No último dia 18 de Novembro, o rato Mickey, símbolo máximo da Disney, completou seus 80 anos gozando de toda vitalidade. A comemoração do octogenário acontece em meio a um trabalho árduo da empresa em recuperar sua imagem de beleza, fantasia e, principalmente, boas lições morais sempre passadas em suas obras. Britney Spears e Lindsay Lohan, por exemplo, crias do canal só têm recebido menções por seus escândalos. No musical HighSchool, por exemplo, passam longe das atuais concepções de romances no cinema, tudo é um conjunto de edulcoragens. Mas foi um estrondo. O formato já havia sido testado no "The Cheetah Girls", mas nesse também sofreram um escorregão quando fotos nuas de uma das moças vazaram na internet.
Mas, a despeito das lições e dos bons valores pelos quais a empresa sempre jurou primar, verdade é que muitos apregoam que coisas obscuras a rondam. Quem nunca ouviu falar do tal altar demoníaco que haveria na Disneylandia onde o Mickey Mouse fazia as vezes de santinho? Ou da velha afirmação de que, sim, Walt Disney está congelado e esperando a ressurreição pela criogenia? Ok, mas isso são apenas especulações. Tire as crianças de perto e vamos aos fatos.
Mortes assustadoras
Em, O Corcunda de Notre Dame, o vilão Frollo contempla Quasimodo às lágrimas pela morte de sua adorada Esmeralda e, com palavras de que irá acabar com o sofrimento do rapaz, saca uma faca e prepara-se para atraiçoar o coitado. O porquê de tudo isso? Frollo sofria de um tesão incontido pela cigana e, como não cabe à um servo da Igreja dar vazão a esse tipo de desejo, ele resolve a melhor forma de tudo ficar bem para todos, ou seja, parte para matar a mulher e o corcunda. Felizmente Quasimodo vê a sombra de Frollo e numa batalha acompanhada por uma das mais dramáticas trilhas Disney, combate o clérigo no telhado da catedral (lugar clássico para lutas finais). Após confessar-se assassino da mãe de Quasimodo, Frollo é atirado muro abaixo mas carrega o rapaz com ele que, por sua vez, é salvo por Esmeralda (que não estava morta, na verdade). Num daqueles lances típicos de misericórdia, Frollo consegue voltar à segurança da murada, mas, com a sede de sangue ainda insatisfeita, põe-se prestes a decapitar a desejada cigana. Mas Deus está vendo tudo e transforma a gárgula onde ele está se segurando em uma terrível besta que lhe mostra os dentes o que, obviamente, o apavora e lá vai Frollo caindo nas chamas que queimam lá em baixo, claramente simbolizando as chamas eternas. Lição final: Deus não é mais cruel e vingador que a Disney.
Em O Rei Leão, temos duas terríveis mortes. A primeira é a do pai de Simba pelo próprio irmão Scar que, por si só, já é traumatizante. Mas a natureza é dura e, anos depois, Simba tem de se reconciliar com suas raízes e retomar seu reino, administrado agora pelo tio. Num terrível corpo-a-corpo entre felinos, à beira de um precipício (sempre, é como as lutas finais dos live actions, que sempre acontecem em pedreiras). Quando tem sua grande oportunidade de acabar com Scar, Simba capitula misericordiosamente com a frase "Não sou como você" e ordena que o tio vá embora do reino e jamais retorne. O humilde Scar vai saindo de fininho, cabisbaixo, mas - vamos esquecer que, pela idade, ele é um trapo velho perto do Rei Leão - volta a atacar Simba. Algum esforço depois o leão legal consegue jogar Scar precipício abaixo. Ele não morre, mas, lá embaixo na terra em chamas, estão suas ex-amigas ienas que o devoram de modo tenebroso. Nunca confie nas ienas.
Disney sempre foi muito moralista, e o moralismo (cristão) sempre foi muito violento (a começar com a imagem descrita por Jesus, dos pecadores rangendo os dentes). Lembre-se de Os Três Porquinhos de Disney, no qual o lobo sofre punições contínuas por se voltar contra o ideal protestante de trabalho realizado pelos porcos. É como se, embora alguns personagens demonstrem misericórdia, há uma força maior que julga os maus. No caso, Disney está lá, acima de tudo, separando cordeiros de bodes, como no Apocalipse. Num trecho de Persépolis, de Marjane Satrapi, Deus fala à jovem protagonista: "Você deve perdoar, deixe que Eu julgarei". Deus não é bom. Ele não segue os mesmos valores éticos que nós.
Legal o texto, mas poderia ser mais rico, porque em vários desenhos da Disney essas coisas acontecem e bem explícitos... nada de mensagem subliminar. Mas o mais interessante é que uma das propagandas que aparecem no site, em meio ao texto, é um:
"Seja um Hóspede Disney
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Sei que é por causa do Goolge etc e tal... mas...
Louco demais!!!! hahahahahaha
Mas parabéns ao blog e seus autores!!! Muito bom!
Pedro em 17 de dezembro de 2008
Nada de novo. Não existe conto de fada em que todo mundo é puro, e se existisse, nenhuma criança gostaria. As crianças precisam que o vilão seja punido no final, e pra isso precisamos que ele seja bem bem malvado, porque aí não há piedade, só alívio. E as coisas correndo como o esperado, porque criança também não gosta de final surpreendente, ela gosta de estar no controle da situação (e por isso assiste aos mesmos filmes tantas infinitas vezes).
