Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Publicado em fotografia por prill em 21 ago 2009 | 9 comentários

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Crianças adoram ficar nas janelas observando as coisas, as pessoas lá fora. É impressionante como essa fascinação passa depois que resolvemos decretar a idade adulta; é como se o tempo reduzisse a lista de coisas com as quais devemos nos fascinar, a vista se torna comum e a janela, óbvia. Tudo já foi visto.
Para Abby Ross, poucas constatações são tão tristes quanto essa: no olhar da fotógrafa norte americana, nada é mais instigante e fascinante quanto os milhares de detalhes que ficam ali escondidos no cotidiano, só esperando para serem encontrados. Com certeza ela e sua câmera estarão por lá descobrindo vida onde menos se imagina.

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Nascida e criada em São Francisco, Califórnia, Ross se interessou por fotografia durante as longas viagens de ônibus que fazia entre sua cidade e o centro de Nova Iorque; os montes de personagens e histórias que passavam por ela formavam um conjunto intrigante - cães, frutas, aves, imigrantes, miscigenações, pobreza, sobrevivência - que logo começou a perturbá-la: como aprisionar aqueles momentos? Como desvendar os mistérios neles? Eu gostaria que eles se movimentassem em câmera lenta, ela conta, para que eu pudesse gravar cada cena. Há uma beleza oculta no que é ordinário, e uma beleza maior ainda naquilo que já foi exageradamente olhado. As pequenas coisas são grandes, menos é mais. A imperfeição é bonita. Esses paradoxos me fascinam".

A beleza nos defeitos, a beleza nos contrastes. As pessoas e objetos explorados por Abby Ross se revelam donas de múltiplos planos e possibilidades. E o modo como os detalhes se repetem, as pessoas simples e o modo como se relacionam com as coisas, as cores, o modo como se juntam hipnotizam pela verdade que contem, pela existência absurdamente comum. É tudo muito realista mas, ao mesmo tempo, brilhante e otimista. Sabe o filme "Beleza Americana"? As vezes eu sinto que no mundo há tanta beleza que não vou conseguir suportá-la".

O belo de Abby Ross é difícil, mas deixa à mão o convite para darmos um olhar mais demorado sobre as paisagens e pessoas que já não nos parecem mais mistério através das nossas pequenas janelas, das curtas e longas viagens.

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

Abby Ross e a beleza onde menos se espera

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9 comentários

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lindas fotografias :)

Suyane em 21 de agosto de 2009

o fascínio de olhar volta depois a crescer quando se é velhinho, com a conotação negativa de que quem gosta de olhar pela janela não tem vida.

acho que é por isso que eu gosto tanto da minha máquina fotográfica. não só me mantém em exercício constante com me fez viciada em olhar mesmo e sobretudo quando não estou a usá-la.

o que eu gostava de saber é como foram as abelhas parar às laranjas e que grau de acidez negativo absurdo devem ter para tal ser possível. se calhar, são como as laranjas de cuba - quando lhes provei o sumo, pensei tratar-se de sumo de manga.

há outras coisas que se somos proibidos por crescer, uma é rir, rir a sério, não o riso cheio de melindres, regras e ofensas e tretas politicamente correctas, outra é tocar nos amigos. há uma altura na vida em que o toque passa a ser um exclusivo da família.

isso explica-se pelo processo de embrutecimento que é a aprendizagem da idade adulta.

sao em 21 de agosto de 2009

Eu gostei muito! :) Especialmente das coloridas.
Destaque para o homem de chapéu e olhos muito penetrantes.

Aproveitando o espaço: Tenho mostrado o blog para alguns amigos e não supreendentemente todos tem achado magnífico. É sempre bom enfatizar coisas boas, então to aqui fazendo um coro de pelo menos mais uns 5 leitores anônimos do obvious que estão curtindo de verdade o espaço. Parabéns a todos, especialmente à prill, de quem gosto tanto.

Belle em 22 de agosto de 2009

o obvious é assim tras sempre um cesta repleta de ingrdientes que nos despertam e aguçam os sentido que por vezes nos fazem com outros olhos olhar as mesmas coisas...

kau em 23 de agosto de 2009

a vida é bela, com o olhar educado torna-se melhor,
será o que nos quer dizer estas fotos...

humberto nelson em 23 de agosto de 2009

Divino e Melodico.
Quem nao para e se lamenta ou quem nao olha e nao pensa.
São as possibilidades de uma existencia unica.
O melhor é que sempre seremos os abitantes desta maravilhosas publicações.
Nossas expressões, nosso conteudo, nossa forma de sorrir de amar é incrivel.
Não deixando de comentar sobre as possibilidades de viver a vida clicando para que essas emoções venham ao conhecimento de todos.
Parabens a toda produção e o melhor, tudo isso tem um valor mais para nos é nos proporcionado gratuitamente assim que abrimos os olhos quando nascemos.

rafael Nakel Rodrigues em 23 de agosto de 2009

Um dos meus exercícios preferidos de olhar é nas hortas, ou então, se na cidade, na secção de legumes e frutas dos supermercados. Hoje trouxe uns tomates enormes, maravilhosos, da aldeia da minha avó. São todos tortos, quase em gomos irregulares. Do lado de baixo têm uma cicatriz, uma linha na pele que é uma espécie de círculo imperfeito, e dentro desse círculo a carne deles parece sair em borbotos, como se vários pequenos tomates fossem nascer daquele maior. A cicatriz é castanha e áspera, sobre o vermelho liso do tomate. Fico sempre com pena de comê-los, são tão lindos de olhar, tão tortinhos.

tajana em 23 de agosto de 2009

É, a pobreza só é bonita em foto, de preferência em preto e branco... o banguela, o despenteado, o trabalho braçal, o barraco... tudo fica poético... não é culpa da fotografia não... ela até presta um serviço, fazer-nos parar e prestar atenção... E a velha história: imagem é tudo!

valmir junior em 13 de outubro de 2009

que pena, Valmir...
há algo essencial ali que vai além da exposição de dentes faltando, da sujeiro ou tudo o mais que é inerente à condição malvada da humanidade, a desumanização.
Há beleza em coisas absurdas, tristes. Abby Ross faz uma poesia que não tem a ver com fazer a pobreza ficar cosmética; é algo que tem a ver com a nosso próprio terror que é, embora feio e mal, sedutor. Não sei se consigo me explicar...
Você já leu "O casamento" do Nelson Rodrigues? Acho que tem a ver, sabe. O horror desfilando de um modo bonito de se ver.

Obrigada pelo comentário. Fique sempre a vontade por aqui

priscilla em 16 de outubro de 2009

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