caricatura - heidi klum

Publicado em bd / hq por henrique em 12 set 2008 | 13 comentários

heidi klum caricatura henrique monteiro

Ilustrações de Henrique Monteiro, texto de Priscilla Santos

Todo mito de nascimento rende tributo ao argumento do acaso. Era 1977 e o universitário Roy Raymond entrou numa loja de departamentos californiana disposto a comprar um presente para a esposa, uma lingerie. Algumas voltas por cabines depois, estava frustrado nas boas intenções do seu erótico; muito constrangido pelo ambiente, voltou para casa de mãos vazias. Haviam oprimido o homem errado porque Roy Raymond, estudante da Stanford Graduate School of Business, poucos meses depois, abria sua própria loja de roupas íntimas femininas, muito diferente das que se viam até ali, um espaço envolvente capaz de deixar homens e mulheres a vontade para escolher, recusar ou comprar produtos ao fresco espírito da época: em 2006, o império Victoria's Secret anunciaria uma receita de 3.222 bilhões de dólares.

Em 1991, duas amigas adolescentes visitavam descompromissadamente uma loja de departamento quando, por acaso, uma delas viu um anúncio do “Model 92”, concurso em rede nacional transmitido durante um late-talk show alemão. Uma delas convenceu a outra a preencher uma ficha de inscrição; ela era bonita, ora, que custava tentar? Heidi pôs lá seus dados e enviou as fotos pedidas por pura falta de algo melhor para fazer, não imaginava que fosse ter alguma chance porque era tímida, diz, e passava a maior parte do tempo de boca aberta sem nada dizer. Mas a descrente menina chegara às finais do concurso e depois já rumava para casa com um papel onde se liam os termos de um belo contrato para modelagens no valor de US$300,000: o primeiro prémio. A revista Forbes estima hoje que suas receitas anuais ultrapassem os 14 milhões de dólares.
 
De uma adolescente pouco expressiva para a segunda modelo mais bem paga do mundo – perde apenas para a boa-praça Gisele Bündchen – o caminho percorrido por Heidi Klum foi razoavelmente rápido. Em pouco tempo, tornara-se uma das modelos mais solicitadas por revistas como a Vogue, Marie Claire ou ELLE trabalhando ainda como musa artística e muitas das incríveis body-paintings da artista Joanne Gair. Ainda vieram as companhas promocionais para a Volkswagen, Mc Donalds, Braun...  Mas nada se compararia à que viria ser sua principal atribuição.
 
Em 1999, a empresa Victoria's Secret já havia sido vendida e repartida para outras corporações, se bem que mantendo seus primeiros conceitos de venda num formato expandido, por exemplo, os catálogos em papel praticamente foram substituído pela internet e agora não só vendem roupas de baixo, como cosméticos, pijamas e sapatos. Sendo conseqüência desses vôos mais altos, o projeto das Victoria's Secret Angels, em 1999, viriam corresponder a essas ambições de mercado quando selecionou para seu cartaz um ofensivo escrete de supermodelos. Absurdamente ofensivo: Tyra Banks, Laetitia Casta, entre outras, estavam na primeira seleção de VS Angels e embasbacaram planeta com seus desfiles deístico-fetichistas onde todas aquelas mulheres belíssimas, semi-desnudas e com asas, desfilavam enquanto acontece um show em plena passarela.
 
Heidi Klum estava lá, obviamente, era a capitã do time. Na época, estava casada com o estilista Ric Pippino, mas o divórcio deu seus ares oito anos após a união e, como sua imagem, vida e obra já haviam se tornado um parque público, em 2002 todos os jornais noticiariam seu romance com o Chili Peppers Anthony Kieds. O flerte com a imprensa marrom não pararia por ali porque poucos meses depois, ela seria novamente notícia ao anunciar sua gravidez do novo namorado, o formulaúnico Flavio Briatore. Naquele mesmo outono, naquele mesmo dia, os tablóides publicariam fotos de Briotore à beijos inegáveis com uma joalheira.
 
Helene nasceu em 2004 quando Klum já havia decidido compromissar-se com o cantor Seal num casamento beira-mar no México. Teve com o cantor, com quem ainda está, mais dois filhos a quem dariam nomes extensos. Formariam o que os americanos costumam chamar “a patchwork family”: não sou branca, sou uma penumbra, diz em metáfora para rebater  preconceitos. Somos todos sombras que nos amamos e nos juntamos.
 
