Georges Méliès - o mestre dos efeitos especiais

Publicado em cinema por rita em 26 jun 2009 | 7 comentários

 Georges Méliès - o mestre dos efeitos especiais

Na história da cinema poucos indivíduos deve haver tão importantes e tão injustamente esquecidos como Georges Méliès. À excepção do equipamento de filmar e projectar, não será exagero dizer que Méliès inventou tudo no cinema, mas tudo mesmo: os estúdios de filmagem, os géneros cinematográficos, os guiões, as técnicas mecânicas e químicas, os efeitos especiais. Em tudo foi pioneiro e fê-lo com tal imaginação e mestria que grandes cineastas como Chaplin ou Griffith reconheceram a sua influência e inspiração. É justo que se recorde o mestre e o seu trabalho.

Méliès merece um lugar de destaque na História, ao lado dos grandes criadores e visionários de todos os tempos que levaram a humanidade mais longe. Possuía um espírito inquieto e sonhador e uma enorme versatilidade. Na sua vida desempenhou uma série de actividades e profissões tão diversa e tão rica como desenhador, caricaturista, decorador, ilusionista, prestidigitador, actor, dramaturgo, realizador, produtor e vendedor de brinquedos. Nunca se conformou com as contrariedades e com os desaires que sofreu e não foram poucos. Soube mudar e adaptar-se. Foi brilhante. Foi deslumbrante.

 Georges Méliès - o mestre dos efeitos especiais

Se tivesse seguido a tradição familiar Méliès poderia ter sido um bem sucedido fabricante de calçado de luxo em Paris. Mas o mundo do espectáculo e da magia atraía-o e, com o dinheiro que recebeu da empresa familiar, tornou-se actor e prestidigitador e comprou o famoso teatro de Robert-Houdin, o grande mágico francês. Pouco depois, em 1895, assistiu à primeira apresentação pública do Cinematógrafo dos irmãos Lumière. Este acontecimento mudou o rumo da sua vida.

Fundou uma companhia cinematográfica, a Star-Films, e montou estúdios de gravação equipados com uma série de funcionalidades, como iluminação (natural e artificial), cenários amovíveis, camarins e instalações para os actores, zona técnica, etc. Foi aqui que desenvolveu tudo aquilo que se viria a tornar a sua imagem de marca e futura linguagem do cinema, combinando artes teatrais, tecnologia e efeitos especiais. Alguns dos modernos processos de montagem nasceram nestes estúdios, como o corte, a paragem da câmara, o stop-motion, a sobreposição de imagens, as transições por dissolução (fade-in, fade-out), a manipulação gráfica da imagem, a utilização de ilusões de óptica e muitos mais.

 Georges Méliès - o mestre dos efeitos especiais

Desta sua actividade prolífica resultaram mais de 500 filmes, curtas metragens de uma bobine no início e médias metragens mais sofisticadas posteriormente. Muitos deles se perderam, uns simplesmente desaparecidos, outros vendidos a peso para serem transformados em tacões de sapatos (autêntico). Conta-se que o próprio Méliès destruiu muitos deles num acesso de fúria, num momento difícil da sua vida.

O filme que o celebrizou foi uma obra excepcionalmente longa para a época, com 14 minutos: Viagem à Lua (Le voyage dans la Lune), de 1902, baseado num romance de outro visionário seu conterrâneo, Jules Verne. A imagem fantástica do foguetão a atingir um olho da lua viria a tornar-se um dos grandes ícones visuais do século XX. Todos os seus filmes possuíam uma enorme dose de magia, fantasia e deslumbramento que Méliès tinha aprendido na sua primeira profissão de ilusionista e prestidigitador e os complexos efeitos especiais, que tão bem sabia usar, eram o meio de que se servia para nos encantar. O fantástico e a magia, essências da obra de Méliès, são afinal as coisas essenciais de que é feito o cinema.

 Georges Méliès - o mestre dos efeitos especiais

Rita NovaesRita Novaes interessa-se por História e por histórias, sobretudo se forem bem contadas, por máquinas fantásticas e objectos coleccionáveis. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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7 comentários

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Fabuloso para a época!

Ana em 29 de junho de 2009

Isso aí não tinha som e já tinha efeitos? Legal...

Ivan em 29 de junho de 2009

É verdade, Ana. Alguns dos filmes de Méliès foram realizados ainda no século XIX, o que é extraordinário.
Obrigada pelo comentário.

Author Profile Page rita novaes em 29 de junho de 2009

Sim, o som só apareceu muito mais tarde.
Obrigada pelo seu comentário, Ivan.
Volte mais vezes

Author Profile Page rita novaes em 29 de junho de 2009

Fascinante! Este homem realmente foi um gênio!

Adam em 30 de junho de 2009

Sem dúvida, Adam, penso o mesmo. Naquele tempo e com as limitações técnicas que havia a criatividade e o engenho eram enormes.
Muito obrigada pelo seu comentário e volte por cá mais vezes ;)

Author Profile Page rita novaes em 30 de junho de 2009

Mais que legal esses filmes hein!!

Grazielly em 3 de setembro de 2009

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