Criança não gosta de fábula, porque o bicho mais esperto, que sacaneia o outro, se dá bem. É por isso que Disney ou os Irmãos Grimm são mais famosos que o LaFontaine.
Agora esse moralismo de que a história é muito pesada ou violenta pras crianças, só porque o vilão morre (cruelmente) no final ou porque o sacerdote tinha desejos pecaminosos pela cigana, pelamordedeus, haja moralismo.
E não subestimem as crianças, elas dificilmente ficam horrorizadas com as coisas que nós, já com o superego tão desenvolvido, consideramos impróprias pra elas.
Já não sou jovem,mas pelas observações que já fiz da vida e das crianças elas não são tolas ,principalmente as atuais.Elas sabem que o mal deve ser punido,apesar de isto só acontecer nos filmes da Disney.
O cardeal Frolo era bonzinho?E,no rei Leão até que o leão mais jovem era bem mais justo que a justiça humana.
minha gente,
trata-se dum exercício gentil de ironia...
se alguém está de moralismos pelo clérigo ter tesão na cigana, isso não tem a ver comigo, não fui eu quem matou o cara, nem quem escreveu o livro, nem quem fez um desenho edulcorado.
a morte forte.
minha gente, trata-se de um gentil exercício de rir das ironias, a contradição entre o mundo encantado das fantasias disney e o mundo que é cruel por si mesmo, com gárgulas ou sem gárgulas. senhores... a Disney hoje não mata nem uma mosca porque vivemos numa moralidade tão diferente. enfim, não estou defendendo nada, quem não entendeu que a graça é que hoje se disdiz o dito...
Pedro, ele teve uma continuidade, não sei se consegui exatamente me aprofundar (porque o assunto e realmente interessante) mas tem a continuação do artigo, cê viu? Há um livro que trata dessas questões da moralidade protestante mais o centrismo nacional norte americano, assim que encontrar o título, coloco aqui pra quem quiser refletir mais o tema.
Olá Prill!!!
Vi a continuação sim! Esse é o problema de assuntos interessantes... não conseguimos nos aprofundar de maneira que consigamos abranger todos os seus cantos. Mas eu gostei do assunto, do texto e da forma como você escreve. Parabéns a você e ao blog!
Fico no aguardo do título do livro!
forte abraço!
Pedro em 19 de dezembro de 2008
Toda esta discussão é perda de tempo e uma bobagem. Historicamente temos vários e vários relatos de animações que trabalham com o lado espiritual e "violento" voltado para o universo da fantasia lúdica.
A exemplo dos desenhos "Tom e Jerry" e Picapau e outros tantos com abordagens diferentes.
Entretanto, as crianças sempre viram e não foi por isso que adquiriram distúrbios psicológios ou sociais.
Entretanto, há um somatório de atitudes no quesito criação e moldagem da figura humana com as regras e perfis sociais que constroem cada indivíduo como ser social.
A fantasia e a mágica estão no âmago das pessoas, é algo profundo de cada hum. Esses relatos do mal bem como do surgimento do assunto mensagem subliminares sempre focaram personagens e empresas - como a Diney como difusores de tais manifestações.
Pura ignorância e falta de visão das pessoas que olham somente na direção que convém. Existem os relatos sobre a história de Walt Disney e inúmeros criadores que mudaram uma época e a maneira de ver através da animação.
saulo silva em 23 de dezembro de 2008
Saulo, recomendo que você leia novamente tudo o que você leu. Não me parece que tenha entendido nada.
Outra coisa; com que base você pode afirmar que você ou outras pessoas não foram mentalmente ou socialmente prejudicadas por conta de certas histórias infantis. Há por aí um médico que ateste a sua sanidade mental?
Aliás, lguns psicólogos defendem que uma das causas da insatisfação das mulheres na vida amorosa se deve a crença que a maioria delas têm na existência de um ente salvador e perfeitamente amável, o príncipe encantado. A Regina Navarro Lins (psiquiatra) é uma das defensoras.
O que quero dizer é que não são questões de que desenhos (ou jogos) definem quem você é ou deixam de definir quem a pessoa vai ser, mas a influência deles durante a infância - quando todas as experiências são marcantes - com tudo que contêm, é inegável.
Bem, está pergunta quem deve fazer para você sou eu. Se há algum médico por ai que ateste a sua sanidade. Ao que parece a sua defesa sobre este ponto de vista e sobre o título da matéria Disney do Mal que deveria ser uma perspectiva imparcial sobre o tema.
Discussões a parte a infelicidade das mulheres e de homens, inúmeros por ai com uma infinidade de problemas não são relacionados apenas com as "ilusões" que são geradas pelo mito - o príncipe encantado plantado na mente de cada uma delas.
saulo silva em 24 de dezembro de 2008
Cara esse foi o filme da minha infancia!
adoro esse filme!
abraço a todos
thiago em 24 de dezembro de 2008
Acho ate que a disney tirou e muito do realismo que as obras tinham inicialmente.
Os contos de fada foram escritos para adultos e criancas podere lidar com morte, paixoes e etc.
com a burguesia no poder tudo foi redirecionado e transformado em simples passas-tempos.
Nao e ruim ouvir um historia feliz e pura antes de ir para cama, mas isso nao significa qu as criancas tem que ser superprotegidas de outros contos.
Anna em 10 de junho de 2009
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