batman, o cavaleiro das trevas

Publicado em cinema por patricia em 28 jul 2008 | 5 comentários

batman robin Christopher Nolan cavaleiro trevas

Batman, O Cavaleiro das Trevas” (“The Dark Knight”, 2008) faz, quanto a mim, de Christopher Nolan o realizador mais interessante desta saga, mesmo concorrendo com Tim Burton. “Batman Begins” (Christopher Nolan, 2005) foi já uma surpresa e a escolha do realizador/argumentista pegar na história da infância da personagem, super-herói da DC Comics, para explicar a sua dupla personalidade e a sua malfadada sorte no combate ao crime foi, sem dúvida, muito inteligente. O herói maldito que vive uma dupla identidade é ali muito bem retratado a partir da desgraça familiar e da impossibilidade deste se libertar das amarras do destino. A saga tem quatro títulos cinematográficos anteriores, dois pela mão de Tim Burton (“Batman” de 1989 e “Batman Returns” de 1995) e outros dois pela mão de Joel Schumacher (“Batman Forever” de 1995 e Batman & Robin de 1997).

O enredo de “Batman, O Cavaleiro das Trevas” recria a personagem do Joker, um assaltante de bancos já antes representado por Jack Nicholson em 1989, que é neste filme interpretada pelo agora falecido actor australiano Heath Ledger. Uma interpretação fabulosa que dá uma textura muito interessante a este Joker, mais louco do que palhaço, e que encena uns diálogos densos sobre “regras”, “esquemas” e “anarquia”. A trupe do Joker é toda ela bastante bem caracterizada e as imagens de Gotham City contrastam com as cenas filmadas em Hong Kong. O filme é obrigatório e encena a luta de Bruce Wayne (Christian Bale) e James Gordon (Gary Oldman), o polícia incorruptível, no combate ao crime. Desta vez os dois juntam-se ao procurador Harvey Dent (Aaron Eckhart), mais conhecido por “duas caras”, que namora actualmente a ex-namorada de Batman, Rachel Dawes. Rachel Dawes é aqui interpretada por Maggie Gyllenhaal, o que deixa saudades de Katie Holmes que representou Rachel em “Batman Begins”.

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Um filme de heróis e vilões, sobre a natureza humana e onde as estratégias de cooperação ganham um realce enorme na cena dos barcos orquestrada pelo Joker. Assim, num jogo de grande crueldade, várias pessoas devem decidir se fazem explodir ou não os seus conterrâneos. Entre dois barcos cheios de gente o que não fizer explodir o outro explode. O que fazer? Morrer ou matar? Se um dos barcos deve explodir para salvar o outro o que vai acontecer se a decisão for demorada? Se ambos cooperarem todos ganham? Um tipo de jogo do prisioneiro onde a cooperação ou a competição pode ditar a sorte de muita gente. Cara ou coroa? Se para alguns, como o subversivo Joker, a convicção é certamente que por questões de sobrevivência um dos barcos faz explodir o outro, para outras pessoas, na senda de Batman e Gordom, é certo que a decisão não vai ser tomada e nenhuma escolha é necessária. A tomada de decisão é recorrente em todo o filme e é ela que vai sempre ditando o volume das diatribes do malvado Joker. A história é conhecida e o caos provocado pelo criminoso e pela sua trupe de loucos com cara de palhaços é gerado com o consentimento da máfia que alinha com este para impedir que Batman arruíne o negócio underground de Gotham. O problema é que, ao contrário da máfia local, Joker é um terrorista que não se interessa pelo dinheiro mas antes quer provocar o maior número de danos possível e assegurar a necessidade de impor uma anarquia geral que destrua tudo e todos. Uma obra de acção muito bem feita que tanto faz lembrar a saga da “Missão Impossível” como o filme “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick.

