órgãos com meu filho pequeno nos braços em completo silêncio da manhã bem não reconheci nada alí, viví, vivenciei isto é turismo, vivenciar sensações novas que até poderiamos te-las em nossas localidades.
Mas jogar uma moeda, sem querer, na testa do turista atras de ti na Fontana de Trevi ou cometer algumas gafes isto amigo é a parte interessante do turismo, da construção do ser humano ávido de novas sensações. A propósito viage mais, sem rotular as sensações aí, talvez, possovir a ser um desses milhões de FELIZES turistas.

Jacal em 16 de maio de 2008

Tenho feito diversas viagens pelo exterior e nunca deixei de curtir mesmo que tenha enfrentado situações embaraçosas. No caso de viagem a Espanha, em especial a Barcelona,Madrid, Costa do sol e com vista a Granada, etc, deixei a programação em "banho maria" porque surgiram muitos comentários da situação dos barsieliros lá, como turistas (é o que dizem). Assim, até que haja melhores informações, não pretendo lá voltar (e lá já estive várias vezes sem problemas). É um país lindo, com muita história e com muita coisa para se ver de centenas de anos atrás. É imperdivel para quem nunca foi e não imagina a beleza dos tempos idos. Não há como comparar as riquesas do antepassado com as que existem no Brasil....são coisas diferentes. Visitante de 1/2 Mundo, "de cadeira" digo que cada País tem a sua beleza. Uns mais do que os outros, mas o povo, as tradições, o que vestem, o que produzem, o que comem, o que tem como divertimentos, enfim, são tantas as diferenças que para quem tiver oportunidade, vale a pena conhecer, mesmo que não venha a gostar e não pretenda mais voltar. Em geral, quem viaja acha que o lugar não é para se visitar novamente. Engano. O tempo e as modificações e atrações são um chamariz ao retorno.

Isaac em 17 de maio de 2008

Tajana

Acho que a melhor parte do teu post e a mais sábia é começar por dizer que é um post arrogante  Lá isso é. Acho que só não levas mais porrada nos comentários porque reconheces desde logo isso e porque te respeitam pelo que já escreveste. É o meu caso.

Sabemos que os posts que suscitam controvérsia são os melhores para suscitar comentários.

É uma pena.

Porque para os autores quando escrevem bons posts, que por vezes dão muito trabalho quer de investigação, quer porque puxam pelo seu melhor, e o resultado é julgo eu na maioria das vezes uma enorme indiferença. Por isso mesmo quando acabar este comentário vou já aqui acima aos relacionados reler e comentar em dobro aqueles que mais gostar.

Passando a introdução vamos a mais uns Discordo! Se calhar um pouco mais secos e sarcásticos…mas tu estavas a pedi-las… 

Discordo que só restem as viagens á lua. (desculpa mas é mesmo um grande disparate dizer isso). Mesmo em Portugal é fácil viajar sem me sentir turista ou um passeante de fim-de-semana.

Recentemente numa aldeia ainda não era meio-dia, e sem saber como aquilo começou, já tinha despachado 3 medronhos com conversa com os velhos lá da terra. À conta disso andei um pouco mais animado que o costume durante umas boas horas (acabei por não visitar a Igreja Matriz nem o pelourinho lá da terra porque não lhe vi interesse nenhum). Não me sinto culpado com isso.

Mas isto, na minha opinião, é tanto fazer turismo, como subir à Torre Eiffel (passei lá uma manhã inteira em filas, elevadores e escadas) . Se valeu a pena? Acho que sim.

Todos nos sentimos de certa forma “obrigados” a visitar os ex-líbris. Deve ser do velho ditado “Ir a Roma e não ver o papa”. Umas vezes vou aos ex-líbris, outras não vou. Depende se me apetecer. Umas vezes vale a pena, outras vezes não. Só terei a certeza se for.

Hoje, e ainda não sei bem porquê, dou mais valor ao bilhete e fotografias que tenho do world trade center (e até tenho foto minha lá em cima).

