bairro do glicério e os moradores de rua em são paulo

Publicado em cinema por bjr em 10 mar 2009 | 14 comentários

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Matheus Siqueira é um estudante de jornalismo e há aproximadamente 4 anos criou um podcast/videocast chamado éoquehá; cujo objectivo foi o de discutir religião de uma forma mais actual. Através do material que ia produzindo semanalmente começou a conhecer cada vez mais o mundo do video e do cinema. Foi um percurso natural desde as suas funções de narrador até realizador, sempre tentando aprofundar temas pouco conhecidos.

A reportagem apresentada por Matheus Siqueira é tocante e aproxima-nos do mundo de rua de uma forma que nos incomoda e emociona. Deixo-vos com uma entrevista, que fala um pouco do seu documentário do Bairro do Glicério.

Matheus, como foi que tudo começou?

O cinema e a literatura sempre apelaram para meu senso, mais dos que as outras artes. A literatura desda infância me encantou com novas experiências e realidades que poderia ler nas suas páginas. Depois começei a gostar de livros que abordassem problemas sociais, tendo a impressão que através das palavras eu me aproximava mais das pessoas que eram relatadas. Após um tempo descobri os relatos de viagem de Érico Veríssimo (Gato preto em campo de neve, A volta do gato preto, México e Israel em Abril), nesses livros ele juntava duas coisas que ainda não tinha conhecido – estudos sociológicos profundos a leveza e mestria artística do seu texto.

Já na área de cinema, recebi o empurrão final quando assisti os filmes de Kieslówski e a discussão sobre moral e religião que ele traz nos filmes do "Decálogo". Por achar o cinema europeu mais tangível a minha realidade como independente, gosto muito dos diretores da Nouvelle Vague como o Truffaut e o Eric Rohmer. Mais recentemente tenho me apaixonado pelo relato da China feita pelos filmes do Wong Kar Wai.

Achei nos documentários do João Moreira Salles e em específico no "Andarilhos" de Cao Guimarães essa junção entre a arte e a não-ficção. Assistir as obras desses diretores me animaram a fazer experiências na área dos documentários.

Qual foi a motivação para fazer este documentario?

Faço um documentário ou um curta sobre algum tema para conhecer mais sobre algo que não sei. Nesse caso, tinha um projeto de criar um videocast apenas com histórias de moradores de rua. A idéia era dar uma face aqueles que nos parecem sombras pela cidade.

Um dia ao sair do Masp comprei a revista Ocas e lá li sobre o bairro do Glicério como a maior relação de moradores de rua por metro quadrado de São Paulo. Também li sobre a grande infra-estrutura para atender as pessoas em situação de rua do Glicério. Imediatamente peguei o metrô até Liberdade e desci a Rua do Estudante andando sem rumo. Entrei na primeira ONG que vi (Minha Rua Minha Casa), de lá fui encaminhado a várias ONGs e conheci muitas pessoas que há tempo trabalham com os moradores de rua. No final da tarde já tinha o assunto em mente e como estava sem dinheiro, consegui também para dormirmos no albergue junto com os moradores de rua durante uma semana.

Quais as maiores dificuldades que sentiu?

Por estarmos dormindo no albergue debaixo da ponte do Glicério, a maior dificuldade foi com a segurança do nosso equipamento. Apesar de termos apenas uma câmera e um microfone, tomamos a precaução de fazer conhecido nossa intenção de falar sobre aquela comunidade e não explorá-los como os grandes veículos fazem, isso nos salvou algumas vezes de sermos assaltados.

Fora a segurança, uma grande dificuldade foi conseguir as entrevistas. Em respeito ao morador de rua, apenas gravamos aqueles que aceitaram conversar conosco e que assinaram o termo de cessão de imagem. Muitos ao verem a câmera (mesmo não filmando), achava que estávamos lá para explorar sua miséria no jornal da tv e tinham uma atitude hostil para conosco. Nessa questão, o fato de termos dormidos com eles no albergue fez muita diferença. Ao nos verem lá a noite e perceber que íriamos dormir na mesma sala, usar o mesmo banheiro e comer a mesma comida a maioria se abria e começava a contar sua vida.

