“Por que a gente gosta de cantores? Onde se esconde o poder das canções? Talvez se origine da mera estranheza de se existir canto no mundo. A nota, a escala, o acorde; melodias, harmonias, arranjos, sinfonias, ragas, óperas chinesas, jazz, blues: o fato de essas coisas existirem, de termos descoberto os intervalos mágicos e as distâncias que produzem o pobre punhado de notas, todas ao alcance da mão humana, com as quais construímos nossas catedrais sonoras, é um mistério tão alquímico quanto a matemática, ou o vinho, ou o amor. Talvez os pássaros tenham nos ensinado. Talvez não. Talvez sejamos, simplesmente, criaturas em busca de exaltação. Coisa que não temos muito. Nossas vidas não são o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas são, temos de admitir, deficientes. A música as transforma em outra coisa. A música nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se fôssemos dignos do mundo”.
Trecho do livro “O Chão Que Ela Pisa”, de Salman Rushdie
Lá na pré-história, quando não existia Internet, disc-man, Big Brother e outras maravilhas do mundo moderno, era bastante comum um cara querer impressionar uma menina com uma… fitinha cassete. Bem, fita cassete, é um tipo de gravação de áudio lançado oficialmente em 1963, que era basicamente o mesmo que a gravação em bobinas, só que os carretos e todo o mecanismo de movimento da fita se encontravam dentro de uma pequena caixa plástica, facilitando o manuseamento e a utilização. É isso ai que está na foto de abertura do artigo. E isso tocava música.
Gravar uma cassete para uma pessoa – ou pensando em criar climas – não era a coisa mais simples do mundo, porque era preciso escolher as músicas certas, a seqüência certa, para que seu intento fosse alcançado. E mesmo que a pessoa não gostasse de todas as músicas, o fato dela gostar dessa ou daquela canção permitia análises subjetivas e apaixonadas sobre o futuro deste relacionamento. Como disse Bill Calahan, do Smog, certa vez, sobre como preparar um clima para um encontro em casa: “Coloque Smiths pra tocar. Se ela ficar, será sua. Se ela for embora, não era para ser mesmo”.
Desde as famigeradas cassetes até nossos práticos CDRs, presentear alguém com uma seleção de músicas é algo muito especial. Porque selecionar músicas para outra pessoa requer atenção e carinho. Você precisa estar pensando na pessoa na hora da gravação, no que ela gosta, em que tipo de música agradaria a ela, que tipo de mensagem você quer passar, coisas assim. Porque existem coisas que estão muito além das palavras. Porque a música pode tornar a vida mais interessante. Porque existem pessoas que não concebem viver sem música, pois a música, como escreveu Ana Maria Bahiana certa vez, é “a vida em código”. Qual música te define, caro leitor?
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.
Até hoje meu marido me impressiona com músicas. No início eram mesmo fitas cassete, depois, pouco antes de casarmos eram CDs.
Agora, depois de 10 anos de casados, ele faz pra mim um play list nos ipod e sempre muda algumas músicas. Sempre por músicas que fazem algum sentido pra nós. Acho lindo!!!
Lindo post! Eu adorava essas fitas... eu tinha umas cinquenta delas. Agora restam apenas 5 ou 6 perdidas por algum canto...
Acho que para me definir o "playlist" teria mais de 100 canções; que tenho um carilho muito especial pois fazem e fizeram parte de coisas muito importantes nessa existência.
É a mais pura verdade pelo menos pra mim, porque me apaixonei por uma mulher que preparou uma fitinha cassete destas. na época eu cantava em uma banda de rock e na fita tinha Tom jobim, djavan e até Roberto Carlos. no começo estranhei pois não era meu estilo de música. foi quando entendi que o repertório da fitinha, simplesmente traduzia os sentimentos dela.
em resumo, temos ma filinha de 2 anos. deu certo a fitinha
briga brava entre she runs away, do duncan sheik, e enjoy the silence, do depeche mode, com várias candidatas batendo na porta. ou isso, ou eu não consegui pensar direito.
há um aspecto a acrescentar: havia um tempo em que havia tempo para sentar-se e gravar uma fita para a figurinha em questão.
e bateu uma imagem forte da minha irmã rebobinando fita scotch na caneta bic para ouvir de novo aquela música, e sem gastar pilha, cara, do toca-fita paraguaio.
