chega de blá blá blá e arte contemporânea, eu quero é desenhar!

Publicado em artes e letras por cris em 20 ago 2008 | 40 comentários

 desenho duchamp Beatriz Basquiat contemporaneo cris alcantara
Duchamp

A arte, principalmente durante os anos da década de 60 do século passado (ainda não me acostumei com o fato de me referir assim ao século em que nasci) teve como principal característica o conceitualismo. Era a arte do pensar. Duchamp em 1917 começou a brincadeira, e assim, depois dele tantos outros. A obra Merzbau de 1937 de Kurt Schwitters é um bom exemplo da importância dada ao objeto pronto traduzido em conceito e inserido no universo da arte.

Vinte anos depois da década de 60, pensava-se que o conceitualismo havia atingido o seu ápice, os artistas estavam cansados de tanto pensar: surgem então os anos 80. Ufa! É o retorno da pintura, a volta do artista que coloca a mão na massa e não só na encefálica. Tinta sobre madeira, tinta sobre telas gigantescas, tinta sobre tinta, quadros objeto, o expressionismo abstrato levado às últimas consequências. Naquela década também surgem as galerias que iriam fazer da pintura oitentista uma mina de ouro. É o mercado milionário da arte. Os artistas se rendem a ele, e muitos se entregam a fórmulas que deram certo passando a repetí-las. Jovens, em sua maioria, são descobertos e sua arte ganha o mundo. Basquiat, Haring. No Brasil, o grupo Casa 7. Lindo!

Hoje, ao olharmos para a arte feita há 20 anos atrás percebemos uma enxurrada de criatividade, ouso dizer, nunca vista antes na história da arte. Uma arte sem preconceitos, pois, diferente da arte moderna, a arte pós moderna se baseava na liberdade. Liberdade de buscar referências nos mais remotos e inimagináveis temas, ou, de misturá-los ao contexto do mundo vivido por aqueles artistas. Diversão artística.

 desenho duchamp Beatriz Basquiat contemporaneo cris alcantara
Pollock

Gosto de ver algumas cenas do filme Pollock em que a mulher dele, uma crítica de arte, pede que ele defina sua pintura numa série de questões complexas impostas por ela. Pollock nunca as respondia, se voltava para os quadros e continuava a pintar. Infelizmente, temo perceber que atualmente a crítica de arte venceu o artista, todos deveriam ter feito como Pollock, mas não, hoje quem faz a arte é o crítico, aliás, o artista age e “cria” como o crítico. Mentes pensantes demais, bulas compridas para a explicação da “obra de arte”. Nossa, quantas aspas, a arte se transformou mesmo em pastiche de si mesma. Será que a arte contemporânea daqui há vinte anos se tranformará em nome de movimento, será que nos apoderamos do termo assim como os modernistas do moderno? Não sei, isso já é divagação demais, melhor parar por aqui e voltar a desenhar…


 desenho duchamp Beatriz Basquiat contemporaneo cris alcantara
Basquiat

A seguir, para encerrar, iremos ler dois diálogos: um entre o “artista contemporâneo” e um crítico de arte, e o outro, entre o “simplesmente artista” e um crítico de arte.

Diálogo 1

Crítico: - Acho que com esta sua obra você conseguiu abreviar de uma forma inusitada o que sentimos nos momentos de espera em uma sala de aeroporto!

Artista Contemporâneo: -Pois é, eu procurei nessa vídeo-instalação-performática-radioativa fazer com que o espaço da sala de espera de aeroporto levasse o receptor da arte a uma total reflexão, tá compreendido? Como se as sensações onipresentes dessa atmosfera atingissem de maneira até metafísica o espectador da minha obra...

Crítico: -Justamente, foi isso que eu percebi! Vou escrever um artigo falando sobre essa sua forma interdisciplinar de fazer com que tantos elementos, até mesmo elementares, figurassem de maneira tão...Tão...Tão...abstratizante!


 desenho duchamp Beatriz Basquiat contemporaneo cris alcantara
Beatriz Milhazes

Diálogo 2

Crítico conversando com o “simplesmente artista” após ver um de seus desenhos (“Desenhos. Nossa! Que forma primitiva de se fazer arte!” diria o crítico).

Crítico: - Por favor, conceitue exatamente o que você quis dizer com a utilização de algumas referências tão antagônicas nesta sua arte feita com traços e riscos sobre o suporte papel.

Simplesmente artista: O que? Onde tem antagonismo nesse desenho? O senhor pode se explicar melhor?

Crítico: - Eu vejo um antagonismo entre a parte inferior do desenho e a superior. É como se os três homens de baixo estivessem de alguma forma pressionando para que os de cima desaparecessem, e isso tem até a ver com o mundo competitivo em que vivemos, não é?

