
Pode parecer extravagante mas o discurso de Wayne Belger faz muito sentido. O acto de fotografar não deve ser fugidio e distante e resumir-se ao mero instante do disparo, apesar de nesse momento se fixar para a eternidade "um momento fugaz de luz e de tempo", segundo as palavras do próprio Wayne. Assim, quando escolhe um tema a fotografar, passa primeiro algum tempo a estudá-lo. Seguidamente idealiza como deverá ser o aspecto de uma imagem desse tema. Por fim constrói uma câmara fotográfica adequada, seguramente bizarra.
Wayne Belger é um autodidacta da vida. Fez de tudo um pouco até se interessar pela fotografia, uma paixão séria. A sua abordagem é bastante radical e por isso despreza processos muito artificiais, como a fotografia digital, e vira-se para o grau absoluto da fotografia: a técnica do pinhole. Através deste processo a relação com o sujeito fotografado é mais forte e o resultado final é mais verdadeiro, sem manipulações. Mas se o sistema é simples, o seu envolvimento é complexo - referimo-nos à caixa que contém a película fotográfica. É aqui que Wayne revela toda a sua criatividade...
Para construir a caixa da câmara pinhole começa por recolher objectos relacionados com o sujeito a fotografar - por vezes bastante bizarros - que podem incluir inclusivamente partes biológicas, dependendo do tema, e materiais tão variados e sofisticados como alumínio, titânio, cobre, latão, bronze, aço, prata, ouro, madeira, acrílico, vidro, osso, marfim, etc. Os resultados são espantosos.



A Heart é feita de alumínio, titânio, acrílico, formaldeído e um coração de criança e foi concebida para tirar fotografias de mulheres grávidas de, pelo menos, oito meses.


A Yemaya é uma câmara subaquática construída com alumínio, latão, pequenos seres marinhos e pérolas.


Concebida para estudar a beleza da decadência, a câmara Third Eye é feita de alumínio, titânio, latão, prata, pedras semi-preciosas e um crânio com 150 anos. O pinhole é precisamente o terceiro olho.


Altar é o nome desta câmara destinada a fotografar os numerosos altares que existem em locais onde houve acidentes rodoviários.
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