New Media design

Publicado em design por patricia em 10 jun 2008 06:25 PM | 6 comentários

 Design Livros Comentario Grafico

Numa época em que o design ganha cada vez maior ênfase e importância na criação de experiências simultaneamente ricas do ponto de vista da aprendizagem e da reflexão sobre o mundo em que vivemos, numa fruição simultaneamente ética e estética aberta a uma cultura de entretenimento, decidi recomendar dois livros bastante interessantes que contextualizam bem os desafios que enfrentam os designers gráficos num mundo contaminado pelos media interactivos, pela sociedade da informação e pelas indústrias culturais.

O livro “New Media Design” de Tricia Austin e Richard Doust (Laurence King Publishers) editado em Londres em 2007 é, na sua generalidade, um interessante manual para estudantes das licenciaturas de design, cinema, audiovisual e media interactivos pois aborda e explica, de forma muito clara, como os designers dos meios electrónicos podem usar o computador para tirar partido das suas produções interdisciplinares combinando um conhecimento consistente na área da cor, da tipografia, da composição, do movimento e acima de tudo da criatividade na elaboração de conceitos inovadores e sustentados. Este livro apresenta noções básicas sobre a história das interfaces e interacções humano-máquina e faz um pouco um estado-da-arte dos ateliers emergentes em motion graphics, jogos digitais, animação, design para a rede, design de som, concepção e produção de experiências interactivas para museus e eventos públicos, entre outros. O livro é ainda útil na medida em que explicita, de forma muito bem fundamentada e com uma ampla perspectiva, o perfil, competências e conhecimento necessário para trabalhar na área da arte e do design interactivos.

 Design Livros Comentario Grafico

O outro livro que recomendo é de Alice Twemlow e chama-se "What is Graphic Design For?" (RotoVision, 2006). Existe a tradução em português, “Para que serve o design gráfico?” (editora Gustavo Gili, 2007), mas não aconselho pois tem alguns excertos de texto absolutamente incompreensíveis e sem qualquer revisão. Neste livro, encontramos um conjunto de escritos fundamentais sobre o papel do designer na contemporaneidade. Advoga-se a necessidade de estimular reflexões abrangentes que tenham em conta escritas em colaboração, promovendo uma cultura do designer como autor, editor, produtor e empresário. Discute-se a importância de um design activista, sustentado e aberto à teoria da complexidade que tenha em consideração a relação com as pessoas e com os contextos para o qual é criado. Da tipografia experimental aos sistemas de mapeamento, sinalização, identidade, publicidade, escrita, encenação e design de software a problemas relacionados com a concepção de sistemas de informação e de difusão. Apresentam-se ainda inúmeros portfólios de ateliers e designers que exploram relações experimentais e inovadoras no seu processo de trabalho. Entre os vários exemplos seleccionados para divulgação neste livro encontra-se o atelier português barbara says. Um atelier que é, sem dúvida, um excelente exemplo do que melhor se faz na área do design em Portugal nomeadamente a capacidade de integração e citação da cultura e da tradição simbólica portuguesa, através de incursões pelo vernáculo luso e pela simbologia popular. A descobrir.

Patrícia Gouveia Patrícia Gouveia é uma personagem do jogo Mouseland. Dedica-se a viajar no ciberespaço e em realidades alternativas reais que misturem realidade e ficção numa constante exploração e experimentação lúdica. Conheça mais desta autora na página de perfil.
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6 comentários

Artigo Interessante.

Cumprimentos

Bruno Silva

Inovação & Marketing


Bruno - Inovação & Marketing em 10 de junho de 2008 às 19h09

A nossa Patrícia escreve poucas vezes mas quando o faz... ;)

seven em 10 de junho de 2008 às 22h28

Ainda bem que gostaram destas linhas simples. Fico muito contente! ;-))). xxx mousepat

mouse em 11 de junho de 2008 às 12h48

Obrigada pelas dicas. Muito boas.

maria em 17 de junho de 2008 às 17h49

Este texto está muito bem apanhado. Obrigado por ter decidido fazer a sua recomendação numa época. Quanto às "experiências simultaneamente ricas do ponto de vista da aprendizagem e da reflexão sobre o mundo em que vivemos", refere-se a que transas? Não são bem mais aliciantes as experiências relativas a mundos em que não vivemos (Marte, o centro da Terra, profundidades submarinas, entre outros), que não conhecemos, mundos que inventamos, que criamos? Será que a finalidade do grafismo (e a de qualquer arte) é a de fazer metadiscursos sobre o mundo, ensinar, aprender, fazer reflectir?
Não é de forma alguma o meu ponto de vista!
Viva a preguiça, abaixo os chavões académicos, viva o grafitti, abaixo o grafismo! LIBERDADE, TIREM-ME DAQUI

Dra Alda Brocke em 29 de junho de 2008 às 10h16

Cara Dra. Alda,

Fico perplexa que a Dra. Alda prefira viver simultaneamente no centro da terra ou em Marte, lugares que certamente a transferem para outras realidades sensoriais e afins mas que afinal, como diz, não levam a transas nenhumas uma vez que não as conhece a não ser na sua mais criativa imaginação. Surpreende-me que tenha essa capacidade imaginativa tão extensível a sensações inexistentes, numa época (e aqui completo aquilo que a Dra deixou, imagino, propositadamente incompleto), em que cada vez mais se faz uma crítica às elucubrações intelectuais desfasadas da realidade material. Não deixa de ser curioso ler as palavras da Dra., no mínimo, originais na forma como vão contra algumas das tendências da mais expedita intelectualidade trasnacional, transcorporativa e também trasncorporal, e se centram em simpáticas banalidades. Ora, eu por mim, cara Dra., já há muito que larguei essa pestilenta tendência de usar a imaginação e o espírito para afastar e adiar os prazeres da carne e estou segura que na contemporaneidade é precisamente pela via da sensualidade do design que chegamos a paragens frescas. Veja lá, cara Dra., como nos afastamos conceptualmente. Por fim, gostaria de lhe perguntar, com todo o interesse semântico, o que é então a arte graffiti? Uma vez que parece afirmar que não é uma espécie de grafismo… Depois, seria talvez proveitoso que explicasse aos meus e aos seus leitores que grafismo e design são coisas talvez distintas. Hoje o designer de comunicação está longe de ser um mero grafitista mas gostava de saber a sua excelsa opinião, sem frases incompletas de preferência, pois é minha convicção que os buracos negros são lugares propícios ao preenchimento do vazio com ideias feitas.

Atensiosamente, mouse

mouse em 29 de junho de 2008 às 14h44

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