Chris Jordan: imagens de beleza intolerável

Publicado em artes e letras por seven em 13 jun 2008 12:27 PM | 4 comentários

 Pintura Fotografia Seurat Chris Jordan Ilusao Optica Consumo USA

Domingo à tarde na Grande Jatte é um ícone da pintura moderna. Este enorme painel com cerca de 3 metros de largura por 2 de altura foi realizado em 1884 por Georges Seurat com uma técnica denominada "pontilhismo" que consistia em agrupar pequenos pontos coloridos numa certa ordem de modo a que a sua fusão na retina produzisse uma imagem inteligível. Assim uma obra destas dimensões comporta dezenas de milhares de pinceladas, sendo cada uma delas literalmente um pixel. Mas o que pode ter isto tudo a ver com o consumismo? Chris Jordan explica.

Como americano e consumista que é, Chris Jordan pretende chamar a atenção para a quantidade enorme de resíduos produzidos pelos seus conterrâneos. O processo que encontrou para o fazer é não apenas eficaz como surpreendentemente belo. Chamou-lhe de modo muito apropriado imagens de beleza intolerável.

As suas "obras" são conjuntos enormes e repetitivos de objectos consumidos dispostos de maneira a formar padrões ou imagens. São então fotografados. O resultado visto a uma certa distância lembra por vezes pinturas; porém uma observação mais aproximada revela o material de que são feitas. É também anunciado o tempo que aqueles objectos demoraram a ser consumidos: neste caso as 106 000 latas de refrigerante que o compõem são produzidas a cada 30 segundos nos EUA!

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Mas há mais aqui: telemóveis, beatas de cigarros ou cartuchos de munições formando manchas que se assemelham vagamente ao Expressionismo Abstracto de Pollock.

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4 comentários

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já vi esse post por aqui hein?

Doug em 13 de junho de 2008 às 22h13

Não será um déja vu? ;)

seven em 13 de junho de 2008 às 22h16

Ah1 A primeira ilustração não faz justiça ao quadro verdadeiro. Tive a felicidade de vê-lo ao vivo todas as vezes em que visitei o Arts Institute em Chicago, que tem o American Gothic e o Nighthawks, do Edward Hooper, também. Este quadro do Seurat está no alto da escadaria que leva ao segundo lance do museu. É uma porrada sensorial por seu tamanho e significado tech, que ele parece ter adivinhado. Aqui vai o site do meu museu predileto http://www.artic.edu/aic/

Bom dia pra todos!

tina oiticica harris em 14 de junho de 2008 às 08h58

Sim, a reprodução é uma pálida amostra de um quadro com quase seis metros de largura. Curiosamente as cores do quadro original também não correspondem à visão de Seurat, que terá empregue tintas que se alteraram com o tempo. Seurat morreu muito novo e não teve ocasião de o retocar com pigmentos mais instáveis.

seven em 14 de junho de 2008 às 10h20







 
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