
O rally mais desafiador do mundo está com todo o circo pronto para desembarcar na América do Sul em 2009. Saem as dunas do deserto da Muritânica e entram as não menos inóspitas paisagens ressequidas de Santa Rosa, na Argentina. A mudança tão radical se deve às inconstâncias políticas dos países africanos que sediaram a corrida desde 1979; os países do Mahgreb passaram, nas últimas décadas, por diversas e profundas mudanças políticas, além de guerras civis e catástrofes naturais que inviabilizaram rotas e provocaram mudanças na organização, por exemplo, a criação da Rota Lisboa-Dakar e a corrida até a Cidade do Cabo na, África do Sul.
As ameaças de ataque terroristas este ano obrigaram seus organizadores a cancelarem o evento deixando ainda mais patente os impedimentos logísticos que afetam a prova. Sem a colaboração dos países-sede, os trabalhos de patrulhamento, resgate e socorros mecânicos aos pilotos, como deveriam ser feitos, fica impossível. E os acidentes não são poucos. Quedas de helicópteros, pilotos perdidos no deserto e nunca mais encontrados, nativos mortos pelos veículos, batidas e capotagens dos pilotos, fizeram do Rally Dakar o mais famoso e o mais mortal torneio existente.
Mas, apesar de todos os riscos, os pilotos de motos, caminhões e carros off Road persistem no desejo de atravessar terrenos os quase 6 mil quilômetros de extensão e a ASO promete em 2009 uma corrida sem precedentes, cercada de toda infra-instrutora que Chile e Argentina estão colocando ao dispor da liga. Por que centenas de homens e mulheres se dispõem a tal disparate? A natureza selvagem e indomável os coloca frente a uma das maiores experiências que um ser humano pode passar, um encontro com o que há de mais primitivo e desafiador em nós. É o que podemos vislumbrar nessas imagens fascinantes.








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