Simplesmente artista: - Olha senhor, na verdade não é nada disso não. São apenas 3 dançarinos... Os de cima são os mesmos dos de baixo... Sinceramente, a referência veio dos musicais das décadas de 60, Gene kelley, Fred Astaire...

Crítico: - Claro, é disso que eu estava falando, dessa sincronia entre o contemporâneo e o arcaico...O clássico...Vejo isso de forma predominante nas cores, aliás, porque você utilizou o amarelo?

Simplesmente artista: - Mas moço, eu não utilizei o amarelo!

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Cris Alcântara

Cris Alcântara Cris Alcântara é colaboradora do obvious. Ela gostaria de viver num mundo art decó entre paredes em tons verde água e casas a la "Jetsons". Como isso ainda não é possível, ela própria desenha o mundo em que habita. Página da autora. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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40 comentários

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é bem assim.

parece que hoje em dia ninguém consegue aceitar que algo foi feito sem se filosofar por horas, sem um sentido crítico ... isso é tão burro, na minha opinião. Acho que todos nós sabemos que só o artista conhece o verdadeiro "sentido" da obra ... por que tentar escrever um sentido universal?

[pM] em 20 de agosto de 2008

Pensando sobre o post e também sobre o comentário anterior.

É possível que o blá-blá-blá "de rigueur" seja um tipo de pós-graduação ao Curso de Pintura em Três Lições Práticas que o Wiley Miller publicou numa antiga tirinha do seu Non Sequitur (http://www.gocomics.com/nonsequitur/).
Cito livremente e de memória:

1. Compre tela, pincéis, tinta, etc.
2. Pinte.
3. Venda por um milhão de dólares.

Detalhe: Embora eu não me divirta nem um pouco, por exemplo, com as gracinhas do falecido senhor Duchamp, eu gosto muito de arte moderna, mesmo de alguns borrões. A explicação deste meu gosto peculiar, no entanto, eu deixo para os meus eventuais neuro-psico-analistas.

Obrigado pelos ótimo post, Cris, e pela linda galeria.

E dê os meus parabéns aos gênios do Obvious por terem capturado você com a competência de sempre.

Nando Nazareth em 21 de agosto de 2008

Só adicionando uma fala à sua primeira frase: somos do milênio passado!
Claro que tomando como referência o calendário gregoriano, logo, ainda precisamos de referências.

E a arte não está nem aí para as referências, mas nós humanos, sim.

Portanto, entremos no fluxo constante do caos!!!

êba!

Wener Marq em 21 de agosto de 2008

obrigada Nando! Eu é que agradeço pela oportunidade que me deram de poder aqui dedilhar minhas idéias e etc...

Wener, sendo assim, viva a pós modernidade :)

Abraços!

cris alcântara em 21 de agosto de 2008

Arte não se explica, sente-se...

não se justifica, não se desculpa, não se traduz, arte é arte, simples assim...

bruno em 21 de agosto de 2008

Há algum tempo atrás, o meu ilustre colega e amigo de blog escrevia:
"A Arte não é beleza. Há, todavia, um conjunto muito grande de coisas que nos rodeiam, sejam naturais ou construídas (não queria dizer artificiais...), que possuem qualidades estéticas: um automóvel, uma roupa, um grafitti, uma pintura, um edifício... E possuem qualidades estéticas precisamente porque mexem com a nossa sensibilidade. Gostamos delas ou não mas isso não faz delas necessariamente Arte."

Concordam?

post original aqui:
http://blog.uncovering.org/archives/2005/09/ser_ou_nao_ser_1.html

bjr em 21 de agosto de 2008

Excelentes questões, Cris. Há uma outra figura quase vampiresca que devia ser incluída aqui, muito pior do que crítico de arte: o galerista. É um comerciante que vende quadros e esculturas como se fosse peixe e lucra astronomicamente com isso. E julga-se no direito de estabelecer padrões estéticos e tendências artísticas. Ora...

China em 21 de agosto de 2008

Pois é Bruno, é exatamente isso...

E, Jr., sua questão é a base dessa discussão:

Duchamp já dizia que o objeto mais belo que havia visto era a hélice de um avião...

acredito que arte é tudo aquilo FEITO pelo homem e que o retira do mundo concreto... Desta forma, a arte, em grande parte da história cumpriu esta "função" prendendo- se ao ideal de uma beleza clássica.

Entretanto, sabemos que estes ideais foram alterados, ainda bem.
a beleza e a empiridade da arte caminhou por outros caminhos...surreais, cubistas, neo expressionistas...

volto então ao que disse no início, a arte é tdo aquilo feito, manipulado, pelo homem, de alguma forma, e que o leva a um outro mundo...

a arte passa sim pelo intelecto, mas de alguma forma, não me perguntem como, deve passar também pelas mãos...

enfim, tema complexo, preciso pensar mais :)

cris alcântara em 21 de agosto de 2008

Gente,
Não entendo nada de arte, mas, a adoro, então, não resisto e quero dar o meu palpite de leiga!
Achei interessantes os comentários de todos, mas, o que mais me chamou a atenção foi a questão levantada sobre a beleza. Como diz o velho ditado, "gosto não se discute..." Então como dizer o que é feio e o que é belo? Quem pode dizer o que é um trabalho bom e um ruim? E finalmente... quem pode dizer o que é arte e o que não é??????

