A publicidade e a higiene íntima feminina #1

Ao longo dos séculos, as mulheres em suas diferentes culturas se utilizaram dos mais diversos métodos para contenção fluxos menstruais; esponjas, lã, tiras de roupas usadas e até mesmo certos tipos de grama. No Antigo Egito, os tampões já existiam, feitos de papiro processados para ficarem macios. Foi no ano de 1888 que os absorventes femininos começaram a ser vendidos, eram aqueles em formato de almofada, adaptações dos que as enfermeiras norte-americanas preparavam para elas próprias usarem, feitos de gaze e outros materiais hospitalares a que tinham vasto acesso.
Num momento da história ocidental em que a higiene se tornara uma obsessão, o sucesso foi estrondoso entre as mulheres burguesas. E, justamente, as primeiras propagandas veiculadas para o produto, em 1921, pela Kotex, destacavam que os absorventes descartáveis eram muito mais limpos e assépticos, além de confortáveis. Depois que o preço dos absorventes se tornou mais acessível e, desse modo, seu uso mais democrático, as propagandas tinham como foco quebrar a timidez das moças: havia tanta vergonha de se comprar um absorvente que muitas preferiam continuar usando as velhas tiras de pano mesmo que detestassem.
Os cartazes da Kotex mais pareciam tratados explicativos, buscavam de todo modo convencer as consumidoras das vantagens do produto descartável sobre o reutilizável e, principalmente, juravam que milhares de mulheres já eram felizes usuárias. Um outro argumento poderoso nesses cartazes, era a promessa da diminuição do mau odor no período menstrual.
O absorvente interno, ou tampão, já era usado na França desde essa época, mas sua patente foi registrada por um americano, o Dr. Earle Haas em 1931, e comercializado logo depois pela Tampax, já com aplicador e corda, em 1936. Nesse momento, os gráficos dos cartazes e a qualidade do papel estava bem mais desenvolvida permitindo aos propagandistas melhor expor as imagens, estas cada vez mais vivas. As marcas de absorvente interno passaram a investir no que seria, até hoje, seu maior chamariz: eram ideais para moças ativas e garantiam plena liberdade de movimento.
Nos anos 50, os folhetos informativos voltaram com força total. Todas as marcas ofereciam livretos gratuitos que falavam sobre o ciclo menstrual, a anatomia feminina, mitos sobre a menstruação e expunham algumas dicas e cuidados que nenhuma mulher tinha coragem de perguntar. As propagandas desse período mostram mulheres fabulosas, ricamente vestidas, na velha associação de um produto com a prosperidade que dele pode vir. Nas capitais brasileiras, a difusão da marca Modess seria tão forte que o nome viraria sinônimo do objeto como Coca é sinônimo de refrigerante. Por aqui, a solução para atender aos chamados da mídia e driblar a timidez foram os famosos papeizinhos; as mulheres chegavam ao bancão e não diziam nada para o vendedor que devia ser discreto na leitura e atendimento do pedido. O Modess entraria para a antologia da propaganda nesse país com a frase: incomodada estava a sua avó.



Leia a segunda parte deste artigo: a publicidade e a higiene íntima feminina #2
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26 comentários
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É ENGRAÇADO,ATÉ HOJE A MINHA MÃE USA COMO SINÔNIMO DE ABSORVENTE A PALAVRA MODESS!!
darlen carvalho em 10 de outubro de 2008 às 16h50

Boa, sempre tive curiosidade em saber o que minhas bisavós, avós e etc... faziam nestes dias nublados (ou avermelhados).
Não tenho vergonha de comprar absorvente, só os internos. xD
Páua Lima em 10 de outubro de 2008 às 17h56

Muito boa matéria, parabéns!
Super Pérolas em 10 de outubro de 2008 às 20h09

Achei interessantíssima a reportagem . Lembro tambem do comercial com a frase "incomodada ficava a sua avó"
MARIA DE FATIMA em 10 de outubro de 2008 às 20h12

REALMENTE ERA VERDADE QUANDO TINHAMOS QUE COMPRAR O MODESS. LEMBRO-ME QUE TINHA UNS 15 PARA 16 ANOS E TRABALHAVA COM MEU PAI NA FARMÁCIA E UM DIA CHEGOU UM HOMEM E ME PEDIU O MODESS, ME ESCONDI E NÃO VENDI O PRODUTO, FIQUEI MUITO ENVERGONHADA E FOI VERDADE TAMBÉM QUE FOI ADOTADO O TAL DO PAPELZINHO QUE O CLIENTE PEGAVA NA CESTINHA EM CIMA DO BALÇÃO PAGAVA NO CAIXA E O RAPAZ EMBRULHAVA MUITO BEM PARA NÃO PARECER QUE VOCE ESTAVA LEVANDO O TAL DO MODESS.
ACHEI ESSA IMAGEM (PROPAGANDA)MUITO INTELIGENTE E EFICAZ POIS NÃO PRECISA DE MUITA EXPLICAÇÃO NOTA-SE QUE O TAMPAX FAZ O QUE SE PROPOEM DEIXANDO A MULHER TÃO SEGURA A PONTO DE ENTRAR NO MAR COM TANTO TUBARÃO.
PARABENS PELA IDEIA E O RECADO.
CLARA
CLARA FERNANDEZ em 10 de outubro de 2008 às 20h41

