Um time de emoção

Publicado em outros por montejorge em 26 jun 2008 06:26 PM | 13 comentários

 Corrida Desporto Equipa Esporte Hoyt Maratona Triathlon Triatlo

Rick Hoyt nasceu em 1962 e por causa de um estrangulamento pelo cordão umbilical que privou seu cérebro de oxigênio na hora do parto, sua vida jamais seria normal. Aos 8 meses, os médicos disseram à família que Rick não duraria muito tempo e que ele seria um vegetal para o resto da vida. Seus pais porém, jamais cogitaram a possibilidade de interná-lo. Contra tudo e contra todos, Dick, o pai, e Judy, a mãe, usaram e abusaram de carinho, paciência e amor para dar uma vida digna ao pequeno Rick.

Quando ele fez 11 anos, o casal levou o filho ao Departamento de Engenharia da Tufts University, em busca de "algo" que pudesse fazer o filho se comunicar. Eles tinham certeza de que a falta de controle dos membros e outras inúmeras sequelas, não haviam afetado sua compreensão e inteligência. Rick tinha um corpo incapaz de se mexer, mas um cérebro plenamente capaz de pensar. E eles queriam provar que isso era verdade. Para convencer os engenheiros, incrédulos, pediram que uma piada fosse contada. Rick riu. Foi assim que em 1972, usando as economias da família no valor de 5.000 dólares, um computador adaptado para que ele pudesse controlar o cursor tocando com a cabeça um botão no encosto de sua cadeira, mudou a vida do garoto. Rick finalmente foi capaz de se comunicar. Assim que começou a "digitar", a família esperou que na tela aparecesse "Papai" ou "Mamãe", mas que nada! Sua primeira frase foi surpreendente: "Go Bruins!", o grito da torcida dos times da Universidade da Califórnia. Naquela época, estavam acontecendo as finais de hóquei e Rick acompanhou os jogos do Boston Bruins. Sua família entendeu então, o quanto o rapaz, antes incomunicável, amava os esportes.

Em 1975, após muita luta, Rick entrou em uma escola pública. Foi outro acidente, que deixou um garoto da escola paralítico, o responsável por mais uma mudança nesta inabalável família. Rick "disse" a seu que gostaria de participar da corrida que organizaram para levantar fundos e ajudar o aluno acidentado. Mesmo sem jamais ter corrido, ele encarou o desafio. Dores e fadiga, não foram suficientes para acabar com sua saga. Rick falou a seu pai que quando ele correu, empurrando sua cadeira de rodas, ele sentiu que não tinha deficiências. Foi o estopim para Dick mudar radicalmente. Obcecado pela felicidade do filho, treinou, entrou em forma e depois de muita dedicação, ele estava pronto para a Maratona de Boston em 1979. Ele não, eles! O "Team Hoyt" estava formado! Embora tenham conseguido apenas em 1983 o direito de competir oficialmente em Boston, a dupla já tinha se tornado conhecida. Com raça, força de vontade e uma abnegação absurda de Dick, eles foram vencendo os novos obstáculos da vida de "atletas".

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Sugeriram então, algo mais impensável: o triathlon! Como seria possível um homem correr, nadar e pedalar carregando seu filho paralítico de 50 quilos? Empurrando a cadeira de rodas, rebocando o garoto em um pequeno barco e pedalando com um assento extra na bicicleta foram as respostas! Incrível, emocionante, quase inacreditável, a dupla conseguiu encarar o desafio. Isto incluiu o Ironman, a maior das maiores provas de triathlon; uma competição que beira o desumano. Até Janeiro deste ano, foram 224 triathlons, 6 Ironman, 5 "meio" Ironman, 20 duathlons e 65 maratonas, sendo 25 de Boston, além de dezenas de outras competições.

Em 2004, Dick teve uma alteração cardíaca durante uma prova e descobriu que ele tinha uma de suas artérias com 95% de entupimento. Segundo os médicos, não fosse sua dedicação em ajudar os sonhos do filho, mantendo-se em forma e cuidando da saúde, ele poderia ter morrido uns 15 anos antes. Foi um presente de Rick para Dick.

Rick, que graduou-se na Universidade de Boston, onde também trabalha, e seu pai, um Tenente-coronel da reserva, competem até hoje. Como não poderia deixar de ser, em outro emocionante capítulo desta história, quando perguntam a Rick o que ele gostaria de dar de presente a seu pai, ele responde: "Eu gostaria de um dia poder empurrar meu pai na cadeira pelo menos uma vez."

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Esta história nos faz refletir sobre como certos problemas que temos no dia-a-dia, na maioria das vezes não são nada e que devemos agradecer por nossas vidas sempre. Ter pessoas como a Família Hoyt de exemplo são uma bela inspiração.