Ruth em 22 de agosto de 2008

Pense, pode pensar. Mas continue desenhando, Cris :)
bjs

Sandra Leite em 22 de agosto de 2008

oi sandra!

vc está certíssima, não há como definir o belo, podemos definir sim, o belo que virou paradguima, como o belo greco romano. Mas na modernidade a beleza ficou relativa.

:)

brigada pelo comentário sandra!

bjs

cris alcântara em 22 de agosto de 2008

Gostei do comentário do bjr... depois de seguir o link e ler o artigo, concordo que a resposta não poderia ser mais simples.

O que distingue a ARTE de um mero objecto estético é a intenção com que é feita, o "PORQUÊ?" da sua existência.

Nesse aspecto, Cris, estaria mais inclinado precisamente para esta vertente... não é suficiente ser feito pelo homem (ou mulher rsrs), mas terá que haver um porquê! Isto abre, no entanto, a porta a outras discussões... há obras de arte naturais? se são naturais, os mesmos princípios já não podem ser aplicados. Como ficamos então? voltamos à estética?

o obvious ao seu melhor nível... como sempre.

Abraços

Paulo Matias Frota em 22 de agosto de 2008

Gosto muito desse site, inclusive ele está no acesso rápido. Mas esse post foi especial. Realmente! Chega de blá, blá, blá... quem pinta, quem escreve o faz pra se expressar, pouco importa o que os críticos chamam de arte ou não. Isso de teorizar demais a arte chega a inibir!

Os diálogos foram ótimos, parece que as pessoas perderam a sensibilidade, perderam a capacidade do simples prazer de sentir a arte. Ao invés disso querem explica-la minunciosamente usando termos bonitos, pomposos, que se lidos com um pouco mais de calma não fazem algum sentindo.

Viva a simplicidade, a expressão livre e despreocupada! Ddemoramos tantos anos para adquirir essa liberdade... (falo em liberdade em referência a arte acadêmica, metódica, imposta pelos antigos cânones clássicos)

Perdão se acabei repetindo o que já está no texto.

Mas é que me lembrei de todas as vezes que questionei: será que eu deveria me libertar do papel? Buscar coisas maiores? Mas para quê se o papel e o lápis estão acessíveis nas horas que anseio por me expressar???

Parabéns pela crítica!

Larissa em 22 de agosto de 2008

cris, te amo pra sempre.

me lembrei agora do programa recorte cultural, não sei se você assiste ou assistiu, é apresentado pr aquele judeu cabeludo, o Melamed. grande figura... o programa costumava (não sei se ainda faz, não assisto há um bocado de tempo) questionar a produção de arte contemporânea e se questionar porque questionava a produção de arte contemporânea e, principalmente, pra que servia a arte? eram ótimas intenções, poder por tudo ao não ser, até ao não prestar pra nada e, ainda sim, ser uma delícia.
mas, o que fiquei estranhando, a gente via um desfile sem fim de de vídeo-instalações-performáticas-radioativas ditas como tal por seus pais que eram, inclusive, interativas e queriam mostrar às pessoas não sei que lá o que. tive de abandonar o Melamed. hoje em dia até fujo um pouco de estudar e não é só por preguiça; as normas são um bocado engessadoras, não que eu não goste dela, não que eu vá jogar a estética na privada - e nem é a do Dechamps -só... é uma coisa que me dá agonia (agora estou falando só do que mais ou menos sei, que pe a escrita). tem um livro que se chama "quem gosta de literatura, não faz literatura". os limites são complicados; diversão e técnica. faz sentido pensar? faz sentido não pensar? quando foi que a gente ficou meio burro e esqueceu de sentir?

obrigada pelo teu escrito. tenho gostado muitíssimo de todos eles. obrigada... e me desculpe a divagação haze of a drunken hour. hasta!

prill em 22 de agosto de 2008

LARISSA, eu já me fiz essa pergunta várias vezes, será que devo mudar o suporte? cheguei a resposta que eu queria mesmo ouvir, o que importa é o traço! enfim, tela, papel, parede... o traço vence...ainda nao tentei parede, estou prestes, acho que vou amar...

o que vc desenha ou pinta?

