Fabulosos ekranoplanos

Publicado em motores por rita em 7 jul 2009 | 16 comentários

 KM - o monstro do Mar Cáspio
KM - o "monstro do Mar Cáspio"

Não é um avião, não é um barco, nem é um veículo terrestre; também não é um hovercraft, apesar de apresentar certas semelhanças. O próprio nome é estranho: Ekranoplano é uma palavra composta a partir da expressão russa ecranniy que significa à letra "efeito de solo" e refere-se a um veículo capaz de deslocar-se - e bem depressa - graças a esse efeito. Que espantosa máquina é esta, afinal, que parece saída de um filme de ficção científica ou de um moderno jogo de computador?

Quando uma superfície plana se desloca a grande velocidade muito próxima de outra superfície plana, o ar existente entre elas forma uma espécie de colchão que as mantém afastadas. Este fenómeno, conhecido como "efeito de solo", fez antever a possibilidade de conceber um veículo que se deslocasse a rasar o solo sem a necessidade de construir qualquer estrada ou via, além de que o baixo atrito permitiria atingir grandes velocidades. A superfície de deslizamento ideal seria a água, uma vez que é completamente lisa e isenta de obstáculos. Surgiu assim o conceito do ekranoplano.

 KM - o monstro do Mar Cáspio

O primeiro a conceber tal engenho foi o russo Rostislav Evgenievich Alexeyev nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Estava-se em plena Guerra Fria e governo soviético da altura viu com bons olhos o desenvolvimento de um veículo militar veloz impossível de ser detectado pelo radar. O projecto, denominado KM, ficou concluído em 1966. Foi o primeiro e maior veículo de efeito de solo alguma vez construído, com 100 metros de comprimento e mais de 500 toneladas de peso, impulsionadas por dez potentes turbo-reactores. Os testes decorreram nas águas do Mar Cáspio sob o maior segredo e sob um satélite espião americano. Das cem unidades previstas inicialmente, apenas foram construídas cerca de vinte deste veículo.

O desenvolvimento do ekranoplano continuou a ser apoiado pelo governo soviético e, em 1972, surgiu um novo aparelho mais pequeno mas mais eficaz: o Orlyonok A-90. Possuía apenas 58 metros de comprimento e pesava cerca de 140 toneladas. No entanto, dois reactores e um motor a hélice levavam-no a ultrapassar os 400 Km/hora a uma altitude de 5 a 10 metros. Estas características davam-lhe também a possibilidade de operar sobre terra, o que devia ser verdadeiramente impressionante! Vários aparelhos destes mantiveram-se em serviço em operações no Mar Cáspio e no Mar Negro até 1992.

 Orlyonok A-90

 Orlyonok A-90

 Orlyonok A-90
Orlyonok A-90

Actualmente ainda se podem ver ekranoplanos um pouco por todo o lado. Já não se destinam a fins militares como os colossos produzidos no tempo da ex-União Soviética e sim a usos comerciais e turísticos. Não obstante os aparelhos serem de um modo geral pouco estáveis, algo que a evolução da tecnologia acabou por resolver, continuam a representar um meio de transporte válido e relativamente económico. Prevaleceu o conceito que deu origem a algumas das mais estranhas e fascinantes máquinas que o génio humano concebeu.

 Beriev BE-2500
Beriev BE-2500

 LippischX-114
LippischX-114

 Aerocom Atlantis 1
Aerocom Atlantis 1

Fontes: 1, 2, 3

Rita NovaesRita Novaes interessa-se por História e por histórias, sobretudo se forem bem contadas, por máquinas fantásticas e objectos coleccionáveis. Saiba como publicar um artigo no obvious.
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16 comentários

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ola :)

são maquinas fascinantes!

para quem gosta de tudo o que voa (como eu ;-) ) este é um post delicioso. parabéns rita

cumprimentos a todos,

ja

Ze Artur em 7 de julho de 2009

um tanto qto grotesco esse tal de ekranoplan

bombastic em 7 de julho de 2009

Olá Zé Artur. Muito obrigada pelo seu elogio. É fascinante de facto. Eu também gosto de tudo o que voa, menos moscas e mosquitos. Tenho pavor desses insectos.
Passe por cá mais vezes que eu prometo escrever sobre máquinas voadoras :)

Bombastic: sim, alguns destes aparelhos eram verdadeiramente grotescos. Custa a crer que existiram.
Obrigada pelo comentário.

Author Profile Page rita novaes em 7 de julho de 2009

Ou me engano muito ou esse famoso "efeito de solo" de que fala o artigo era o mesmo que foi usado há um bom par de anos na fórmula 1, salvo erro no final dos anos setenta. Os carros tinham um fundo chato e umas palas laterais para concentrar o ar. Acho que houve até um carro pilotado por Niki Lauda (o ás dessa época) que tinha uma ventoinha para aumentar esse efeito. Creio que lhes chamavam "carros-asa" e eram das coisas mais velozes que se viram até hoje em circuitos.

