O Festival Folclórico de Parintins, na Amazônia

Publicado em artes e letras por carmosa em 5 jul 2009 01:30 PM | 5 comentários

 Festival Folclórico de Parintins

A história é simples como todas lendas folclóricas: mãe Catirina está grávida e deseja comer língua de boi. Para atender seu desejo e com medo de que sua esposa perca o filho, pai Francisco mata o boi preferido do dono da fazenda, que ao descobrir manda prendê-lo e pede a um pajé para ressuscitar o boi. O boi renasce e começa a grande festa de comemoração. Para encenar essa história no final do mês de Junho, em arena aberta, para um público de 35 mil “brincantes” como são chamados os espectadores, Parintins, antiga Ilha Tupinambarana, localizada no coração da Amazônia, realiza uma das maiores festas populares do Brasil, o Festival Folclórico de Parintins, mais conhecido como a Festa dos Bois-Bumbá.

Chegar a Parintins que tem apenas sete mil quilômetros quadrados e cem mil habitantes, só é possível de avião depois de uma hora e meia de viagem, saindo de Manaus, ou de barco, após uma viagem que pode durar entre 8 e 24 horas, nada que desestimule os oitenta mil turistas, metade dos quais estrangeiros, que para lá se dirigem todos os anos para vibrar com o espetáculo. Os protagonistas da folia são os grupos do boi Caprichoso (azul e preto) e Garantido (vermelho e branco), que se alternam no palco durante os últimos três dias de Junho, contando de forma e enfoque diferentes a lenda, visando conquistar o titulo de campeão.

 Festival Folclórico de Parintins

 Festival Folclórico de Parintins

Difícil acreditar o que acontece em Parintins nesta época do ano quando a população da cidade entra em estado de êxtase. Para se ter uma idéia, as casas dos mais fanáticos são pintadas de azul ou vermelho para indicar o favoritismo de quem mora ali e casais de torcidas opostas, exibindo na roupa a cor do seu “boi”, se separam, pelo menos nos três dias do festival. Pessoas faltam ao trabalho para aproveitar a festa e para evitar favoritismo, a cor da tinta da caneta usada pelos jurados é verde. A Coca-Cola principal patrocinadora do evento cujo rotulo é vermelho, cor do “garantido”, entrou no ritmo da Ilha e fabricou uma embalagem especial em azul para também agradar os “caprichosos”.

As torcidas colocadas em lados opostos da grande arena, claro que exibindo as cores do seu boi, são obrigadas a permanecer em silêncio quando o concorrente se apresenta, sob pena de perder pontos e quem torce por um, não pronuncia o nome do outro chamando-o apenas de “contrário”. Assim, mesmo com tamanho envolvimento emocional, durante a apresentação são proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão, quando o “contrário” se apresenta.

 Festival Folclórico de Parintins

 Festival Folclórico de Parintins

Durante as três noites cada boi conta de forma e enfoque diferente a lenda, desenvolvendo um tema exaltando o meio ambiente e as raízes culturais, em encenações coreográficas através de personagens e rituais que remetem aos habitantes da floresta amazônica e às questões ecológicas e sociais que os afligem. Um tapete de cor em movimento é formado pelas tribos de dançarinos que formam, junto com as gigantescas alegorias que se mexem e se articulam, um cenário apoteótico, cujo ponto culminante é a aparição do boi ressuscitado, quando a platéia vai ao delírio e até às lágrimas.

O Caprichoso este ano veio com o tema “Amazonas, onde o verde encontra o azul” e o Garantido tentando arrebatar o título há dois anos nas mãos do “contrário”, se apresentou com “Emoções”. Independente do título ter sempre que ficar com um dos bois, todo mundo concorda que o empate seria sempre o resultado mais justo para esta magnífico espetáculo, exemplo de rivalidade com união, pela cultura da floresta. Como diz o integrante de um dos bois, o “Festival Folclórico de Parintins é a representação dos costumes e tradições de um povo que tem orgulho de suas raízes, numa festa passional de amor e ódio refletida em luzes, cores, criatividade e alegria”.

Carmosa AbreuCarmosa Abreu é Designer de Interiores radicada em Manaus onde elabora, acompanha projetos e apresenta o programa Interart, veiculado através da rede de televisão Amazon Sat. Saiba como publicar um artigo.
Assine a newsletter 267354rssfeed.png enviar para o delicious Enviar para o StumbleUpon Facebook Twittar este artigo

artigos relacionados

5 comentários

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

Quer dizer então que a gigante COKE se ajoelhou diante dos bois de Parintins? Fantástica a força deste povo simples da Amazônia.

Johil Camdeab em 5 de julho de 2009 às 17h57

As cores são demais

Fábio em 5 de julho de 2009 às 23h06

Onde posso comprar a coca-cola azul? :D

Joana em 5 de julho de 2009 às 23h07

Onde posso comprar a coca-cola azul? :D[2]

Lincoln em 5 de julho de 2009 às 23h38

Esta história da Coca Cola ter mudado de cor é bastante interessante e só aconteceu porque os torcedores do Caprichoso passaram a consumir a Pepsi cuja lata é predominantemente azul. A coisa foi tão séria que a Coca Cola do Brasil teve que pedir autorização da Matriz, para produzir a nova versão do refrigerante com um azul mais clarinho que o da Pepsi.


Grata!

Isabel Couto em 6 de julho de 2009 às 17h16

deixe o seu comentário

Comentário

 

Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos serão apagados.


 

 

Site Meter site statistics PHP Scripts