Repara que o português que referes, teve a “coragem” de não se sentir obrigado a entrar na Sagrada Família. Contentou-se em fazer em mais um visto dos locais visitados.
Aquilo que atacas no português é exactamente a mesma visão que tens. Atacas por não ter entrado e atacarias na mesma se tivesse entrado. Atacas o homem porque chama pacóvios, aos outros quando tu fazes exactamente o mesmo sem dizer pacóvios. Como se a tua visão e o teu direito de quando entras num Museu é maior que outro que usa sandálias ou uma t-shirt a dizer hard rock café.

Mas percebo o teu incómodo e aborrecimento de não conseguir ver bem os mosaicos da Catedral de Colónia. Também não sou religioso e o que me impressionou, e mesmo cheia de gente, a Catedral de Milão (apesar de tanto comercial que é o sítio, pelo menos na altura as velas ainda não eram eléctricas e accionadas por moedas).

Porque não estes sítios terem horas de visitas especiais para pessoas que querem ver com um outro olhar mais demorado?

Como é que isso se faz é que eu não sei.

Mais caro? Fora de horas? A quem fizer um exame de cultura geral?
Pois … se alguém soubesse resolver isto provavelmente já estaria resolvido. Tipo hora para turistas intelectuais bem vestidos? Ou um porteiro (tipo das discotecas da moda) que avaliava as pessoas pelo seu ar. Porteiro pensando: hmm óculos de massa… - faz favor de passar à frente. Uma pêra ou uma barba? – Senhor Quantos são no seu grupo? Ar desmazelado de intelectual de esquerda? - Faça favor de entrar. Temos um privado com as nossas melhores obras só para estes clientes intelectuais, onde podem tertuliar entre iguais.

Haja dinheiro e faz-se mais viagens em sítios onde o turismo ainda vai pouco, ou onde os tais catálogos das agências ainda não vendem pacotes. Outros países e locais sabem bem isso e protegem-se. Ler o primeiro parágrafo do site desta página do Reino do Butão
http://www.kingdomofbhutan.com/visitor/visitor_.html

Não falta sítios onde viajar longe das multidões. Ainda tenho tanto onde quero ir antes de ir á lua. Desde Museus, a capitais europeias, a aldeias cá dentro e outras lá fora, como a lugares remotos e não remotos onde poucos querem ir.

O teu texto faz mesmo lembrar aqueles que acham que só deve votar quem tem instrução acima da média. Todos sabemos que há muitos licenciados que nem sequer deveriam ter filhos, nem ter direito a uma carta de condução quanto mais votar…

Também não acho que ler um mau livro é melhor que não ler livro nenhum. Já quanto às viagens não me parece que seja bem a mesma coisa. Visitar o Prado é melhor que não visitar museu nenhum. Visitar a Sagrada Família é melhor que não visitar Igreja nenhuma. E mesmo ir para Armação de Pêra, para uma torre de 10 andares, igual à do Bairro é melhor que não ir a lado nenhum.

Não me interpretes mal, também não gosto dos magotes de gente (quem gosta?). Também me irrita as carneiradas. Também não percebo o que os leva a ir, só pelo ir. É exactamente a mesma coisa daqueles que vão a um restaurante só porque está In, quem lê (ou apenas compra para colocar na estante) aquele livro só porque está no TOP, ou quem passeia o saco do Jornal Expresso, ou os estudantes de direito que carregam o Código Civil fora da pasta. Têm todos um problema de auto-confiança ou querem parecer aquilo que não são.

É só tentar evitá-las o melhor que conseguirmos. Ir onde os outro não vão (ou vão muito menos) e também (outra vez) a Londres, Paris, Nova York. E tanto que há para fazer e ver nestas cidades sem ter de entrar nas Starbucks, Zaras, e Ermenegildo Zegnas…

Apesar de tantos discordo é um grande post porque dizes aquilo que tantos pensam e acham.

Tajana gosto muito de ter ler. Concorde ou não.

Tomas P em 17 de maio de 2008

Eu sempre prefiro pessoas a lugares.

Sandra em 17 de maio de 2008

A verdade é que viajar é a melhor coisa do mundo. E foi curiosamente em duas viagens a dois dos locais mais fotografados do mundo (Nova Iorque e Barcelona) que tive a capacidade de olhar com a devida distância para a minha vida, para as minhas decisões e para as coisas que queria fazer daí para a frente.

