Drogas antigas e remédios caseiros

Se pensa que alguns medicamentos actuais, como o Prozac ou o Xanax, entre outros, são drogas muito fortes e tem receio em tomá-los talvez tenha razão. Só um especialista os pode prescrever e em condições muito específicas, pois cada doente é um caso. Mas os nossos avós e bisavós tomavam outro tipo de remédios mais agressivos com toda a confiança e despreocupação. Os tempos eram outros, é certo, mas eles sobreviveram para criar os nossos pais e ainda nos criar os netos (nós) em muitos casos. Dá que pensar. Muitos desses remédios, que não eram vendidos sequer em farmácias, eram feitos com substâncias que hoje são consideradas "ilegais", ou seja, drogas. Ópio, heroína, cocaína eram as mais comuns. Custa-lhe a acreditar? Então veja.
A heroína, por exemplo, era considerada benéfica no tratamento das dores há cerca de 100 anos atrás. Utilizava-se como um substituto da morfina pois, dizia-se, não era viciante. Para além do efeito analgésico, possuía também outras propriedades no combate à asma, tosse ou pneumonia. A empresa farmacêutica Bayer comercializava-a como um remédio para a tosse das crianças. Muitas vezes misturava-se com glicerina, com açúcar e com outros aromas para quebrar o seu sabor amargo, como se pode ver neste rótulo da empresa americana Martin H. Smith Company, de Nova Iorque.

O ópio nem sempre foi mal visto. Conhecido há centenas de anos no Oriente pelas suas propriedades relaxantes e sedativas, foi adoptado pela medicina ocidental durante muito tempo como anestesiante. Podia ser usado também para o tratamento da asma ou mesmo para "acalmar" bebés recém-nascidos. Com 45% de álcool, além do mais, devia ser realmente muito eficaz.

E por falar em crianças, um dos melhores remédios para as dores de dentes infantis eram os drops de cocaína. Não apenas acalmavam a dor como também melhoravam o humor de quem os chupava. Para os cantores, professores e oradores era "indispensáveis" as drageias de cocaína e mentol, pois acalmavam gargantas irritadas e davam "suavidade e elasticidade" às cordas vocais. Serviam ainda para animar estes profissionais, fazendo com que atingissem o máximo da performance.

Uma das formas mais vulgares de consumir cocaína com fins terapêuticos era misturada no vinho. Estes vinhos tinham propriedades medicinais e ainda "recreativas", actuando como uma espécie de anti-depressivo. Destacamos o vinho Mariani, muito famoso no seu tempo (1865) sobretudo devido ao Papa Leão XIII. Consta que Sua Eminência carregava sempre consigo um frasco deste líquido abençoado e, inclusive, premiou o seu criador com uma medalha de ouro!

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27 comentários
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Esse é um dos artigos mais interessantes que já vi no Obvious. Não é só uma questão de temática, mas de momento: estamos vivendo dias em que portar um simples cigarro já é dado por crime social.
O texto está ousado, abusado e sem hipocrisias - e olha que nem se falou da cannabis.
Não é que eu defenda as drogas, não é isso, é só questão de ficar fascinada com certas ousadias. A nossa arrogãncia em todas as épocas é achar que somos muito superiores ao que éramos ontem. Eles lá também achavam.
Aplausos extras pra seleção de imagens.
priscilla em 16 de dezembro de 2008

Julgo que actualmente se vive a paranóia da "vida saudável" que é uma coisa que não se sabe muito bem o que é mas que implica fazer doses enormes de desporto, comer folhas de alface, beber iogurtes e não tocar em cigarros, em álcool e outras substâncias do género.
É um dos aspectos mais negativos da colonização cultural americana ou mesmo ocidental. É pura formatação...
Devíamos reflectir, relativizar e debater este tipo de coisas.
Obrigado pelo teu comentário.
bjr em 17 de dezembro de 2008

Interessantissimo! Ouso acrescentar que a "desmitificação" dessas drogas, numa abordagem sem rótulos e repressões como essa, baseada apenas no uso de informações interessantes e contextualizadas, é um ótimo meio pra acabar com essa idéia repressora e desafiadora das drogas, que de certa forma só faz com que as pessoas se sitam ainda mais atraídas por um falso gostinho de "subversão".
Muito bom o post. ^^
Lilith em 17 de dezembro de 2008

bjr, não é questão de não tocar em cigarro ou álcool, ou de realizar doses enormes de esportes ou comer alface e beber iogurte (que realmente não tem nada de demais). É só uma questão de fazer as coisas com moderação.
Não é colonização cultural americana, e muito menos um aspecto negativo, saber o que faz bem e o que faz mal pro corpo.
Fernando em 17 de dezembro de 2008

