Enquanto narrativa, o filme do israelita Ari Folman conta a história de um ex-combatente que tenta recuperar as suas memórias da guerra do Líbano de 1982 - a entrada das tropas israelitas em Beirute, e depois os massacres nos campos de refugiados.
É aqui que se coloca uma questão que é recorrente nestes temas de responsabilidade militar. Até que ponto quem vê percebe o que está a acontecer? Ari não conhece todos os dados desta guerra; aparentemente, tirando as altas chefias políticas e militares, ninguém sabe exactamente porque está ali; as acções de guerra e o avançar dos tanques acontecem como numa excursão, com música de fundo e tudo, e perante as interrupções súbitas da morte ninguém sabe bem o que fazer. E quando o horror dá os primeiros sinais, ninguém se dá conta. Podemos pedir mais a quem tem uma arma nas mãos?
Como lê um soldado o mundo em que se move? Até que ponto o seu distanciamento é uma manobra legítima de sobrevivência, e até que ponto o incrimina? A primeira vez que me deparei com este tipo de debate, a guerra era outra: jornalistas, historiadores e ex-militares alemães discutiam numa série de artigos de jornal até que ponto as tropas regulares da II Guerra Mundial (os que não eram das SS) sabiam dos horrores dos campos de concentração. "Eu vi coisas estranhas, mas nunca me passou pela cabeça que fosse isso" - é uma resposta aceitável?
Chega de inocentes e culpados. A Valsa com Bashir é um filme visualmente poderoso, que vem provar que uma boa animação não precisa dos efeitos hiperrealistas em voga nos filmes da Disney/Pixar, com os seus brilhos e sombras arredondadinhos e perfeitos a tentar simular a tridimensionalidade. A cena de abertura, com a corrida dos cães, é uma alucinação arrebatadora. A expressividade dos rostos, num desenho aparentemente rígido; a banda sonora implacável, a dar uma segunda camada de sentido às imagens; e a visão, finalmente, de um relato do conflito do Médio Oriente que não se resume à contagem regular de mortos e feridos que ouvimos na TV - estes são apenas alguns dos bons motivos para não perder A Valsa com Bashir.
Veja aqui o tralier:
Tajana é colaboracionista e parasita ocasional do obvious. Acredita que há uma única forma correcta de comer bolos de arroz. Saiba como publicar um artigo no obvious.
Um dos melhores filmes q jah vi. Muito recomendado! Realmente mostra uma animacao grafica super diferente, causando uma pequena ''confusao'' pois por um lado o filme eh documentario, por outro a animacao q nao tenta imitar a realidade causa um efeito de uma '' historia em quadrinhos'' que ganhou vida, transformando tudo em surreal.
marcel em 22 de janeiro de 2009
fiquei curioso... vou ver se acho o torrent... abraço.
Adam, o melhor é esperar que saia em DVD. Para isso, vc tem que fazer uma lista de DVDs para não se esquecer de ver este e outros filmes fantásticos. Numa tónica completamente diferente, permita-me sugerir Steamboy... veja aqui: http://blog.uncovering.org/archives/2005/11/steamboy.html
realmente nao vale a pena baixar pela internet o filme nao. Eu vi no cinema, mas porque nao moro no Brasil e aonde vivo o filme esta no cinema ja ha algum tempo. Fora isso, nao creio que valha a pena baixar um filme desses. :)
Marcel em 8 de fevereiro de 2009
O filme estreou no Brasil no dia 4 de abril. Aqui em Brasília, estreou ontem, dia 9, e eu fiz questão de ir assistir. Eu garanto: vale muito a pena. É uma obra de arte fantástica.
Ótima matéria, parabéns. Só com uma ressalva: a animação, apesar de não ter todos os atributos da Pixar, foi produzido com os mesmos recursos dos programas 3D. Mas é a decisão estética que realmente impressiona.
Outro comentário: me perco na cronologia do Obvious. Esta matéria é de janeiro e recebi em outubro. Queria perguntar a respeito do novo acordo ortográfico que prevê não utilizar mais as consoantes mudas, tipo corre em "acções". Outra regra é em "hiperrealistas" (agora hiper-realistas).
Abraço e parabéns ao Obvious. Não perco um post!
Marcelix em 15 de outubro de 2009
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