
O termo Transvanguarda entra no vocabulário artístico com o livro de Achille Bonito Oliva, “A transvanguarda italiana” de 1980, e foi escrito para designar uma tendência da arte italiana exemplificada por artistas como Francesco Clemente, Mimmo Palladino, Enzo Cucchi, Sandro Chia e Nicola de Maria.
Aquela nova tendência artística devia ser entendida no interior do chamado neo-expressionismo internacional dos anos 70. Na Alemanha, as memórias da guerra e as marcas deixadas pelo nazismo no país e nos artistas são o tema principal. Nos Estados Unidos por sua vez, os nomes de Julian Schnabel, Robert Longo e Jonathan Borofsky podem ser lembrados como representantes de uma leitura americana do neo-expressionismo. Na Itália, o neo-expressionista busca referências no que se pode chamar de arte povera.

Entretanto, mesmo com distinções os artistas neo expressionistas em todo mundo realizaram trabalhos figurativos em que o corpo humano possui presença destacada. Os corpos que habitam as telas ora se apresentam em primeiro plano de forma vigorosa, bela, ora se esvanecem dando lugar a figuras mórbidas, sombrias. Há também na transvanguarda o hábito da denúncia e da irônia. Aquela pintura era executada com cores e pinceladas fortes, rápidas, por vezes espessas, desconexas. Há um retorno às antigas referênias da história da arte, uma mescla em algunas artistas de formas realistas, figuras japonesas, uma alegoria ao barroco e a fase decorativa de Chagall. Enfim, a transvanguarda foi um balaio de gato, tudo ao mesmo tempo, com tinta e qualquer suporte que seja bem vindo.
No Brasil durante a década de 80 aconteceu o chamado retorno da pintura, é a volta do puro prazer da prática, criada por uma nova geração de artistas. Depois de um período voltado para arte conceitual e claro um esfriamento no mercado de arte, a retomada da pintura foi rapidamente absorvida.
O grupo casa 7 foi um ateliê montado na casa de número 7 de uma pequena vila na cidade de São Paulo. Ela reuniu um reúne um grupo de jovens artistas, ligados por vinculos de amizade e por uma arte comum. Carlito Carvalhosa, Fábio Miguez, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade, Nuno Ramos. O grupo realizou seis exposições, entre 1982 e 1985. O trabalho era feito basicamente com tinta industrial sobre grandes folhas de papel, em geral papel kraft. A escolha do material tinha um motivo, o baixo custo. Com baixos custos, é possível explorar o gesto expressionista. A tinta industrial era então aplicada sobre um papel que não absorvia, e que produzia assim efeitos inusitados: cores brilhantes e diversas, pinceladas violentas e a tinta que teima em escorrer. Não havia preocupação com o acabamento dos trabalhos e nem com sua durabilidade.
A geração 80 da pintura no Brasil experimentou, era livre para isso, e ficou entre dois extremos: a ditadura do novo modernista e o academicismo. Como jovem crítica de arte, fico imaginando aquele que tenha descoberto aqueles meninos, pintando felizes e se divertindo dentro de uma casa de número 7.

Gostaria eu de conseguir hoje em dia conhecer um talento que pudesse perceber que ali pulsava algo de diferente. Tenho a ânsia por escrever sobre o que me agrada e todo crítico sonha em descobrir um grande talento ainda escondido em seu ateliê ou ainda sem se dar impotância ao talento que possui.
Julgo ter chegado a esse momento, dias enquanto escrevia meu novo artigo, recebi em meu email o site de um destes artistas. Ao conhecer seu trabalho, tive a nítida impressão, ou melhor, um sopro no ouvido, de que ali, estava alguém que ganharia o mundo com sua arte. Comecei este artigo contando sobre a transvanguarda e seu espírito libertário para dizer que Guil Fontes é isto: sopro de liberdade, cor, criatividade, catarse em criação artística.
Sua linguagem é própria, livre de pré conceitos acadêmicos: é ingênua.
Destaco seus auto retratos e suas figuras humanas construídas a partir de linha, cor e um fundo que completa a tela. Ainda faltam no site muitas imagens, não se admirem, o artista, que até então não havia colocado sua arte no mundo da web, ainda tem muito por mostrar, só precisa de um pouco menos de timidez e quem sabe, da ajuda de uma jovem crítica de arte, feliz por ter conhecido seu talento.

http://guilfontes.blogspot.com
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