Quantae - partículas inconscientes

Publicado em fotografia por prill em 9 jul 2009 01:30 PM | 8 comentários

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Quantum é um conceito utilizado pela física quântica e pela mecânica quântica para designar a menor, a indivisível parte de um fenômeno quantitativo que, mesmo sendo pequeno, mantêm todas as características daquele mesmo fenômeno.

Para muitas correntes da psicanálise, todo sintoma causa um trauma que encerra os elementos do trauma principal que desencadeou a neurose. Isso quer dizer, mais ou menos, que investigando a agonia de uma pessoa que não consegue atravessar a rua no momento em que ela precisa realizar essa tarefa, é possível investigar o que causou tal limitação.

A mente é como um iceberg, acreditava Freud. O consciente fica ali aparecendo na superfície enquanto todo o resto, nossa memória esquecida, forma uma coisa submersa que é gigantesca, e que está submersa, perigosamente fascinante. Ainda assim, a ponta está lá aparente e guarda as informações sobre o invisível.

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Nisso tudo estão os sonhos. Confusos, pequenos acasos, digestões do cotidiano que às vezes são tão estranhos, as situações podem ser tão absurdas e não fazemos ideia de porque aqueles objetos estão ali juntos. Os sonhos são uma digestão das nossas memórias, das informações que engolimos dia após dia e que formam imagens, sons e sensações necessárias para a manutenção do nosso cérebro, mas são também o campo de manifestação da parte de nós que está no fundo do oceano do que queremos esquecer, do que nos perturba.

A comunidade Quantae no Flickr, foi criada pela italiana Daniela e busca reunir imaginários e fragmentos do inconsciente, fotografias feitas de propósito ou ao acaso que trazem à tona a junção inconstante e às vezes incompreensível de objetos e impressões. Hoje a galeria conta com mais de 9,500 imagens; capturas altamente criativas que nos levam a alguma concretização das nossas loucuras sonhadas, além de nos deixar ver um pouco dos resgates obsessivos dos próprios fotógrafos. Toda seleção de lembrança é um quantae do esquecimento.

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8 comentários

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Priscilla, achei bem interessante a forma com que introduziu o tema e a relação com a galeria de fotos. As imagens selecionadas são muito bonitas e são perfeitas no contexto do post. Muito legal! =D

Gian em 9 de julho de 2009 às 14h39

wow is cools articles....
introduce me , im harry from ciamis.
is my first time to visiting here, wow ur site is good, i'm glad to be here for search something to make different site

harry seenthing em 10 de julho de 2009 às 11h50

Priscilla,

Muito interessante esse grupo do Flickr. Dei uma olhada em outras fotos e são todas excelentes. Um parenteses fica para a foto desse banheiro do post, a impressão de ocntinuidade passada pela lasca do é fantástica.

Ronzi em 10 de julho de 2009 às 19h59

A motivação e ou provocação das fotos é, apesar de voyeuristica ou por isso mesmo, excelente. Como uma viagem de "olhar e ver". E por tal freudiana.
Mas quantae é uma designação própria da autora do site. Na Física e Mecânica Quânticas usa-se o termo quantum (plural: quanta), para designar uma quantidade indivisível de energia, massa ou movimento.
Peço desculpa pela correcção mas não gostaria que a equipa de cientistas que na primeira metade do sec. XX desenvolveu o conceito ficasse às voltas na tumba.
Gostei muito do tema, traga mais. Também sou um voyeur destes momentos da vida.

alfie em 11 de julho de 2009 às 14h26

Gian e Ronzi, que bom que curtiram. Aqui está só uma amostra mesmo... a galeria é muito mais rica, é incrível como com tão poucas explicações os membros de lá mantenham a coerência das ideias. Perceberam isso? Muito bacana, gosto demais de lá e que bom que pude partilhar e vocês gostaram.
Abraços

Alfie, assim que publiquei o artigo pensei: querido Jesus, faça com que nenhum Físico ou Mecânico Quântico apareça aqui pra ler. hahaha eu sabia que tinha algo errado, mas não conseguia apontar exatamente o que, que vergonha! Vou corrigir, muito obrigada por falar, não, não, a ciência moderna, coitada, se revirando no túmulo! Quer sugerir algum tema que vá por esses caminhos.
Vou adorar, por favor, diga lá.
Abraços e obrigada

prill em 16 de julho de 2009 às 18h12

Prill já que me interroga, já pensou que "a preguiça é a mãe de todas as virtudes" ou em "quem apareceu primeiro: o caos ou a ordem"?
Para qualquer das duas há imagens únicas e estranhas. No primeiro caso as estruturas internas dos ossos e sistemas equivalentes. No segundo estão as turbulências (sistemas meteorologicos, fluídos correndo à volta de sólidos, etc.) e os sistemas fractais. Se lhe apetecer também pode aplicar estas duas provocações às relações humanas.
Abraços

alfie em 17 de julho de 2009 às 19h43

Penrose afirmou que pensamento é uma manifestação quântica no mundo newtoniano..
Tá ai uma luz para "explicar" o paradoxo da existência.

Ronisch Baumgratz em 6 de setembro de 2009 às 02h45

Aí vai mais uma reflexão relacionada, acredito eu, ao post e aos ótimos comentários...

SINTAXE

Olhando fixamente as suas equações, um homem disse que o universo teve um começo.
Houve uma explosão, ele disse. Uma cadeia de estrondos e o universo nasceu. E está se expandindo, ele disse. Até calculou a extensão de sua vida: dez bilhões de voltas da Terra em torno do Sol. E todo o planeta aplaudiu; concluíram que os seus cálculos eram ciência. Ninguém se deu conta de que ao colocar um começo no universo, o homem apenas refletiu a sintaxe de sua língua materna; uma sintaxe que para validar qualquer fato exige começo, como o nascimento, continuação, como a maturidade, e fim, como a morte. O universo começou, e está envelhecendo, garantiu o homem, e morrerá, como tudo morre. Como ele mesmo morreu, depois de confirmar matematicamente a sintaxe de sua língua materna.

OUTRA SINTAXE

Terá o universo um começo?
Será o big-bang uma explicação?
Essas não são perguntas, embora pareçam ser.
Começo, meio e fim, como condição para validar qualquer fato, é a única sintaxe possível?
Eis a verdadeira pergunta.
Outras sintaxes existem. Há uma, entre outras, que permite tomar como fatos variações de intensidade.
Nessa sintaxe, nada começa e nada tem fim; assim, nascimento não é um fato claro e bem definido, mas um tipo específico de intensidade, assim como a maturidade e assim como a morte.
O homem dessa sintaxe, ao olhar suas equações, percebe ter calculado variações de intensidade suficientes para afirmar com autoridade que o universo nunca começou e nunca terá um fim, mas que passou, passa e passará por intermináveis flutuações de intensidade.
Este homem pode bem concluir que o próprio universo é o veículo de intensidade, no qual se pode embarcar numa viagem de mudanças sem fim. Concluirá isso e muito mais, quem sabe sem nunca perceber que estará simplesmente confirmando a sintaxe de sua língua materna.

milton lorena em 6 de setembro de 2009 às 16h31

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