exploração 3D de Guernica

Publicado em artes e letras por bjr em 3 jul 2008 12:24 PM | 16 comentários

guerra civil espanha guernica picasso

Durante a guerra civil espanhola, a aldeia de Guernica foi atacada e practicamente destruida pela Luftwaffe, inspirando uma das mais famosas pinturas de Pablo Picasso. Devido ao horror das quase 1600 mortes originadas pelo bombardeamento, esta obra, que já estava a ser efectuada pelo artista, recebeu então o nome desta aldeia, nascendo e perpetuando-se Guernica.

Lena Gieseke propôs-se a fazer uma representação a três dimensões desta famosa pintura, ideia que surge a partir da influência da montagem de puzzles de pinturas famosas.

Segundo Lena, através da montagem de puzzles a percepção de toda a obra adquire um significado diferente, pelo facto deste processo obrigar a um estudo detalhado das linhas, formas e cores que dão vida a toda a composição. A minúcia necessária para a execução de tal tarefa permite que tenhamos consciência de certos detalhes que, de outra forma, jamais seriam percepcionados. A experiência da pintura torna-se então mais intensa, pela interação causada pela solução do puzzel mas, ao mesmo tempo, fortalecida e expandida pelo própria fantasia do observador, a medida que vai analizando pequenos pedaços desconexos da obra.

Surge assim a dimensão de Guernica segundo o olhar de Lena Gieseke.

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16 comentários

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Fiquei absolutamente sem palavras!!!
"Guernica" é o tipo de obra que sequestra nossas mentes, mas essa viagem tridimensional aguça todos os sentidos. É possível tocar este momento de dor transformada em arte.
Beijos!!!

Kriz em 4 de julho de 2008 às 03h05

Achei genial o trabalh oda Lena. É uma maneira de compartir Guernica, esta obra sensacional e indescritível do Picasso com o mundo inteiro.

Tive a sorte de ver o quadro no MoMA de NYC. Mesmo lá, não havia espaço na sala para vê-lo com distância suficiente para captar o que a Lena captou.

Valeu.

tina oitcica harris em 4 de julho de 2008 às 07h54

tudo o q me ajude e ajude-nos a interpretar as grandes obras do universo, é sp benvindo..
picasso foi enorme

M4Jor em 4 de julho de 2008 às 09h50

lindo trabalho em 3d, mas quando olho o quadro guernica ele é bem mais dramático, as linhas são mais cortantes... corpos estão literalmente fragmentados e cortados e a visão 3d, com "tudo redondo" suavisa a mensagem da obra não? Acho que se eu fosse Picasso ficaria lisongeado com a homenagem, mas no íntimo não satisfeito com os novos significados atribuídos com a viagem 3d

patricia de miranda em 4 de julho de 2008 às 12h28

kriz, tina, M4Jor: Pessoalmente achei fascinante o exercício de minúcia da autora. Obviamente que a modelação 3D é admirável mas, nunca me tinha ocorrido da consequência da resolução de um puzzles poderia ser o estudo atencioso e fragmentado de uma obra.

bjr em 4 de julho de 2008 às 12h44

Patricia: Compreendo perfeitamente e concordo consigo. No entanto, por vezes, temos dificuldade de ver em profundidade, é preciso um olhar atento e treinado. Lembro-me que quando fazia fotografia mais a sério, passava o tempo a chamar a atenção para as diferenças de escala dos objectos e para a profundidade inerente dos mesmos. Imagino que quando Picasso acabou Guernica tinha uma visão e interpretação muito particular, contando que a visualização da composição fosse feita de uma determinada maneira. Adulterando a forma de visualização, adulteramos a essência da obra, pelo menos no meu ponto de vista.

Mas não deixa de ser um exercício fascinante... gostaria muito de o ver em outras obras.

Obrigado a todos pelos comentários, voltem sempre.

bjr em 4 de julho de 2008 às 12h50

Patrícia, concordo em parte contigo. Esta animação, que é de facto muito boa, faz-me sentir no meio de um sótão de brinquedos estranhos. Acho que é um exemplo da nossa obsessão pelo realismo (impressionamo-nos sempre quando uma imagem artificial 'parece mesmo verdadeira', há essa coisa mágica de sermos enganados, e quanto maior o aparato tecnológico, curiosamente, mais nos impressionamos, fascinados com a nossa própria capacidade). Hoje tudo tem de ser 'imersivo', 'interactivo' - não nos basta ver, temos de estar lá dentro, que é o que esta animação permite, ao fazer-nos passear pelo meio das figuras.

Mudando de tema, mas mantendo o artista: hoje estava na peixaria à espera de que chegasse a minha vez e pus-me a pensar se a principal inspiração da simultaneidade de perspectivas nos quadros do Picasso (aquela coisa das figuras com um olho de frente e outro de lado) não teria vindo dos linguados.

tajana em 4 de julho de 2008 às 13h13

tajanaaaaaaa ahaha será o linguado uma fonte de inspiração?? olha alem de eu estar morrendo de rir aqui do outro lado do monitor, é mesmo pertinente sua observação.... uma vez qua na espanha o "peixe" tem tanta importância nos cardápios.
bjr olha estou copiando aqui nosso troca troca de comments via e-mail porque também muito me fez rir
eu te respondi...
fico imaginando como seria este trabalho com outros artistas... com escher
ia dar vertigens rsrsr com bosh teriamos ficar alucinados de vez rsrsrs
e ai vc respondeu...

A visualização de bosch seria curiosa... Escher seria surreal... acho que iria vomitar :)

e terminando... please!!! longe do monitor!!! rsrsrs

patricia de miranda em 4 de julho de 2008 às 15h34

maravilha, de repente, podemos quem sabe, experimentar um pouco das sensações que o artista tem ao visualizar (mentalmente ou in loco) a sua obra ao criá-las.

augusto em 4 de julho de 2008 às 15h38

Acho que o exercício em 3 D tem tudo a ver com o próprio cubismo em termos de (des)construção de perspectivas. Muito Legal, mas é claro que a música desempenha um papel na apresentação. Talvez o silêncio fosse melhor ! De qualquer jeito, muito bom, valeu !

Ricardo Meier em 5 de julho de 2008 às 12h17

Lindo mesmo, fiquei fascinada pelo video no qual a música que acompanha toda a viajem ajuda também muito :)

Plasticina em 5 de julho de 2008 às 16h58

Ricardo, em que é o que o 3D tem a ver com a desconstrução de perspectivas? Eu vejo-o precisamente a reconstruir as perspectivas. Não sei se não percebi o seu comentário.

tajana em 6 de julho de 2008 às 01h19

Acho que o 3D constroi uma nova perspectiva ( em termos de visualidade) e para isto rompe com a antiga, como aliás fez o cubismo. Não sei se re-construir é o melhor conceito, Ok ?

Ricardo Meier em 6 de julho de 2008 às 03h01

OK, entendido. Não concordo, mas entendido :) Obrigada

tajana em 6 de julho de 2008 às 19h16

O trabalho é muito legal, porém não podemos nunca esquecer de que até mesmo Pablo Picasso sentiu e pintou a demência e o eterno desconforto da natureza humana.
A brutalidade habita a todos, e a arte tem o dom de sempre nos lembrar do quanto somos brutais conosco e com o outro.

joão luis bizachi em 12 de julho de 2008 às 23h45

bom foi interesente mais agente naum sabemos se essa materia vai ajuda agente vamos ver quando a professora corrigir bom mais gostamos da matia beijos e valeu a oportunidade......

naya e delana em 12 de agosto de 2008 às 21h37







 
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