André Montejorge André Montejorge é publicitário, tem dois filhos e ama cozinhar. Edita o Bem Legaus além de colaborar com alguns blogs de várias nacionalidades. Pretende virar chef de cozinha e quem sabe manter um blog sobre culinária. Conheça mais deste autor na página de perfil.
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13 comentários

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É maravilhoso ver o que o poder do querer faz e a comovente dedicação entre pai e filho. Muito lindo. Abraços, Solange de Paula.

Solange de Paula em 26 de junho de 2008 às 19h00

Olá,

Um excelente artigo que nos faz pensar em como a mesquinhez de muita gente é insignificante.

Fica bem,

José

José em 26 de junho de 2008 às 19h03

Uma história linda! Tenho dois pacientes que passam por histórias semelhantes. Poucos acreditavam e hoje abaixam a cabeça...

Tânia em 27 de junho de 2008 às 01h51

Uma linda esória da força e poder do amor aos seus semelhantes. É de levantar os corações dos que são tripudiados por sua idade ou doenças. Este é o meu caso, pois estou doente há nove anos: fibromialgia, câncer dos seios, asma, neuropatia e finalmente os diagnósticos de diabetes e hidrocefalia.
Estão de parabésn os pais deste rapaz, ele próprio, e sua fé, que os mantém.

tina oitcica harris em 27 de junho de 2008 às 08h17

Creio que antes de dizer "não posso!", irei me lembrar desse post!
Uma grande lição de vida!
"A vida é sempre maravilhosa e tudo dá certo no momento certo".
Parabéns por esta matéria!
Abreijos,
Astrid Annabelle

Astrid Annabelle em 27 de junho de 2008 às 09h47

Uma história comovente, cheguei a ver a materia em video na palestra da empresa para motivar os funcionários a dedicar-se mais um pelo outro.
Muito edificante!

Parabéns Rick, Dick e Jjudy, vocês nos ensinaram e nos ensinam muito!

Mark

Mark em 27 de junho de 2008 às 12h00

Se o filho é grande, o pai é enorme!
Talvez a maior estória de superação q já vi em toda a minha vida.

M4Jor em 27 de junho de 2008 às 16h01

Obrigada por esta matéria! Ela também me faz lembrar de algumas pessoas que vivem à nossa volta, conscientes de que a Medicina não pode lhes oferecer uma cura definitiva. Mesmo assim, elas vivem o dia-a-dia sempre tentando se adaptar e, sobretudo, fazendo com que seus familiares a amigos a ajudem sim, mas a aproveitar o presente, o aqui e agora da melhor forma possível. Não se furtam à realidade mas compreendem que a felicidade é feita de momentos fugazes e de uma grande satisfação que permanece, permeando seu interior. Estamos cercados destes heróis e heroinas anônimos que sabem conduzir sua vida de uma forma íntegra, apesar de prisioneiros de seus corpos maltratados por deficiências e doenças. Porque a integridade está na força do espírito de cada um, é o que acontece com este jovem e seu pai. Os pais usaram seu livre arbítrio e deram chance para seu filho fazer a mesma coisa: escolheram não se abaterem, escolheram ser felizes!

Ivana em 27 de junho de 2008 às 16h09

Olá Seven

Concordo plenamente com tudo o que foi dito pelos outros internautas e, admirando o esforço hercúleo deste Pai, tanto físico, quanto espiritual e emocional, fico a pensar quando, ou SE, os mercantilistas da ciência/medicina irão também fazer um esforço hercúleo visando o bem-estar humano, apenas por este "bem-estar", ou em lucros menores mas com a satisfação incomensurável de gerar felicidade pela cura, ou melhoria da qualidade de vida.
Utopia ? O que será que muitos disseram ao saber o que este Pai almejava ?
Cada um de nós deve plantar a idéia de um mundo melhor, onde e como pudermos, sem valorizar os percalços e sempre destacando os objetivos.
Um ser humano valoroso, este Pai.
Obrigado e um grande abraço,
Eduardo

Eduardo Peter Zimmermann em 27 de junho de 2008 às 22h28

E ainda se vêem casos de assassinato entre pais e filhos...
gente que fica reclamando da vida.

Jean em 28 de junho de 2008 às 16h36

Olá, acredite, postamos sobre o mesmo assunto e na mesma data. Hoje te visitando, me deparei com a sua materia muito mais completa do que a minha, então resolvi colocar um link com um "Lei mais" apontando para seu blog no meu post, espero que não se importe. Obrigada... otimo fim de semana ;)

Adri em 28 de junho de 2008 às 19h17

Ola!
Para começar sou a sua fã!
Esse artigo e muito valioso para despertar em nos a cosnciencia solidaria
e principalmente AMOR INCONDICIONAL!

Parabesn pelo seu trabalho!
Samar

samar em 29 de junho de 2008 às 01h29

uma licao de vida. Qd achamos que temos problemas bastar lembras desse casos, para que nossos problemas fiquem bem pequenos

otima materia

nelslon machado em 14 de agosto de 2008 às 15h27







 
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