ATNMBL: um novo conceito de automóvel

Publicado em motores por bjr em 5 ago 2009 | 6 comentários

 ATNMBL: um novo conceito de automóvel

Pense bem: há quanto tempo os automóveis não evoluem? À parte a evolução tecnológica, em constante aperfeiçoamento, o conceito básico mantém-se inalterado desde o aparecimento dos primeiros automóveis, ou seja: uma plataforma com quatro rodas movida por um motor e dirigida por um motorista. Decorridos mais de cem anos verificamos que apenas o estilo, a tecnologia e as performances têm evoluído e que esta "evolução" se tem processado ao sabor dos interesses dos grandes fabricantes. São eles que ditam a "moda" e criam em nós o desejo artificial de consumir os seus produtos. E nós embarcamos nesse jogo, seduzidos pelo marketing eficaz e pelos deslumbrantes modelos que nos são apresentados nos Salões. Mas talvez isso tudo esteja prestes a mudar.

 ATNMBL: um novo conceito de automóvel

O estúdio Mike and Maaike, sediado em San Francisco e conhecido pelas suas abordagens experimentais ao design, decidiu que era chegada a altura de reinventar o conceito de automóvel e repensá-lo para os dias de hoje. No estudo que elaboraram focaram-se nas reais necessidades dos utilizadores e chegaram à conclusão de que, entre as muitas coisas que se podem fazer num (e com um) automóvel, dirigir era a menos pretendida.

Um automóvel dos dias de hoje teria de ser um espaço para viver como tantos outros, já que aí passamos tanto tempo, e esse tempo deveria ser bem ocupado a ouvir música, a relaxar, a conviver com os amigos, a desfrutar a paisagem... - nunca a dirigir. Um automóvel passaria a ser então um espaço arquitectónico integrado na nossa vida, na nossa casa, no nosso trabalho, nas nossas cidades. E assim surgiu um pedaço de arquitectura ambulante que nos levará a qualquer lado sem que nos tenhamos de preocupar sequer com o caminho a seguir: o Autonomobile, designado pelo acrónimo ATNMBL, fará tudo sozinho. Este é na verdade um novo conceito.

 ATNMBL: um novo conceito de automóvel

 ATNMBL: um novo conceito de automóvel

A tecnologia necessária à concretização deste projecto está disponível actualmente: motores eléctricos individuais em cada roda, células solares fotovoltaicas na cobertura, baterias sob os assentos, comando por processador ligado ao GPS, sistemas de reconhecimento vocal, sensores de movimento, etc. O maior problema será haver ruas e estradas adaptadas a este tipo de veículo.

O resto foi um puro exercício de design que os seus criadores fizeram questão de não se parecer com um automóvel. É no fundo uma sala de estar envidraçada com grandes sofás, uma mesa baixa e um monitor. Os componentes mecânicos foram compactados e organizados de modo a disponibilizar um espaço habitável generoso que consegue ser maior do que em qualquer automóvel convencional, pese embora o ATNMBL ser bastante mais pequeno. O veículo ainda pode ser desenvolvido se, por exemplo, for encontrada uma solução que se integre melhor na arquitectura (porque não ser um módulo de uma habitação?) ou a possibilidade de crescer de acordo com o número de passageiros.

 ATNMBL: um novo conceito de automóvel

 ATNMBL: um novo conceito de automóvel

Talvez daqui a alguns anos possamos ver estes veículos a circularem pelas ruas, quem sabe, e talvez sejam muitos. Os seus condutores não precisarão de saber dirigir e poderão ocupar o seu tempo de outras formas, como a admirar a paisagem. Mas uma coisa é certa: o automóvel convencional não irá nunca desaparecer, pois haverá sempre gente para apreciar o prazer da condução.

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6 comentários

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Como veículo de transporte é uma maravilha!
Mas onde vamos buscar a adrenalina da condução? Cadê o prazer de ter uma máquina nas mãos? O que será feito do gozo de escolhermos o caminho?
O meu belo sec. XX está a desaparecer por entre os fios da tecnologia.
Viva a tecnologia!

alfie em 5 de agosto de 2009

Primeiro gostaria de parabenizar o blog de um modo geral. Acesso ele quase que diariamente e tomo este espaço aqui, virtual, como uma referência para obtenção do que há de sempre novo no infinito mundo do design e arquitetura. Parabéns, de verdade.

Quanto ao assunto apresentado... sim, a tendência é não existirem mais uma gigantesca quantidade de motoristas como a que existe hoje. A idéia de apresentarmos um questionamento ao protótipo desenhado para os primeiros veiculos automotores é belíssima, pois a questão transgride o jeito (petróleo) que estamos aplicando nossas energias, por que não ir um pouco mais além e trazer sim às ruas o significado de nossa contemporaneidade?! E mais, por que nao tornar este ambiente móvel parte integrante da casa? algo que se acople diretamente ao envelope residencial que chamamos de moradia?!
Muito boa a idéia. Como dizem... o mundo é das possibilidades!

Gabriel Ostermann em 6 de agosto de 2009

Há tempos que participo da idéia do fim dos quadrupedes de borracha. Acredito que esta seja uma boa idéia para dar inicio a novas propostas.

Deveríamos focar mais em coletividade, não só na individualidade que sempre nos levou ao consumo em massa. Esta visão de propriedade indivisível nos causa muitos transtornos. Deveríamos ser mais coletivos e menos egoístas materialistas. Somos exatamente o que as industrias querem que sejamos. Esta na hora de sermos o que queremos ser.

Knulp em 11 de agosto de 2009

Acho inteiramente errado culpar as indústrias por nossos anseios materialistas, e como tenho visto isso cada vez mais, vejo isto com um certo cinismo, algo como dizer que não havia materialismo antigamente, que as pessoas na grecia, na roma, nos povos pré-colombianos eram altruístas e generosas. Ouço frases como o mundo está cada vez mais solitário, e as industrias nos afastam. Tais cenários no entanto partem do principio de um passado cheio de amor e igualdade, de civilização e respeito. Ha, não meus amigos na idade média as grandes indústrias não dominavam o mundo e o materialismo existia com toda a força

Kai em 21 de outubro de 2009

Lindo design... pq não dotar os veículos com banheiros transparentes também?

Pablo Emilio em 29 de outubro de 2009

Ótimo, maravilhoso, tudo muito bem pensado e factível. Só falta uma coisinha, sair de cima do asfalto, voar!

Manrel em 8 de novembro de 2009

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