PRILL

Leio sempre seu artigos, adoro! sem palavras...
adorei seu comentário...
tbem abandonei, com pezar, o Melamed, adorava o programa, os recortes, o próprio melamed, enfim, ele hje se rendeu a complexidade falsa inteligente da contemporânea clichê. enfim...

brigada e volte sempre :)

bjos

cris alcântara em 23 de agosto de 2008

Eu pinto em papel canson, papel ofício, papel paraná... já pintei em tela (mas iisso quando era criança).
Gosto de misturar tinta (acrílica em geral, mas se me agradar a cor de uma tinta de tecido, coloco-a na sacola)

Ultimamente tenho dado preferência para retratos...

Andei experimentando desenhar no computador, sem a menor intenção de atingir o realismo da computação gráfica. Desenho expressionista de computador.

Se tiver orkut, dá uma olhada em algumas coisas que eu postei: http://www.orkut.com.br/AlbumList.aspx?uid=6667772746070655709

Pintar na parede deve ser legal...boa sorte!

Larissa em 23 de agosto de 2008

Olá a todos.
Adorei esta matéria.
A cerca de 15 anos eu andei me aventurando por salões de arte contemporânea. Até cheguei a ganhar alguns prêmios, mas toda esta necessidade de ter que existir algum conceito que agradasse de certa forma críticos e curadores me desanimou, entre outras coisas.
Hoje estou passando por uma fase de revolta. Tem alguma coisa enroscada na garganta mas não sei bem o que é. Aos mais conhecidos, peço que não me chamem mais de artista, como costumavam fazer. Prefiro Designer ou Ilustrador.
Nada contra os artistas, só estou tentando raciocinar mais fundo e redescobrir o que realmente torna alguém um artista e até que ponto qualquer coisa é arte. Em uma conveersa a muitos anos com o marchand de Claudio Tozzi, ele me falou que eu estava perdendo tempo se realmente eu me preocupava com o desenho. Achei totalmente incoerente considerando aspéctos do próprio trabalho do Tozzi. Colegas "contemporâneos" aplaudiram. Eu fiquei mudo e decepcionado.
Esta matéria veio bem a calhar neste momento. Os exemplos de diálogos mostrados são semelhantes a uma discução que levantei na minha turma de faculdade (Artes Visuais).
Parabéns pela matéria e parabéns para os organizadores deste site.

Heber Lobo em 24 de agosto de 2008

Depois da Transvanguarda Italiana (que dizia que um artista

Arte conceitual é que nem uísque: para os que gostam e já se habituaram a "consumir", obtêm um paladar apurado e sensível a nuances e diferenças minuciosas. Para os que não estão acostumados é do tipo "como alguém pode gostar disso aqui!".

A criação é subjetiva, o processo criativo pode ser (e pode não ser) subjetivo também, pode-se desenhar como se queira e pode-se criar um sistema de significação baseado no imagético coletivo etc. Ou seja, podemos apreciar um ilustrador desenhando livremente, mas podemos nos deleitar com a arte conceitual de um Jorge Macchi, por exemplo. Esta é a grande conquista do pós-modernismo, como também disseste, de certa forma.

Só acho que a crítica de arte e o conceitualismo também são lindos, poéticos. Então é preciso respeitar a produção contemporânea conceitual, ou mesmo a produção conceitual do milênio passado, porque ela é de uma filosofia visual respeitável, que influenciou e influencia qualquer coisa que tenha imagem e criatividade hoje em dia.
Não podemos nos basear pelos maus exemplos, pelos pseudo-intelectuais.

João Grando em 25 de agosto de 2008

oi heber!

uma vez vi uma palestra do geraldo souza dias dizendo que os outros artistas e amigos lhe perguntam sempre e vc, geraldo, AINDA DESENHA????
ele diz, sim...ainda!

o ainda é cômico né...

Abraços.

Oi João,
pois é, pois é...
mas é que eles estão tomando conta de tudo...!!!

cris alcântara em 25 de agosto de 2008

Olá João Grando,
Entendi seu ponto de vista.
Concordo com as possibilidades da subjetividade, no entanto, a subjetividade é tanta na arte contemporânea que estamos diante de muitos ridículos e absurdos.
E por experiência própria, vi que em muitas obras, algumas premiadas em salões importantíssimos, o conceito agregado a obra veio depois da obra (obras de artistas que conheço e que acompanhei seu esenvolvimento). Vejo "estorinhas" fantásticas sendo criadas para justificar trabalhos onde a subjetividade pode conferirlhes o rótulo de "lixo" caso um faxineiro desavisado a encontre em um canto. Tal qual aconteceu com as obras de Duchamp se não me engano.
Que arte é essa que tem que vir com manual de instrução?
Eu sempre digo que um papel amassado e jogado ao chão, no momento certo, com a pessoa certa e com uma conceito bem elaborado pode vir a se tornar uma obra premiada. Mas ainda assim é um papel amassado. E eu digo isto com convicção pois já vi muito isso.
Não quero criar uma discussão aqui, só estou colocando meu ponto de vista e buscando um esclarecimento mais racional para esta tal arte contemporânea.
Abraços...