Ao regressar de Nova Iorque despedi-me de um emprego que me ocupava 12 e mais horas por dia ao ponto de me esquecer de amigos, refeições e da vida em geral. Foi uma das melhores decisões que tomei, e embora admita que eventualmente tomaria a decisão de qualquer forma, viajar para longe ajudou-me a ganhar perspectiva sobre a questão e a tomar a decisão mais rapidamente. Curiosamente o momento da realização está fotografado e mais curiosamente ainda é uma fotografia no Starbucks numa qualquer avenida em NY.

Uma segunda visita a Barcelona despertou em mim a imensa vontade de viver nesta cidade (digo "nesta" porque é onde estou neste momento). No meio de uma vida meio estagnada foi a pedra no charco que eu estava a precisar. Mudei-me. Libertei-me. O plano falhou e agora ando meio cá e lá (em Portugal).

Por isso, deixem os turistas encher as ruas. Fotografarem os seus momentos, as suas conquistas, comprar a caneca a dizer "I LOVE NY" ou um sombrero nas Ramblas. Porque no meio disso tudo talvez um deles se esteja a encontrar.

B em 18 de maio de 2008

Interessante! Todo comentário que é feito sobre este artigo , a digníssima autora responde no blog e ainda manda respostas para os e-mail das pessoas. Quem não aguenta crítica não deveria escrever. Como se diz no Brasil, no nordeste "quem não pode com o pote não pega na rodilha" Né não, Tajana?

Jacqueline em 19 de maio de 2008

Acha que não devia responder, Jacqueline? Aguentar críticas é ficar calado? Os autores do obvious fazem os possíveis por responder a todos os comentários e isso é bom porque se trocam opiniões. Mas pelos vistos você acha isso mal... Nesse caso não comente nem utilize sarcasmos do tipo "digníssima" porque passamos bem sem eles. Também passamos bem sem conselhos sobre quem deve ou não escrever aqui. Pessoas como você não, seguramente.

Author Profile Page seven em 19 de maio de 2008

E o sistema dos e-mails para cada user que comenta um post é um automatismo do Obvious, não é? :)

sao em 19 de maio de 2008

Lembrei-me entretanto: nos parques naturais e arqueológicos, quando a gestão é responsável existe uma quota de visitantes por dia/semana/mês e guardas de parque que controlam as aproximações ilegais. As pessoas protestam porque pensam no imediato – “eu quero ir!” –, mas a razão é óbvia: há ecossistemas frágeis a respirar em cada sítio onde pomos os pés. O exemplo da Tajana e dos mosaicos na Catedral de Colónia lembrou-me isto.
Também é estranho o movimento em direcção à descoberta das coisas não ser individual: se eu me chegar à beira das Niñas do Veslasquez, no Prado, com seis amigos e todos fizermos “Aaaaah!” ao mesmo tempo, que intimidade vivi eu com a obra de arte? Nenhuma. E havia um colega meu que entre o Louvre e D’Orsay preferia o primeiro porque era maior e mais conhecido :) É triste.
Não seria de todo descabido que os ministérios/departamentos/whatever do turismo de cada sítio estabelecessem um número máximo de visitantes por dia, pelo menos para determinados lugares. Não há ecossistemas nos mosaicos e nos altares das catedrais, mas poder vê-los quando se visitam é qualidade de vida e esta – em Portugal, pelo menos – é um bem jurídico de protecção constitucional a par do ambiente e ao mesmo nível.
É a minha opinião, pode haver outras…

sao em 19 de maio de 2008

Olá,
caramba... não vou ter tempo de responder a tanta coisa, pelo menos com o nível de minúcia e atenção com que alguns comentaram. Desculpem, mas, como se diz, a minha vida não é só isto :) tentarei, de qualquer forma, responder pelo menos aos primeiros comentários.

