O fascismo do corpo humano

Publicado em cinema por speculum em 22 abr 2009 | 9 comentários

 Sweet movie, um filme de Dusan Makavejev

Tempos atrás, vi um filme diferente no cinema. Tratava-se, na verdade, de um relançamento. Fez algum barulho mas logo foi relegado ao esquecimento. Hoje, deve estar a espera, silencioso, em alguma prateleira empoeirada de vídeolocadora. Falarei um pouco sobre esta fita, que deve ser assistida por todos, afinal, ela é daqueles tipos de filmes que ajudam a pensar e resumem um período da história do século 20.

O excelente diretor iugoslavo Dusan Makavejev, mentor do filme Montenegro (Montenegro, 1981), relançou aqui no Brasil um de seus primeiros filmes. Trata-se do polêmico e satírico filme Sweet movie, obra de 1974. Para se ter uma idéia do grau de polêmica da película, Sweet movie continua banido do território dos EUA e do Canadá.

 Sweet movie, um filme de Dusan Makavejev

E o porque da proibição? Simples, muito despojamento e tensão sexual. O filme conta a história de duas mulheres. A primeira sobre a Miss Mundo 1984 (Carole Laure), que se casa com um decrépito magnata de petróleo, que sofre de impotência sexual, e, por isso seus desejos são singulares. Ao invés do sexo convencional, ele só se satisfaz em urinar na pobre garota. A angústia da garota é tanta, que ela se manda para Paris e encontra um novo amor, agora um roqueiro afetado e drogado. Sua vida ganha novo ritmo, onde ela se envolve em body-art (arte através da mutilação do corpo), muito sexo e entra para um grupo comunista na Áustria.

A segunda história gira em torno da Anna Planeta (Anna Prucnal), capitã de um navio carregado de chocolates, doces, homens e crianças, e está apaixonadíssima por um refugiado do navio de guerra Potemkim. Toda a intensidade dos comportamentos no navio se basea somente em sexo e política, até o limiar da insanidade.

 Sweet movie, um filme de Dusan Makavejev

 Sweet movie, um filme de Dusan Makavejev

Sweet movie é espontâneo e vulcânico. Parte narrativo, parte documentário, parte teatral e parte experimental. Makavejev mapeou uma idéia do fascismo e do comunismo que o corpo humano produz e do poder do sexo na vida política das pessoas. Uma metáfora da essência pornográfica que o sistema de autoridade e do poder imprime nas pessoas.

Artigo da autoria de Danilo Corci, Speculum.
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9 comentários

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Com certeza irei assistí-lo. O único problema será encontrá-lo... mas depois dou um feedback do que achei.

André (@emfoco) em 22 de abril de 2009

esta muy buena las chicas y si me comeria todo ese chocolate

lisandro em 27 de abril de 2009

nussa eu sou lésbica, e adorei essa menina com a buceta e os seios amostra, ficaria melhor ainda sem essa tinta ! :D

Vitória em 28 de abril de 2009

Adoro seu blog pq é cheio de dicas sensacionais alem de ser muito bem escrito! Parabens!

vanessa em 6 de maio de 2009

Hum, gostei da dica. Mas o pro é encontrar esse filme em dvd. =/

David em 19 de maio de 2009

O enredo é fascinante, mas é bem difícil de encontrá-lo,
Faz um bom tempo que estou procurando a seguinda versão do filme de Stanley Kubryk, Lolita... mas está difícil....

Josi em 28 de maio de 2009

Vi-o em 1989 num ciclo de cinema, no Porto. Lembrava-me de ter dado muito que falar na altura do lançamento, em 1974-5, e fui ver. Filme inesquecível, hoje não deve ser tão chocante porque as "portas" já foram abertas. É uma das sequelas ideológicas de Last Tango in Paris, como por exemplo o francês La Grande Bouffe.

Paulo de Oliveira em 16 de agosto de 2009

nossa!!!q CHOCOLATE HEM...

celso em 29 de agosto de 2009

Uma porcaria de filme.
Não é polêmico, é de mal gosto.
Não gera debate, só nojo.

Com certeza chocante é, principalmente as cenas onde se urina e vomita à mesa para que os outros comam, ou sua sequência, onde as pessoas evacuam no prato, dançam e oferecem a todos no barco, para tudo então virar uma festa, com bosta voando pra todo lado.

Volto a dizer que o filme é uma porcaria e nem um pouco polêmico. Talvez tenha sido banido de alguns países pela referência à pedofilia, na cena em que a mulher esfrega a xereca e os peitos nus na cara do menininho de 6 anos.

De doce não tem nada (a não ser que se considere que um porão cheio de açucar pro pessoal transar valha para classificar o filme como doce). É somente uma nojeira do início ao fim. Uma ou outra cena se salva, como a do chocolate ou da massagem no bebezinho. O resto é mostrar cenas chocantes ou de gente feia nua, ou ambos.

Ah, sim. O milionário é magnata do açucar, e não do petróleo.

Luciano Pinheiro em 24 de setembro de 2009

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