Heber Lobo em 26 de agosto de 2008

é fato: esse assunto é polêmico.

no mestrado em arte tive e vi discussões sérias sobre esse tema, afinal, onde está o tal distanciamento histórico que precisamos (os tais 20 anos) para conseguir definir uma época? ainda não o temos. Assim, o que o mundo vê há 10, 12 anos, ainda é de difícil compreensão.

No mais, sabemos que entre os impressionistas, os expressionistas e entre os modernistas no Brasil tivemos figuras medíocres. Claro, os gênios ficaram e a partir deles conseguimos definir uma época e/ou uma linguagem.

O que acontece é que na arte contemporânea temos sim vários e vários destes sem talento, os medianos e os medíocres, entretanto corremos o sério risco de vê los a delinear uma época. Eles são muitos e a arte que fazem é totalmente aceita. Sendo aceita, não é peneirada. O público se tornou submisso.

Nossa, acho que comecei a escrever um outro artigo, e isso era mesmo só um conentário a partir do que o Heber falou...

Só pra encerrar, fico feliz de saber que arte contemporânea tambem tem sido feita por gente como "os gêmeos".

cris alcântara em 26 de agosto de 2008

Mas aí que está: a arte "aceita" geralmente é retrógrada, Cris. Se ela for simplesmente uma arte aceita, deve ser ruim mesmo. E concordo contigo, Heber, estudo artes visuais na UFRGS e já vi trabalhos premiados que nasceram ao acaso. Mas ao acaso que Pollock descobriu sua action paiting, e o resultado certamente é belíssimo. O resultado final fica acima dessa questão do acaso. E o que digo é que a arte contemporânea é como qualquer outra: há obras boas e ruins, ou diferentes, para ser mais relativo. Certamente à época da renascença haviam medíocres também. E o impressionismo, que hoje é tido como belo por todo mundo e fica por aí a enfeitar calendários, já foi recusado em salões, salões os quais certamente escolheram obras medíocres.
Quem se dá bem não necessariamente está fazendo história.
E o principal, há espaço para todos, todos conviverem juntos.
Agora, exigirem uma atitude assim se não é a intenção, isso sim é errado e isso realmente acontece no meio acadêmico...

João Grando em 27 de agosto de 2008

Olá João Grando.
Veja, não me referi ao momento em que elas são criadas, com certeza o acaso é um elemento presente na história da arte, minha colocação é quanto ao conceito, a estória, o blá, blá, blá, que se inventa após a finalização de uma obra qualquer.
Ex.: Certa vez uma artista abstrata pintou um quadro qualquer e me pediu com que parecia para que ela pudesse dar um nome adequado. Entende meu ponto de vista. O que vejo por ai é toda uma encenação literária criada conforme o resultado prático de um projeto qualquer.
Tipo, "Há! Aquela mancha (que surgiu graças a um acidente), representa a obscuridade oculta que permeia a humanidade". Entende? Não existia a intenção e mostrar obscuridade nenhuma, mas, já que a mancha esta ali, vamos criar algo para enquadrala no contexto.
Isto está cheio por ai. No fundo muito do que se houve é uma farsa.
O acaso é aceitável, mas desde que se assuma esta condição.
Quando vier um crítico cheio de blá,blá, blá, simplesmente aceite o fato do acaso e não coloque lenha na fogueira, como exemplificou o diálogo da matéria.
O que me parece é que ultimamente o conceito tem mais peso do que a obra em si. Se o conceito não existe, alguém inventa algo porque tem que constar algo no catálogo ou o convite da vernissage.

É triste mais até o momento é o que consigo perceber.
Abraços....

Heber Lobo em 28 de agosto de 2008

Como sempre, acabei de ter uma aula de arte com a Cris!

Gra em 28 de agosto de 2008

oi João!

Mas é exatamente o que eu disse, ela é totalmente aceita: o público se tornou submisso... tem medo da crítica e não discute nem questiona para não parecer estúpido. O problema é que a grande parte dessa arte contemporânea que virou designação de um estilo não é barrada em nenhum lugar... é a pura ditadura do conceito.

