as seiscentas e setenta e seis aparições de Killoffer

Publicado em bd / hq por prill em 27 mar 2009 | 8 comentários

Killoffer franca ilustrador paranoico desenho bd HQ

A L’Association é um dos mais importantes editoriais franceses, especializado na publicação de comics e se considera a vanguarda do movimento chamado nuevo cómic independiente francés, ocorrido nos anos 90.

Entre seus membros estava Patrice Killoffer, ou simplesmente Killoffer; francês de Metz, 42 anos, escritor, ilustrador e paranóico. Lançou-se no ofício pelo início dos anos de 1980, quando cursava a escola superior de artes aplicadas de Duperré, em Paris e, antes do fim daquela década, já publicava em alguns periódicos e fundava outros.

"Seiscentas e setenta e seis aparições" nasceu de um intercâmbio entre a França e o Canadá: a Killoffer fora oferecida uma bolsa de estudos e hospedagem para viver uma temporada em Quebec tendo, como contrapartida simples, de escrever um livro sobre a província. Sem nenhuma surpresa, o tal livro fora vetado pela instituição que lhe oferecera a viagem porque, entre outras descomposturas, o autor declara em seu texto que ele era alí apenas um filtro de digestão: digeria Paris e a transformava em merda francesa na América. Á propósito, segundo ele, Quebec era uma cidade de homens-humus.

Não importa. Rejeitado por seus patronos, o livro é publicado pela L'Association em 2002 e angaria prêmios.

Killoffer franca ilustrador paranoico desenho bd HQ

676 aparições é uma história sobre cantos escondidos da mente que, de repente, ganham vida própria. Mas, em Killoffer, a temática já bastante explorada ganha novos contornos ao nos lançar página à página numa escalada de terror onde, não um, mas centenas de cópias de Killoffer se reúnem para atos perigosos e violentos que colocam a si e a outros em grande perigo e/ou situações humilhantes.

Em formato avantajado (35,5x25cm) 676 aparições de Killoffer mantem na largueza do seu espaço a continuidade entre os desenhos (somente os primeiros usam tem borda de separação que formem quadros). Isso dá ao progresso das multiplicações do autor uma cadência, um movimento mesmo, que é... perturbador e onde, ao fim, já se torna impossível discernir qual dos homens de terno seria a matriz Killoffer.

O livro, por enquanto, só está disponível em francês e inglês, mas já se encontra em processo de tradução para o português, seguindo o caminho de publicações como Persépolis de Marjani Satrapi e Epiléptico, de David B. – ambos também artistas da L’Association. Ficaremos atentos às notícias.

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8 comentários

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Muito bom!

willian em 28 de março de 2009

Vou aguardar a tradução, meu francês não presta pra nada. Ah, vc fala em borda de separação, o termo seria "requadro". Muito boa matéria!

Anderson em 28 de março de 2009

Genial.

Douglas em 28 de março de 2009

legal
eu ainda não li nada de Epiléptico e Persépolis
será se é tão bom assim???

koveiro em 28 de março de 2009

Persépolis é muito bom, recomendo o volume único publicado pela Cia. das Letras. Outro ótimo da Marjane é Frango com ameixas, bastante melancólico, mas ótimo!

Anderson em 28 de março de 2009

Muito bom...temos que aguardar a tradução!!
vai valer a pena!1
abraços

saúde.psicologiananet em 29 de março de 2009

agradeço imensamento os comentários, amigos. o livro me deixou completamente besta, em choque. as imagens aí não estão dando conta do quão absurda é a história que o Killofer desenvolve.

Anderson, geralmente escolho não usar palavras muito técnicas pra que todo mundo possa entender o texto. aliás, o texto estava cheio de galhofas, incrível como só consigo enxergá-las depois da publicação :/ (murphy). mas acho que o seu comentário já fez o adendo perfeito!

E agora? São dois Andersons ou o mesmo?
rs
Persépolis é das coisas mais lindas que já vi. Há um filme, sabe? deixa eu encontrar um link....
aqui! http://blog.uncovering.org/archives/2008/07/persepolis_uma.html

fico feliz que tenham gostado da partilha. voltem! voltem! sou muito carente.

abraços

? prill em 29 de março de 2009

incrivel / incrivel / incrivel
muito bom o texto ... o livro deve ser 'imenso'
li persépolis é maravilhoso
não vejo a hora de botar as mãos num exemplar de 676

sapo em 31 de março de 2009

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