Quando eu era criança, algumas trilhas de desenhos de tv (Shazam, Speed Racer, Johnny Quest, Herculóides) mexiam com a minha adrenalina, guiando minhas brincadeiras; nos anos 80, adolescendo, muito do pop brasileiro e do inglês me mantinham concentrado em seus exemplos; depois, adulto, passei a prestar atenção às filigranas progressivas e às baladas com vocais femininos que, quando fecho os olhos, rodam filmes em Vistavision dentro de minha cabeça. Acho que é isso: a música que me define é a que me inspira hoje.
O ser humano é capaz de qualquer coisa para confundir ou se mostrar igual a natureza. Quem não dormiu ao som de uma cascata que de gota em gota canta as suas mágoas ou exulta um novo dia? Quem poderia acreditar que o dia que alvorece com o chilrear das andorinhas não será o mais belo de todos os outros? É com esta certeza que se descobriu a musicalidade do vento nas folhas do abacateiro, nas bananeiras a beira do rio ou nas folhas das palmeiras que chacoalham no alto do tronco fino.
A minha vida como a sua, a de todos em fim, tem, cada uma a trilha sonora que a defina. A música registra um momento de alegria e de tristeza, de dúvida e de certeza, de amor e esperança. Portanto, que vibrem os tamborins e retumbem os tambores. Que soem os clarins, a flauta e os violinos porque o dia que agora morre renascerá com o cantar do galo e o despontar de nova aurora.
Desde bebê, minha relação com a música foi intensa. Minha mãe colocava no berço um radinho de pilha para que eu dormisse melhor.
E quando passei a ter entendimento passei a selecionar os meus gostos musicais e sou hoje um apaixonado pela boa música, principalmente eletrônica.
Quando morava no interior de Alagoas, em Delmiro Gouveia, fazia de tudo para sintonizar rádios como a Transamérica, Jovem Pan e vibrei quando uma das rádios que consegui sintonizar passava um programa via satélite chamado Conexão Europa, onde os principais sucessos da Europa eram transmitidos, fazendo-me um dos poucos garotos da cidade a ter um gosto musical diferenciado.
Gravava os programas de rádio em fita cassete e garimpava as lojas de disco do interior atrás de música eletrônica de qualidade. Apreciava também o bom e velho rock, mas o meu forte sempre foi música eletrônica.
Na explosão da Dance Music que culminou com o sucesso Pump up the Jam do Technotronic, além de dance, eu ouvia também os pais da musica eletrônica Kraftwerk. No rock, passei a curtir demais o som do Pearl Jam.
O programa Novas Tendências do DJ José Roberto Marh tratou de refinar ainda mais meu gosto pelos diversos estilos de música eletrônica como: EBM,Trance, Bigbeat.
Com o passar dos anos, surgiram bandas como The Prodigy, Orbital, Underworld e tantas outras que serviram de trilha sonora para minha vida.
Se pudesse definir hoje a minha real trilha sonora, apesar de escutar tudo o que considero bom, falaria que meu som chama-se: Loops of Fury do Chemical Brothers
Alex em 25 de agosto de 2009
ainda somos os mesmoa e vivemos como os nossos pais... (:::)
kau em 28 de agosto de 2009
Músicas da Ana Carolina........ela é 10.
Kelly Mathenhann corretoras de seguros em 8 de outubro de 2009
Ah também as músicas da Adriana Calcanhoto....
Kelly Mathenhann oxicorte em 9 de outubro de 2009
Essas músicas realmente são maravilhosas!!
Kelly Mathenhann corretoras de seguros em 9 de outubro de 2009
Música é coisa meio maluca. Sempre convivi (desde pequena) com pessoas extremamente ligadas à música, o que significa que eu nunca tinha tempo para colocar as músicas que queria ouvir - estava sempre ouvindo música que outros tinham escolhido ou estava sempre ouvindo gente cantando em minha casa, não havia muito espaço para colocar uma música de minha preferência. Tinha algo tocando ou sendo tocado 24 horas por dia (por sorte, ninguém naquela casa gostava de música sertaneja). Isso acabou sendo bom - fui apresentada a autores e compositores e composições memoráveis que nortearam meu gosto musical e, claro, semi-adulta conquistei espaço para ouvir as minhas músicas - aquelas que me deixam acesas no dentro.
Lou Bertoni em 15 de novembro de 2009
Não tnho um gosto muito definido para música. Gosto muito de mpb, mas não é o único estilo.
sandro em 16 de novembro de 2009
Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos serão apagados.