"As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino vistas por Nora Sturges

Talvez seja mais fácil visualizar algo através da escrita do que através de um desenho. Alguns textos excepcionalmente bem redigidos possuem essa capacidade mesmo sobre as mais brilhantes pinturas, pois as suas descrições são mais vagas e sugestivas do que as linhas precisas de um desenho. Porque estimula a imaginação e o sonho, a leitura é tão necessária ao desenvolvimento das crianças. Consciente de tudo isto, a artista americana Nora Sturges lançou a si própria um desafio tão impossível como aliciante: colocar na tela os ambientes fabulosos do livro "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino.
Marco Polo, o viajante e narrador do livro de Calvino, aparece aqui como um turista comum e serve como elo de ligação entre os vários quadros. É ele quem experimenta ambientes ora amigáveis ora hostis. Quase podemos sentir as suas emoções. Em cada quadro há uma cena com uma história independente e um ambiente próprio. Como nas gravuras e iluminuras medievais e renascentistas, a pintora representa ambientes imaginários embora vagamente reais. O estilo naif de Nora Sturges revela-se muito adequado. Os ambientes encontram-se polvilhados de elementos enigmáticos e quase mágicos que transmitem um mistério e uma poética enormes - estranheza, exotismo, diferenças culturais... Um videogame intemporal entre passado e futuro.





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13 comentários
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Gostei muito do artigo e achei interessante a interpretacao de Nora.
Abraços,
isabella em 8 de janeiro de 2009

Gosto da interpretação da artista de um dos meus livros favoritos :-)
Robick em 8 de janeiro de 2009

Obrigado Isabella... como vai o David? :)
bjr em 8 de janeiro de 2009

Robick, as cidades invisiveis dão muita latitude à imaginação :)
bjr em 8 de janeiro de 2009

Não é um dos livros mais fáceis de se traduzir a sua escrita em imagens. A artista está de parabéns.
Mariana Bonfim em 9 de janeiro de 2009

Como eu disse anteriormente, Mariana, italo escreve de uma forma que dá largas à nossa imaginação... achei muito interessante ver como cada artista entendeu Italo...
bjr em 9 de janeiro de 2009

Como eu disse anteriormente, Mariana, italo escreve de uma forma que dá largas à nossa imaginação... achei muito interessante ver como cada artista entendeu Italo...
bjr em 9 de janeiro de 2009

Bom, há uma distância entre o escrito, o imaginado e o traduzido em tons e formas. Boa criação a sua, boa imaginação. Trabalho dificil de fato.
Ed em 14 de janeiro de 2009

Ed... algo interessante ao ver estas interpretações é a possivel no interpretação de algumas cidades, vc não acha? obrigado por comentar.
bjr em 15 de janeiro de 2009

Sim, exatamente, essa não interpretação de algumas cidades abre um leque de possibilidades...tantas em numeros quanto os galhos de uma grande árvore, mesmo sendo daqueles galhos mais curtos, ou aqueles que por crescerem demasiadamente pendem ao solo, fazendo com que formigas subam até a copa e se alimentem das flores mais altas, e colonizem o tronco aonde ele abre uma fissura, que fora causada por um evento natural quando a arvore tinha apenas poucas décadas de vida, em tempos já a muito idos....
;)
Ed em 16 de janeiro de 2009

@Ed, LOL
bjr em 16 de janeiro de 2009

Realmente, bem imaginada esta produção artistica.
Já reli o livro nesse meio tempo.
Ed em 2 de junho de 2009

Muito interessante a interpretação da artista, mergular nas cidades imaginárias de Calvino através da arte, aguça ainda mais as "viagens literárias" que cada um interpreta com a leitura do livro.
Adorei!!!
Fabrízia Pires de Oliveira em 14 de outubro de 2009