Thalma de Freitas: uma artista em qualquer lugar

Publicado em bd / hq por henrique em 10 out 2008 | 9 comentários

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Ilustrações de Henrique Monteiro, texto de Priscilla Santos

Thalma tem uma voz suave, e tem calma para começar a usar sua voz suave. O crítico levanta a mão ali atrás e diz que Thalma chegou com calma, suave e no talento, mas deveria definir-se mais: Thalma é uma cantora com grande potencial, mas enquanto não decidir-se entre os palcos e a dramaturgia, continuará sendo essa que está; um grande potencial.

Thalma de Freitas, cantora, atriz, carioca, terminou em fevereiro de 2008 sua décima segunda novela, e o crítico levantou a mão para dizer que era o exemplo de uma atriz negra que, no Brasil, estaria sempre limitada a fazer papéis de negros limitados. Ela faz que não houve, pensa que não tem sentido já que as louras siliconadas também estariam sempre limitadas a fazer papéis de louras siliconadas.

Thalma de Freitas tem 33 anos, é filha do maestro Laerte de Freitas, casada com um músico francês e declara que os críticos brasileiros são burros porque há nessas terras certo pensamento torto de que ator deve atuar, ator deve cantar, sapateador deve sapatear e pintor deve pintar. Nunca podem envolver-se em duas ou mais tarefas diferentes porque, para o crítico burro brasileiro, não existe o artista, só existem as tarefas de arte. Lamentável. Sorte que Thalma fez muito bem que não ouve e prossegue, e ri e, quando ri, tem uma beleza de tarde com sol malicioso à beira da praia.

A música estava na sua vida desde pequena, por conta do pai e por sua própria casa. Laerte de Freitas diz que a filha inventava músicas enquanto ele trabalhava ao piano e, assim, ela acabou indo inventar em cima dos palcos, à beira das noites, dentro dos bares, interpretando as canções populares do país. Thalma descobriu o teatro ao pensar melhor sobre aquela carreira de cantora onde estava investindo: não queria terminar na decadência de algumas cantoras da noite, sentia agonia da decadência de algumas cantoras da noite. Logo estaria mais envolvida com as novelas, de onde passou a tirar seu sustento já que, como conta, não nasceu rica. Os trabalhos foram se sucedendo e, por suas sortes e talentos, a moça pôde estar em importantes produções como a novela Xica da Silva, Dona Flor e seus dois maridos e O Clone. Mas a música sempre ali, não se deixando esquecer... Só restava a ela perder o medo e arriscar-se.

Em 2004, meteu-se num projeto que deu certo porque dera tudo errado, conta sem explicar os porquês. A bigband Orquestra Imperial nascera de uma brincadeira entre amigos que queriam reviver canções de gafieira, marchinhas de carnaval e sambinhas de qualquer natureza. Estavam naquele início Berna Cepas, Kassin e Seu Jorge mas, como era brincadeira e descompromisso, alguns membros eram incorporados enquanto outros iam saindo; Thalma foi uma das que entraram e ninguém mais a tirava dalí. A banda cresceu a ponto de reunir hoje mais de vinte músicos que fazem concertos de puro furor carnavalesco, no Brasil e fora dele.

Na mesma época, criou o projeto de um disco solo que levaria o seu nome mesmo; produzido de forma independente, nele reinam canções cheias de deleite retrô, escritas por compositores como Jacob do Bandolim. Na mesma época ficara surpresa ao acordar, ler os emails e descobrir que havia ganho o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado pelo filme Filhas do Vento. E ela nem havia estado lá! Não queria ir sozinha e não a tinham deixado levar o marido, desanimou-se; também não pensava que ganharia algo.

Ficou em choque no momento em que leu aquela notícia, mas fala sobre isso com a mesma leveza com que pega o microfone e interpreta com intimidade as canções que sabe e sente de cor, é então uma cantora intimista, sem estrelismos nem arroubos de absurdo. Thalma prefere a leveza, a inteligência esperta e a suavidade com que a vida carrega para onde bem quer, para onde acha melhor soprar e inspirar. Como a arte, uma paixão que não tem formato. Ela gosta mesmo é das delícias do não escolher estar sobre os palcos, pular os microfones ou figurar telas sem dar satisfações. Apenas ser o que der.

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Henrique Monteiro Henrique Monteiro adora ir às nêsperas, faceta que nunca conseguiu explicar muito bem até hoje. Tem aversão epidérmica ao tipo de sandálias que se usa para o efeito. Conheça mais deste autor na página de autor. Saiba como publicar um artigo no obvious.

Prill AvatarPriscilla Santos é adoradora de cervejas e colabora com o obvious. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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9 comentários

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Falou muito mais falou bonito!! rs
Matéria super interessante sobre suas carreiras... ñ sou atriz, sou cantora e violonista, realmente, que voz suave! lembra um pouco Paula Lima..
abraços

Zindi em 10 de outubro de 2008

Fiquei com muita vontade de a ouvir. Sabem se algum site onde se possa ouvir uma outra música dela?

Robick em 11 de outubro de 2008

Robick, aqui nesse linho do ForShared você pode ouvir a linda música "Não foi em vão", cantada pela Thalma e com melodia da Orquestra Imperial. Lindo lindo. Espero que goste. até :)

prill em 12 de outubro de 2008

Robick, me desculpe! Foi pela força do sono que escrevi tudo errado e faltando pedaço aí em cima.
Então, refazendo: há esse link aqui http://sites.google.com/site/limaoexpresso/Home/02-orquestra_imperial-nao_foi_em_vao.mp3?attredirects=0

onde você pode ouvir "não foi em vão", cantado pela Thalma no projeto da Orquetra Imperial. pronto, me desculpe a dislexia aí em cima.

prill em 13 de outubro de 2008

Prill, obrigado

Estou a ouvir neste momento, é uma delícia :-)

Há muita, mas mesmo muita música brasileira que eu não nunca me cansarei de ouvir.

Como diria o grande Vinicius, Saravá meu irmão. :-)

Vitor Silva em 13 de outubro de 2008

A TALMINHA É GOSTOSA ATÉ EM CARICATURA. :-)

VALMIR em 19 de outubro de 2008

"Rue de mes souvenirs" é uma melodia francesa fantástica na voz de Thalma!

Belo texto.

Adalton Moura em 20 de outubro de 2008

akii essssa muié tem unnn bocaooo!!!!@!@!@!@@!@@

samuel!!!! em 10 de novembro de 2008

Apenas uma correção: o nome correto do pai da Thalma de Freitas, que carreguei no colo, e filha da bela e simpatissíma Pinki, é LAÉRCIO DE FREITAS, e não Laerte. Aqui em Campinas, nos anos sessenta, nós apelidamos o Laércio de "Tio". Exímio pianista e arranjador, é invenção dele a quebrada de sílabas no País Tropical, de Jorge Ben : Mó, num pa-tro-pi, abençoá-por-Dê - e buni-por-na-tu-rê... e por aí vai. Ah, ele é autor da célebre Capim Gordura, que vendeu cerca de 700 mil cópias no final dos anos sesenta, lançado pela carioca TapeCar, então dirigida pelo competente Moacir Mokarzel, o Moka. É isso aí. Abraços e parabéns.

Zeza Amaral em 11 de novembro de 2009

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