Além de frases reflexivas, Heidi Klum reúne também outros talentos: é escultora, designer de jóias, atriz nas horas vagas e, no momento, apresentadora e produtora de dois programas de TV, o Project Runway e o Next Top Model Alemanha. Nessas duas últimas tarefas não poderia estar obtendo maior êxito e o Project Runway, competição que mostra a concorrência entre designers de moda por um contrato milionário, foi vencedor do Peabody Award,  além de concorrente a diversos Emmys.
 
Sim, Heidi está longe de ser mais uma modelo insípida e é uma rara combinação de beleza estonteante e agudeza de espírito, o que lhe permite tanto estar com toda seriedade profissional num outdoor da Gucci quanto fazer campanhas cômicas onde o Will Ferrell lhe dá uma dentada na nádega ou ainda demonstrar a maior utilidade dos sutiãs de enchimento é impedir que os mamilos fiquem de prontidão por aí sem serem solicitados. Hiedi Klum é seu próprio mito subvertido.

heidi klum caricatura henrique monteiro

Henrique Monteiro Henrique Monteiro adora ir às nêsperas, faceta que nunca conseguiu explicar muito bem até hoje. Tem aversão epidérmica ao tipo de sandálias que se usa para o efeito. Conheça mais deste autor na página de autor. Saiba como publicar um artigo no obvious.

Prill AvatarPriscilla Santos é adoradora de cervejas e colabora com o obvious. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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13 comentários

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Bonito este olhar cheio de sensualidade e desejo.

O texto apesar de ser algo extenso está muito bem escrito e é bastante elucidativo.

Parabéns aos dois.

Bjs

MG em 12 de setembro de 2008

O texto é uma seca, estraga tudo

Ana em 12 de setembro de 2008

Olá. Adorei o cartoon, no entanto, também concordo com a ana... o texto é muuuiiittttooooooooooo longoooooo! A gente quer curtir ums desenhos e um texto legal sem perder muito tempo......... não há paciência para uma leitura tao longa. Priscilla, eu gosto muito dos teus posts mas, dá pra dar uma encurtada??

Madalena em 13 de setembro de 2008

meus caros,
tenho pensado nisso faz alguns dias, nos textos muito longos. mas me vejo com um problema: como dar conta de uma biografia em 4 ou três parágrafos e manter ainda algum divertimento ao invés de uma informação aos tipos Fulana de tal nasceu no lugar tal, formou-se em artes dramáticas e daí ganhou o Oscar? ainda não descobri como se faz isso mas prometo um bom esforço para diminuir um bocado esses relatórios do FBI.

de toda forma, obrigada pelos comentários.
em tempo: fabuloso cartoon henrique, sou tua fã pra todo sempre. amém.

prill em 13 de setembro de 2008

As caricaturas são fantásticas.... o texto nem desperdiço mais tempo lendo... Concordo plenamente com a Ana.

Cap_Help em 13 de setembro de 2008

Priscilla brigada por responder detesto pessoal que nao da as cara rsssrsr
Sabe que eu quando vejo um desenho desse tipo, nao estou querendo ler biografia. Pra ler biografia voce poe um link e a gente vai se quiser ne? gostava muito mais de 2 paragrafos falando do desenho, brincando com a pessoa, e exagerando ainda mais o que foi caricaturado, sabe?

tornar o texto divertido, rapido.......kkkkkkk.... é a minha opiniao, nao fica chateada ta?


Madalena em 13 de setembro de 2008

caros, volto novamente

Cap_help, rsss temos um pequeno histórico de desentendimento de conceitos, não? lembra? e você não expôs aí o teu argumento pelo qual não vai dizer nada sobre o texto, apesar de já dito na frase silêncio-concordativa. vou começar a pensar que estás levando pro lado pessoal...

Madalena, compreendo que você não queria ler uma biografia mas... bem, é como as coisas pintam e, outro bem, algumas pessoas gostam de ler biografias - como eu - e as biografias sempre foram o acompanhamento dos cartoons "Mulher da Semana" do Henrique Monteiro, como você pode conferir na página dele. Afora que muitas pessoas não se importam de ler mais de dois parágrafos. Nem três, ou até mais...Amantes de leituras e escritos.