Depois de ler os comentários e ter relido o que escrevi, vejo que se concluíram coisas sobre "as minhas opiniões" que não correspondem ao que quis dizer. Assumo que a falha seja em parte minha, secalhar misturei coisas que não devia. Mas, curiosamente, ninguém reagiu assim por exemplo aos meus comentários parvinhos sobre os bigodes dos marroquinos, que é o tipo de coisa, para mim, que mais facilmente podia ser levado a mal. A única conclusão que tiro é que aqui todos fazem turismo, mas ninguém tem bigode :)
tajana

tajana em 19 de maio de 2008

Pipa,

ouso esta e outras opiniões que não vêm ao caso, desde que elas para mim façam sentido, e mesmo que de alguma forma desiluda os leitores de textos anteriores. Creio que a única coisa que devo a quem me leia aqui é a minha honestidade no que escrevo, e que escreva bem. Escrever em função daquilo que os leitores vão seguramente gostar de ler é enganá-los. Mas também não dou assim tanta importância ao que escrevo aqui, e muito menos às minhas opiniões, para pensar em termos de iludir ou desiludir seja quem for. Nem imaginei que tanta gente fosse ler um post sobre este tema.

Não acho que seja a mesma coisa ver a torre Eiffel num postal ou ao vivo - nem disse isso, e já respondi a essa questão noutro comentário. Os turistas de que eu falo são esses que provavelmente vão ao McDonalds. O facto de terem toda a legitimidade para o fazer não impede que eu ache isso uma coisa criticável, infantil, ridícula, ou o que quer que seja (não vou agora escolher o melhor adjectivo para o tema).

Quanto à indumentária, o que escrevi não foi, em nenhum momento, que os turistas não deviam vestir isto ou aquilo. Estava a fazer um retrato físico do turista, à vol d'oiseau, a partir de observações "em campo" (não só minhas), e tendo em conta o facto de que é muito fácil identificar um turista, mesmo quando ele se veste da mesma forma que os nativos (escrevi isso, literalmente, no meu post). Eu também me visto assim, e não é só quando faço turismo. E longe de mim querer dizer como se devem vestir ou o que devem ver ou fazer. Isso seria pior que ser arrogante ou elitista - isso seria ser paternalista.

Não deixo de ir a um sítio porque toda a gente já foi. Deixo às vezes, infelizmente, porque mesmo que vá ao sítio, acabo por não conseguir vê-lo.

Deixo as pessoas fazerem o que quiserem. São tão livres de o fazerem como eu sou de ter a minha opinião sobre certas coisas e de quem me lê ter opiniões sobre as minhas opiniões. Infelizmente, tenho pouco tempo para tantas mensagens. Mas obrigada por comentar.

tajana

tajana em 19 de maio de 2008

Jacal,
o que é um turista incidental?
tajana

tajana em 19 de maio de 2008

Tomás, a ti já te respondi, mas até parecia mal responderes tão aplicadamente e eu não dizer nada.

Na verdade, o termo certo para o meu texto não é arrogante - é mais... elitista :) O que para mim não é necessariamente um termo negativo, mas nem vou entrar por aí. Claro, começar assim foi uma estratégia deliberada.


Quanto à história da viagem à lua, a ideia não era que me interpretasses literalmente - mas ok, mereço, pus-me a jeito. Depois, devo ter falhado redondamente nas coisas que tentei dizer com algum humor, mais que propriamente como crítica, porque quase toda a gente me levou muito a sério e entendeu todo e qualquer comentário como um gesto de lápis azul. Quer-me parecer que porque uma coisinha qualquer irritou logo ao princípio, leram tudo o resto em função disso.


O português que citei, o da Sagrada Família, quanto a mim não teve coragem - teve desinteresse ou preguiça. É legítimo. Muitas vezes suspirei diante de um monumento de grande valor cultural e virei costas, com um 'bom, já vi por fora', porque me apetecia antes ir tomar um café. O que eu ataco é ele achar que ver a Sagrada Família do autocarro o 'desbronquiza' face aos conterrâneos. Não percebi muito bem as tuas frases seguintes... mas repara, o meu problema não é que entrem no museus de sandálias e máquina a tiracolo e escrevam nas paredes 'Marilia esteve aqui'. O meu problema é que são muitos, e isso torna certos locais insustentáveis. O Gaudi seguramente não concebeu aquela igreja ou o parque Guell para turismo de massas (muito menos ele, profundamente religioso e afastado das mundanidades, e por aí fora), e portanto quando há um número excessivo de pessoas, tu não vês o lugar - vês as pessoas no lugar. Como se resolve, também não sei. Talvez, como acontece em alguns museus e exposições, limitar o número de acessos simultâneos. E eu entraria de bom grado de braço dado com o "mau turista" de que falo, mesmo tendo as minhas opiniões sobre ele, se conseguisse ver os mosaicos, e se conseguisse ver as meninas do Velázquez, no Prado, inteiras, e não apenas os dois terços superiores, como me aconteceu, porque o resto esteve sempre tapado por cabeças. Embora tenha ido lá a horas teoricamente mais mortas. No meu texto misturei, e secalhar não devia tê-lo feito, as questões da qualidade dos turistas com as da quantidade. Depreciei ambas as coisas, mas o problema é que pelos vistos criei equívocos que não esperava.