cris alcântara em 28 de agosto de 2008

Cris e Heber, vocês estão certos. Mas eu também estou (até porque não é esta a questão). Em verdade acho que engendramos um alinhamento. Eu também já me deparei com esses absurdos que vocês falam e para mim são casos de grande burrice, que só pioram com a imagem de intelectual que os atores desses sistema fechado tentam passar. É o típico caso do pseudo-intelectual. E é irritante. Mas o que insisto em dizer é que estes são os maus exemplos, e não devemos deixar que eles manchem uma matéria interessantíssima, poética e estimulante que é a teoria e crítica de arte (de cinema, literatura etc.) - os maus exemplos devem ser desprezados (não podemos pôr tudo num mesmo saco). Além do que, o desenho está bastante em voga hoje em dia, e penso na exposição que ocupa todo o santander sobre arte de rua - isso é um índice de aceitação. Sem falar que o público geralmente se agrada mais de uma arte "direta" mesmo, não conceitual. O que ocorreu foi que surgiu um sistema de seleção realmente bobo que subverteu a relação de contextualização da obra para um formalismo não tradicional (no bom português – tem que ser instalação, vídeo, perfomance etc – como se isso por si só fosse alguma novidade, como se alguma obra por ser de uma técnica tradicinoal não trouxesse coisas interessantes).
O que DEVEMOS fazer é olhar a arte sem considerar o seu formato: e haverá coisas magníficas que podem ser pinturas a óleo como Li SongSong ou delicadezas feitas de argila como a obra “minhas mão são meu coração” (ou algo assim) do Gabriel Orozco. É argila sem nenhuma técnica, mas é arte. É o óleo usado há tantos séculos, e também é arte contemporânea.
Sobre isso, para não me estender muito no comentário, tomo a liberdade de deixar um link de um texto que escrevi sobre o assunto: http://joaogrando.wordpress.com/2008/08/28/a-arte-da-nos-nervos/

João Grando em 29 de agosto de 2008

Cris,

O debate foi ótimo e certamente não acaba aqui, o que prova a boa oportunidade da sua provocação. Embora diferentes, cada um dos pontos de vista contribuiu em muito para que pudéssemos pensar um pouco sobre o assunto. O ensaio (chamar de texto é pouco; eu já li, mas vou voltar) do Joao Grando mostra como se pode ir longe e como vale a pena. Faz pensar na necessidade de um fórum pra isso. Espero que alguém tome a iniciativa e nos avise.
Tomo a liberdade de acrescentar um ponto de vista mais (perdão; não vou resistir) pitoresco, de alguém que não sabendo pintar e gostando de um blá-blá-blá, conseguiu evitar o infausto destino de pseudo-intelectual cometendo um oportuno haraquiri vocacional pelo motivo mais nobre: vergonha na cara.
Se você se interessar leia a história real que eu contei em junho e mostra um pouco da origem do meu interesse por essa discussão. Se eu tivesse lido o seu post, poderia chamá-la de "Chega de blá-blá-blá, eu quero apreciar!" Mas está lá como foi contada: http://obesta.blogspot.com/2008/06/eu-explico.html.
Muito sucesso e um abraço do
Nando

Nando Nazareth em 3 de setembro de 2008

Assunto polêmico mesmo...

Minha opinião: os "Simplesmente artistas" existem aos montes por aí, desde os ingênuos que entortam arame e fumam maconha vendendo seus trabalhos no Rosa aos reconhecidos que também fumam maconha e expõem no Guggenheim de Nova York... É engraçado, pois o exemplo do diálogo sobre a arte no aeroporto fez justamente me lembrar esse segundo tipo.

Não vejo mal nenhum em tentar pensar um pouco sobre as coisas, sobre as obras, o porquê dela ter sido feita, o que ela quer transmitir (se é que quer, pois deveria) etc., pois foi através do pensamento que chegamos até aqui (se isso é bom ou ruim, não é o ponto). Acredito que a função do crítico, mais do que criticar, no sentido ruim da palavra, como muitos não conseguem abstrair, é de certa forma guiar os olhares leigos para as boas obras, e mesmo assim, por vezes, errando ($). Quem já não viu uma obra de algum artista que considerou bom mas que estava no breu? E pior, que dizer daquele outro artista cuja obra não tem conteúdo aparente, não diz nada, que não critica, que não reflexiona, que não elogia, que faz apenas uma salada de cores e formas e cai no gosto popular por culpa do crítico ou do dono da galeria?

Desculpem, mas para mim o bla-bla-bla é, sim, fundamental (obviamente não na forma estereotipada e cômica como exemplificam). Não estou cursando uma academia pra simplesmente chegar e desenhar ou pintar, coisa que posso fazer nos meus tempos livres. Julgo fundamental a teoria, porque essa formação (um pouco) mais erudita é que vai te diferenciar de outros (não que eu queira ser um artista), seja em qual ramo da arte tu fores seguir.

ps: não seria o bla-bla-bla preguiça?

ps2: muito engraçados esses "críticos" dos exemplos, lembram os daquele filminho "Pecker".

Obrigado!:)

Mario em 15 de setembro de 2008

mario


em parte concordo com vc, mas preciso discordar em algo,
desenhar e pintar tb leva a reflexão se assim que o artista. vide baselitiz, um bom exemplo.
entendo qdo vc fala sobre "erudito", acho que na verdade quer falar sobre conceito da obra, e isso, toda boa obra deve ter.

abraços e obrigada por deixar aqui sua opinião.

