Projecto para a nova Hong Kong

Hong-Kong é provavelmente a cidade mais superpopulada do mundo, com uma densidade de 30 000 habitantes/km2, um valor impressionante! As condições de vida são difíceis nesta selva urbana de ferro, vidro e betão que há muito se afastou da Natureza, com a poluição a atingir níveis verdadeiramente alarmantes. A Administração Municipal, decidida a inverter a situação, encomendou um projecto de intervenção urbana à firma de arquitectura de Vincent Callebaut com vista a proceder à requalificação da frente marítima. A ideia de base da proposta é trazer de volta a Natureza e criar espaços geradores de biodiversidade e auto-suficientes, que produzam mais energia do que aquela que consomem.
O projecto é ambicioso e a intervenção é radical. Basicamente propõe uma malha ondulatória alveolar que se estende e infiltra por toda a baixa da cidade como se fosse um organismo vivo. Este circuito integra todas as infraestruturas de transportes rodoviários, ferroviários, fluviais e pedonais enquanto, em simultâneo, cria autênticas células vivas com lagos, marinas e outros espaços biológicos. É também nestas células que serão situados equipamentos culturais e de lazer, tais como museus, salas de espectáculo, etc. A nova "topografia" não se destina apenas aos habitantes da cidade, pretende também criar um ambiente propício a ser colonizada por diversas espécies da fauna e flora local. Um novo ecossistema em suma.
Mas a malha alveolar não é uma infraestrutura isolada. Trabalha associada a um conjunto de altas torres a que o autor do projecto chama de "tecno-orgânicas" e que mais se assemelham a árvores ou rizomas, de tal modo se ramificam e multiplicam. Estas torres, destinadas quer a habitação quer a escritórios, serviços e lazer, possuem a revesti-las uma superfície orgânica capaz de desenvolver uma vegetação luxuriante e de as transformar literalmente em "jardins suspensos". Arquitectura viva.






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17 comentários
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Magnífico!
É disto que a malta gosta, batráquio. Refiro-me à clareza do texto, obvious.
;)
wave em 1 de dezembro de 2008

Haaaaa... ondinha... sentia mesmo a tua falta aqui pelo brejo :)
bjr em 1 de dezembro de 2008

Hmm, as torres "tecno-orgânicas" vistas ao longe parecem dildos radioactivos. (peço desculpa por não ter nada de mais inteligente a dizer :)
tajana em 2 de dezembro de 2008

Não compreendo a raça humana.Primeiro destroem tudo que é natural,desandam a povoar as cidades e,quando percebem que não dá para sobreviver sem a natureza gastam fortunas em projetos caríssimos e mirabolantes para "tentar" recuperá-la...que respirem cimento!!!!
Sonia Regina em 2 de dezembro de 2008

Muito legal, pena que naquela foto onde tem uma criança andando descontraídamente fica visível que não há proteção, o que torna assustador isso!
Marcelo Luiz em 2 de dezembro de 2008

Sonia Regina, respire cimento você. Eu prefiro habitar um local que foi recuperado. Ou será que ninguém mais tem o direito de errar, e depois de tentar reparar o erro? Gente hipócrita...
Eu lembro da história do velho que caminhava nas margens de um lago poluído, pensando na beleza que ele era antes da industrialização. Agindo por um impulso, ele resolveu descer até a beira da água, e começou a recolher o lixo que estava ao seu alcance. Um grupo de estudantes passava ali e viu o que o velho fazia, e decidiram ajudar. Em pouco tempo toda a comunidade, inclusive o governo municipal e as próprias indústrias estavam envolvidos na recuperação do lago. Hoje a água do lago é limpa, e dá para pescar peixes nele. Aconteceu no Japão, eu não lembro os detalhes, e posso ter errado algum detalhe.
O homem não nasceu sábio, a sabedoria é algo que se constrói em cima dos erros. O progresso, a tecnologia, são coisas boas, é só que alguns passos em falso foram dados. Devemos recuperar o que foi danificado e o melhor de tudo é que podemos. Em vez de ficar condenando o passado, o melhor a fazer é aprender com os erros, e construir um futuro melhor.
Sobre o projeto, as torres são altas e tem gente a grande altura, mas não vi nenhum meio de transporte (elevadores) dentro das torres. Talvez seja apenas uma concepção artística, um pouco descompromissado com estes detalhes práticos... Mas eu gostei da idéia.
Cesar em 2 de dezembro de 2008

É vendo assim se parece tudo muito bonito e fantástico, mas quando a fauna começar a frequentar o lugar, as pessoa não vão gostar dos barulhos de aves e cocôs de pomba nas vossas cabeças. Realmente o mundo está perdido!
Aline Barbosa em 2 de dezembro de 2008

Dildos radiactivos?!? Meu Deus, vamos virar mutantes, vamos todos morreeeeeeeerr!
Topé em 2 de dezembro de 2008