Não acho, por exemplo, que deva haver acessos mais caros para visitas a certas horas. Isso, para mim, é o pior elitismo que pode haver, que é aquele que é feito com base no dinheiro.


Um aparte: ontem fui a Girona - como turista, claro. Havia rios de turistas, apesar da chuva. Quis entrar numa igreja e o padre à porta disse-nos: 'Vêm tarde, vêm tarde...' O tarde dele não tinha a ver com o horário de visitas, mas com o da missa. Quando soube que éramos turistas e só queríamos ver a igreja, fez-nos um gesto com a mão para irmos embora. 'Temos muitos...', disse, e fechou a porta com um sorriso.

Visitei várias cidades com vários tipos de pessoas, desde os mais metódicos a calcorrear os chamados 'pontos de interesse' até aos mais desligados dessas coisas, aos que vêm pelas miúdas, aos que vêm pelos museus. Há dias fui com uns amigos à Sagrada Família, mas desisti de entrar depois de estar 20 minutos à espera na bicha e de ver um cartaz que dizia "Tempo de espera para subida: 90 minutos". Apenas uma pessoa do grupo se manteve firme na vontade de entrar, e acabou por nem subir (mas pagou 8 euros só por entrar, na mesma).


Quanto a "aqueles que acham que só deve votar quem tem instrução acima da média" - ainda bem que gostas de picar-me :) Mas não é isso. Não acho que as pessoas que percebem mais de arte devam ter acesso aos museus e as outras não. Chateia-me, isso sim, não conseguir ver as Meninas porque há um magote de gente à minha frente que nem sequer está a olhar para o quadro - estão simplesmente a tirar fotografias ao quadro (e não é imaginação minha). Acabo por voltar para casa e ficar a ver as reproduções. A ordem (nem por isso) natural do mundo faz com que estes turistas sejam, hoje em dia, a maioria. Mas eu continuo a estrebuchar, tal como reclamo contra as TVs que só passam telenovelas e reality shows, que são, num certo sentido, os programas mais anti-elitistas do mundo. Um dia talvez me mandem para uma reserva, como aquelas dos índios americanos.

E obrigada por leres, e gostares.

tajana

tajana em 19 de maio de 2008

sao,
é a esse tipo de 'qualidade' no encontro com as coisas que eu me refiro - mesmo que isso seja elitista. A qualidade, quase sempre, é elitista. Se olhas para um quadro durante dois segundos, apenas o tempo de ligar a máquina, e te vais embora assim que acabaste de tirar a fotografia (até porque há um monte de gente atrás de ti a querer passar para a frente), não tens uma experiência muito diferente da que tens a ver uma reprodução. Claro, tens direito a fazer isso, porque pagaste a tua entrada no museu como toda a gente.

Lembro-me de que, no Prado, me resignei a não conseguir ver as Meninas, e acabei por me consolar com a descoberta do Ribera e com o facto de ninguém ligar nenhuma aos quadros do Zurbarán - pude ficar a olhá-los à vontade, o tempo que quis.

