KAP – Fotografias aéreas com pipas (papagaios de papel)

Publicado em fotografia por prill em 21 set 2009 | 8 comentários

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas
Morro Branco em Beberibe, Ceará. Ricardo Ferreira.

Nos subúrbios do Rio de Janeiro, os campeonatos ainda são bastante comuns. Oficiais ou extraoficiais, poucas coisas são mais empolgantes que a disputa linha à linha. Basta uma começar a despencar do céu para os meninos de todos os tamanhos saírem desabalados pelas ruas, pelos telhados, aos gritos de avoou, avoou!. Na China antiga, as pipas iam para o alto com a função de enviar mensagens aos exércitos. Na Europa, conhecido como papagaio de papel, as crianças já soltavam cafifas desde o século XII e Benjamin Franklin inventou o pára-raios com a ajuda desse velho brinquedo. Mas, se a imaginação subir junto com as cores e o papel, pode surgir uma curiosidade: como deve ser olhar o mundo pelo ângulo dos vôos de uma pipa.

Como não existe curiosidade ingênua (todas são potencialmente subversivas e criativas), alguém resolveu tentar descobrir como era, se não voar como uma, ao menos ver a vida lá em baixo como uma pipa. Assim surgiu a KAP, sigla para Kite Aerial Photography

"Olá pessoal gostaria de compartilhar um pouquinho de meu trabalho com vocês. Esta é uma modalidade de fotografia pouco conhecida; a fotografia aérea com pipa”, escrevia José Vladimir em 2006 pelos fóruns brasileiros de fotografia. Naquela época, o curitibano (que é técnico em eletrônica) divulgava um trabalho que se iniciava; hoje Vladimir transformou a paixão em trabalho: montou sua própria empresa de fotografias em pipas e oferece serviços para planejamentos imobiliários, para paisagismo e eventos ao ar livre. O mote: é muito mais barato e divertido do que alugar um helicóptero.

Embora soe como mais uma novidade tecnológica dos nossos tempos, a fotografia aérea com pipas surgiu no século retrasado. Há cento e vinte anos atrás, em maio de 1888, o inglês Arthur Batut resolveu acoplar uma câmera diretamente na pipa e, com a ajuda de um altímetro, montou a escala de exposição que lhe parecia ideal para uma boa imagem lá de cima; depois do disparo, um sistema improvisado acionava uma bandeirinha que avisava a conclusão do disparo, ou seja, a hora de trazer a pipa de volta. As primeiras imagens saíram turvas, mas, após alguns ajustes, a técnica frutificou em belas imagens aéreas da pequena ville de Labruguière.

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas
O dandi Arthur Batut e seu excêntrico projeto de acoplar a câmera a uma enorme pipa, 1868.

Hoje, com todas as especializações da fotografia digital, controles remotos, geringonças complementares e até das próprias pipas, a KAP ganhou mais adeptos e tem sido difundida – principalmente na comunidade fotográfica do Flickr. Para pessoas como José Vladimir, a brincadeira acabou se tornando também uma profissão depois que as funcionalidades práticas da técnica foram reconhecidas. Mas o que fica para nós é essa delícia da união entre os conhecimentos técnicos, cálculos e aplicabilidades tão típicas da vida adulta com a inocência cheia de brisa dessa brincadeira que fez parte da história de crianças de todo o mundo.

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas

KAP – Fotografias Aéreas com Pipas
Visão panorâmica de São Francisco em ruínas após o terremoto de 1906. Certamente, a fotografia aérea com pipa mais famosa.


O trabalho do curitibano José Vladimir acabou chamando a atenção da imprensa e rendeu essa reportagem bacana.

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8 comentários

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Voei entre todos os meninos que na minha
idade voavam alto nas cores vivas dos nossos
papagaios.
Rabo de papel picado preso à linha centímetro
após centímetro ou tiras de pano com gilete na
ponta para equilibrar a pipa, cafifa ou pião que
debicava até o chão para cortar aquelas que se
atreviam.
Sonhei muito com a lembrança e que trouxe
para os meus lábios o sorriso do menino que
morou em mim, assim como sinto, ainda, o
vento que empinou aquele brinquedo e
mantém nos meus olhos esta imagem viva e
a vontade enorme de chorar.

silvioafonso.

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silvioafonso em 21 de setembro de 2009

Quando vejo alguém empinando uma pipa, me vem a lembraça da época em que as fazia com todo o carinho, passava a noite criando um novo modelo e por fim a rabiola (era o q dava mais trabalho) e por vezes, quando a linha arrebentava, chorava como quem havia perdido um parente próximo. Boa época essa !!!
Hoje se compra uma pipa, cinco reais. Mas, como disse a meu filho, o melhor é vc fazer...

Edilson em 22 de setembro de 2009

Fantástico!
Fico fascinada diante da criatividade do homem, principalmente quando ela está voltada para o bem. Linda postagem!

Angela em 22 de setembro de 2009

Magníficas as imagens... um deleite pra quem está implorando por sol e flores.. neste início de primavera.. com cara de inverno insistente...

Josieli em 22 de setembro de 2009

Uau!!! Que beleza!
Obrigada!

Patrícia Carmo em 23 de setembro de 2009

Uau! Criatividade e beleza!
Obrigada!

Patrícia Carmo em 23 de setembro de 2009

Sensacional a idéia, eu possuo fotos aéreas com aeromodelos, mas essa idéia de pipa é divertido, gostei.

Eduardo Hial em 29 de setembro de 2009

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Voei entre todos os meninos que na minha
idade voavam alto nas cores de um bonito
passarinho.
Rabo de papel picado preso à linha ou tiras
de pano que equilibrava a pipa, um grande
desengano. Lembrança trazida ao sorriso
de moleque que ainda guardo em mim.
Vento que empina este brinquedo, me deixe
viver sem medo esta lembrança que demora
mas chega ao fim.

silvioafonso.

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Author Profile Page Silvioafonso em 19 de novembro de 2009

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