MUITO INTERESSANTE ESSA REPORTAGEM!VCS ESTÃO DE PARABÉNS! EU SIMPLISMENTE ADOREI!
ROSE em 10 de outubro de 2008 às 20h46

Menstruação e como namorado.
Se vem enche o saco e se nao vem deixa preocupada.
jose em 10 de outubro de 2008 às 20h53

Muito bom como onhecimento histórico, porém frizo que nos dias atuais não é mais concebível o que acontece quando se vai a farmácia e facilmente se verificam produtos apenas comerciais e de nada saudáveis para as mulheres, pois sabe-se que quanto mais química e mais perfumado, pior seria para a genitália feminina, fico estupefato ao verificar produtos como sabonete íntimo diversos que entre outros contem menta na sua composição, sabào em pó para calcinhas, e etc... CADÊ A ANVISA ?, atenção consumidoras, não compre pelo cheiro e sim pela indicação médica
de um médico ginecologista
JOÃO CARRERA BAHIA em 10 de outubro de 2008 às 20h53

Tá, mas o tubarão vai ou não comer a banhista ??! Filmes com tubarões sem vítimas não tem a menor graça !!
Beto em 10 de outubro de 2008 às 21h13

adoro muleheres mestruadas
diego santana em 10 de outubro de 2008 às 21h21

Muito interessante esta matéria. Não sabia disso =D
Claudia em 10 de outubro de 2008 às 21h58

Parabéns pela matéria ótima!!!!!!!!!!!!
Realmente é muito interessante e engraçado saber da evolução do absorvente. Meu Deus e agente ainda reclama.
Vanessa Quintilhano
Vanessa Quintilhano em 10 de outubro de 2008 às 22h25

bom nao sou tao velha assim pois so tenho 27 anos mas nao recebi nenhum tipo de educacao p receber minha 1 menstruacao entao quando ela veio foi terrivel...... nao existia mais esses papeis entao o jeito era ir no mercado colocar ele proximo ao caixa e deixar ele la pegar qualquer outro produto na mao p ficar na fila e na hora H de entregar ao caixa eu pegava correndo o pcte e rapidamente escondia...rsrsrsrsrs eu ficava vermelha era horrivel m sentia melhor qndo encontrava em casa ja q eramos 4 mulheres e eu era a menor m alegra saber com essa materia q tantas ja tiveram vergonha como eu
vanesca em 10 de outubro de 2008 às 22h34

mulher e um bem precioso, umajoia rara,coisa para ficar admirando todo tempo !!!!!
tadeu arruda em 10 de outubro de 2008 às 22h50

Gostei muito da reportagem. Não sabia que o absorvente interno era tão antigo. fiquei surpresa!
Carla em 10 de outubro de 2008 às 23h04

A frase "Incomodada ficava sua vó, agora a gente tem Tampax" era o slogan da campanha deste último e não do Modess.
Bia em 10 de outubro de 2008 às 23h09

Muito interessante a matéria.
Parabéns a equipe pela postagem!
Lembro-me da minha infância, em que minhas irmãs mais velhas me mandavam ir até a farmácia próxima de casa para comprar o dito cujo e era por escrito mesmo e eu nem sabia do que se tratava depois quando fiquei sabendo para que servia comecei a ter vergonha de comprar.
Oh tempos!
Rozelaine em 10 de outubro de 2008 às 23h13

FIQUEI ENVERGONHADISSIMA, COM 13 ANOS MINHA TIA PEDIU PARA IR COMPRAR NA FÁRMACIA UM PACOTE DE MODESS.
MUITO BOA A MATERIA E AS DICAS DO MÉDICO GINECOLOGISTA
PARABENS
NEIDA
NEIDA em 10 de outubro de 2008 às 23h16

Parabens pela matéria e pela clareza.
Infelizmente mesmo diante do grande avanço dos meios de comunicações ainda existem muitas mulheres desinformadas e cheias de tabus se tratando do seu próprio universo e principalmente da sua vida íntima.
percy em 10 de outubro de 2008 às 23h27