Nunca como hoje foi tão fácil ir ao outro lado do mundo sem no fundo sair de casa - porque encontramos lá as mesmas coisas que aqui, ou melhor, porque procuramos lá as mesmas coisas que aqui. Não tenho dúvidas de que as pessoas sejam felizes dessa forma - e insisto, legitimamente. Eu sou mais feliz a comer uma cabeça de garoupa cozida com legumes, ou uma bifana no pão, ou uma chamuça de Goa, do que um hamburguer. Sou elitista e arrogante, porque gosto de bifanas e chamuças. Ah - e hei-de acabar sozinha!
tajana

tajana em 19 de maio de 2008

Sim, o sistema de comentários por email é automático. Mas se alguém quiser ou precisar de um bocadinho de atenção, posso enviar sms e telefonar em exclusivo :)

tajana@gmail.com em 19 de maio de 2008

Isso é muito subjectivo.

sao em 19 de maio de 2008

B.,
aí está um ponto bem visto e a que eu não dei atenção no meu post - a capacidade que uma viagem, por mais standardizada que seja, pode ter de transformar a nossa vida. Touchée :) Também não quis fazer um post sobre o que a viagem pode trazer de maravilhoso - apenas sobre o que um certo tipo de turismo, a meu ver, tem de errado. Mas lá está - não é o facto de ir a um sítio A ou B, mais ou menos fotografado, que pode provocar isso. São experiências muito pessoais, que nem você, nem eu, podemos generalizar. A mesma viagem, numa altura diferente da sua vida, poderia ter sido apenas mais uma sequência de monumentos, hotéis e fotografias. Nada nos salva de nos apaixonarmos enquanto ouvimos uma música da Ágata, e não há nisso nada que diminua o valor da experiência:)
tajana

tajana em 19 de maio de 2008

Cara Tajana eu gosto de bifanas e chamuças será que sou elitista?

Se comer um cachorro quente será que me vão crescer sandálias nos pés?

:) prontos! já chega...não resisti...

Para veres meninas com fartura (e farturas comes? ) vai ai ao Museu da terra do Picasso(Já deves ter ido). Vês umas duas duzias de meninas (entre esboços e estudos). Que obsessão tinha o homem com esse quadro...

P.S. Ainda não fiz os comentarios positivos onde eles merecem...shame on me


Tomas P em 19 de maio de 2008

Tomás,
ainda não fui ao museu Picasso - adivinha porquê...!

Erraste: não é porque tenha sempre bicha para entrar - é porque no bar não há chamuças.

OK, é pelas enchentes. Por sorte, como não sou adoradora de Picasso, não me custa tanto como outras coisas. Mas hei-de lá ir, claro - até porque quem sabe se vendo as obras ao vivo não mudo de ideias sobre ele. Acho que ele só pintava meninas para poder comê-las. Mas não é por isso que não sou fã.

Ontem foi a noite dos museus - entrada grátis das 19 às 24h - e aproveitei para ver (eu e mais uns milhares) o museu de história da cidade, que é bem interessante.

Sandálias nos pés não digo - mas cuidado com os pelos nas orelhas.

E deixa lá os posts de que gostaste mais, não é preciso ires lá. Vê mas é se trabalhas.
bjs
ana

tajana em 19 de maio de 2008

Esse texto pode ser destruido por dois argumentos: conhecer outros lugares envolve muito mais que visão e toda quebra de rotina por algum tipo e lazer, até ir a um boteco a noite, é uma coisa bem agradável aos nossos sentidos

Felipe em 22 de maio de 2008

Filipe,
nenhuma das coisas a que se refere está ou deixa de estar no meu texto, que é sobre a forma como as coisas são feitas (e a escala desumanizada a que são feitas), e não sobre o facto de fazer uma viagem ou ir a um sítio em concreto.
tajana

tajana em 22 de maio de 2008

Cheguei ontem de Barcelona e... partilho e não partilho o post original.

Partilho no sentido em que, no museu Picasso, gostaria de conseguir percorrer as salas com menos confusão... grupos de teenagers japoneses, muitos americanos (nem o dólar em queda os afasta).

Não partilho porque sabe bem viver uma cidade com vida. Vida criada muitas vezes por turistas.
O que era Barcelona sem as hordas de turistas? Uma cidade diferente.
Os turistas não só captam e incorporam a experiência da cidade como a alteram para melhor.
Mas Barcelona tem uma diferença grande com o Algarve em Agosto. Ambos são invadidos em Julho/Agosto, mas Barcelona está preparada. Nunca tive fila para multibanco ou restaurante.
Mais, a própria dimensão dos turistas cria experiências que a cidade por si não fornece. Quem nunca teve namoros de férias? Ou uma boa conversa num café com holandeses sobre cogumelos? Ou simplesmente observar os japoneses e ver como são diferentes (já repararam como os rapazes, no masculino, adolescentes japoneses se abraçam e dão as mãos?).