Legal lê uma matéria tão interessante assim!
darlen carvalho em 17 de dezembro de 2008

Artigo muito interessante, sem dúvida.
Creio que algumas destas drogas ainda são usadas na preparação de tónicos para mitigar o sofrimento do doente em fase terminal.
Quanto ao que referes, Bjr, concordo plenamente. Eu prefiro levar uma vida "na boa" do que evitar certas coisas. Não vejo que possa constituir orgulho para ninguém ser contemplada com o título do mais são do cemitério.
:O]
wave em 17 de dezembro de 2008

Eu já fui a mais sã do cemitério, mas decidi voltar... HO HO HO HO HO...
Quanto a americanização - isso vale tanto para os estilos de vida saudáveis como para os não saudáveis. A nossa alimentação já foi bem mais saudável antes de descobrirmos todas as porcarias que comemos agora alegremente - e muitas das obsessões de dieta e restrições actuais têm muito pouco de saudável.
tajana em 17 de dezembro de 2008

A (des)vantagem é que não foste comida...ihihihih
wave em 18 de dezembro de 2008

Simplesmente o uso de drogas é questão de livre-arbítrio!!!E não uma questão de cunho estatal!!
Ao longo da evolução da humanidade o uso de substancias medicamentosas foi e tem sido disseminado,tal como mostra a reportagem!!!O que falta mesmo é a participação popular quanto a tomada de decisões pertinentes a (des)criminalização,e não tão somente a repressão estatal,da qual advém inúmeros problemas sócio-político-economo-cultural,não contribuindo assim para a tomada de soluções adquadas a este contexto cultural no qual vivemos!!
Rafael Guida em 18 de dezembro de 2008

Muitos de nós já nascemos sendo acondicionados com a idéia do flagelo que as drogas podem causar, mas o artigo é muito interessante pois mostra de forma clara e objetiva, sem rodeios ou sequer apologia mostrando como era popular o consumo de substâncias psicoativas que até então, para nós, reles viventes do século 21 é tido como um tabu. Ser a favor ou não depende de vários fatores e pontos de vista, mas ser extramamente radical com a descriminalização das drogas torna a questão mais difícil, pois caímos na pergunta: Onde está o nosso livre arbítrio ?? Salvee vovô ...hehehe
Ivan em 19 de dezembro de 2008

É natural o progresso e a busca de alternativas menos abusivas, e que não sejam potencialmente destrutivas. A história mostra bem isso, enquanto não se tinha grande tecnologias, a descoberta de medicamentos ficou bastante restrita ao que se tinha na época, o progresso da farmacologia e farmacodinâmica é bem recente. Hoje temos o conhecimento do perigo dos tratamentos usados, porque temos provas concretas e experimentais dos riscos. Mas como deixar de usar naquela epóca, havia a necessidade, assim como seria muito inocente e grande desculpa para querer usar hoje.
Uma vida saudável( verduras, frutas e outras coisas mencionadas) são essênciais, cada um realmente tem a escolha do uso dessas drogas, agora não é desculpa para o uso, cada época em seu tempo.
ótimo matéria, muito bem abordada!
vanessa rodrigues em 19 de dezembro de 2008

Senhores, há muito tempo que estou devendo um comentário neste espetacular OBVIOUS pois é uma de minhas melhores fontes de consulta para a minha sede de conhecimento e sempre buscando algo de interessante para postar em meu pilórdia.
Primeiro conheci o BEM LEGAUS que é, desculpe a redundância, bem legal. Mas o OBVIOUS é fora-de-série. É amplo, geral e irrestrito.
Esta matéria sobre remédios caseiros & drogas não é apenas um artigo, chega a ser uma reportagem. Claro, que sabemos que as informações da época eram insuficientes quanto ao uso abusivo das substâncias, mas cada tempo ao seu tempo. A humanidade evolue sempre apesar de algumas regressões (vide a história).
Em tempo - todo material que publico em meu blog vem com o reconhecimento da autoria da matéria, como não podia deixar de ser. Parabéns.
Antonio Mendes em 21 de dezembro de 2008