Devemos contar hoje uma dúzia de velhos que usam óculos. Acontece. Ler tem causado impaciência nos novos leitores e daí os novos leitores preferem ver figuras ou assistir um vídeo no Youtube pra não perder muito tempo. Acontece.

Não fiquei chateada, opiniões e pessoalidades não tem a ver. Agradeço mais uma vez o comentário.


priscilla em 13 de setembro de 2008

Afinal parece que não sou a única a não gostar dos textos

Ana em 13 de setembro de 2008

Viva,

Desde já agradecimentos pelas apreciações favoráveis à caricatura da glamorosa Heidi.

Quanto aos textos da Prill; esta rúbrica não foi pensada para ser fast-food. Todo o desenhador gosta de ser apreciado ao pormenor e todo o escritor gosta de ser lido com detalhe.

Para a questão a resolução é simples,democrática e amplamente praticada nos dias de hoje: não gostando do feijão (texto) come-se só o arroz (caricatura) ou vice-versa :), se bem que eu ache que, neste caso, não comer o feijão seja um prazer a menos.

Henrique em 14 de setembro de 2008

Carissima Prill

Nada pessoal não... mas para mim (é a minha opinião), o seu texto é chato mesmo. Não por ser longo, livros são extensos e os "bons livros" as pessoas devoram não importando o peso e o tamanho do caracter.
Talvez se vc adquirisse o seu espaço no site sem ter que se ancorar em "figuras" fosse a solução.
Porque quem critica os textos ou não concorda contigo vc taxa de jovem burrinho? Pois é.. agora vou ver uns filminhos no Youtube, ler uns gibis, porque meu horóscopo diário eu já li e me avisou para evitar discussões.
Não.. na verdade é que se prolongar demais aumenta muito o teu IBOPE , que só sobe por discussão e não pelo que deveria.

Cap_Help em 14 de setembro de 2008

Ana,
nada!! Não és a única! Não estás só! Unamo-nos.

Cap,
sim, opinião, feijão, a gente escolhe e fique a vontade, faz favor. mas gostaria de pôr aí dois pontinhos: não tachei não rapaz! disse que estou ficando velha, disse que eu, o Henrique e a minha mãe estamos ficando velhos, paciência.
daí a gente achar que tempo não se perde, que tudo já era mesmo e o que tiver à mão já é lucro.

na tua opinião o texto é chato, mas não acho que chato seja argumento. vê, daí sou obrigada a te achar meio jovem e meio burrinho.
"sr. Zé Wilker, que o senhor achou do filme: achei chato". daí o Telecine (ele inda tá no Telecine?) demite o Zé Wilker. não é sempre necessário, mas uma crítica, tradicionalmente,acompanha um argumento, se não não é crítica, mas ataque - puro na singeleza.

achei meu texto medíocre. como me disse o Rafael, dei muitas voltas, fico querendo dar vida pras mulheres e então elas se perdem na vida queu fiz. ouvi o Rafael e acho que faz todo sentido, e que ele tem toda razão.

percebe a diferença entre opinião e dito puro? a primeira constrói algo ou destrói pra reconstrução, a outra enche a boca de som e as linhas de letra quando não se tem nada melhor a dizer, fazer ou falta material para pensar. tudo acontece e é processo.

desde já, agradeço o debate e a promoção gratuita.

em tempo: ler gibis é algo muito proveitoso, como a gente comprova nesse escrito do Henrique http://blog.uncovering.org/archives/2008/08/john_buscema_o_ultimo_mestre_da_marvel.html

priscilla em 15 de setembro de 2008

Priscilla, ótimo o estilo do seu texto. Apenas senti falta do retorno ao tema com que você abre o mesmo. Espero que não deixe seu estilo ser moldado por pessoas preguiçosas e incapazes de entender o valor da experimentação e da diferença.

Peterson News em 29 de setembro de 2008

Adorei o texto,além de informativo, agradável e comprometido.Se depender de mim vc continua escrevendo textos longos que pra mim , de tão prazeiroso, sinceramente li que nem senti que era comprido.
Atenciosamente.

etiene em 20 de novembro de 2009

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