PS - não, não era eu...o português do Metro falado no artigo original :-) .

PTrezentos em 22 de julho de 2008

Olá, PTrezentos,
devolvo-lhe a pergunta: o que era Barcelona sem as hordas de turistas? Eu não sei - não conheci a cidade há 15 ou 20 anos. Dizer que era 'diferente' não adianta muito... Mas interessa-me pouco saber a opinião dos turistas, como nós, sobre esse tema. O que me parece importante é saber a opinião dos habitantes, porque antes de mais é para eles que a cidade deve ser feita. Quando visito um país ou cidade sinto-me sempre como visitando a casa de uma pessoa, e não me é indiferente o efeito que a minha presença possa ter.

Ouvi vários barceloneses (e não só) queixarem-se das hordas de turistas. Pelo barulho, pela sujidade, pelo aumento dos preços que decorre da actividade turística. Habitantes dos bairros antigos que são pressionados para além do razoável para deixarem as suas casas, devido à pressão imobiliária. Pessoas que me dizem, suspirando: 'Mal começa o bom tempo, fujo das ramblas'. Embora gostassem, antes, de passear pelas ramblas. Praças e ruas que deixam de ter sítios para os habitantes locais conviverem, porque passam a ter prioridade as esplanadas caras vocacionadas para o consumidor turista. Há dias, no jornal, li que 80% das pessoas que passam nas ramblas, por ano, são turistas.
Acho discutível que os turistas - a esta escala, repito - tornem a cidade uma coisa melhor. Se me falar no convívio entre pessoas de diferentes países, sem dúvida. Mas este turismo é outra coisa, e esse convívio é apenas um efeito secundário de um grande negócio.
tajana

tajana em 22 de julho de 2008

Ah, é verdade! Infelizmente, não consegui fotografar um grafitti que andava a aparecer em alguns sítios da cidade (eu vi no Raval) e que dizia: 'Tourist - you are the terrorist'. He he he.
Mas encontrei online:
http://www.flickr.com/photos/anapanda/351258324/in/set-72157594399625440/

tajana em 22 de julho de 2008

Me identifiquei totalmemte com suas idéias. Acho triste essa história de turismo( sempre os mesmos lugares, as mesmas fotos ) a pessoa come uma paella e já acha que conhece a cozinha espanhola. Muitas vezes não conhece nem o próprio bairro direito.

Ingrid Voor em 1 de agosto de 2008

Obrigada, Ingrid. Já somos dois ou três; qualquer dia, tomamos conta do mundo :)

tajana em 2 de agosto de 2008

Gostei muito da discussão, até mesmo por ter a pretenção de ir a Espanha ou a Itália. O fato é que certas críticas que foram colocadas, podemos sentir nas entrelinhas, uma certa incoerência; por um lado há críticas a quem faz turismo. No entanto, quem faz as críticas detalha os lugares. Interessante não? Gostaria que as pessoas parem com os preconceitos, isso apenas provocam conflitos e nada mais. vivo no brasil e aqui somos passificos. "palvesm@bol.com.br"

policarpo em 6 de janeiro de 2009

Anjo, um dia uniremos o mundo. Pérola -espanha/brasil- jp.

Policarpo em 6 de janeiro de 2009

Sou Portugues, existe muito low-cost (Do porto se marcarmos com antecedência temos voos para Paris, Barcelona, Roma, etc... a 5 euros, e nao estou a gozar). Não existe low-cost para a R. Dominicana nem para Las vegas, dubai ou coisa parecida. O problema é esse, qualquer pessoa pode fazer turismo. Os ignorantes vao a paris ver a torre e a disney e pronto tá feito. Os mais cultos vao ao Museu d Orsay e a Place du Tertre.
CAda um faz o que quer, o turismo é isso, podem se aventurar por Napoles ou ficar no sosego de roma, ir a angkor ou ficar pela civilizaçao.

luis em 31 de maio de 2009

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