O Design na Contemporaneidade

Publicado em design por cris em 3 dez 2008 | 9 comentários

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Cadeira irmãos Campana

Em História os críticos só conseguem estudar e definir uma época após o chamado tempo de historicidade, que é demarcado pelos tais 20 anos. Aliás, vinte anos após os anos 80, puft, aí está, a onda oitentista veio e voltaram as músicas, os cenários e a moda, assim, todos nós conseguimos dizer: “isso é tão anos 80!”

Os meus alunos de design sempre me perguntam como definir o design e a arquitetura na contemporaneidade. Eu simplesmente escapo em responder a pergunta com a tal desculpa da “história da historicidade”. Ora, ora, “ainda não podemos definir tão definidamente, pois sabem, faltam aí uns bons 12 aninhos...” Mentira! Há meses atrás preparei uma palestra (já apresentada mil vezes) em que com imagens e palavras consegui definir duas linhas. Duas linhas conflitantes que definem sim a tal contemporaneidade, ao menos em design e em arquitetura (por favor, não me perguntem nas artes, aí é impossível).


Hoje existem duas linhas diferentes, entretanto bem definidas que delineiam o que se tem produzido em design de interiores, mobiliário e na arquitetura. Uma delas é uma linha que trabalha com cor, muita cor nas mais diferentes formas desta, linhas sinuosas e orgânicas e novos materiais, além de continuarem a abusar das releituras do uso do plástico e do polipropileno. Karim Rashid é o nome que uso para ilustrar esta vertente do design contemporâneo. Rashid é egípcio, mora hoje em Londres e é um dos nomes mais importantes na área. Pretende fazer com que seu design ganhe o mundo (já ganhou) e que seja barato (boa fórmula, pop e para todos). Suas linhas são arredondadas, suas formas coloridas e os materiais variados. Rashid seria como que o Dali do design.

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Projeto de interiores feito por Rashid

Neste momento da palestra alguns dos meus alunos me perguntam se os Campana se incluem nesta vertente. Olha só, os Campana são designers??? Xiiii, se formos nos basear nos acadêmicos das faculdades de design industrial, a resposta é sonora: “Não! Não são!” Ouviram? Veio até em coro! Mas eu estou aqui para dizer que ... Eles são maravilhosos, e se são designers ou não, não me importa, sei que adoraria usar alguns de seus móveis em alguns dos meus projetos, e odiaria ser obrigada a usar uma cadeira ergonômica, tecnológica, bela e que cumpre todos os paradigmas para ser “design”, de qualquer um dos alunos saídos de uma faculdade de design industrial.

Enfim, mas respondendo a pergunta lá atrás, sim, os Campana se incluem nesta vertente mais divertida do design de hoje.

Outro talentoso nome do design e que também segue esta linha é o de Ebo Amorim. Já o citei em artigos anteriores e seu trabalho não passa desapercebido. Cores, formas, uma mescla genial entre vanguardismo e pitadas de retrô. Há que se ter muito talento para ser divertido em design, e só os geniais conseguem fazer isto com arte e técnica, aliás, este é e sempre foi o tema de maior discussão na história do design: no trabalho de Amorim vale observar a maneira que ele harmoniza as linhas retas e curvas que usa, as cores e como resolve seus problemas de função.

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genialidade em formas e cores

Pronto. Continuando a tentar comprender a contemporaneidade em design e em arquitetura: a tal segunda linha é o oposto da primeira é se baseia na simplicidade. Um professor meu dizia que devemos tomar cuidado ao usar o termo minimalista, afinal, isto é designação de movimento, estilo... Mas há uma vertente do design e da arquitetura na contemporaneidade que se baseia no mínimo ao extremo, uso de muito branco e neutras, concreto puro e aparente e linhas retas. Aliás, é o que mais há, retas, retas, retas e simplesmente apenas o necessário. Um dos nomes que uso para ilustrar esta face do design contemporâneo é o do escritório português Aires Mateus. Um dos projetos deles que mais gosto é o de uma a casa no litoral alentejano.

design contemporaneo
Casa no Litoral alentejano, Aires Mateus

Há no projeto uma extrema delicadeza: um quadrado leva ao interior da habitação que é feita de espaços fechados que se abrem para um átrio interno. Tudo coerente com a paisagem do lugar. Lindo.

Outro bom exemplo é o italiano Marco Gorini, que faz cozinhas plenamente racionalistas, de um minimalismo extremo entre o aço e a simplicidade. Suas formas são puras e os projetos tem muita força. A linguagem de Gorini é própria.

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Bancada, projeto de Gorini

Outra dica para aqueles que se interessam por esta leitura racional do design e da arquitetura contemporânea é o livro “Ainda moderno?” de Lauro Cavalcanti. Ele discute a partir de fotos de casas atuais o fato do estilo modernista ainda ser a grande influência de um grupo de arquitetos e designers contemporâneos.

