Caricatura - Michelle Obama

Publicado em bd / hq por henrique em 22 nov 2008 12:27 PM | 6 comentários

caricatura Michelle Obama henrique

Ilustrações de Henrique Monteiro, texto de Priscilla Santos

Em agosto, a Radar Magazine estampou a nova primeira americana na capa com a manchete: “O que há de tão assustador em Michelle Obama?”. No início daquele mês, pairava sobre a esposa do candidato democrata impressões nada boas; dizia-se que ela era sarcástica e que, nas poucas vezes em que se propunha a falar, fazia esforço para mostrar Obama como um mero mortal, como se ele fosse visto como um deus. Aliás, ela também não escondia que achava o jogo político irracional nem que percebia a candidatura do marido como um feito prosaico: o que ele está fazendo aqui?. Os desagravos vinham tanto dos republicanos, quanto de indecisos, ou democratas pró Hilary Clinton e rapidamente chegariam aos debates dos analistas políticos, à raivosa FoxNews e, finalmente, ao programa da Oprah. Ela era uma peça fora do lugar, pior, uma peça que não sabia reconhecer o seu lugar.

Pela lógica Washington da imprensa, toda figura que se dá pouco acesso merece ser punida e durante todas as primárias Michelle Obama tornou brutalmente público que preferia manter-se brutalmente privada – dava poucas entrevistas, não seguia o marido em viagens mais de três vezes por semana e tinha ares de indiferença para tudo. Seu comportamento a fazia parecer, ao mesmo tempo, uma estrela de cinema chata e uma dona de casa sortuda com envolvimento político quase baixo.

Essa mesma mulher chegaria a Convenção do Partido Democrata já como ícone pop. Os aplausos para Michelle e a comoção do público contribuíram para tornar aquela noite antológica porque consagrava o candidato Obama como uma espécie de herói messiânico e sua esposa como apoio indispensável do mesmo. Seu discurso, e aquela era a postura que, a partir dali, não pararia mais de destacar, se colocou todo o tempo dentro da moldura da família e do trabalho – a maternidade, a esposa apaixonada, a filha e irmã dedicada, os percalços familiares que tentavam desestruturar os que a chamavam elitista... estavam tudo lá. Ao final, estavam todos rendidos.

Até o presente momento, as mulheres negras se destacaram em poucos momentos na política americana, e quando isso aconteceu, foram mais como objeto de escárnio que de alegria. Sally Hemings, em 1802, ficou escandalosamente conhecida como a concubina de Thomas Jefferson e Condoleezza Rice de quem, se costuma dizer, nem chega a ser uma mulher, contribuíram para certa demonização de suas parceiras – salvo o caso da brava educadora Shirley Chisholm que concorrera a uma vaga na Casa Branca no ano de 1972.

Mas Michelle Obama, embora fazendo política, não mantém necessariamente projetos políticos (como Hilary Clinton). Dá sua visão global sobre as questões norte americanas, mas não suas posições sobre elas, ainda que saibamos que ela tem fortes opiniões, e que não as conhecemos bem. Possivelmente esse é o ponto chave sobre a primeira dama; de modo menos obvio que Obama, ela é sedutoramente intrigante. É isso o que há de tão assustador em Michelle.

Enquanto ela permanece enigmática, a imprensa se arrebenta mutuamente em busca de lascas sobre sua dieta, dicas de beleza, saúde, experiência materna, o tamanho do seu traseiro, quando a chuva irá estragar seu penteado... Principalmente a coisa do figurino – já foi decretado que o roxo é a cor do final de ano e também observado que a eloqüência, inteligência e charme da nova primeira dama lembram o de Jackie Onassis; Michelle Obama, nascida Michelle LaVaughn Robinson, já é conhecida como Michelle O.

Novamente, tudo começa a parecer um seriado de TV, mas os rumos da maior potência econômica e, por conseqüência os nossos, estarão de modo bem real, nos próximos anos, sob a orquestra dessa família em quem os americanos depositaram suas desilusões, esperanças e interesses. Estamos ainda no início das apresentações.

caricatura Michelle Obama henrique

Henrique Monteiro Henrique Monteiro adora ir às nêsperas, faceta que nunca conseguiu explicar muito bem até hoje. Tem aversão epidérmica ao tipo de sandálias que se usa para o efeito. Conheça mais deste autor na página de autor. Saiba como publicar um artigo no obvious.

Prill AvatarPriscilla Santos é adoradora de cervejas e colabora com o obvious. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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6 comentários

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E pelo que se tem ouvido falar, agora mais uma mulher forte estará ao lado de Obama, Hillary Clinton vai assumir a secretaria de Estado. Como será o embate dessas duas senhoras?

abs
Alessander Guerra
www.cuecasnacozinha.com

Alessander Guerra em 22 de novembro de 2008 às 20h37

Gosto especialmente da limpeza do buço em relação aos outros pelos da Cara.

Boa ilustração. Bom post.

Valter em 22 de novembro de 2008 às 21h12

Olha aí o velho ditado:"O segredo é a alma do negócio".A senhora em questão faz seu jogo,como tudo nos States e a platéia que assiste ao espetácuilo se delicia.Há quem goste deste tipo de show...

Sonia Regina em 23 de novembro de 2008 às 00h19

Além de bonita, ela tem um sorriso contagiante. Esse é o segredo de Obama, o carisma de sua mulher.
Boa sorte Obama, o futuro do mundo esá em suas mãos, temos certeza que não nos decepcionará.

icommercepage em 23 de novembro de 2008 às 01h34

é esperar pra ver..........

pedro migeul em 23 de novembro de 2008 às 01h40

Bonita, intrigante e distante. Características que se ela mantiver acabará fazendo dela um ícone da política norte-americana, será mais uma das endeusadas primeiras-damas dos Estados Unidos.

charmosinha33 em 30 de setembro de 2009 às 16h50

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