Os épicos íntimos de Ane Brun

Publicado em musica por prill em 12 ago 2009 | 6 comentários

Ane Brun

Aos primeiros sons de “The Treehouse Song”, sem aviso, um mundo doce e cheio de brisa aparece. É como se o botão de play tivesse o poder de te transportar para um dia mágico; meio clichê de filme alternativo, mas mágico. Um cão corre na areia, um carro vermelho parado, um amante abandonado, um aneurisma descoberto, um fim doce qualquer. Só algumas descrições e metáforas meio bobas parecem suficiente para falar do paixão fervente e austera que começa a se desenrolar a partir de então.

Ane Brun

O charme nórdico é inegável e, de tempos em tempos, somos brindados com uma nova leva de músicos incríveis que se forma naquela região gelada da Europa. Destes, poucos são descobertos e ganham o mundo mas, quando isso acontece, os efeitos são sempre arrebatadores. A-Ha, Björk e o próprio Sugababes, os grupo Sigur Ros Röyksopp e The Hives, cada qual em seu estilo, atestam a força sonora de países como a Dinamarca e a Islândia.

Ane Brunvoll é um exemplo desses fenômenos que acontecem. Nascida na Noruega, após três discos (sendo o primeiro, Spending Time with Morgan, considerado até o momento como sua obra prima) e inúmeros EP’s oficiais e extra oficiais; Changing the Seasons, de 2008, está sendo o álbum que lhe apresenta ao resto do mundo. Foi a partir dele que conheci os encantos que vão desde as batidinhas da primeira faixa “The Three house song” até a singela valsa “Armour” que parece saída de um conto de fadas. Desde então estou procurando como falar sobre isso sem usar descrições ou metáforas bobas. Falhei e me sinto satisfeita por isso.

Ane Brun

Nas audições, a sensação de que nenhum elemento musical está ali ao acaso é permanente. Os pequenos detalhes que parecem engrandecer cada parte, que conseguem transformar cada faixa em um épico íntimo, uma lenda pessoal. O resultado faz parte de uma esperta habilidade de Ane Brun para articular apelos familiares com um estilo incongruente e raro. O conforto do pop está presente em tudo, mas não disfarça o folk sombrio que remete a um soturno Nick Drake, e a um toque de Piaf que gosta de exibir nas suas tremulações de voz. E na filosofia das canções tudo é brutal e gentilmente congelado nas desilusões do amor e as alucinações do abandono; porque a vida sempre separa, mas sempre - e isso é estranho, é fascinante - sobrevivemos. Às vezes não tão inteiros quanto antes.

As composições e elementos musicais dizem tanto quanto as palavras cantadas e cada música só quer contar da beleza que há no recolhimento da solidão. Ela dá as más notícias de forma doce e hipnótica, e por isso nunca triste. Impossível resistir a essa fantástica e melancólica artista. Para os destemidos, fica a música "The Puzzle", do disco "Changing the Seasons".

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6 comentários

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ora, bela indicação. devoro nórdicos no café da manhã: mew, gentle touch, mum, sigur ros, emiliana torrini, bjórk, ashbury heights. obrigado pela dica.

gilvas em 12 de agosto de 2009

Eu sou assinante dos feeds a lonnngo tempo e raramente dou as caras por aqui, mas existe algo que tem que ser dito: o Óbvius é fantástico.
Mais uma "novidade" (para mim) mostrada por vocês.

Óbvius não é óbvio.

Um abraço.

David em 12 de agosto de 2009

Gilvas,

é incrível a riqueza musical que eles tem. Eu desconfio que venha do trabalho que eles fazem com as crianças na escola, o trabalho de música. O resultado é o que vemos, ouvimos e nos apaixonamos.
obrigada pelo comentário!

David
que bom então sua visita aqui na casa oficial. Como leitora do Obvious, concordo contigo que esse espaço é fantástico, fantástico, como redatora, agradeço from the bottom.
Volte sempre que quiser, fique a vontade
abraços!

prill em 13 de agosto de 2009

A Ane Brun é irritantemente boa.

Adoro a versão de rua de "Changing of the Seasons": http://www.ouve-se.com/2008/08/ja-vem-tarde/.

Naquele ambiente frio, é como se a música fosse um cobertor. Recomendo vivamente.

Filipe Marques em 14 de agosto de 2009

muito bom!

Author Profile Page bjr em 28 de agosto de 2009

Realmente muito bom! Adorei :)

Cris Simon em 16 de novembro de 2009

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