Em 1943 a posição da Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, alvo de bombardeamentos e ataques constantes por parte das tropas alemãs, era mais frágil do que nunca e chegou-se mesmo a recear uma invasão. Por esse motivo as defesas foram ampliadas e reforçadas. Uma das obras realizada foi a edificação de torres fortificadas ao longo do rio Tamisa, precisamente uma das vias de penetração do inimigo em território britânico. Essas torres teriam a capacidade de detectar e responder a possíveis ataques. O projecto foi encomendado a um engenheiro civil, Guy Maunsell, que o concluiu e construiu nesse mesmo ano.
Maunsell foi escolhido pela sua experiência com betão pré-esforçado, sistema que já tinha utilizado em diversas pontes e a que recorreu para este projecto. Para o Tamisa planeou diversos conjuntos e tipos de fortificações imaginativas, entre os quais se conta este insólito grupo de torres, o Shivering Sands Army Fort, também conhecido como U7 devido ao número de elementos que o compõem.
Cada uma das torres, construída em ferro, foi montada isoladamente em terra e depois fundeada no local, assente numa estrutura de quatro pilares de betão armado. O conjunto possuia vários sistemas defensivos (canhões, metralhadoras, radar, etc.) e interligava-se por passadiços metálicos. Durante a guerra desempenhou um importante papel, detectando ataques aéreos, lançamento de minas e abatendo também diversos aviões e bombas voadoras.
Após o fim do conflito armado o Shivering Sands Army Fort permaneceu em actividade até 1958, ano em que foi abandonado pelas tropas inglesas. A partir daí, sem manutenção e sob a acção corrosiva das águas, foi-se degradando progressivamente. Já foi abalroado por barcos, transformado em estação meteorológica e serviu até de local de emissão de rádios piratas. Houve quem propusesse a sua demolição pura e simples mas até hoje permanece de pé, ameaçando a navegação. É uma ruína magnífica, grave, fantasmagórica e indubitavelmente romântica...
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Há construções que são medíocres mas dão excelentes ruínas; outras que são boas e dão ruínas ainda melhores. Neste caso, o envelhecimento destas torres foi surpreendente e espero que não as deitem abaixo e, muito menos, recuperem ou restaurem!
O tempo é uma componente fundamental da arquitectura.
seven em 16 de maio de 2008 às 23h03
Que coisas medonhas!
Mas poderiam tornar-se belos recifes se fossem demolidos.
Uber em 17 de maio de 2008 às 00h49
Como já disse acho que não deviam ser demolidos. Além disso têm história.
seven em 17 de maio de 2008 às 00h57
Nuss...
Leno *John* em 17 de maio de 2008 às 03h13
Oi, Seven!
Mais uma vez você responde a um dos meus comentários, obrigado!
Sendo restaurados e dando uma finalidade útil a eles, aí eu concordo com você.
Uber em 17 de maio de 2008 às 15h05
Nós é que agradecemos os comentários dos leitores, Uber. Por vezes trocam-se pontos de vista bem interessantes. Neste caso sou a favor da manutenção das torres pelo seu significado histórico e porque também têm uma componente estética grande, o belo horrível, como alguém disse.
Nesta matéria do restauro as opiniões são controversas. Não se pode dar às torres a função para que foram concebidas porque o contexto mudou mas também não se pode fazer uma recuperação de qualquer maneira, metendo lá um hotel de cinco estrelas. Dou este exemplo disparatado para que se considere a alternativa de não fazer nada. O direito ao silêncio, como se fosse um memorial, entende?
Faria sentido recuperar o Pártenon (passe as distâncias) para a sua função habitual?
Um abraço.
seven em 17 de maio de 2008 às 22h42
acho q o certo é deixar do jeito q está, deixar o tempo decidir o que fazer com elas ... por enquanto serve de lembrança macabra das idiotices que a humanidade já fez.