Muito interessante o artigo!
Existe um filme chamado As Invasões Bárbaras onde um professor de História em fase terminal, de alguma doença da qual não me recordo o nome, usa heroína para acalmar suas fortes dores. Em casos específicos, a heroína continua a ser receitada, bem como a maconha.
Klaus em 24 de dezembro de 2008

como é que as pessoas conseguem converter drogas que eram usadas para salvar vidas ,e conerterem em drogas que podem trazerem efeitos devastadores a sociedades de hoje.
gilson em 25 de dezembro de 2008

Tenho 70 anos, e a primeira vez que ouvi falar de "droga", tinha cerca de 18, quando um amigo mais velho, trouxe de Goa, um pó acastanhado, que deu aos galináceos, provocando neles umas reacções muito esquisitas...
Mais tarde, no pós 25 de Abril, e com o retorno dos Portugueses de África, começou a falar-se mais do assunto, e a partir daí, tenho estado atento, ao que se diz, e ao que é ventilado na Comunicação Social.
Nunca me "droguei", mas como tive aos 40 anos uma depressão reactiva, que me obrigou a ser medicado, e fazer psicoterapia de grupo, com um psiquiatra.
Cheguei a tomar antidepressivos, e benzodiazepinas, tudo com supervisão médica. Nomes de medicamentos que ainda me lembro de ter tomado: Anafranil; Ludiomil; Xanax; Fluoxetina*; Cloxam*, e outros...
Não fumo, e quasi não bebo alcool, MAS SERÁ, que os tratamentos efectuados, deixaram habituação? É que ainda tomo os medicamentos, assinalados com * .
Será que alguns "esquecimentos" e desiquilíbrios que tenho, são consequência dos tratamentos... ?
Se alguem ME SOUBER RESPONDER, pode faze-lo para o E.mail fazinudo@live.com.pt
Este meu comentário, vem a propósito de ter ouvido na RDP1, (96.7), o Dr. Júlio Machado Vaz, há 2 horas atrás, falar sobre este assunto...
Depois fui pesquizar à NET, e encontrei o OBVIOUS.
Cumprimentos, fernando@lmeida*
Fernando@lmeida em 4 de janeiro de 2009

Fernando, a história das drogas é extensa e complexa. Fico satisfeito por ter encontrado alguma dessa informação aqui no obvious... e espero que retorne ao nosso espaço. abraço.
bjr em 4 de janeiro de 2009

kero muinto me livar do vicio da droga pro favor meajude
claudio em 14 de abril de 2009

Gostaria de saber se o remédio de nome "Bem Estar" ainda existe ou se tem algum sucedâneo hoje. Para qualquer mal-estar era tiro e queda.
Grato pela informação.
RICARDO DOS ANJOS
ricardo dos anjos em 17 de abril de 2009

para de criar estas drogas porque as pessoas qu usa drogas estao se matando por causa de voces criadores de drogas paaaaaaraaaooo poooor faaaavooorrrr?
fernanda em 14 de julho de 2009

nao e' "parao" mas sim "param", fernanda
micaeuuu em 2 de agosto de 2009

eu uso drogas e não acho nada disso
josefa em 16 de setembro de 2009

muito bom as reportagem,mas se puderem add mais fotos de medicamentos e importante conhecermos .
Vaderi oliveira em 21 de setembro de 2009