Já dizia o Juquinha, cujo anúncio foi recusado quando tentou fazer publicidade (óbvio):
"modess - não é a melhor coisa do mundo, mas está bem próximo"
Juquinha em 10 de outubro de 2008 às 23h51

Não conhecia o blog. gostei. :)
Páua Lima em 11 de outubro de 2008 às 01h37

que optimo que hoje ir comprar um pacote de pensos hiqienicos"modesses"ja nao causa vergonha quando tinha 14 anos tive que o fazer pela primeira vez e foi dificil porque tinha imensa vergonha e aqui em mocambique ainda se vive muito tabu mas tende a melhorar.enfim ja compramos o modesse sem muita vergonha.adorei as dicas do genicologista
ivana em 12 de outubro de 2008 às 11h13

Adorei a reportagem. Vocês são sensacionais1!!!
Lília em 12 de outubro de 2008 às 14h06

Obrigado a todos pelos comentários muito interessantes. Para quem escreve artigos, é sempre recompensador ver uma atitude tão construtiva e positiva nos comentários. Espero que retornem em breve e nos ajudem a divulgar ainda mais o obvious :)
bjr em 14 de outubro de 2008 às 13h38

Wow, Kotex ainda existe aqui ate hoje...(e nao da alergia como os outros). hehe
isabella em 15 de outubro de 2008 às 03h52

ALTÔNIA lugar onde se vive feliz...
O futuro é aqui mesmo em Altônia, pois neste município até cego consegue carteira de motorista.
Cada um consegue votos nas eleições pelo trabalho prestado a população, os derrotados tem que fazer críticas, pois não tem nada para apresentar a população, nada foi feito a favor do povo!
Se a Vereadora Santa Margarida Lopes Rossano, conseguiu se eleger com uma margem expressiva de votos foi graças ao trabalho brilhante desenvolvido pelo seu querido esposo, o Sr. Odenilson João Rossano, Chefe da CIRETRAN de Altônia, que facilitou de diversas formas para que muita gente que realmente tinham dificuldades para fazer os exames fossem aprovados, pessoas que tinham um pouco de deficiência visual, alguns quase cegos, conseguissem o referido documento para poder dirigir, mas como iriam conseguir a Carteira de Habilitação, se não fosse a mãozinha amiga desta pessoa humana que é o Denílson Rossano, este trabalho beneficente envolvia também uma Auto Escola que quando percebia estas dificuldades encaminhava estas pessoas com problemas ao chefe da CIRETRAN, para que desse um jeitinho, às vezes custava apenas R$300,00 e estava tudo resolvido, uma vista grossa aqui, um jeitinho ali e estava tudo resolvido, muitas vezes só o compromisso de votar na esposa dele, a Vereadora Margarida Lopes Rossano já estava tudo certo!
E tudo se dá um jeitinho, quando se precisa, o Denilson dá um jeitinho dele mesmo aplicar as provas teóricas, psicotécnico e práticas de volante nas ruas, é uma moleza para os interessados, e o exame de vista tem vez que ele mesmo é quem faz e o médico só assina depois (é o jeitinho de fazer vista grossa) e no final dá tudo certo e se consegue a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), que em outros lugares é tão difícil de se conseguir pela burocracia da lei.
Quem não sabe disso em Altônia, por isso foi muito merecido a retribuição de votos destinados a Vereadora Margarida Rossano, que além das Carteiras de Motoristas que ela consegue com o marido, também ajuda o povo de outras formas, pois ela consegue remédios, consultas, cestas básicas, materiais de construção, passagens e gasolina para o povo que precisa, não é só em época de eleições que ela ajuda quem a procura, apesar de que no tempo de campanha eleitoral tem muito mais gente para atender, e precisa estar no pé do Prefeito para conseguir o que precisa para resolver estes favorzinhos, é muito trabalho, o que vale a pena, depois vêm à retribuição pela generosidade. E todo este trabalho não pesa para ninguém, pois a prefeitura tem tudo disponível para isto, o que custa para os vereadores ajudarem o povo!
Se ganhou as eleições é porque mereceu a confiança do nosso povo!
Ela pode até não fazer projetos na Câmara Municipal, pode até não fazer nada lá dentro daquela casa de lei, ser chamada de vereadora muda, mais com certeza trabalha muito pelo povo!
O Denilson Rossano tem pessoa mais popular em Altônia, toma todas com os amigos, esta sempre presente nos bares mais freqüentados pela galera de nossa cidade, merece até ser prefeito de Altônia.
Este trabalho e toda esta dedicação ao povo é estratégia fundamental para ganhar as eleições em Altônia.
Políticos sérios tirem ela como exemplo... se querem chegar a algum lugar!
CÍCERO AMORINI em 30 de novembro de 2008 às 11h04
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