Fora isso tudo, não tínhamos dinheiro. O documentário todo gastou menos de 200 reais.

O seu trabalho foi reconhecido? em que medida você sente que foi algo útil?

Na cena final do documentário sou perguntado o que estou fazendo lá. O Élcio me fala que estou lá conversando para ajudar mas eu não ajudo ninguém. Esse é atualmente minha preocupação, qual o sentido do documentário? Será que isso ajuda aos moradores de rua? Será que ajudo alguém? Deixei a pergunta sem resposta por que ainda estou procurando a respota. Porém, depois de terminado a entrevista com o Élcio, ele nos agradeceu muito e com um semblante muito mais calmo do que quando o encontramos (ele estava chorando). Nos abraçou e pediu para voltarmos outra vez.

Talvez o documentário não traga diferença para os moradores de rua ou aqueles que o assistem mas, produzir ele trouxe diferenças para mim próprio e, espero, também para aqueles que passaram horas conversando connosco.

Quais são os seus planos futuros?

Em relação ao documentário, o plano é transformá-lo num longa metragem. É interessante isso, pois é um projeto para internet que possivelmente alcançará as salas de cinema. Como gravamos 15h de conversas temos material suficiente, só falta arrumar tempo para organizar todo esse material.

Também está saindo até o final do mês um novo seriado feito para internet, ele se chamará "Flying Kebab". A idéia é trabalhar com o realismo/ficcional de Borges em um videocast incorporando as mídias sociais. Parte dele foi filmado aqui no Brasil e continuará em Beirute no Líbano, onde passarei esse ano trabalhando como voluntário.

Glicerio Without Number


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14 comentários

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Muito interessante. Gostei muito. É um jovem com futuro

Mário em 11 de março de 2009

Imprecionante

Márcia em 12 de março de 2009

Brutal

Denys em 13 de março de 2009

Esse doc. mostra o descasso do poder público. Um exemplo disso é que antes você encontrava uma grande quantidade de moradores de rua aqui no Rio, na central, zona sul. Eu moro em Jacarepaguá e ultimamente tenho visto muita gente dormindo na rua por aqui, e em outros bairros residênciais tenho visto a mesma coisa.
O grande abismo do governo César Maia, deixou o Rio de Janeiro totalmente abandonado em todas as àreas.Esses moradores de rua precisam de apoio do poder público e precisam ser reintegrados a sociedade,isso é o mínimo que os nossos governantes deveriam fazer.
Grande trabalho do Matheus parabéns, tente enviar o Doc. para alguns políticos talvez algum abra os olhos e tente fazer alguma

koveiro em 15 de março de 2009

Pode ser Interessante porem.....!!!!????deja visto!!

neuza em 15 de março de 2009

peço caridosamente que leiam esse comentarios estou a procura do meu irmão maxsuel felix rolim e sou8be que ele esta en uma albergue de são paulo, se alguem tiver noticias dele entre en contato pelo meu email obrigfado pela atenção

stefane cristina em 21 de março de 2009


Parabens Matheus , esse é o original jeito brasileiro de mostrar talento, criatividade, jogo de cintura, inspiração; eu creio que voce vai ver o fruto do seu trabalho, tenho certeza disso. Com relação aos comentarios, pude perceber que existem pessoas que acham mais comodo transferir a responsabilidade total dessa situação para o poder publico; claro que o poder publico tem sua cota de responsabilidade, mas e a nossa responsabilidade como seres humanos que nada fazemos para ajudar o proximo? Transferir responsabilidade é comodo, dificil é abrir a porta do coração para ajudar!!!!!