resposta à
"bjr em 17 de dezembro de 2008 às 00h40"
Então vamos refleitir com mente aberta e longe da moda e das idéias pré-concebidas.
Primeiro, não é influência cultural americana de querer cuidar do seu corpo, é pura lógica humana.
Os muçulmanos teem isto dentro da religião deles, os próprios americicanos são constamente influênciados por idéias"orientais" que eles acham no budhismo, tantrismo, yôga, taoismo e mais.
A maioria dos povos da Terra concordam com o fato " que é preciso cuidar do corpo para viver bem e viver mais.
Agora, para voltar no assunto, eu acho que o grande problema que criou revolução farmacêutica, é de achar que refinando drogas para concentrar e isolar princípio ativos era uma boa coisa. Foi um ótimo avanço para a farmacologia, mais DETONOU a saúde de muitas pessoas.
O fato que estes remédios agora são proibidos é a prova que REFINAÇÃO FAZ MAL .
Até hoje é sintetizar e isolar moléculas, essas ainda são as maiores atividades farmcêuticas.
Analisando a TOXICIDADE da PAPOILA em chá (minha avó da Eslováquia fazia) e da HEROÍNA, (exemplo do artigo) você ficaria assustado. Mesma coisa com COCA e COCAINA, o DELTA HIDRO CANNABINOL e a MACONHA, a EFEDRINA e o EFEDRA, a CAFEÍNA e a ERVA MATE, ATÉ a RAPADURA E o AÇÚCAR!!!
É escandalosa a situação atual, maioria dos ciêntistas sabem que estes procedimentos podem ser melhorados, que pesquisas demonstram que há moléculas presentes em algumas plantas não tomadas em consideração antigamente são imprescindíveis para diminuir os efeitos colaterais de princípios ativos DAS MESMAS PLANTAS. Tudo isso esta destruido no processo de refinação.
Era muito bonita a época em que se achava que nada disso era perigoso para saúde... Em vez de ter uma reação contra produtiva e dizer :
"Antigamente eles não enchiam nosso s... e agora sim"
Pensamos :
"Olha, isso é prova que tem alguma coisa errada nesses processos"
Nicolas Libon em 4 de outubro de 2009

Interessante! sem dúvidas o melhor artigo q já li.
Kelly Mathenhann oxicorte em 8 de outubro de 2009

Concordo plenamente com a sacada da Priscilla.
Excelente artigo!
Quanta contradição aos dias de hoje. Sem mencionar ao rótulo das pastilhas de cocaina - crianças!
Higor Zantos em 16 de outubro de 2009

a questão é mais complexa do que parece....
mas no fim fica o que realmente importa, as questões abordadas por todos e esquecidas no calor da discussão: qual o ganho e qual a perda?
o preço vale a pena??
pois sabemos que para tudo se dá algo em troca...
e a minha resposta é: depende!!!
como demonstrado nos exemploes deste post pode haver inúmeros lados positivos dos ativos das drogas, a própria farmácia chamava-se" drogaria", mas os efeitos colaterais devem ser levados sériamente em conta, efeitos aqueles que como os efeitos positivos só podem ser especulados pela ciência(você pode descrever uma coisa em mil palavras mas nunca colocará ao patamar a própria experiência se ela n tiver sido ja experimentada pela pessoa); não aconselho ng a usar droga com frequência(apesar de eu achar q fazer uso de algumas "drogas" como a maconha seja uma experiência única que deveria ser experimantada por todos em algum momento da vida) porém não creio que a sociedade ou o estado ser capaz de avaliar por nós o que precisamos naquele momento, e o que seríamos capazes de trocar por ele.
Por ser tao difícil ser feita essa concientização(já que a conscientização mais soa uma proibição) o estado e a sociedade parte para a medida mais funcional(jeito mais fácil a curto prazo) e nao correta de substituir a concientização e o contato para maior conhecimento por estigmatizações sobre má conduta de usuários.(discriminalizar drogados com toda certeza so vai faze-los se afundar mais no vicio...).
Sabemos que vícios têm como raíz de problema doenças psicosomáticas, uma das estigmatizações é separar as "drogas" em um quartinho fechado junto a palavra vício dando uma conotação mais perjorativa a elas.
Jogar a culpa de todos em algo chamado "droga" é muito mais facil do que aceitar a que a realidade da sociedade estamos vivendo na qual diz-se que é preciso ser infeliz para depois ser feliz, enfiando jovens em escolas na qual aprendem a ver o mundo de forma mecânica e inatural e esquecendo de ser feliz, buscando desesperadamente nas drogas algo que os relembre quem são.
Paulo em 7 de novembro de 2009

A materia esta realmente maravilhosa muito esclarecedora +não podemos esquecer que viu-se que essas substancias são uma bomba que esta matando a nossa gente e que antes se usava pois não sabia seu efeito devastador.Faz um ano que estou sem pai graças a esse "amigo"cigarro que e usado para ficar calmo e realmente acalma,acalma tanto que ate mata.
Lu.moraes em 9 de novembro de 2009