Sem dúvida um belo projecto, que creio eu ser possível de concretizar: bastará haver dinheiro e um tanto quanto de vaidade. No entanto, fiquei bastante intrigado quanto á parte do ecossistema... É que, regra geral, o homem faz sempre asneira quando tenta modificar um ecossistema. Por exemplo, há imensos casos desastrosos de introdução de novas espécies num habitat. Mas muito mais assustadora é a ideia de o homem "criar" um ecossistema. E pior ainda é criá-lo em convivência com uma cidade. Claro que uns jardinzinhos com flores e uns laguinhos com peixes também se podem considerar "ecossistemas". Mas se assim for, isto não passa de um projecto de torres altas com mais aparência do que conteúdo. Os arquitectos não são biólogos. E nenhum biólogo força ecossitemas a existir.
Jorge Ribeiro em 4 de dezembro de 2008

Concordo plenamente com a Sonia.
É incrível a capacidade do homem de "consertar" as coisas em vez de parar de destruí-las.
Sim, todos possuem o direito de errar e é sempre válida a busca por um futuro melhor. Mas se formos analizar por esse aspecto, o homem vem errando e destruindo a natureza há décadas, já passou da hora de aprender com os seus próprios erros.
Apesar de ainda surreal, a proposta como um todo é bacana.
Clarissa em 10 de dezembro de 2008

A ideia é simplesmente ridícula, por tudo que representa do ponto de vista real. O que pensam que vai acontecer? Pessoas vivendo com pássaros e macaquinhos? E quem vai criar o ecosistema? Os arquitetos?
Proteger o ambiente é importante, mas não é com este tipo de projectos. Poderiam pensar em algo mais original, como por exemplo descongestionar a cidade, quer dizer, levar gente e empresas para outras áreas da China e começar lá a desenvolver novos projectos, abrindo espaço para a criação de verdadeiros espaços verdes na cidade.
30.000 /Km2 é simplesmente inaceitável, não há projectos que resolvam este tipo de problemas. Afinal, onde queremos chegar?
Andre Alfredo em 23 de dezembro de 2008

oh meu caro... mas há a politica! achas que os municípios quererão que se retire das suas cidades o sustento da sua capacidade tecnológica e humana? Claro num sistema politico e económico como a China, talvez isso pudesse acontecer, mas estamos a falar de Hong-Kong, pode já pertencer a China, mas não é bem assim! por alguma razão esta cidade chegou a isto, estas a ver pessoas que vivem em Hong-Kong a deixar a cidade e entrar mais dentro da China?
independentemente da ideia ser ridícula ou não, independentemente que seja cedo ou tarde para reparar as coisas, existem pessoas com vontade, manter negativismo não levará mais longe que ideias ridículas... porque não propor ideias a contrapor?
? Pedro em 30 de janeiro de 2009

Pedro, as tantas essas ideias já existem, simplesmente não as conhecemos.
bjr em 31 de janeiro de 2009

Imagens muito bonitas de um futuro que não está assim tão longe da arquitectura.
Temo que algumas destas ideias ainda não sejam de possível execução, e torna-se claro que estaremos mais tarde ou mais cedo a voltar á temática do desenvolvimento das cidades segundo o modelo das cidade jardim.
Para certos projectos como este, terá de existir coragem em demolir algum do existente potenciando propostas como esta.
Mais uma vez parabéns pelo vosso site e pelos posts.

Bom, gostei da ideia de construção de uma "célula gigante" e sustentável em Hong Kong. Entretanto, creio que esta não seria a mais viável forma de intervenção à poluição.
Não gostei das altas torres "tecno-orgânicas", que ao meu ver, assemelham-se mais às garrafas de "Fanta".
Isso, sem falar que um ecossistema (fauna e flora) dentro de uma cidade que enfrenta problemas de 30 000 habitantes/km², seria algo quase absurdo. E como disse o Jorge Ribeiro: "Arquitetos não são biólogos".
Abraço!
PS.: Parabéns novamente ao Benjamin Jr. pelo post. E referindo novamente ao projeto, prefiro a Crystal Island.
Filipe Gonzales em 17 de maio de 2009

Nossa! Quanta gente... 30 000 /km²
Deve ser muito legal estar lá sentado no escritório e se deparar com um pássaro, ou um ninho :D
Yan em 8 de novembro de 2009

Maravilha, podemos transformar o mundo, ao contrario de outros seres vivos. Erramos e depois reparamos os erros, mas... e sempre tem um mas, cada dia que passa sinto que milhares de pessoas desconhecem o que é viver (porque nunca tiveram a oportunidade) em contato com a natureza. Eu que ja morei no Pantanal, em montanhas e praias sei muito bem o problema que estas encontram em curtir a beira de um simles rio caudaloso em meio a mata. Não suportam um simples pernilongo e em dois dias no maximo ja querem voltar a cidade de concreto. É preciso amar para cuidar, infelizmente muitos desconhecem o que é uma vida em meio a natureza. Não sei no que isso vai dar...
Marcio Ramos em 17 de novembro de 2009