A ajuda ao proximo é tão importante que a Biblia relata que o unico momento que Deus nos fica devendo é esse!!! Pv 19:17 - Ao SENHOR empresta o que se compadece do pobre, Ele lhe pagará o seu benefício.

Fica claro que Deus não gosta de ficar devendo ou seja, se voce ajuda o necessitado, Deus pagara voce!!!!

Quero convidar a meditarem numa reflexão sobre este assunto no seguinte endereço:

http://www.webservos.com.br/gospel/reflexoes/Reflexoes_show.asp?id=8871

Nessa reflexão eu forneço alguns endereços de casas que acolhem os moradores de rua no Brasil.

Que Deus abençoe!!!

Luiz Carlos Aquino em 9 de abril de 2009

Gostei, é primeira vez que vejo filme sobre a realidade dos moradores de rua, que é um problema social, Matheus está de parabéns, seu futuro promete, se precisar de ideias pode contar comigo.
Boa Sorte

EVA em 30 de abril de 2009

bom dia meu pai e portador de deficiencia, i esta desaparecido desde o dia 31 de maio i ate agora não temos nenhuma noticia dele, ele e epletico, esta sem memoria o nome dele e josiel cordeiro da silva
natural de são mateus - maranhão nascido dia 29.08.54 filiação raimunda c. da silva i maria rosa da silva
esta aki mesmo em são paulo, si alguem o ver favor entrar em contato no fone 3214-4405, por favor não brinquem com coisa séria...

jessica em 3 de junho de 2009

Parabéns pelo documentário!!! Trabalho com população de rua há mais de 4 anos, e pode ter certeza que a situação com qual me deparo diariamente é muito pior., o descaso é enorme, a falta de vontade de realmente fazer algo para mudar essa situação é o que existe de concreto. Se cada um colocasse em pratica aquilo que fazem em teoria a situação dessas pessoas já seria melhor.
Vc pode achar que não ajudou essas pessoas, engano seu, um minuto que vc perde conversando com eles pode fazer a diferença e faz com certeza, eu sei disso, alguns podem até não saber expressar o agradecimento, mas eles sabem qd alguém realmente se interessam em ajudar a mudar a situação. Mas uma vez lhe dou parabéns pela iniciativa.... Que Deus lhe guie e ilumine seus passos nessa caminhada!!!!

Sandra em 9 de junho de 2009

Maravilhosa matéria! Excelente Iniciativa!
Prezados, estou me formando em psicologia e para conclusão do meu curso, estou realizando um estágio supervisionado em psicologia comunitária, com moradores de rua, todos os assuntos relacionados, é de grande ajuda para meu projeto de intervenção com esse público.
Deixo abaixo meu e-mail para envio de matérias relacionadas (pam1987@gmail.com)

Pamela em 7 de julho de 2009

Gostaria de saber se existe alguma ONG / igreja ou alguma instituição que possa ajudar realmente uma moça que tem uma filhinha de 3 anos e um bebe de 6 meses e que dorme diariamente perto da Rua Direita no Centro de São Paulo faça chuva ou faça sol.
De dia ela fica na igreja com as crianças (não podendo nem dar banho nas crianças que é proibido) e a noite não é permitido dormir então ela sai com as 2 filhinhas que vejo tratar com carinho e monta uma barraca para dormir.
Quando ela vai para albergue existem outras pessoas que roubam os poucos brinquedos ou comida (já que lá existem pessoas drogadas) portanto ela prefere dormir na rua com as filhas.
POR FAVOR se alguém souber de alguma possibilidade desta moça conseguir ficar com as duas filhinhas avisar.

Denise em 10 de julho de 2009

Parabens. muito bem feito
assisti com atenção pois estou iniciando um trabalho de conclusão de curso sobre esse tema.

Rafael Luz em 16 de setembro de 2009

me emocionei horrores aqui. a cada dia, uma tapa, uma lição dada.

Luciane em 18 de novembro de 2009

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