Cris.

cris alcântara em 17 de setembro de 2008

Nao se preocupo com movimentos artísticos,apenas eu faço o que meu cérebro manda .Fez, considero arte.ZAMY PESCI

ZAmy PESCI em 25 de setembro de 2008

Me parece que artistas que simplesmente desenham têm aos montes, e encontrar um que se destaque por certa qualidade que não a simples mímese da realidade exterior, ou mesmo que da semelhança com outro artista, é algo difícil. Até porque é algo que tem que partir dele próprio, já que o ensino de arte não dá valor real a esse tipo de abordagem. Além disso, confunde-se artista com ilustrador, cartonista, etc., onde a avaliação do público para a qualidade de determinado desenho parte simplesmente do nível de virtuosismo do ser em questão.
Enquanto que a arte de instalação, de video arte, etc., participam de um outro campo na arte, com suas qualidades próprias, onde não é o modo de expressão gráfica que importa, mas de concatenação de idéias com sígnos visuais a fim de transmitir algo interessante ao leitor da obra(mesmo na pintura, algo que simplesmente é desenhado, sem idéia, serve apenas para decoração, nem arte pode ser considerado).
Pode-se fazer um paralelo com o mundo literário, onde encontramos os grandes mestres contemporâneos, como o próprio aclamado Saramago, que através de suas obras primas vivenciamos situações claras de conceituação sobre a vida e o homem de maneira não convencional para o mundo das letras, e ao mesmo tempo, encontramos escritores num estilo mais recatado, menos inovador na linguagem, mas que mesmo assim não deixa de transmitir certas idéias via seu trabalho.
A ausência de conceito para a arte, quer seja pintura, quer seja escultura, quer seja literatura, reduz a obra ao nível mecânico simplesmente, não agregando nada, absolutamente nada à arte, ao artista, e, mais importante, ao espectador.

eduardo em 26 de setembro de 2008

Arte é construida por uma essência humana .Arte conteporanea nao surgiu de um ET.Apenas fruto dos movimentos passados.Acho desprezivel falar que um objeto nao é arte.Artista para mim nao é so quem faz arte conteporranea,artesao é um artista.E ninguem ira mudar este meu olhar,so lamento a elite artistica heheheheheheheh

ZAMY PESCI em 26 de setembro de 2008

Eduardo,

"A ausência de conceito para a arte, quer seja pintura, quer seja escultura, quer seja literatura, reduz a obra ao nível mecânico simplesmente, não agregando nada, absolutamente nada à arte, ao artista, e, mais importante, ao espectador."


Eu acho que você foi um tanto quanto radical com essa afirmação. Ter conceito, ainda mais explícito, não pode ser fator determinante na conceituação da arte. Sendo assim não existiria arte espontânea, aquela que ainda que não tenha surgido com objetivo definido promove a "catarse". Você simplesmente, mira e sente. Não precisa questionar, é um processo natural: o simples prazer estético.

A qualificação da arte não é sempre feita no momento da sua criação, que muitas vezes pouco tem de lucidez e por tanto não pretende uma linguagem previamente racionalizada.

O que eu acho que o texto inicial gostaria de propor era a liberdade de produzir, de expurgar os sentimentos. Uma vez livres para criarmos, que os críticos façam suas críticas, digam que é arte ou que é imprestável. Mas aí, nossas almas já estarão puras!

Larissa em 27 de setembro de 2008

Paul Klee dizia isto:

"O desenho é a arte de se levar uma linha para passear".

Realmente é um dispensar de teorias e deixar-se levar...

Parabéns, Cris, pela bela pintura...

Beto Palaio em 27 de outubro de 2008

Deveriam ver este Artista Português da escola Francesa dos Anos 80.
Joaquim António Gonçalves Borregana dito Kim Prisu.
Nasceu em 1962, em Portugal, na Aldeia da Dona, Distrito da Guarda.

Nos anos 80, em Paris, Kim Prisu e Quim P. (Joaquim Pereira) dão origem ao conceito Nuklé-Art: «adquirir os argumentos e as conjunturas da civilização das imagens que agem como encanto nas multidões, desviadas dos médias, das artes da banda desenhada, do cinema, da iconografia popular e religiosa e reinventá-las no seu próprio mundo de sensibilidade e emotividade ou colectivamente em conjuntura com o meio ambiente…»

Nuklé-Art actua num conceito de arte total, em liberdade de criação.

Em 1984, K. Prisu configura com Kriki (Cristian Vallée) e Paul Etherno o grupo “NUKLÉ ART”. O “Nuklé-Art” numa vaga puériliste: “arte no sentido mais simples”, são levados pelas correntes da “Figuração livre, Medias Peintre, Computer Art”, das quais a crítica Francesa diz que são pioneiros.

Artista plástico de “atelier”, Kim Prisu e os “Nuklé-Art”, para tornarem conhecida a sua Arte, começaram por instalar obras na rua, no metro… que se assimilaram com as dos grafiteiros.

