
Revolucionário. É muito complicado associar uma palavra como essa a qualquer tipo de filme. Foram poucos, em toda a história do cinema, que tiveram o privilégio de carregar esse adjetivo vinculado ao seu nome. Então o que dizer de um filme que sequer chegou aos cinemas e já criou em torno de si uma legião de fãs ansiosos por qualquer mísera informação a respeito do seu desenvolvimento?
Afirmar que Avatar será um sucesso absoluto e entrará para a história como um novo marco no mundo do cinema, sem dúvida, ainda é muito cedo. No entanto, faltando pouco menos de quatro meses para o seu lançamento já é possível, sim, tirar algumas conclusões e justificar parte da grande expectativa criada em torno do “mito” idealizado por James Cameron.
Avatar não é uma obra nova. Já em 1995, James Cameron colocou no papel suas primeiras idéias para o desenvolvimento deste novo complexo universo. Porém, mesmo sendo o cinema a arte do impossível, onde tudo é possível de ser realizado, produtores e técnicos foram unânimes em afirmar, com o reconhecimento do próprio diretor, que não havia ainda tecnologia suficiente para criar algo convincente naquela proporção. O que fazer? Muitos deixariam o projeto de lado e seguiriam suas vidas realizando um novo filme a cada um ou dois anos. Não Cameron.
Com o estrondoso sucesso de Titanic o diretor se voltou para aquele que parecia ser o projeto da sua vida. E se tudo aquilo que ele gostaria de colocar em prática ainda não era possível, a solução era uma só: criar algo que tornasse o seu sonho possível. De lá para cá foram quatorze anos envolvido com um único projeto. Depois da coroação pelo público e pela crítica da trilogia O Senhor dos Anéis, o mundo percebeu que era perfeitamente possível criar uma “Terra Média”, com personagens em CGI tão convincentes e expressivos como Gollum e, principalmente, apresentar isso com conteúdo. Depois disso, outra “novidade” se tornou a menina dos olhos do entretenimento: as salas com projeção em 3D. Com um novo caminho de possibilidades para serem trilhadas, era hora de tornar Avatar uma realidade.

Com um orçamento oficial na casa dos US$ 200 milhões – embora muitos afirmem que a produção já tenha extrapolado os US$ 300 milhões – Cameron escolheu justamente os estúdios de Peter Jackson, a Weta Studios para dar vida aos efeitos especiais do mundo de Pandora. Para a captação de imagens e movimentos do atores, Cameron escolheu um hangar de 16 mil metros quadrados chamado “Spruce Goose” – mesmo local em que o milionário Howard Hughes construiu seu avião no início do século passado.
Com um sistema de câmeras mais ágil e mais leve que o próprio Cameron ajudou a projetar há nove anos atrás, a captação de imagens do filme é toda em 3D estereoscópico. A idéia é que o 3D não seja apenas um elemento exibicionista no filme e, sim, que ele tenha uma função de linguagem. Em resumo: você não verá cenas gratuitas apenas para dizer “olha, temos 3D”. A nova dimensão deverá ter uma função na história e despertar sensações específicas no espectador.

Para afirmar essa revolução, não é preciso mesmo esperar o filme estrear. Sim, em termos tecnológicos Avatar já é um marco. O que veremos no filme que estréia em dezembro é o que de melhor a indústria cinematográfica já produziu até hoje e que, nos bastidores, é capaz de causar admiração até mesmo aos profissionais das empresas concorrentes – como a Industrial Light & Magic e a Digital Domain. A mesma tecnologia de captação de imagens também já está em franca utilização na produção Tintin, que reunirá Peter Jackson e Steven Spielberg em 2011. Porém, em termos de complexidade, ela está longe das necessidades de Avatar, que literalmente precisa recriar novos mundos para dar vida à imaginação de Cameron.
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