Silvia Machete: simplesmente mulher

Publicado em musica por prill em 24 jul 2009 | 5 comentários

Silvia Machete: simplesmente mulher

Mulheres são a grande contradição de tudo. A anti-matéria, o anti-efeito, o contra-golpe. Dizer em voz alta meia dúzia de paradoxos femininos já foi um grande sinal de fraqueza. Para chegar ao patamar de igualdade que garantiu o direito ao voto, ao trabalho e a escolha de quem casar, com quem transar, quando ter ou não filhos, muitas coisas foram renegadas no caminho.

Do próprio funcionamento biológico, que demarca uma série de diferenças entre homens e mulheres e as coloca irremediavelmente de ciclos que só a natureza, dentro dos seus critérios caóticos, consegue controlar. Robert Johnson, Chico Buarque, Almodóvar e Milan Kundera foram alguns dos primeiros a farejarem que, não, elas não são nada estáveis, mas sim, é impossível fugir da confusão que deixam por onde passam. Tem algo de fascinante e destrutivo.

Mas e as mulheres falando delas mesmas? Visto de dentro, o mundo das portadoras de útero é ainda mais bizarro e confuso e conseguir assumir todos os lados de tantas moedas, sem ter de tirar as ombreiras é uma tarefa feminina bastante século XXI; o orgulho do paradoxo é a a fonte das narrativas desenhadas de Maitena e Marjane Satrapi, também nas falas afiadas de Fernanda Young. Ficamos mais inteligentes para falar de nós mesmas sem pieguismos - pero sin perder la ternura. E agora é a cantora Silvia Machete, que já ensaiava bater o pau na mesa da feminilidade assumida e inexplicável, que vem engrossar o time.

Já falamos dela certa vez aqui no Obvious. A brasileira que largou os trapézios de circo para ir cantar sobre os mais variados e desvairados assuntos, acompanhada de muita irreverência e show de equilibrismo, apresenta seu novo vídeo “Simplesmente Mulher”.

A música faz parte do seu primeiro disco Bomb of love – musica safada para corações românticos do ano passado e agora também comparece na trilha sonora da novela Caras e Bocas da Globo. O clipe visita o fluorescente universo de Silvia Machete, uma mistura de pin-up, macumba e bambolês para falar um pouco das misérias e grandezas do ser mulher. Claro, com toda loucura e qualidade musical que são marcas da moça. Destaque para a La Belle de Jour no espelho, para os pombos e todo o passional exagero kitsch. A direção é de André Mello com as produtoras Cabiria Entertainment e Culto Circuito.

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5 comentários

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Se eu pudesse, queria perguntar a Silvia Machete, e quem sabe a toda esta massa de cérebros femininos, passando pelas irmãs Polgar, consumindo a Marie Curie, Bete Davis, e tantas outras: as mulheres e os homens são da mesma espécie de animais?

Os homens por muito tempo acharam que não, que a mulher era uma espécie inferior. Para não deixar dúvidas, escreveram isto em seus livros sagrados, onde a mulher era feita da costela do homem, e onde, no paraíso, o homem recebia de presente várias mulheres (e as mulheres, o que recebiam?).

Agora tem esta Silvia, meio menina, meio moleque, e não só ela, mas um bando de outras mulheres que estão, parece, redefinindo o feminino. Minha própria filha parece que vai ser solteira, tão diferente é de todas as outras meninas, comportadas ou não, mas enquadradas no mundo masculino.

O que fazer? Criar um país para as mulheres, e pedir encarecidamente a visita de embaixadoras? Estabelecer relações de comércio com o país de Afrodite? Tentar um emprego público, com direito a paletó na cadeira, salário no fim do mês, e benefícios depois da aposentadoria? Ou prosseguir com a guerra, com infibulações, lapidações em praça pública, e ameaças de infernos mil?

E quem fica com as crianças? Que crianças?

Cesar em 25 de julho de 2009

Forte são as mulheres, pois nos aguentam e até nos perdoam.E nem estaríamos aqui, se não fosse por elas.

Lindas, sensuais, perfumadas, arrumadas, macias, verdadeiras Deusas perante a nós homens. Por isso que realmente nós "homens", adoramos voces mulheres.

Ainda bem que voces existem ou isso aqui seria um enorme tédio...!!

Beijos para todas...

Knulp em 29 de julho de 2009

Cesar!!!
Seu coentário é um dos melhores que já recebi NA VIDA. adorei, emrecia virar postagem. obrigada (posso me sentir elogiada como mulher nas palavras, espero que sim).
maravilhoso! vou roubar.

Knulp
concordo sobre o tédio. obrigada pelo comentário. é muito feliz saber que ainda há homens dispostos a enfrentar o caos lógico do universo uterino.

hasta

prill em 30 de julho de 2009

"prill", fica à vontade.

Eu fico espantado com o tanto que a humanidade tem avançado, graças às conquistas femininas. Em 100 anos deixaram de ser tuteladas, para ter os mesmos direitos políticos dos homens, disputar os mesmos empregos, serem donas do próprio nariz, e tantas outras coisas impensáveis 100 anos atrás. Ainda há muito a percorrer, as conquistas femininas tem que ser estendidas para todas as mulheres - afegãs, palestinas, indianas, paquistanesas, chinesas, etc.

E tem uma coisa que ainda precisa acontecer: o sexo masculino tem que evoluir. Tem que acompanhar a evolução do belo sexo. Tem que aprender como é que as pessoas se prendem em uma relação igualitária, como é que distribuem responsabilidades, como partilham prazeres, qual o papel que cada um tem a desempenhar na nova família do século que virá. O que é o pai? O que é a mãe? As crianças continuam sendo o que sempre foram, a necessidade que tem de amor e compreensão, de educação e de limites, continua a mesma e sempre será a mesma. Mas como é que serão criados os adultos da próxima geração? Como é que os valores serão passados a eles? Como é que eles vão amadurecer e desabrochar para a vida?

Há tanta coisa acontecendo, e tanta coisa a acontecer, uma só vida é muito pouco, quisera viver 10, 100 vidas, só para ver o que será feito do ser humano...

Cesar em 31 de julho de 2009

Cesar, como dizia o tal gato pensativo olhando pela janela: "tantos pássaros, tão pouco tempo"...Minhas filhas também são de uma outra espécie...talvez essa idéia de um país...mas não sei se isso que a prill chama de "caos lógico do universo uterino" não nasce justamente como contraponto, ou seja, mulheres e homens só existem porque existem uns e outras. Será?

Adília em 4 de agosto de 2009

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