Enfim, acredito que desta maneira fica mais fácil de se compreender a contemporaneidade, ao menos no design. Vai abaixo uma lista de contemporâneos da área, classifiquei em dois grupos: os divertidos e os retos. Vale a pena conferir o trabalho deles:

Divertidos: Karim Rashid, Campanas, Ebo Amorim

Retos: Artur de Mattos Casas , Aires Mateus, Marco Gorini

Cris Alcântara Cris Alcântara é colaboradora do obvious. Ela gostaria de viver num mundo art decó entre paredes em tons verde água e casas a la "Jetsons". Como isso ainda não é possível, ela própria desenha o mundo em que habita. Página da autora. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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9 comentários

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Não concordo que esses exemplos sejam típicos da nossa época. Os divertidos são filhos do psicodelismo dos anos 60. E os retos são re-leituras do Modernismo. O que eu acho que é mesmo de hoje é a Nova Geometria, protagonizada por manifestações oriundas de avanços técnicos do nosso tempo. São os monumentais edifícios do Oriente, a fragmentação do Museu em Bilbao, os polígonos irregulares vistos em símbolos etc etc. Acho que essa Estética é que vai ser vista como característica dos anos 00

peterson ruiz em 4 de dezembro de 2008

As coisas não são tão simples como o texto pretende fazer crer. Isso aí é uma visão limitada, redutora. O texto é muito fraco, muito inseguro mesmo...
O que acontece atualmente (e já há muito tempo) é uma crise de conteúdos na Arte em geral. Os estilos morreram. Na verdade morreram há muito tempo já...
Muitos artistas e pseudo-artistas contemporâneos só se preocupam em ser diferentes e poucos têm algo a dizer de fato. Outros procuram entrar na onda e se viram para o passado já que são incapazes de criar algo para o presente. Então propõem "releituras" (palavra horrível) de obras passadas que não são mais que cópias das formas desligadas de suas ideologias originais.
É lamentável.

Lem em 4 de dezembro de 2008

Gostei! sou arquiteto formado há 30 anos, trabalhei no começo da carreira com p. mendes da rocha e num determinado momento atuei apenas com o estilo brutalista,
tudo era muito definido e nós sabiamos o que fazer. percebo como voce estas duas definiçoes e aqui na frança é como as coisas se dividem mesmo. parabéns e até breve.

eduardo piz em 5 de dezembro de 2008

Crise de conteúdos na Arte? Discordo. A Arte nunca esteve tão viva e vibrante quanto hoje, em suas incontáveis variações, com a vantagem da disseminação eletrônica, milhões de possibilidades de intersecção, assuntos à vontade para a reflexão... Que ótimo que os estilos morreram. A Arte está livre!

peterson em 5 de dezembro de 2008

finalmente consigo entender algo sobre o rashid. nao que nao haja alguma coerencia em seu trabalho, mas rashid eh complicado. segui suas dicas sobre alguns links de arte. e deles cheguei a outros, que tal tentar nos presentiar agora com alguma definicao da arte atual?

Hernandez Maria em 6 de dezembro de 2008

Quanto fervor nos comentários!

Amigo, permita-me trata-lo assim, peterson,
Aquilo que você traça como sendo a leitura dos anos 00, permita-me dizer-lhe, até porque já pude constatar in loco, são elementos levados ao extremo do vazio no que trata à alma, além do que, parece-me ter-lhe faltado mencionar miami, dubai, qatar, e outros novos ricos que andam por aí a criar aquilo a que você aplaude. Quanto ao Frank Ghery, nem vou comentar, eleger o gugue de bilbao como um expoente é extremamente redutor, ah, ok, tem titanio no revestimento e umas formas diferentes, ok, ok!
Desculpe-me manifestar assim a minha discórdia, mas é o que penso!


bruno em 6 de dezembro de 2008

Pessoal achei uma barganha!!

Tem aquelas cadeiras para escritorio ergonomicas do site www.idepot.com.br, são da flexform, uma marca tão boa quanto ou melhor que a giroflex ou alberflex, melhor que a aeron, que é importada e neste site custam super barato, se vc pedir orçamento eles dão super descontos além do preço do site até 40% barganhe. Comprei uma cadeira bacana com todas regulagens por R$250,00 com frete gratis e em 4x sem juros.

Eu acho que foi um bom negócio.

A um ano uma similar de uma marca chamada Marelli móveis para escritório,ela quebrou em 6 meses,e a garantia não cobria.Na alberflex a garantia era de 12 meses, também não vou arriscar denovo. Né

Eu consegui 5 anos de garantia em uma cadeira que comprei

Lucas em 12 de dezembro de 2008

Ulha! Gostei não só do cartão, que é muito criativo, mas como também do que a dona dele escreve por aqui!
Fico esperando, portanto, algo sobre o Juan Pierre. Foi um prazer. Bjs.

Pietro

Pietro em 15 de dezembro de 2008

Pessoal achei uma barganha!!

Eu estava procurando cadeiras ergonomicas e acabei achando o site www.idepot.com.br, são vendedores da flexform, Uma exelente marca tanto quando ou melhor que a giroflex ou alberflex, melhor que a aeron, que é importada e neste site custam super barato, se vc pedir orçamento eles dão super descontos além do preço do site que jáestão baixos até 40% de desconto. Comprei uma cadeira bacana com todas regulagens por R$250,00 com frete gratis e em 4x sem juros.

Eu acho que foi um bom negócio.

A um ano uma similar de uma marca chamada Marelli móveis para escritório,ela quebrou em 6 meses,e a garantia não cobria.Na alberflex a garantia era de 12 meses, também não vou arriscar denovo. Né

Ainda ganhei 5 anos de garantia pela Flexform!

Wesley em 22 de dezembro de 2008

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