Zé Mário em 7 de julho de 2009

Nunca ouvi falar desses carros, Zé Mário, mas pelo que me diz deviam ser interessantes. Não sou propriamente fã de Fórmula 1 nem era ainda nascida nessa época mas posso investigar. Quem sabe não daria um artigo bom... Obrigada pela dica. ;)

Author Profile Page rita novaes em 7 de julho de 2009

Rita, numa única palavra, extraordinário! :) Nunca tinha ouvido falar de tal máquina... ekranoplanos, é uma máquina nova que fiquei a conhecer.

Author Profile Page bjr em 8 de julho de 2009

realmente são interessantes as naves rita, ou seja lá oq forem, assim como muitos tbm nunca ouvi falar dessas coisas, elas são intrigantes pelo gigantismo que dispõe, mas mesmo assim possuem um futurismo muito estranho no design.

não quis ofendê-la no outro comentário, gosto do blog exatamente pelos assuntos estranhos abordados, só achei curioso isso por nunca ter ouvido falar...

bombastic em 8 de julho de 2009

BJr, ainda bem que aceitei o seu convite para escrever no obvious. Parece que os meus artigos têm agradado aos leitores e a si também. Fico muito feliz por isso e neste momento tenho muito mais confiança do que no início, quando ficava nervosa com os comentários.
Beijo ;)

Author Profile Page rita novaes em 8 de julho de 2009

Não fiquei ofendida, bombastic, pelo contrário. O design russo, sobretudo o dos anos da Guerra Fria, tem qualquer coisa de estranho e futurista. Pessoalmente acho-o fascinante.

Author Profile Page rita novaes em 8 de julho de 2009

O efeito de solo é um velho conceito da física. O sr Bernoulli estabeleceu no sec. 18 a equação matemática que explica o principio que hoje tem o seu nome. Este mesmo principio tem sido aplicado, na era moderna, aos discos magnéticos que povoam os nossos computadores, assim como a todos os outros mais antigos, permitindo que as cabeças de gravação e leitura possam flutuar em cima da superfície do disco sem lhe tocar e sem o danificar. A utilização do efeito de solo, melhor do principio de Bernoulli, é neste momento mais abrangente do que possa imaginar: carros do dia a dia, discos, ecranoplanos, aviões (forma da asa), carburadores dos motores (onde se mistura a gasolina com o ar, velas do barcos, etc., etc.. Alguma vez haveria de chegar o momento de espantar as gentes com as loucas máquinas voadoras... Parabéns Rita pelo trabalho.

alfie em 9 de julho de 2009

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Rita, eu também tremo quando falo para um grupo de mais de duas pessoas, mas a certeza do meu conhecimento sobre o assunto, em questão,me apoia e faz mais forte.

silvioafonso.

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silvioafonso em 9 de julho de 2009

Tem razão, Alfie. O avião é a aplicação mais espantosa desse conceito e já não nos admiramos com ele de tão habituados que estamos. No entanto, um aparelho que quase não descola do solo consegue ser captar mais atenção. Não deixa de ser curioso.
Sílvio: é verdade que no início me sentia menos à vontade mas não era pela insegurança dos meus conhecimentos.
Obrigada a ambos pelos comentários e pelo apoio.

Author Profile Page rita novaes em 9 de julho de 2009


São 02:31hs da manhã estou com insônia abro o microcomputador e me aparece na pagina do yahoo uma matéria do edifício mais longo do mundo, Abro e para minha felicidade e na solidão do meu quarto me deparo com uma pequena foto de uma jovem.
Por surpresa quando clico sobre ela me aparece esse blog OBVIOUS, começo a correr por ele e me encanto pelas rica informações e ilustrações.
Estas de parabéns.

sergio jorgino em 27 de agosto de 2009

olá aviões deferente parece com uma nave espacial muito bom gostei

REINALDO SOARES SILVA em 21 de setembro de 2009

o efeito de solo ainda hoje por vezes nos trás problemas( pilotos). No Boeing 747 ( Jumbo) com vento calmo ao aterrar parecia que nos sentávamos em cima de uma almofada de ar e tinhamos que fisicamente puxar o nariz do avião para baixo rápidamente .No Airbus 340-500 os winglets diminuiram substancialmente esse efeito ,e é raro acontecer e quando acontece é por um ou dois segundos.

Carlos Gomes Pinto em 4 de outubro de 2009

bom nao sei muinto bem oq dizer so que fiquei chocado com os tamanhos abisurdos destas maquinas q podem voar ou planar naturalmente omo uma ave.,nao sei mas oq dizer mas gostei e se poder gostaria de ter mas informaçoes ate breve um amraço do (nomade)

deivid c santos em 17 de novembro de 2009

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