Batman tem neste filme um novo equipamento têxtil que foi recriado para permitir movimentos da cabeça e para suportar mordidelas de animais e que está soberbo do ponto de vista estético. O filme tem sido um enorme sucesso de bilheteira e logo no primeiro fim-de-semana começou a dar lucros. Como afirma “duas caras” ou Harvey Dent: “ou morres herói ou vives o tempo suficiente para te tornares vilão”. Recomenda-se vivamente. Querem saber porque é que o Joker ficou com aquela cicatriz em forma de grande sorriso?

Patrícia Gouveia Patrícia Gouveia é uma personagem do jogo Mouseland. Dedica-se a viajar no ciberespaço e em realidades alternativas reais que misturem realidade e ficção numa constante exploração e experimentação lúdica. Conheça mais desta autora na página de autor. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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5 comentários

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Acabei de ver o filme. Muito bom. Excelente!!!!

José Marques em 29 de julho de 2008

É verdade, é um filme tanto para quem gosta de cenas de ação quanto para quem gosta de um "teor mais psicológico". E mesmo as cenas mais absurdas em que o Batman faz coisas fora da realidade ficaram tão legais e bem feitas que a gente nem se importa de ser uma grande "fria"!

Ju Dacoregio em 29 de julho de 2008

Eu vi este filme no final de semana passado e fiquei um pouco curioso com as intenções do diretor, que mensagem ele realmente quer passar?
Reparei que o Joker era talvez um verdadeiro herói disfarçado de anti-herói, pois graças às armações dele o Batman, mais como uma marionete, foi usado para acabar com a máfia e forçadamente mudar o pensamento da população da cidade.
Sinceramente este pensamento de que o ser humano é bom e a sociedade que o corrompe, pra mim, é mais utópico que o próprio comunismo, infelizmente. Pois o caos teria que ser instalado como no filme para isso mudar, todas as pessoas teriam que sentir na pele como o pensamento delas conduziu o mundo.
No caso quem acabou sendo herói foi o Joker, brincando com a polícia, com o Batman e com a chamada “sociedade”. Será que o único defeito deste anti-herói era não acreditar no ser humano?

Sérgio Henrique Souza em 4 de agosto de 2008

Olá Sérgio,

Obrigado pelo comentário. Como o Christopher Nolan, o realizador, é muito evasivo sobre as suas intenções no filme deixo aqui algumas palavras sobre a história deste do Christian Bale em entrevista ao jornal português Expresso: "É uma fábula da mesma maneira que a ideia do super-herói é uma fábula. É ele o centro de novas mitologias. Desta vez o mito chama-se Batman ou Homem-aranha, mas a figura contínua a ser mitológica, um pouco como os deuses gregos de antigamente. Não estou a dizer que estes novos ídolos devam ser adorados da mesma forma, ou que acreditemos neles da mesma maneira, mas, em tudo que tem a ver com identificação pessoal, sim, acho que fazem parte de uma fábula. Comparamo-nos a eles. Como eles, perguntamo-nos perante os maiores dilemas morais: e agora, se fosse eu a ter todos estes poderes e se fosse eu a tentar salvar o meu mundo, que decisão tomaria?"

Quando questionado sobre o Joker o actor responde: "É quase impossível não olhar para ele dessa maneira. Contudo, não sei se sou grande fã da história explicada. Acho que uma história, ou um filme, deve pertencer também ao espectador. Cabe-lhe a ele descobrir na narrativa o que achar pertinente. Mas, sim, acho que o Joker, tal como a personagem do Aaron Eckhart, Harvey Dent, representam certas forças, ou pessoas, da cena nacional ou internacional. Acho que todas as histórias têm uma base concreta, mesmo quando falam de outra época, mesmo quando se apresentam com uma natureza mais fantástica." Espero que seja útil.

xxx mouse

mouse em 4 de agosto de 2008

Vi Batman 2 vezes. é um filme magnífico mas porque "tão serio"? é um filme de heróis e lógico não dá pra acreditar num cara de capa andando em N.York ou Tokio...


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plebe rude em 1 de setembro de 2008

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