Arte, em lugares oficiais, ou mesmo fora dos locais convencionais, arte para todos.

De 1984 a 1987, “Nuklé-Art” existiu em grupo estruturado em zapping oferecida a uma constante metamorfose.

Em 1986 “Maitre Binoche e Godeau” com o leilão “les jeunes débararquent” levou a geração dos anos 80 para o mercado oficial, facultando a entrada em galerias de arte: “galerie du jour, Agnes B, galeria “Jean Marc Patras, Anne Rouff”, galeria J.P. Christophe na avenida Matignon, galeria Sanguine”…

Realizou exposições pessoais e colectivas onde também estiveram obras do J. M. Basquias, Keith Haring, R. Combas, H. Dirosa, Bazooka, Olívia TV Clavel, os Irmãos Ripoulin, Francky Boy, Speedy Graphito, os VLP, Nuklé-Art, Capitain Caverne, Yvon Taillandier, Placide e Muzo, Frédéric Voisin, Paëlla Chimicos, banlieue banlieue, Jérôme Mesnager, Blek, Marie Roufet ou Gérard Zlotrykamien”.

Em 1990, foi convidado pelo artista plástico Hervé Morlay dito VR e pela galeria “East Side Gallery-GDR-“ de Berlim, para pintar sobre a parede na parte oriental.

Em 1989, Kim Prisou criou o espírito Nuklé-Art. Começa o seu primeiro projecto em Portugal em parceria com A. L. Tony (António Pinheiro Leitão), fazer uma Aldeia Cultural, na Aldeia da Dona, sem limites de tempo. Hoje, podem se ver várias esculturas e mobiliário de sinalética ligadas à memória cultural do sítio onde estão erguidas.

Só em 1994 é que o Kim, por intermédio de um coleccionador Suíço e da galeria de arte “Christophe”, apresenta pela primeira vez o seu trabalho “Clube Arte 50”, em Lisboa.

Em 1996, Kim Prisu regressa a Portugal, recomeça um novo percurso na vida artística e expõe em vários sítios: Guarda, bienal de Coruche, bienal do Avante, Palmela, Setúbal, Alhos Vedros…

Continua no mesmo conceito de arte total com o Mundo dos Inteiros que criou em 2003, conjuntamente com António Xavier e Paulo Proença, Sebastião Maresia, Rui Malo, espinalMedula , com os quais faz poesia performances, pintura e também colaborou com Américo Rodrigues e o teatro Aquilo.

Discorre em “Sons et lumières Vidéomatik no Centre Pompidou” na fibra da inter-planeta.


joana em 1 de novembro de 2008

Muito feliz seu artigo, tem muita gente querendo fazer arte para crítico ver, e vai então perdendo a essência e deixando de ter importância. Acabará por ver que sua arte não satisfaz nem a si mesmo.
Sinto a arte como uma necessidade primeiro do próprio artista, e depois, se alguém mais gostar, tudo bem.
Quando o autor da obra busca fazer algo para agradar a crítica, então ele já era. Pode até vender, mas jamais terá a consciência limpa, e tornar-se-á um mero fazedor de coisas.

alvaro pereira em 12 de novembro de 2008

Blá blá blá"Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno."Concordo totalmente ZAmy PEsci

ZAMY PESCI em 3 de maio de 2009

Essas pinturas sao ridiculas.Quem desenha isto pode morrer,pois e horrivel.Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...........]]]]]]]]]][[[[[[[[[[[´´´´´´´´´'''''''''''111111111111111111111222222222222222222222222333333333333333333333344444444444444444555555555555566666666666666777777777777888888888888888889999999999999999900000000000000----------------============qqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqqwwwwwwwwwwwwwweeeeeeeeeeeeeeeerrrrrrrrrrrrrrtttttttttttttttttttyyyyyyyyyyy___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Thulio em 8 de maio de 2009

Em relação à arte todo tem a sua opinião, do mais "douto" ao mais "mundano".
O que é ou não arte não vem ao caso. Apenas quando o artista se diz "artista", daí sim precisa de uma visão crítica para dar sentido à sua obra. Encontrar uma poética que desafie sua própria capacidade de manejar as "tintas".
Uma música sem poesia, por exemplo. Mesmo a música sem letra. Não reclamamos tanto de músicas descartáveis e sem sentido?

Nas artes "visuais" é a mesma coisa. O artista que não encontra a sua poética, que faz arte simplesmente por fazer, faz simplesmente arte.

Mas se pretende inserir-se no circuito das artes, precisa legitimá-la de alguma forma.

Ou não. Como protestou Duchamp com suas "gracinhas".

Ou como diria Caetano...

Marcelix em 8 de junho de 2009

Cris, gostei muito dos comentarios.
E gostaria de dizer q sinto falta de grupos de estudos.
P podermos expor mais nossos conceitos.
Gostaria de te conhecer.

vladimila veiga em 28 de agosto de 2009

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